quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Portugal desce para 9º lugar no clube da bancarrota - EXPRESSO


Os efeitos positivos das decisões do BCE e do Tribunal Constitucional alemão e da vitória dos europeístas na Holanda neutralizaram, por ora, as dores de cabeça que o Eurogrupo e o Ecofim enfrentam amanhã em Nicósia. Não faltam faíscas em Portugal, Espanha, Itália e Grécia.





Portugal desceu mais um degrau no "clube" dos 10 candidatos a uma bancarrota num horizonte de cinco anos. Passou para a 9ª posição numa escala da CMA DataVision, onde quanto mais baixa for a posição melhor, menor é o risco de incumprimento (default). Trocou de posição com a Ucrânia, que viu a sua probabilidade de default aumentar significativamente.
O risco da dívida portuguesa mantém-se estável próximo de 34,5%, com o preço dos credit default swaps (derivados financeiros que funcionam como seguros contra o risco de incumprimento, cds no acrónimo) abaixo do limiar crítico dos 500 pontos base, como acontece desde ontem à tarde. A 1 de agosto, Portugal estava em 4º lugar no referido "clube", apresentava um risco de quase 52% e o preço dos cds era de 841 pontos base.
As yields da dívida pública portuguesa no mercado secundário têm descido nas últimas semanas, mas hoje a situação mantém-se "mista", estando em baixa para os prazos de cinco a dez anos e em alta para as maturidades mais curtas, a dois e três anos. Segundo dados da Bloomberg, as yields nos prazos a dois e três anos mantêm-se abaixo de 4,5% (a 3 de setembro estavam acima de 5,5%) e a dez anos estão em 8,064% (a 3 de setembro estavam acima de 9%). Recorde-se que a 6 de setembro se realizou a reunião do Banco Central Europeu (BCE) em que foi lançado o programa OMT de compras ilimitadas pelo banco central de dívida no mercado secundário em determinadas condições.
A probabilidade de incumprimento de Espanha, Itália e Irlanda continua em baixa, e os três países continuam fora do referido "clube" da bancarrota, que, atualmente, só alberga, três membros da zona euro: a Grécia, em primeiro lugar (e com um nível de risco que aponta para um evento de crédito iminente, apesar do BCE desmentir que uma segunda reestruturação de dívida esteja em curso), Chipre, em segundo lugar, e Portugal na nona posição. Em julho chegou a juntar seis membros da zona euro (incluindo Irlanda, Espanha e Itália).
No entanto, as yields das obrigações espanholas e dos títulos do Departamento do Tesouro italiano estão hoje a subir em todos os prazos.
O "vento favorável" tem soprado de fora para os "periféricos". A estratégia de comunicação do Banco Central Europeu desde final de julho e a criação do programa OMT de compras de títulos no mercado secundário em determinadas circunstâncias divulgado este mês está a dar os seus resultados, mesmo sem ter sido operacionalizado. A decisão de ontem do Tribunal Constitucional dando luz verde ao Mecanismo Europeu de Estabilidade foi outro pilar positivo. Os resultados eleitorais de ontem na Holanda, dando uma maioria a dois partidos europeístas, reforçaram o bom vento.
Boas novas que, por ora, se sobrepõem às dores de cabeça que se acumulam e que as reuniões do Eurogrupo e do Ecofin em Nicósia a partir de amanhã terão de enfrentar.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/portugal-desce-para-9-lugar-no-clube-da-bancarrota=f752967#ixzz26OCCpHSy

Nenhum comentário:

Postar um comentário