segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Saiba qual o impacto das novas medidas de austeridade sobre as grandes cotadas - Dinheiro Vivo

Saiba qual o impacto das novas medidas de austeridade sobre as grandes cotadas - Dinheiro Vivo

"Este pacote de medidas deverá traduzir-se numa menor redução do custos de trabalho nas empresas do sector privado apesar de existir o risco de o consumo privado ser ainda mais afetado, uma vez que o rendimento disponível dos trabalhadores do privado é igualmente cortado". Esta é a primeira reação do BPI às novas medidas de austeridade apresentadas pelo primeiro-ministro na passada sexta-feira, numa nota de análise a que o Dinheiro Vivo teve acesso."Este novo pacote mantém o corte do rendimento disponível para os trabalhadores da função pública, enquanto que os privados terão também e em termos práticos, um corte de quase um mês de salário", acrescenta a casa de investimento.
O BPI adianta que "no curto prazo estas medidas deverão beneficiar as empresas onde o custo com pessoal tem um peso maior".
A unidade de investimento vai mais longe e analisa o impacto em vários sectores e cotadas nacionais onde, de uma forma geral, o impacto das novas medidas é "limitado".

Telecomunicações: Sentimentos mistos
"Por um lado, o impacto direto da redução do corte do custo de pessoal será limitado para os players tendo em conta o fraco peso que tem esta componente: o impacto no EBITDA da PT, da Zon e da Sonaecom será de 0,9%", estima o BPI.
Por outro lado, a casa investimento alerta que a redução do rendimento disponível "poderá ter efeito nas receitas das operadoras" mas espera que as operadoras "sejam resilientes a estas medidas, uma vez que as medidas de corte de custos deverão ser suficientes para compensar os efeitos negativos".

Media: Impacto neutral a negativo
O pacote de medidas deverá ter um impacto neutral a negativo quer para a Cofina quer para a Impresa, estima o BPI.
Ainda que considere que os grupos de media podem vir a ser afetadas, através da redução das receitas, a casa de investimento relembra que "o sector dos media, habitualmente, tem uma forte elasticidade a mudanças no rendimento disponível e, por isso, acreditamos que as receitas deverão ser mais afetadas do que as poupanças alcançadas com este corte".

Banca: Impacto misto para BCP e BES
"A redução da TSU deverá ter um impacto positivo de cerca de 2% tanto para o BES como para o BCP nos lucros consolidados antes de provisões", avança o BPI.
No entanto, a casa de investimento relembra que estas medidas levarão a uma redução do rendimento disponível das famílias, o que "poderá traduzir-se numa maior deterioração da qualidade de ativos nos empréstimos concedidos", ou seja um aumento do malparado, enquanto que das empresas a redução de custos "poderá ajudar a conter o incumprimento".
Neste sentido, as medidas "deverão ter um impacto mais positivo (ou menos negativo) no BES face ao BCP, dada a sua exposição mais elevada ao segmento empresarial português e mais reduzida ao segmento dos particulares".

Retalho: Impacto neutral
"O impacto para as retalhistas nacionais é, nesta fase, neutral, mas a resiliência poderá levar a um impacto positivo no EBITDA em 2013", avança o BPI.
Ainda assim, o banco de investimento relembra que "as novas medidas serão definitivamente negativas no rendimento disponível das famílias e, dessa forma, afetarão as vendas das empresas, sobretudo no consumo mais discricionário".
No caso da Sonae, as estimativas do BPI apontam para um impacto positivo da descida da TSU no EBITDA de cerca de 5%, enquanto que a Jerónimo Martins deverá ser menos afetada que a sua rival tendo em conta o fraco peso das operações em Portugal no grupo, pelo que também o impacto no EBITDA não deverá ir além dos 1,8%.

Construção: Impacto neutral a positivo
No caso da construção, o BPI estima que o impacto direto para a Mota-Engil deverá ser limitado, com impato no EBITDA a ser de 2,3%. Para a Teixeira Duarte, "o impacto deverá ser de 3,9% no EBITDA", enquanto que na "Soares da Costa é de 2,3%".
"Para a Martifer, esta medida poderá implicar um alívio considerável tendo em conta o forte peso da componente de custos com pessoal  na sua estrutura", e ter um impacto de 5% no EBITDA, estima o BPI.

Indústria: Impacto neutral a positivo
"O impacto da redução da contribuição para a Segurança Social na Sonae Indústria deverá ser relativamente limitado, tendo em consideração a força de trabalho limitada da empresa em Portugal", avança a casa de investimento.
O BPI estima que o impacto no EBITDA é positivo para as empresas deste sector: 1% no caso da Sonae Indústria, 6% para a Corticeira Amorim, 2,1% para a Semapa, 1,8% no caso da Portucel e de 1,4% para a Altri.

Alimentar, Viagem e Lazer: Impacto imaterial à exceção da Ibersol
"As medidas deverá ter um impacto significativo para a Ibersol, uma vez que as despesas com pessoal representam cerca de 32% das receitas", pelo que o EBITDA deverá crescer em 12,6% no próximo ano, revela o BPI.
A Campofrio, a Prosegur, a Pescanova, a Melia Hotels e a NH Hotels "deverão igualmente beneficiar destas medidas, apesar de o impacto não dever ser relevante tendo em conta o tamanho das empresas", estima a casa de investimento.

Galp, EDP e EDP Renováveis: Impacto neutral
De acordo com os cálculos do BPI, o impacto no EBITDA com o corte da contribuição para a Segurança Social para a petrolífera "deverá ser inferior a 1%".
No caso da EDP o impacto no EBITDA deverá "ser inferior a 1%. O impacto real da quebra da procura e a potencial melhoria  da parte industrial é incerto, mas certamente um dos objetivos do governo deverá ser visto com impacto positivo com a aceleração do investimento na economia". No caso da EDP Renováveis, "o impacto deverá ser limitado considerando o fraco peso dos custos de pessoal em Portugal no EBITDA anual do grupo".
Impacto neutral na Galp, EDP e EDPR. O impacto no EBITDA da petrolífera é inferior a 1%, bem como na empresa liderada por António Mexia e na companhia de energias renováveis.

Novabase: Impacto neutral a Positivo
"No caso da Novabase, os custos com pessoal representam cerca de 32% do total, o que significa que de forma isolada as medidas deverão constituir um impacto positivo de 23% no EBITDA da empresa", estima o BPI.
No entanto, o banco de investimento não reconhece "poder de mercado suficiente para a companhia manter os fracos custos operacionais sem afetar as receitas".
Disclaimer: Esta análise pertence ao BPI, não representa uma proposta de compra ou venda e todas as opiniões são da responsabilidade da casa de investimento. O investidor deve consultar a nota de análise na íntegra, solicitando-a à casa de investimento.

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