Portugal
desceu mais um degrau no "clube" dos 10 candidatos a uma bancarrota num
horizonte de cinco anos. Passou para a 9ª posição numa escala da CMA
DataVision, onde quanto mais baixa for a posição melhor, menor é o risco
de incumprimento (default). Trocou de posição com a Ucrânia, que viu a sua probabilidade de default aumentar significativamente.
O risco da dívida portuguesa mantém-se estável próximo de 34,5%, com o preço dos credit default swaps
(derivados financeiros que funcionam como seguros contra o risco de
incumprimento, cds no acrónimo) abaixo do limiar crítico dos 500 pontos
base, como acontece desde ontem à tarde. A 1 de agosto, Portugal estava
em 4º lugar no referido "clube", apresentava um risco de quase 52% e o
preço dos cds era de 841 pontos base.
As yields da dívida pública portuguesa no
mercado secundário têm descido nas últimas semanas, mas hoje a situação
mantém-se "mista", estando em baixa para os prazos de cinco a dez anos e
em alta para as maturidades mais curtas, a dois e três anos. Segundo
dados da Bloomberg, as yields nos prazos a dois e três anos
mantêm-se abaixo de 4,5% (a 3 de setembro estavam acima de 5,5%) e a dez
anos estão em 8,064% (a 3 de setembro estavam acima de 9%). Recorde-se
que a 6 de setembro se realizou a reunião do Banco Central Europeu (BCE)
em que foi lançado o programa OMT de compras ilimitadas pelo banco
central de dívida no mercado secundário em determinadas condições.
A probabilidade de incumprimento de Espanha, Itália e
Irlanda continua em baixa, e os três países continuam fora do referido
"clube" da bancarrota, que, atualmente, só alberga, três membros da zona
euro: a Grécia, em primeiro lugar (e com um nível de risco que aponta
para um evento de crédito iminente, apesar do BCE desmentir que uma
segunda reestruturação de dívida esteja em curso), Chipre, em segundo
lugar, e Portugal na nona posição. Em julho chegou a juntar seis membros
da zona euro (incluindo Irlanda, Espanha e Itália).
No entanto, as yields das obrigações espanholas e dos títulos do Departamento do Tesouro italiano estão hoje a subir em todos os prazos.
O "vento favorável" tem soprado de fora para os
"periféricos". A estratégia de comunicação do Banco Central Europeu
desde final de julho e a criação do programa OMT de compras de títulos
no mercado secundário em determinadas circunstâncias divulgado este mês
está a dar os seus resultados, mesmo sem ter sido operacionalizado. A
decisão de ontem do Tribunal Constitucional dando luz verde ao Mecanismo
Europeu de Estabilidade foi outro pilar positivo. Os resultados
eleitorais de ontem na Holanda, dando uma maioria a dois partidos
europeístas, reforçaram o bom vento.
Boas novas que, por ora, se sobrepõem às dores de
cabeça que se acumulam e que as reuniões do Eurogrupo e do Ecofin em
Nicósia a partir de amanhã terão de enfrentar.
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