domingo, 21 de outubro de 2012

Lei obriga privados a vender o que não querem - Dinheiro Vivo

Lei obriga privados a vender o que não querem - Dinheiro Vivo

A intenção do Governo de obrigar, por lei, as gasolineiras a vender combustíveis não aditivados e, por isso, mais baratos está a gerar controvérsia até nas marcas que já vendem gasolina e gasóleo a preços reduzidos. E não é por causa da concorrência que possam vir a gerar.
"Eu vendo gasolina aditivada com descontos e o que o Governo quer é que se passe a vender o produto base, cuja qualidade é inferior, e por isso o meu produto será sempre melhor. Na prática, o que eu vendo é comparável com o que está à venda hoje nas outras marcas, mas no nosso caso com desconto", explicou Nuno Castela, dono da Rede Energia, uma marca portuguesa de combustíveis low cost.
Para este responsável, não é obrigando as gasolineiras a vender combustíveis não aditivados que se vai estimular o mercado e conseguir ter preços mais baixos. "O veículo correto para promover isso é apoiar as empresas que já vendem mais barato. Este podia ser dado no momento de arranjar financiamento, por exemplo, com o Estado a dar garantias à banca", repara. É que segundo Nuno Castela, atualmente já existem no mercado uma série de marcas low cost que poderiam ser incentivadas a crescer ainda mais. "Os supermercados, que vendem marca branca e mais barato, já têm uns 31% de quota de mercado, ou seja, já têm mais que a Galp, que tem 30%. Os restantes 40% são partilhados pela Repsol e pela BP e por uma série de pequenos comercializadores, incluindo os que vendem combustível mais barato, e que são 14%, Contas feitas, diria que 35% a 37% do mercado já é marca branca e já tem preços mais baixos", adiantou. 

Novos tanques nas bombas

Nuno Castela diz que esta medida de obrigar, por lei, as empresas a vender um determinado tipo de combustível acaba por ser uma forma mascarada de mexer nos preços de forma administrativa, o que pode até não ser constitucional.
"É estranho o Governo obrigar entidades privadas a venderem o que não querem. Isto vai obrigar a mexer nas políticas comerciais da empresa e na sua estratégia", disse numa entrevista telefónica ao DN/Dinheiro Vivo, reparando que "não se pode chegar a um restaurante e dizer que ele vai deixar de vender alcatra e passar a vender apenas bife da vazia".
O responsável da Rede Energia alerta ainda  para o facto de que vender um novo tipo de combustível numa bomba implica mais que mudar apenas uma ou duas mangueiras.
"Atualmente, uma bomba de gasolina normal vende, por norma, quatro tipo de combustíveis [gasolina 95 e 98 e ainda dois tipos de gasóleo], o que significa que tem quatro tanques de armazenagem. Se tiver de passar a vender gasolina e gasóleo não aditivados, vai ter de substituir dois tanques ou construir novos e isso é um processo muito demorado e dispendioso, de dezenas de milhares de de euros", explica.
 E remata: "Aliás, se tiverem de construir tanques novos, isso obriga o posto a parar completamente" várias semanas por questões de segurança, o que implica elevada perda de receitas e risco de desemprego.

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