segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Poluição atinge novos máximos em Pequim - PUBLICO.PT

30% dos habitantes recorreram aos hospitais com problemas respiratórios.

A poluição é um dos principais problemas da China devido à rápida industrialização Jason Lee/ REUTERS

Em Pequim as crianças não puderam sair das escolas e os hospitais registaram picos de casos respiratórios depois de um fim-de-semana em que a poluição atingiu níveis fora de controlo. A indignação por melhor qualidade de vida chegou até aos meios de comunicação chineses.
Durante o fim-de-semana, a poluição na capital chinesa registou níveis nunca antes vistos e considerados perigosos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo a OMS, a média de concentração de minúsculas partículas de poluição – Tiny Particulate Matter – (100 vezes mais finas do que um cabelo humano) não deve ultrapassar os 25 microgramas por metro cúbico. Acima dos 100, o ar é considerado não saudável e ao atingir os 300 as crianças e os idosos devem permanecer dentro de casa.
Leituras oficiais chinesas revelam, no entanto, que, no sábado, os níveis de poluição  em Pequim ultrapassavam os 400 microgramas por metro cúbico, diz a BBC. Monitorizações não oficias da embaixada dos Estados Unidos registaram valores superiores a 800 microgramas.
Nesta segunda-feira, segundo autoridades nacionais, os valores desceram para 350, mas, ainda assim, as crianças em idade escolar permaneceram dentro das escolas e os meios de comunicação social apelaram à restante população para que evitasse sair de casa e praticar actividades físicas intensas.
Segundo a Associated Press (AP), as autoridades nacionais exigiram que várias fábricas diminuíssem as suas emissões e pulverizaram edifícios na tentativa de atenuar a neblina nociva que pairava sobre a cidade.
Nestes dias, a procura por máscaras e purificadores aumentou e 30% dos habitantes recorreram aos hospitais com problemas reparatórios, dizem os media chineses. No hospital de Shijitan, em Pequim, os pacientes tossiam foram diagnosticados bronquites crónicas, asma e outros problemas respiratórios, contou um médico daquele hospital, Huang Aiben, à AP.
“Como as partículas são relativamente finas podem ser directamente absorvidas pelos pulmões. A  capacidade das vias respiratórias em bloqueá-las é relativamente fraca e as bactérias e os vírus contidos no pó podem entrar directamente nas vias respiratórias”, explicou o clínico, acrescentando que a exposição a níveis tão elevados de poluição pode causar infecções bacterianas e virais e até tumores.
Devido à rápida industrialização, a poluição é um dos maiores problemas da China. No ano passado, depois de pressão da população, o governo passou a adoptar uma postura mais aberta na divulgação dos níveis de poluição registados no país e a classe média tornou-se particularmente activa no debate desta questão.
Após deste fim-de-semana, e apesar de o aumento da poluição não estar directamente relacionado com comportamentos humanos, mas com a falta de vento associada a uma vaga de frio, diversos meios de comunicação social chineses alertaram para a necessidade de o país estabelecer um equilíbrio entre o desenvolvimento e a qualidade de vida.
Um exemplo é o China Daily. “No meio de um rápido processo de urbanização, é urgente que a China pense como este processo pode continuar sem comprometer a qualidade de vida urbana com um ambiente cada vez pior”, lê-se no editorial do jornal.

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