segunda-feira, 10 de junho de 2013

Programa PRISM ao serviço do "Big Brother" - Globo - DN

Programa PRISM ao serviço do "Big Brother" - Globo - DN

Sede da National Security Agency (NSA)
Sede da National Security Agency (NSA) Fotografia © NSA/Handout via Reuters
Poucos conhecem as operações de espionagem que são desenvolvidas nos edifícios de vidros negros da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos, em Washington, mas as últimas revelações podem ser apenas a "ponta do 'iceberg".
"Aqui é onde se conhecem os verdadeiros segredos" comentava em 2012 uma diplomata à agência EFE quando olhava para o edifício da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês), antes de se dirigir para o tribunal militar onde estava a ser ouvido Bradley Manning, militar norte-americano, no caso WikiLeaks.
O soldado que é acusado de ter revelado o maior número de informações classificadas da História, está a ser julgado numa base militar no coração das instalações da ciber-espionagem dos Estados Unidos.
Após os atentados de 11 de setembro de 2011, a NSA, que depende do Pentágono, e que conta com mais de 37 mil empregados entre civis e militares, conseguiu mais poderes para controlar as comunicações dentro e fora dos Estados Unidos e consegue aceder a "montanhas" de dados que permitem desmontar atentados terroristas.
A maioria das regras pelas quais se rege a mais opaca das agências federais dos Estados Unidos é secreta e são apenas conhecidas por um punhado de assessores do presidente Barack Obama, legisladores (muitos dos quais a quem foi negada informação sobre o próprio serviço) e juízes em Washington.
A própria existência da NSA, criada em 1952 pelo então presidente Harry Truman, esteve oculta durante mais de 20 anos e apesar da chegada de Obama ao poder e das chamadas de atenção que faz a favor da transparência do organismo, os poderes da NSA continuam a ser tão vastos atualmente como nos tempos da presidência de George W. Bush.
Desde 2008, quando com amplo consenso entre republicanos e democratas, a lei de vigilância de comunicações estrangeiras (FISA na sigla em inglês) foi reformada para baixar o grande número de casos sob controlo judicial, a NSA criou o maior sistema de análise de dados digitais alguma vez conhecido.
A complexidade do sistema é tal que no próximo outono a NSA espera conseguir novas instalações que vão ficar situadas no deserto de Utah, que custaram milhões de dólares, e que vão permitir o processamento e arquivo de uma quantidade de dados cinco vezes superior a todo o tráfico de internet a nível mundial, de acordo com uma investigação da Fox News.
No verão de 2012, o general Keith Alexander, diretor da NSA desde 2005, visitou pela primeira vez a Defcon, a reunião de 'hackers' (piratas informáticos) mais importante dos Estados Unidos.
Na ocasião, considerou "absurdos" os rumores de que a agência tenha arquivos de 260 milhões de cidadãos norte-americanos e recordou que as tarefas da NSA estão limitadas a "informações no exterior" do país.
William Binney, ex-diretor técnico da NSA criticou duramente as declarações do general e adiantou que a agência tem capacidade técnica para recolher sem controlo judicial dados das redes sociais, correio eletrónico e registos de chamadas telefónicas nos Estados Unidos e no estrangeiro.
"Deixei a NSA porque começaram a espiar toda a gente dentro do país", disse Binney numa entrevista publicada na revista Wired publicada em 2012.
De acordo com as recentes revelações publicadas no Guardian e no Washington Post, a NSA recolhe diariamente metadados de chamadas telefónicas nos Estados Unidos que incluem números, duração ou localização das chamadas, através de uma autorização de um grupo de juízes conhecidos como Tribunal FISA, por períodos de 90 dias.
Além do mais, o programa secreto PRISM permite aceder diretamente aos servidores de nove das maiores empresas de internet, entre elas a Microsoft, Google ou Apple, para a vigilância de mensagens, vídeos ou fotografias no estrangeiro com o intuito de encontrar padrões relacionados com atividades terroristas.
Binney, disse sábado ao Washington Times que esta recolha de informações "é apenas a ponta do 'iceberg'" e que a NSA dispõe de 20 mil milhões de registos telefónicos e mensagens de correio eletrónico de cidadãos norte-americanos.
Apesar do secretismo, para Obama e para os congressistas democratas e republicanos os amplos poderes concedidos à NSA são essenciais para evitar novos ataques terroristas.
Carrie Cordero, uma ex-funcionária do Departamento de Justiça e especialista nos assuntos relacionados com informações, indicou na sexta-feira num artigo de opinião que as notícias que foram agora publicadas e que estão a provocar polémica nos Estados Unidos e no Reino Unido, devido ao alegado envolvimento dos serviços secretos britânicos, só estão a dar "informação aos adversários" para que tenham dados que lhes vão permitir adaptar-se tecnicamente para atingir os norte-americanos.

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