terça-feira, 11 de junho de 2013

Investimentos do Brasil e Angola já valem 10% da bolsa | iOnline

Investimentos do Brasil e Angola já valem 10% da bolsa | iOnline

Os novos donos de Portugal, apesar de estrangeiros, falam português. Angola e Brasil têm planos para investir mais

Em menos de uma semana, os presidente de Angola e Brasil, José Eduardo Santos em entrevista e Dilma Rousseff numa curta visita, deram sinais de que o investimento em Portugal é para continuar.
Os dois países de língua portuguesa contam-se já entre os maiores investidores internacionais das empresas que estão cotadas na bolsa portuguesa. Banca, telecomunicações, cimentos e energia, são os principais focos do investimento que às cotações de ontem valia cerca de 5,3 mil milhões de euros. Angola representava mais de metade com activos avaliados em mais de 2700 milhões de euros, sobretudo pela participação indirecta da Sonangol na Galp. Os capitais brasileiros tinham aplicado 2500 milhões de euros na bolsa de Lisboa.
Este valor corresponde, grosso modo, a cerca de 10% da capitalização bolsista das maiores empresas do bolsa representadas no índice PSI. As contas, que incluem ainda a Cimpor, ultrapassam em valor de mercado as participações chinesas na EDP e REN, não obstante estas posições adquiridas em privatizações terem movimentado valores mais elevados.
O peso do Brasil e Angola para a economia nacional é ainda relevante como destinos de eleição para a diversificação das exportações, internacionalização das empresas nacionais e para a mão de obra qualificada. O Brasil não é apenas a rota de engenheiros e arquitectos que fogem da recessão nestes sectores em direcção ao boom de obras públicas e infra-estruturas. Atrai também gestores de topo nacionais, como Zeinal Bava que ainda na semana passada trocou a Portugal Telecom pela operadora Oi.
A Cimpor é o maior investimento brasileiro em Portugal. Concluído no ano passado com a compra de 94% da cimenteira, valia a preços de ontem mais de dois mil milhões de euros.
As empresas brasileiras têm estado na linha da frente para concorrer às privatizações nacionais. Mas apesar do discurso político favorável e dos fundos do banco público BNDES, os resultados são escassos e limitam-se à compra do negócio de saúde da Caixa Geral de Depósitos. Os concorrentes brasileiros à EDP e à ANA - Aeroportos de Portugal não chegaram à fase final dos concursos. A pragmática política portuguesa de privatizações tem posto o encaixe à frente de outras considerações. Mas o Brasil promete insistir.
CTT, TAP e Estaleiros de Viana do Castelo estão no radar e o empenho de Dilma Rousseff pode fazer a diferença. Ontem, o jornal brasileiro "Valor Econômico" revelou o interesse de David Neeleman, dono da transportadora Azul, na companhia área portuguesa. O empresário quer o apoio financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES). Também a empresa pública de correios do Brasil estará a acompanhar a privatização dos CTT.
O capital brasileiro é particularmente bem visto na TAP, dada a importância deste mercado para a transportadora nacional e a delicada situação da empresa de manutenção no Brasil. Isso mesmo deixou claro o líder do PS. António José Seguro foi o primeiro a reunir-se com a presidente brasileira, no Domingo, e defendeu que "o investimento do Brasil não é bem um investimento estrangeiro".
Mais sensível tem sido a gestão das relações económicas com o outro grande investidor que fala português. Apesar de alguns contratempos e discursos, mais ou menos críticos, dos dois lados, o investimento angolano não tem parado de crescer. Ontem, o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação chamou a Angola "o melhor amigo de Portugal". Em Luanda, onde assinalou o 10 de Junho, Francisco Almeida Leite sublinhou que o investimento angolano "não só é bem vindo, como é desejado". Dias antes, em entrevista à SIC, a primeira que deu a um órgão português em 22 anos, José Eduardo dos Santos garantiu que o seu governo continua a apoiar os investimentos angolanos no estrangeiro, dando o exemplo da Sonangol cujo principais projectos fora de portas estão em Portugal.
Mas o próximo passo, que é do conhecimento público, será dado por Isabel dos Santos que vai reforçar a sua posição como grande accionista na futura segunda maior operadora de telecomunicações em Portugal, resultante da fusão entre a Zon e a Optimus da Sonae.

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