Com apenas um candidato a passar à segunda fase da privatização da TAP - como o Dinheiro Vivo avançara, a Synergy Aerospace, detida pelo brasileiro-colombiano Germán Efromovich -, o risco de o Governo desistir do negócio e a operação falhar é real. Apesar de ser pouco comum recuar num processo deste tipo. O próprio Executivo o admitiu ontem, quando anunciou a aprovação do caderno de encargos que define as regras da privatização da TAP.Leia aqui os planos de Efromovich para a TAP
"Havendo apenas um candidato, torna-se importante sublinhar, mesmo perante os cidadãos, os objetivos estratégicos. Se em algum momento da segunda fase não estiverem acautelados os interesses nacionais, o Estado pode abandonar o processo, sem lugar a qualquer tipo de indemnização", afirmou o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, após a reunião do Conselho de Ministros. Foi ainda assegurado o direito de preferência: no final do período de indisponibilidade das ações, o Executivo pode comprar a companhia se a Synergy entender aliená-la a terceiros.
Ainda assim, a acontecer, o recuo teria de ser cuidadosamente gerido, já que, apesar de recentes, as relações económicas com a Colômbia - onde Passos Coelho esteve com 50 empresários portugueses, em maio - são cada vez mais importantes para Portugal. Disso são exemplo os investimento da Jerónimo Martins (distribuição, do grupo Pestana (turismo) ou da Mota-Engil (construção).
Uma solução intermédia - que passaria pela entrada de um grupo de empresários portugueses, a par de Efromovich - chegou a ser ponderada. E o empresário brasileiro-colombiano não a rejeitaria à partida. "Queremos controlar e gerir a TAP. Se o Governo quiser vender 100%, estamos interessados em comprar, mas se quiser propor um modelo alternativo também estamos dispostos a negociar", admitiu Germán Efromovich na semana passada, em Bogotá.
A verdade é que este é o pior momento para a privatização e isso é visível na forma como decorre o processo. Nesta fase da venda da EDP e da REN, as outras operações concluídas este ano, ainda que não se soubesse qual dos candidatos acabaria por comprar, havia a certeza de que a operação seria realizada.
Por outro lado, a TAP tem capacidade para aguentar mais um ano para ser vendida, se disso depender um bom negócio. "A TAP tem sido gerida como uma empresa privada há muito tempo; não recebe dinheiro do Estado há mais de 15 anos. [...] Saber se sobrevive assim? Claro que sim! Mas não é a situação ideal", disse este mês, em entrevista ao Dinheiro Vivo, o presidente, Fernando Pinto.
A dificultar o negócio poderão estar dois fatores: o preço e o perfil do candidato. Além do momento politicamente complicado do País e da insegurança relativamente ao euro, o mercado da aviação europeu vive um período recessivo - o que contribuiu para afastar grandes grupos europeus como a British (IAG) e a Lufthansa, que chegaram a assumir-se interessadas, ou a Air France/KLM. Pelas previsões da IATA, publicadas este mês, com o barril de petróleo nos 110 dólares e o euro controlado, as companhias europeias vão ter perdas de 917 milhões de euros este ano, mantendo-se em 2013.
Afastados os grupos europeus e estando as restantes grandes companhias impedidas pela legislação europeia de adquirir mais de 49,9% da TAP, o Governo estuda agora os planos de Efromovich - que já detém duas operações na América do Sul, Avianca Colômbia e Brasil. O Governo diz que as negociações vão arrancar quanto antes, para permitir a conclusão até ao final do ano - apesar de o encaixe dever passar para 2013.
"Havendo apenas um candidato, torna-se importante sublinhar, mesmo perante os cidadãos, os objetivos estratégicos. Se em algum momento da segunda fase não estiverem acautelados os interesses nacionais, o Estado pode abandonar o processo, sem lugar a qualquer tipo de indemnização", afirmou o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, após a reunião do Conselho de Ministros. Foi ainda assegurado o direito de preferência: no final do período de indisponibilidade das ações, o Executivo pode comprar a companhia se a Synergy entender aliená-la a terceiros.
Ainda assim, a acontecer, o recuo teria de ser cuidadosamente gerido, já que, apesar de recentes, as relações económicas com a Colômbia - onde Passos Coelho esteve com 50 empresários portugueses, em maio - são cada vez mais importantes para Portugal. Disso são exemplo os investimento da Jerónimo Martins (distribuição, do grupo Pestana (turismo) ou da Mota-Engil (construção).
Uma solução intermédia - que passaria pela entrada de um grupo de empresários portugueses, a par de Efromovich - chegou a ser ponderada. E o empresário brasileiro-colombiano não a rejeitaria à partida. "Queremos controlar e gerir a TAP. Se o Governo quiser vender 100%, estamos interessados em comprar, mas se quiser propor um modelo alternativo também estamos dispostos a negociar", admitiu Germán Efromovich na semana passada, em Bogotá.
A verdade é que este é o pior momento para a privatização e isso é visível na forma como decorre o processo. Nesta fase da venda da EDP e da REN, as outras operações concluídas este ano, ainda que não se soubesse qual dos candidatos acabaria por comprar, havia a certeza de que a operação seria realizada.
Por outro lado, a TAP tem capacidade para aguentar mais um ano para ser vendida, se disso depender um bom negócio. "A TAP tem sido gerida como uma empresa privada há muito tempo; não recebe dinheiro do Estado há mais de 15 anos. [...] Saber se sobrevive assim? Claro que sim! Mas não é a situação ideal", disse este mês, em entrevista ao Dinheiro Vivo, o presidente, Fernando Pinto.
A dificultar o negócio poderão estar dois fatores: o preço e o perfil do candidato. Além do momento politicamente complicado do País e da insegurança relativamente ao euro, o mercado da aviação europeu vive um período recessivo - o que contribuiu para afastar grandes grupos europeus como a British (IAG) e a Lufthansa, que chegaram a assumir-se interessadas, ou a Air France/KLM. Pelas previsões da IATA, publicadas este mês, com o barril de petróleo nos 110 dólares e o euro controlado, as companhias europeias vão ter perdas de 917 milhões de euros este ano, mantendo-se em 2013.
Afastados os grupos europeus e estando as restantes grandes companhias impedidas pela legislação europeia de adquirir mais de 49,9% da TAP, o Governo estuda agora os planos de Efromovich - que já detém duas operações na América do Sul, Avianca Colômbia e Brasil. O Governo diz que as negociações vão arrancar quanto antes, para permitir a conclusão até ao final do ano - apesar de o encaixe dever passar para 2013.
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