segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Empresários contrariam Passos: descer a TSU não vai criar emprego - Dinheiro Vivo

Empresários contrariam Passos: descer a TSU não vai criar emprego - Dinheiro Vivo

A redução da taxa social única para as empresas terá o efeito de "balão de oxigénio" na tesouraria e irá quanto muito evitar despedimentos, mas não cria novos postos de trabalho, dizem os empresários. "As empresas contratam pessoas quando precisam, não vão faze-lo por causa desta medida. Isso é completamente irrealista", disse ao Dinheiro Vivo o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP).
João Vieira Lopes acentua, contudo, contudo que a descida em 5,75 pontos percentuais na TSU será positiva para as empresas com mão de obra intensiva. Miguel Júdice, CEO do Lágrimas Hotels & Resorts, já fez contas e concluiu que o grupo que gere conseguirá pagar menos 400 mil euros por ano de TSU. O gestor aplaude a medida, porque as empresas estão "fracas", a atravessar um período de "grande sufoco financeiro" e receberão por esta via um "balão de oxigénio", mas considera que ao nível do emprego o impacto será sobretudo na sua manutenção. Criar emprego, refere, está dependente de outros fatores, como o aumento de vendas e neste ponto da equação entrará em campo a subida em 7% nas contribuições para a Segurança Social a cargo do trabalhador.
Na análise s de Mário Ferreira, presidente do Grupo Douro Azul (que se prepara para contratar mais 170 trabalhadores), os efeitos "perversos" desta medida poderão suplantar os positivos. Além da quebra de consumo, o gestor aponta uma outra preocupação: a quebra da harmonia que poderá trazer às relações entre empregado e empregador e baixar a produtividade.
Para Paes do Amaral, a medida "é acertada" porque reduzirá os custos das empresas e aumentará a sua completividade. Sobre a esperada quebra no consumo, acentua que ao "país não interessa um crescimento baseado no consumo" porque é "totalmente artificial".
João Pedro Soares, da Confederação das Associações de Micro e PME discorda. Considera a decisão má para as empresas que operam no mercado interno ("e que são a maioria") e frisa que a retração no consumo vai ser muito superior à poupança permitida pela descida da TSU. "As provas de que esta medida não vai funcionar estão na execução orçamental", salienta.
Mira Amaral junta-se aos que e aplaudem a descida da TSU, ainda que entenda que não deveria ser geral. Lamenta contudo que ela tenha sido apresentada como uma medida de austeridade, em vez de integrada num pacote de promoção do crescimento e da competitividade.

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