terça-feira, 11 de setembro de 2012

Gaspar: "Não haverá mais surpresas no Orçamento para 2013" - Dinheiro Vivo

Gaspar: "Não haverá mais surpresas no Orçamento para 2013" - Dinheiro Vivo


O ministro das Finanças rejeitou hoje na SIC que o Orçamento de Estado para 2013 possa trazer mais supresas para os portugueses. "O quadro para o próximo ano será, em linhas gerais, o que foi hoje apresentado", afirmou Vítor Gaspar. Para o governante, 2012 foi um ano em que se aprendeu "o padrão de ajustamento da economia portuguesa", declarando que as medidas elencadas "são suficientes para os efeitos esperados". Vítor Gaspar referiu ainda que Portugal tem agora "condições para inicial a etapa final do seu programa". 


Na entrevista, o ministro das Finanças disse que a economia portuguesa enfrenta "ventos contrários de grande relevância", motivado pelo processo de ajustamento em curso, a crise global e a crise da dívida que afeta a zona euro. Vítor Gaspar voltou a referir que relativamente às previsões anteriores, o desemprego em 2013 deve atingir os 16% e ao PIB contrair-se 1%, acreditando que a recuperação poderá começar no segundo semestre do próximo ano.
Questionado sobre se apresenta a demissão caso este cenário seja ainda mais grave, Gaspar afirmou tratar-se de uma questão "que não faz sentido" e que "todas as previsões económicas são falíveis".
Rejeitou ainda que a descida da Taxa Social Única tenha sido uma imposição da troika para dar mais tempo a Portugal no cumprimento do objectivos do défice. "Não existe nenhuma relação entre as duas coisas", disse Vítor Gaspar, que recusa a ideia de haver uma transferência de recursos dos trabalhadores para as empresas, sem qualquer contrapartida para a economia. "Não podemos ter uma visão das empresas como um espaço de confronto de classes", disse o ministro, voltando a frisar que esta medida visa "tornar as empresas mais fortes e competitivas".
No que diz respeito à possibilidade de algumas das grandes empresas portuguesas fazerem refletir o ganho que terão da TSU nos serviços que prestam aos portugueses, Gaspar mostrou-se confiante de que tal pode acontecer. "É crucial que os produtores de bens e serviços tenham capacidade e consciência para baixar os preços, assim como é fundamental que os reguladores tenham esta situação em conta".
Crispação
Confrontado com a crispação que esta medidas estão a causar na sociedade portuguesa, e junto dos partidos políticos, Vítor Gaspar ser uma opinião "exagerada", afirmando-se confiante de que o que está em causa é "um debate aberto, que levará a um melhor conhecimento do funcionamento da economia e da própria sociedade". Contestou ainda qualquer semelhança entre Portugal e a Grécia. "As comparações entre países são pouco úteis. Em Portugal dialogamos e cooperamos", sustentou.
Vítor Gaspar falou ainda dos trabalhadores independentes, lembrando que estes asseguram o pagamento integral das suas contribuições para a Segurança Social. "O ajustamento na contribuição (que sobe para 30,7%) foi absolutamente proporcional ao exigido aos restantes trabalhadores".
No que diz respeito às Parcerias Público-Privadas, o ministro das Finanças lembrou ratar-se de uma área em que a renegociação devia decorrer o mais rápido possível, mas, disse, "isso seria num mundo ideal, esta é uma questão muito complexa.

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