sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Turquia quer mísseis da NATO apontados para a Síria, que ameaça com guerra global | iOnline

Turquia quer mísseis da NATO apontados para a Síria, que ameaça com guerra global | iOnline

Governo de Ancara fez saber que pretende instalar mísseis Patriot na sua fronteira, aumentando assim a pressão sobre Bashar Al-Assad.

A reacção do líder sírio às ameaças turcas e do Ocidente parece uma réplica dos últimos dias de Saddam Hussein no Iraque. Bashar Al-Assad não só se recusa a abandonar o poder em Damasco como ameaça retaliar e transformar a guerra civil num conflito global.
Numa entrevista a uma televisão russa divulgada ontem, o presidente sírio assegurou que vai “viver e morrer” no país e que uma intervenção estrangeira terá “repercussões mundiais”.
Apresentando o país como “último bastião da laicidade, da estabilidade e da coexistência na região”, Al-Assad considerou que uma intervenção na Síria desencadearia “um efeito dominó”, que “afectaria o mundo do oceano Atlântico ao oceano Pacífico”. “Não sou um fantoche […] Sou sírio, nascido na Síria e vou viver e morrer na Síria”, garantiu o líder. As declarações de Assad surgem dois dias depois de o primeiro-ministro britânico, David Cameron, ter sugerido que poderia ser garantida a saída do presidente sírio em segurança do país se isso permitisse acabar com a guerra civil.
Nas palavras do presidente, “o preço desta invasão, se acontecer, vai ser alto, mas todo o mundo pode pagar”.
Desde o início do conflito, em Março, que muitos elementos da oposição pediram o apoio do Ocidente. Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), os confrontos entre rebeldes e membros das forças de segurança continuaram ontem no país, provocando a morte de mais de 26 pessoas (dez rebeldes e 16 soldados) perto do posto fronteiriço de Rass Al-Ain, que liga a Turquia ao Nordeste da Síria. Os meios de comunicação turcos noticiaram que dois civis turcos foram atingidos por balas perdidas devido aos combates em Rass Al-Ain, cidade maioritariamente curda, onde se encontra um dos últimos pontos de passagem para a Turquia, que não está ainda sob controlo dos insurgentes.
Por seu turno e pela segunda vez este mês, um avião da Arménia com ajuda para Damasco foi obrigado a aterrar na Turquia, por motivos que as forças de segurança locais descreveram como de “rotina”. Três tiros de morteiro contra os montes Golã, ocupados por Israel, foram ontem disparados pela Síria sem, no entanto, provocarem danos.
Com a violência a transpor a fronteira, a Turquia confirmou ontem que estava em negociações com a NATO sobre um eventual envio de mísseis Patriot para se proteger dos confrontos no país vizinho. “É natural tomarmos medidas de defesa”, afirmou o presidente, Abdullah Gul, sublinhando que “começar uma guerra com a Síria estava fora de questão.” Preocupada com a degradação da situação na sua fronteira norte com a Síria, também a Jordânia comprou mísseis norte-americanos para se prevenir de eventuais ameaças.

Nenhum comentário:

Postar um comentário