terça-feira, 11 de setembro de 2012

Gaspar só precisa de cortar 850 milhões mas pediu seis vezes mais - Dinheiro Vivo

Gaspar só precisa de cortar 850 milhões mas pediu seis vezes mais - Dinheiro Vivo


O Governo está a pedir aos portugueses um esforço de redução do défice “na ordem dos 4,9 mil milhões de euros”, valor quase seis vezes superior à redução necessária combinada com a troika: o défice deste ano deverá ser de 5% do Produto Interno Bruto (PIB)_e terá de cair para 4,5% em 2013, o que dá uma descida de ‘apenas’ 850 milhões de euros, aproximadamente.

Objetivo: evitar eventuais desvios na execução orçamental do próximo ano, ter músculo para enfrentar uma recessão ainda mais severa e, mesmo assim, conseguir brilhar com um défice de 4,5% ou até inferior. Para este ano, há novas medidas de corte na despesa, de impostos (mais IMI e tributação de capitais) para ajudar a reduzir o défice para o limite quantitativo de 5%. Isto é, o desvio já deve dar um défice superior.
Possivelmente, o Governo ainda terá de anunciar mais uma medida extraordinária para cumprir a nova meta deste ano, soube o DN/Dinheiro Vivo. Ontem à tarde, na apresentação dos resultados sobre a quinta avaliação da troika a Portugal, o ministro das Finanças, dramatizou o discurso. “A situação é difícil e perigosa”, mas depois Vítor Gaspar disse qual é realmente o plano: “o programa abre o caminho para o regresso do Tesouro ao mercado de obrigações, em condições normais de financiamento”. Isto é, em meados de 2013 o Tesouro terá de conseguir ir pelo próprio pé aos mercados pedir emprestado dinheiro suficiente (além das verbas da troika que ainda continuam a fluir, mas cada vez menos, como está previsto) para amortizar a mega Obrigação do Tesouro de quase dez mil milhões de euros que vence em setembro de 2013.
Para além disso, Portugal não vai pedir mais dinheiro, apenas pediu (e teve) mais tempo para trazer o défice para menos de 3%. Chegará a 2,5% em 2014, disse. Gaspar mostrou como este contrarrelógio só será cumprido com ainda mais dor para milhões de portugueses. Os reformados com rendimentos maiores serão ainda mais penalizados, os contratados a prazo serão expelidos da função pública, os impostos vão aumentar brutalmente, puxados pelas mexidas no IRS e no IMI.

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