terça-feira, 11 de setembro de 2012

Funcionários públicos que ganham menos perdem mais dinheiro | iOnline

Funcionários públicos que ganham menos perdem mais dinheiro | iOnline

Deloitte prova que rendimentos inferiores vão pagar mais IRS que os rendimentos superiores.

Os funcionários públicos com rendimentos mais baixos arriscam-se a perder mais dinheiro que outros com rendimentos mais altos e a pagar IRS sobre um subsídio que na realidade não receberam, de acordo com cálculos feitos pela Deloitte para a Lusa.
As contas podem sofrer alterações, nomeadamente se os escalões de IRS forem reduzidos, como é intenção do governo. Em todos os casos, nas contas da Deloitte, a diluição no ordenado de um subsídio e consequente retirada através do aumento da contribuição para a Segurança Social/Caixa Geral de Aposentações dá sempre uma perda salarial para estes trabalhadores, ou seja, os funcionários perdem dinheiro ao ver um subsídio reposto.
Nestes casos, tanto no caso dos solteiros como dos casados, os funcionários públicos que tenham um rendimento colectável mensal de 1000 ou 1500 euros acabam por ter uma perda real no salário muito superior aos que recebem 3000 ou 5000 euros mensais. Por exemplo, um funcionário público solteiro com um rendimento colectável (antes de retiradas as contribuições e os impostos mensais) mensal de 1000 euros acabaria por perder no final do ano 280 euros face a este ano (com os dois subsídios suspensos), enquanto um casado perderia 150 euros; e um trabalhador solteiro com um vencimento de 1500/mês perderia 420 euros, enquanto um casado perderia 323 euros.
No caso dos trabalhadores com rendimentos colectáveis mais altos, a diferença é bastante menor. Para um trabalhador solteiro com rendimento colectável de 3000 euros, a perda é de 67,73 euros, e num casado com o mesmo rendimento de 79,28 euros, enquanto no caso dos rendimentos de 5000 euros/mês a perda é de 108,5 euros no caso dos solteiros e de 112,88 euros no caso dos casados.
Em causa está o facto de os trabalhadores de mais baixos rendimentos não atingirem o valor da dedução específica – valor legalmente definido como passível de ser abatido aos rendimentos dos contribuintes –, explicou à Lusa Luís Léon, associate partner da divisão de consultoria fiscal da Deloitte.
“Esta redução é mais elevada para os contribuintes que tenham contribuições anuais para a CGA e ADSE inferiores à dedução específica automática aplicável aos rendimentos do trabalho por conta de outrem, que ascende a 4104 euros (corresponde a contribuintes com rendimentos anuais inferiores a 21.046,15 euros)”, explicou o responsável.
Luís Léon adianta que “para além de as contribuições para a CGA e ADSE serem superiores ao subsídio devolvido, uma vez que as contribuições são inferiores à dedução específica aplicada automaticamente aos rendimentos do trabalho dependente para efeitos de apurar o IRS devido, os contribuintes não deduzem estas contribuições ao IRS devido, pelo que acabam por pagar IRS sobre um subsídio que, na realidade, não receberam”.
De qualquer forma, pelo menos no caso dos funcionários públicos, “o impacto do aumento em 7 pontos percentuais das contribuições para a CGA acaba por ser superior à devolução de um subsídio, o que significa que esta medida, só por si, significa uma redução salarial face a 2012”, garante o responsável da Deloitte. Lusa

Nenhum comentário:

Postar um comentário