Número de matrículas pedidas e depois devolvidas pelas marcas automóveis tem vindo a aumentar e os números das vendas oficiais não são reais.
As matrículas que têm vindo a ser pedidas pelas marcas de automóveis para vender veículos novos em Portugal não refletem as vendas efetivas, confirmou o Expresso junto de várias fontes do sector. Estas fontes explicam que há um considerável número de viaturas que são reexportadas, sendo pedido ao Estado o reembolso parcial do respetivo Imposto sobre Veículos (ISV).
A própria Associação Automóvel de Portugal (ACAP) já fez internamente um levantamento desta realidade, mas, segundo o seu secretário-geral, Helder Pedro, ainda não há números definitivos que permitam ter uma noção exacta sobre a dimensão do número de veículos novos que são reexportados.
Alguns responsáveis de marcas referem que o número de matrículas novas que são devolvidas e canceladas por reexportação de veículos novos pode envolver entre 9% e 10% do número de unidades de veículos ligeiros de passageiros vendidos.
De janeiro a agosto foram vendidos em Portugal apenas 68.103 veículos ligeiros de passageiros, o que representa uma quebra de 40,4% relativamente a igual período do ano passado. Até julho, a quebra do ISV encaixado pelos cofres do Estado ronda os 45,1% em termos homólogos.
Quebra real de vendas pode atingir 50%
Perante a possibilidade da devolução de matrículas poder atingir 10% do mercado, a quebra efetiva de vendas aproxima-se dos 50%. Mas como a ACAP não divulga os dados internos sobre este assunto, não se sabe quais são as marcas mais afetadas.
Uma das razões que podem levar algumas marcas a recorrerem à reexportação de viatura tem a ver com a necessidade de fazerem volume de importações dentro dos objetivos que fixaram para o mercado nacional, cujas vendas estão manifestamente abaixo da rentabilidade necessária para manter as estruturas de algumas redes comerciais.
Helder Pedro diz que há cerca de 2600 empresas do sector automóvel que correm risco iminente de encerrar. Ou seja, estão verdadeiramente em causa cerca de 20 mil postos de trabalho, que até ao fim do ano podem fazer aumentar os números do desemprego em Portugal.
"Até à data, o Governo português não deu qualquer resposta às proposta que a ACAP fez para tentar salvaguardar empresas e postos de trabalho", refere Helder Pedro ao Expresso, admitindo que os empresários do sector, os gestores e os trabalhadores estão em pânico perante a situação dramática em que vivem".
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