sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Passos diz que culpa foi dos carros, sector diz que PM foi avisado - Dinheiro Vivo

Passos diz que culpa foi dos carros, sector diz que PM foi avisado - Dinheiro Vivo

Pedro Passos Coelho não recua nas medidas de austeridade retomadas recentemente. Como não recuou quando as associações automóveis o avisaram no ano passado de que as medidas que iriam ser incluídas no Orçamento do Estado acentuariam a quebra de vendas que o mercado já registava. Ontem, apontou o dedo a essa quebra em que não acreditava como justificação para parte do buraco orçamental. Agora todo o sector fica estupefacto com as declarações do primeiro-ministro, que se socorreu, aliás, da última execução orçamental, que já dava conta de uma quebra de 45,1% do Imposto Sobre Veículos (ISV) até julho.“Até julho, tivemos uma quebra de receitas de cerca de 1,2 mil milhões de euros. Mais de metade derivou de não se terem vendido automóveis. Cerca de 285 milhões de euros de ISV e mais 400 milhões de IVA, ou seja quase 700 milhões de perderam-se por não se terem vendido automóveis, apesar de haver pessoas que os podiam ter comprado”, disse Passos Coelho.
“Ainda bem que o primeiro-ministro detetou o problema, só que deu a resposta errada”, responde Hélder Pedro da Associação Automóvel de Portugal (ACAP).
E acrescenta: “É que o impacto não são só os 700 milhões. São também as consequências a nível de responsabilidade social de dezenas de milhares de novos desempregados e empresas que fecham. E o exemplo dado da vantagem de não importar também não é bem conseguido. O primeiro-ministro esqueceu-se que estamos num mercado livre. Não podemos deixar de aceitar as importações de carros alemães, por exemplo. Caso contrário as nossas seriam também rejeitadas. E o primeiro-ministro voltou a esquecer outro facto: é que, com a contração do mercado, neste momento exportamos mais carros do que os que importamos”.
“De qualquer forma, o Governo foi avisado de tudo isto nas reuniões que tivemos em novembro do ano passado”, refere.
A Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel (ANECRA) também “alertou atempadamente o Governo para os efeitos nefastos que as medidas fiscais introduzidas no Orçamento do Estado para 2012 trariam quer para os comerciantes de veículos quer para a própria receita do Estado”.
Esta associação revelou recentemente ao Dinheiro Vivo o conjunto de medidas que preconiza para o sector (ler aqui).

Nenhum comentário:

Postar um comentário