quinta-feira, 6 de junho de 2013

FMI admite 'erros graves' no resgate grego. Conheça-os - Dinheiro Vivo

FMI admite 'erros graves' no resgate grego. Conheça-os - Dinheiro Vivo

O Fundo Monetário Internacional admitiu ter cometido 'erros graves' na condução do resgate à Grécia durante estes três anos. Num documento interno marcado como 'estritamente confidencial', a que o The Wall Street Journal teve acesso, a organização dirigida por Christine Lagarde admite que subestimou os efeitos da austeridade na economia do país e admite pela primeira vez que a Grécia não reunia os critérios exigidos para pedir ajuda externa.
1 – Grécia não reunia condições para pedir ajuda
Os erros começaram logo no pedido de ajuda que a Grécia fez aos parceiros europeus. Segundo o documento, o FMI admite que contornou as próprias regras para fazer com que a dívida grega parecesse sustentável, mas na realidade, admite que a Grécia não preenchia três ou quatro critérios essenciais para poder receber um resgate.
2 – Grande beneficiário do resgate não foi a Grécia
O Fundo admite que o grande beneficiário do primeiro resgate a Atenas foi, não o país resgatado, mas a zona euro. Como escrevem, o resgate foi feito numa tentativa de acalmar os parceiros europeus e ganhar tempo para proteger os outros membros vulneráveis, bem como adverti-los dos possíveis efeitos da crise para a economia global.
3 – Dívida não é nem nunca foi sustentável
Apesar de vários elementos internacionais terem sublinhado por diversas vezes que a dívida grega estava controlada, o Fundo vem agora dizer que desde o início sempre houve dúvidas de que possa ser paga e que os técnicos “se mostraram incapazes de assegurar que é sustentável”.
4 – Reestruturação de dívida foi tardia
Para além disso, o FMI vem agora dizer que o perdão de dívida à Grécia, que aconteceu em maio de 2012, foi tardio. Como referem no documento, os técnicos que previram a evolução da dívida helénica “erraram por uma larga margem”. De qualquer forma admitem que politicamente seria difícil de reestruturar a dívida mais cedo, especialmente pela resistência de alguns países do euro que mantinham forte exposição à dívida grega.
5 – Previsões foram muito optimistas
O FMI afirma ainda que foi muito optimista relativamente à previsões apresentadas pelo governo helénico para um regresso aos mercados, bem como à capacidade política para implementar os remédios exigidos pelos credores em troca da ajuda financeira. Apesar disto admitem que “nenhum dos membros da troika achou o acordo [de resgate] ideal” e acentua que havia divergências relativamente ao futuro do país.
6– Comissão Europeia não agiu como devia
As armas voltam-se ainda para a Comissão Europeia, que segundo o Fundo não foi suficientemente forte para aplicar medidas fiscais necessárias para corrigir os desequilíbrios do país. O FMI escreve que “desenharam posições de consenso e tiveram pouco sucesso a implementar medidas fiscais”, além disso sublinham que “não têm experiência em gerir crises”.
Os números da Grécia
Já no segundo resgate, a Grécia continua a ser o país mais instável do euro e a evolução da sua economia ultrapassou tudo o que a troika esperava. 
Entre 2019 e 2012, a economia contraiu 17%, em vez dos 5,5% esperados pelos credores e o desemprego atingiu os 25% quando estavam esperados 15%. Para este ano, o FMI prevê que a economia helénica caia 4,2%, e em 2014 já prevê uma recuperação para 0,6%. 
Apesar de tudo, o governo helénico já se prepara para uma nova reestruturação de dívida, com o ministro das Finanças a afirmar que existem condições para que possa acontecer em breve. 

Em dezembro, os Estados membros acordaram aliviar a dívida grega para garantir que cai para 124% do PIB em 2020, e já esteja "substancialmente abaixo" de 110% do PIB dois anos depois. Esta reestuturação deverá ser realizada no início de 2014 e 2015 se o país cumprir os limites quantitativos acordados. 

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