quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Galp, Semapa, Renováveis, REN e PT pagaram mais aos gestores | iOnline

Galp, Semapa, Renováveis, REN e PT pagaram mais aos gestores | iOnline

A maioria das empresas da bolsa já estão a diminuir os encargos com as administrações. Mas há excepções.

Os cortes salariais já estão a chegar aos cargos mais bem pagos do país. Os gestores das empresas cotadas na bolsa de Lisboa ganharam menos 2,5% no primeiro semestre do ano, face a igual período do ano passado. A redução ou, em alguns casos, a não atribuição de prémios de gestão, que recompensam bons resultados e o cumprimento de objectivos, são a principal variável que explica esta evolução.
As contas têm por base o montante pago ou já contabilizado para remuneração ou outros encargos com a administração de 16 empresas cotadas. De fora desta lista ficam, contudo, muitas sociedades que optaram por não revelar nas contas semestrais estes dados, cuja divulgação só é obrigatória no relatório anual do governo das sociedades. Mas os números já disponíveis mostram que a redução nas remunerações dos conselhos de administração foi a regra, embora ainda com pouca expressão – foram menos 800 mil euros num bolo que ficou em 30 milhões de euros.
Há, no entanto, cinco excepções neste panorama. Galp, REN, EDP Renováveis, Semapa e Portugal Telecom aumentaram os encargos com a administração no primeiro semestre do ano.
Galp paga mais 35% Neste clube, o destaque vai para a Galp Energia, onde os custos com a gestão subiram mais de 30% face aos primeiros seis meses de 2011, passando de 2,8 milhões de euros para 3,8 milhões de euros. Este crescimento de quase 35% não representará necessariamente o valor já distribuído, mas a contabilização nas contas da petrolífera do acréscimo de prémios que se prevê pagar relativos a este ano, fruto do crescimento dos resultados da petrolífera.
No primeiro semestre, a Galp aumentou os lucros em 57%, essencialmente devido à produção de petróleo. O esperado acréscimo nos prémios também vai beneficiar, embora em menor escala, os trabalhadores. Fonte oficial não comenta, lembrando que “as remunerações dos órgãos sociais são uma atribuição da comissão de remunerações”. Até ao final do ano, a remuneração da administração da Galp deverá subir mais, uma vez que o conselho foi alargado na sequência da reorganização accionista resultante da venda da posição da Eni.
A petrolífera não é, contudo, a empresa mais generosa da bolsa. Esse lugar pertence, quase empatado, às duas empresas controladas por Pedro Queiroz Pereira, a Portucel e a Semapa, com encargos de quase quatro milhões de euros com a administração. Só a Semapa aumentou as remunerações. A Portugal Telecom explica o aumento de 12% nestes custos com as alterações na composição da comissão executiva aprovadas em Abril. Na REN, a subida de 30% foi atribuída por fonte oficial da empresa, citada pelo “Jornal de Negócios”, à saída antecipada de gestores após a privatização.
Teixeira Duarte, Brisa, BPI e Salvador Caetano foram as que reduziram mais a remuneração da administração.
Custos com pessoal Já do lado dos custos com pessoal, os sinais do primeiro semestre são contraditórios. No global há um ligeiro recuo de 0,6% nestes encargos face a igual período do ano passado. Mas na lista de sociedades analisadas, 15 reduziram os custos com pessoal contra 15 em que esta rubrica subiu.
Em vários casos, o aumento dos custos com pessoal é enganador, porque está associado a processos de reestruturação que passam por rescisões, como na Soares da Costa. Há ainda situações em que o acréscimo da factura resulta do crescimento da actividade, seja por aquisições seja por investimentos, muitos deles fora de Portugal. E é nas empresas mais expostas ao mercado internacional que se verificam, em regra, acréscimos nos custos com pessoal, rubrica que inclui salários e encargos com Segurança Social.

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