domingo, 2 de setembro de 2012

Em oito meses já faliram quase tantas empresas como em 2011 - Dinheiro Vivo

Em oito meses já faliram quase tantas empresas como em 2011 - Dinheiro Vivo

Em oito meses já faliram quase tantas empresas como em 2011

INDÚSTRIA DAS MADEIRAS
4338 insolvências até 31 de agosto
Nuno Brites
02/09/2012 | 17:11 | Dinheiro Vivo De 1 de janeiro a 31 de agosto registaram-se em Portugal 4338 insolvências, o que representa um aumento de 47,95% face a igual período do ano passado (2932). Os valores dos primeiros oito meses do ano já andam muito próximos dos que foram atingidos em todo o ano de 2011, que foram 4532, e ultrapassam os registados em 2010 (3678), segundo dados do Instituto Informador Comercial. Estes números referem-se apenas às insolvências decretadas por tribunal, mas se a estes fossem somadas as empresas que simplesmente encerram atividade sem ser por meio judicial, valores que não estão contabilizados, certamente que a realidade seria ainda mais negra.
Naturalmente que o número de insolvências varia de distrito para distrito, até pelo número de empresas que cada um tem, mas a liderar esta tabela está o distrito do Porto, com 1024 insolvências, seguido do de Lisboa com 907 e Braga com 565. No entanto, por exemplo, o distrito de Beja totalizou 27 insolvências, o que representou um aumento de 145,45% face a igual período do ano passado.
Se há diferenças em relação a distritos também o há no que diz respeito a sectores de atividade, com a construção a liderar o número de falências, seguida do comércio a retalho, exceto o de veículos automóveis e motociclos.
Na opinião do presidente da Confederação Portuguesa da Cons-trução e Imobiliário (CPCI), Reis Campos, o número de 1179 insolvências na construção, que engloba construção de edifícios, engenharia civil, atividades especializadas, atividades imobiliárias e atividades de arquitetura, os problemas do sector devem-se a "um Estado que não investe e que não paga o que deve - que neste momento já ascende a 1,55 mil milhões de euros -, com o pior prazo de pagamento de que há registo".
Para o futuro, este responsável espera que o Governo aposte na reabilitação e no arrendamento e em investimentos de proximidade. No entanto, diz-se "muito pre-ocupado" com o futuro. Para já,  estão a perder-se 436 trabalhadores por dia, e a encerrar 29 empresas diariamente. "Chegaremos ao final do ano com menos 13 mil empresas por insolvência ou por encerramento."
Reis Campos defende ainda que o "Estado deveria regular o descalabro no sector imobiliário, que sofre a concorrência desleal dos bancos", e, além disso, "rever o problema de liquidez das empresas".
O segundo sector mais afetado é o comércio, com 608 insolvências. Para o presidente da Associação de Comerciantes do Porto, Nuno Camilo, "isto é o resultado de medidas de austeridade demasiado violentas, que não estão a surtir efeitos do lado da receita".
"A nível nacional fecham por dia cem empresas. Só no Porto fecham 20 e estes números vão agudizar-se, porque a redução do consumo é drástica e o aumento dos produtos também, já que os custos de produção, eletricidade e combustíveis também não param de aumentar", conclui.

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