sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Alterações climáticas foram fatais para os Maias | iOnline

Alterações climáticas foram fatais para os Maias | iOnline

Estalagmite de 56 centímetros, com 2046 anos, acaba de completar história do colapso da mais avançada das civilizações clássicas. Cientistas dizem que é o fim de um enigma histórico mas também um alerta para a civilização moderna.

Quando o planeta anda preocupado com o fim do mundo segundo o calendário maia (esclareça-se mais uma vez que estes contavam que fosse apenas uma mudança de era e não uma colisão cósmica), novos factos sobre o colapso desta civilização deixam um aviso mais sério. Um estudo publicado ontem na revista “Science” sugere que um dos factores determinantes para o fim desta sociedade terão sido as alterações climáticas. Não tempestades apocalípticas, mas a incapacidade política de lidar com o ambiente em mudança.
James Baldini, autor do trabalho e investigador da Universidade de Durham, explicou ao i que, apesar de a hipótese climática estar há muito ligada ao colapso dos maias, faltavam provas mais fiáveis de que as alterações de variáveis como a precipitação podiam ser associadas aos períodos de prosperidade e declínio documentados nos monumentos maias. O estudo de sedimentos de lagos no Sudeste do México, na península do Iucatão, tinha sugerido que o último século da civilização maia (século xi) teria registado períodos de seca extrema, mas os investigadores procuravam uma prova mais próxima de antigas cidades maias, como Tikal, Caracol ou Calakmul. A vontade de resolver o enigma motivou esta nova investigação e, em 2006, a equipa encontrou o laboratório perfeito para o ensaio de paleoclimatologia: uma gruta a apenas 200 quilómetros das ruínas destas cidades, no Sul do Belize.
A chave do estudo foi uma estalagmite de 56 centímetros, que calcularam estar em formação desde o ano 40 a.C. A partir deste monumento natural, reconstruíram modelos de precipitação entre esse ano e 2006, validados nos últimos anos com medições em tempo real. Depois de terem a cronologia das chuvas, confrontaram- -na com registos históricos da civilização, entre o ano 300 e o ano 1100. Tudo bateu certo: nos períodos mais amenos, os textos e os monumentos mostram que as cidades prosperaram. Os períodos de alterações e maior seca, entre 660 e o ano 900, coincidem com os registos de conflitos e instabilidade política. O período em que a precipitação atingiu valores mínimos foi o último século. Alguns estudos apontavam para uma redução de 40% na chuva nestes últimos anos, o que coincide com os dados da estalagmite.
História feita, que lições há a tirar? Baldini diz que, ao contrário dos maias, hoje sabe-se que há alterações climáticas e é óbvio que a sociedade tem de se adaptar, para evitar a fome por quebras nas colheitas ou conflitos causados pela escassez de bens. Falta agir. Douglas Kennett, co-autor da Universidade da Pensilvânia, tranquiliza: “No Sul do Belize e nas regiões maias as condições de hoje não são tão extremas como as registadas entre 1020 e 1100. Foi a seca mais grave e prolongada dos últimos 2 mil anos.” Ou seja, não é tarde.

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