terça-feira, 11 de setembro de 2012

0,1% das empresas ficam com 800 milhões do bónus na TSU - Dinheiro Vivo

0,1% das empresas ficam com 800 milhões do bónus na TSU - Dinheiro Vivo

Uma pequena maioria de empresas – as maiores – deverá conseguir ficar com 35% da verba prevista no âmbito da redução da Taxa Social Única (TSU) anunciada pelo primeiro-ministro na sexta-feira.Dito de outra forma, cerca de 1153 grandes empresas devem conseguir absorver cerca de 807 milhões de euros do pacote total de 2300 milhões de descida bruta nas contribuições para a Segurança Social a cargo dos patrões.
Este novo envelope, que Pedro Passos Coelho argumentou ser um remédio para combater o desemprego, será totalmente financiado pelos trabalhadores por conta de outrem, que veem a sua TSU subir de 11% para 18%.
De acordo com o retrato do tecido empresarial divulgado recentemente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) relativamente ao ano de 2010, as grandes empresas têm um peso relativo bastante maior do que as micro, pequenas e médias a nível do emprego (cerca de um quinto do total ou 21% do total), mas vão conseguir ficar com um terço do apoio.
Isto explica-se pelo facto de as remunerações pagas (sobre o qual incidirá o referido desconto) representaram cerca de 35% do total nacional.
O mesmo estudo do INE mostra ainda que a situação financeira das PME é muito mais frágil e preocupante do que o grupo das grandes empresas.
José Silva Lopes, antigo ministro das Finanças, criticou a medida por ser transversal a todas, considerando que as grandes empresas, que não enfrentam concorrência, vão acumular mais lucros beneficiando acionistas em detrimento dos trabalhadores e consumidores.
Francisco Van Zeller tem opinião similar. “Terá mais efeito na redução dos despedimentos”. “Para a maior parte isto funcionará como um balão de oxigénio. Aumentar o emprego será possível apenas num futuro mais longínquo”, afirmou. O ex-presidente da CIP lembrou que há casos que não precisam. “Veja a EDP e a Galp, não sei como, mas o Fisco terá de ir buscar esses benefícios”, afirma.
De acordo com um estudo ontem divulgado pelo Espírito Santo Research, 17 empresas do PSI20 conseguirão poupar em termos líquidos cerca de 100,7 milhões de euros.
No pódio das maiores poupanças ficam Sonae (20 milhões de euros), BCP (18,9 milhões) e EDP (10,5 milhões).
A equipa lembra que “o Governo assinalou” que este desconto na TSU dos patrões “é estrutural e, portanto, deverá ficar em vigor para além do final do programa de suporte”. “Isto permitirá uma transferência de riqueza dos trabalhadores para os desempregados”.
As poupanças nas 17 empresas cotadas variam. Razão: “as companhias que devem beneficiar serão as que têm maior capacidade instalada em Portugal, as mais intensivas em fator trabalho”, lê-se na análise do BES que, no entanto, não faz contas aos seus próprios ganhos com a medida. Com André Cabrita Mendes e Ana Margarida Pinheiro

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