terça-feira, 11 de setembro de 2012

Empresários recusam dar aumentos com folga fiscal do Governo - Dinheiro Vivo

Empresários recusam dar aumentos com folga fiscal do Governo - Dinheiro Vivo

O Governo anunciou a semana passada que as empresas vão passar a contribuir com menos 5,75 pontos percentuais para a Segurança Social enquanto os trabalhadores passam a contribuir com mais 7 pontos percentuais todos os meses.Com o aumento da taxa contributiva, os portugueses a trabalhar por conta de outrem vão perder mais de um salário líquido por ano, ajudando assim à diminuição do seu poder de compra e levando à continuação da quebra do consumo.
Mas pode esta diminuição da contribuição pelas empresas ser uma oportunidade para aumentar os salários dos trabalhadores num momento em que a crise financeira dá sinais de continuar o seu agravamento? O Dinheiro Vivo falou com alguns empresários portugueses e a reacção foi semelhante: Não existe neste momento margem de manobra para conceder aumentos de salários.
Para João Pereira Coutinho, CEO do grupo automóvel SAG e do grupo SGC, considera que as empresas precisam de ganhar mais competitividade e não pagar mais pelas reformas. “Temos que por a economia competitiva. Temos que ganhar competitividade. E as reformas das pessoas tem de ser pagas pelas pessoas e não pelas empresas”, afirmou.
“Se vão compensar ou não depende das empresas e que tipo de empresas. Mas quem tem salários muito baixos, obviamente que vai ter que pensar nisso”, defende Carlos Martins, presidente da Martifer. O aumento da taxa contributiva por parte dos trabalhadores poderá vir a ser compensada, de alguma forma, pelas empresas porque a protecção social também está a diminuir, defende o CEO da empresa.
Também o empresário Diogo Vaz Guedes considera que aumentar os salários aos colaboradores não é uma prioridade das empresas e reclama que é necessário, sim, aumentar a produtividade laboral. “O que temos que aumentar não é o que pagamos aos trabalhadores mas sim a produtividade do trabalho. Temos que aumentar a produtividade, não os ordenados”.
O empresário adianta que não prevê aumentos de salários nas suas empresas e afirma que “esta é a altura de preservar emprego e não a altura de dar aumentos.”
João Pereira Coutinho defende que a redução da TSU a ser paga pelas empresas só peca por ser tardia. “Há uma coisa que está errada: Não devem ser as empresas a pagar a reforma das pessoas futuras, se é com o trabalho das pessoas que queremos ter uma reforma no futuro, temos que descontar mais para ela. Temos que ter consciência. Isso é uma enorme distorção que ainda existe e vai ter no futuro que desaparecer”, disse o empresário ao Dinheiro Vivo.
Carlos Martins considera que a redução da taxa social única não vai trazer grandes vantagens às empresas e permanece cauteloso com as novas medidas de austeridade que vão ser anunciadas hoje pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar. “As empresas ainda vão ter que analisar todas estas novas medidas do Governo, como a alteração do IRS, para avaliarem a sua situação”.
Sobre a possibilidade de as grandes empresas puderem aumentar os seus ordenados devido a uma maior margem para isso, Diogo Vaz Guedes considera que racionalmente é impossível pagar mais. “Com a economia a crescer pouco e com as dificuldades que temos quem pense em fazer aumentos neste momento ou é inconsciente ou é louco ou vive noutro mundo, ninguém vai fazer aumentos”, afirma.
João Pereira Coutinho também defende que não existe margem e afirma que nenhuma empresa vai desperdiçar esta redução: “Você ganha um pouco de competitividade e vai deitá-la fora? Isso não tem sentido nenhum”.
O líder da SIVA também defende que a redução da TSU vai contribuir para uma maior moralização e responsabilização do sistema. “As pessoas precisam de saber quanto custam as coisas na vida, sejam elas a que nível for. É uma questão de moralização e responsabilização do sistema. As pessoas estão a trabalhar para ter mérito para conseguir essa reforma”.
Para o presidente da Martifer, a redução da TSU não resolve a situação das empresas no país. “O Governo não põe um tostão de investimento directo ou indirecto na economia e assim as empresas não conseguem sobreviver”.

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