quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Não há mais dinheiro. Governo quer pôr famílias a financiarem o Estado | iOnline

Não há mais dinheiro. Governo quer pôr famílias a financiarem o Estado | iOnline

A troika dá mais tempo a Portugal, mas não dá mais dinheiro, isto porque, segundo revelou o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, Lisboa dispensou mais fundos. O governo manifestou à troika a capacidade para angariar o financiamento adicional, explicou o comissário. Em Setembro de 2013, quando está previsto o regresso aos mercados, vence-se uma emissão de Obrigações do Tesouro no valor de 9,6 mil milhões de euros. Até lá, o governo aposta em reconquistar os aforradores domésticos para a divida soberana.
O primeiro passo já foi dado com a alteração da remuneração dos certificados de aforro de forma a tornar este produto competitivo com os depósitos a prazo disponíveis na banca. A equipa das Finanças está a preparar outros instrumentos para assegurar um regresso aos mercados financeiros na data prevista depois de ter suspendido os certificados do Tesouro. Os particulares chegaram a assegurar 20% da dívida portuguesa, mas com o corte nas remunerações decidida pela equipa de Teixeira dos Santos em 2008 e a crise do euro, fizeram os investidores fugir e hoje as famílias têm apenas cerca de 6% da dívida soberana nacional.
O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, invocou ainda a evolução favorável das taxas de juro exigidas à dívida portuguesa no mercado soberano como condição favorável ao prolongamento dos prazos dos financiamentos obtidos.
Dívida ultrapassa meta grega Mesmo que regresse com sucesso aos mercados, Portugal já não se livra de um novo salto no peso da divida pública no PIB que poderá chegar aos 124% do Produto Interno Bruto em 2014, revelou ontem o comunicado conjunto do Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia. Este rácio está acima do patamar de 120% fixado à Grécia num horizonte até 2020 no quadro do segundo pacote de ajuda e da reestruturação imposta aos credores privados daquele país.
A anterior previsão da Troika era de 115% do PIB. A dívida portuguesa só deverá começar a baixar, “numa sólida rota descendente depois de 2014”. Para assegurar essa evolução, o governo quer alargar o programa de privatizações a olhar sobretudo para os investidores internacionais. A receita destas operações é a única forma de abater à dívida pública. “Estamos ainda a analisar a possibilidade de venda de outras empresas públicas”.
As vendas da TAP e ANA deverão ficar concluídas este ano. Para o primeiro semestre ficam os CTT, a empresa de gestão de resíduos EGF e a CP Carga. Sobre a privatização da RTP nem uma palavra.

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