Empresário tem empréstimos no BCP, no BES, na CGD e no Santander, além do BBVA, que já avançou com processo de penhora.
Depois do BBVA, outros bancos junto dos quais o comendador Joe Berardo não está a conseguir cumprir com as responsabilidades dos empréstimos contraídos vão também avançar com processos de penhora.
Isto acontece porque, na ausência de uma acção concertada, ninguém quer ficar em terra sem reaver os empréstimos.
O i sabe que pelo menos a CGD e o BCP perdoaram uma parte importante da dívida do empresário, não sendo possível, devido ao sigilo bancário, avançar com números específicos.
O banco público está, desde 2011, a executar acções que Berardo deu como garantia de empréstimos contraídos. O “Correio da Manhã” avançou a semana passada que o empresário tem quatro empréstimos no banco liderado por Faria de Oliveira, de 350 milhões de euros, dois deles à MetalGest, holding do empresário, e outros dois em nome da Fundação.
Fontes ligadas ao processo garantiram ao i que depois de o BBVA ter avançado com a penhora sobre os bens do empresário, que envolve numa primeira fase o património da MetalGest, para reaver 3 milhões de euros, todas as outras instituições onde o empresário tem empréstimos terão de fazer o mesmo, sob risco de não conseguirem reavê-los.
Renegociação Em 2009, a nova administração da CGD já tinha tido de intervir, caso contrário teria de activar as garantias, o que obrigaria a instituição a ficar com uma posição muito significativa no BCP, uma vez que que a maior parte das garantias foram em acções do maior banco privado português.
O acordo então negociado com a CGD salvou Berardo. O investidor teve de reforçar as garantias colaterais, embora as negociações tenham acabado por ser fechadas apenas com a Caixa, o BCP e o BES, já que o Santander não concordou com os activos que estavam a ser entregues.
A CGD e o BCP terão emprestado nessa altura cada um cerca de 400 milhões ao empresário, avançando o BES com menos de 200 milhões. Berardo conseguiu também prolongar o prazo dos empréstimos e congelar o pagamento de juros.
As dificuldades financeiras do empresário explicam-se pela desvalorização do património. Por exemplo, Joe Berardo adquiriu a crédito a sua participação accionista no Millennium BCP por um custo de quase mil milhões de euros, valendo hoje menos de 73 milhões. Outros activos, como os que tem na área do imobiliário, também terão desvalorizado cerca de 30%.
O caso do BBVA recua a 2004 e já passou pelos tribunais, estando agora à espera da decisão sobre um recurso do comendador no Supremo Tribunal de Justiça. Porém, o facto de o banco espanhol ter dado o pontapé de saída no pedido de insolvência poderá abrir uma caixa de Pandora cujo resultado e amplitude se desconhece. No último aumento de capital do BCP, em Setembro, Joe Berardo terá acompanhado a sua posição (em torno dos 3%), mantendo uma participação qualificada, entre os 2% e os 5%, uma vez que não houve qualquer informação em contrário para a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
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