O aumento do custo médio do trabalho no segundo trimestre deveu-se à evolução no sector privado, onde salários e custos não-salariais subiram 5% em termos homólogos, ficando pela primeira vez, em pelo menos um ano, acima da progressão na média da Zona Euro. Já no sector público voltou a observar-se uma queda.
Após quedas sucessivas, no segundo trimestre do ano o custo médio por hora trabalhada subiu em Portugal em termos homólogos. Segundo dados hoje divulgados pelo Eurostat, a subida de 0,7% inverte o sinal das variações observadas nos quatro trimestres imediatamente anteriores, marcados por reduções sucessivas no custo do trabalho (- 1,2%, - 4,1%, - 1% e -2,8%), mas permanece bem aquém da subida observada na Zona Euro, de 1,6%.
O aumento do custo médio de cada hora trabalhada esconde evoluções muito díspares nas esferas privada e pública da economia portuguesa.
Nas actividades sujeitas às regras do mercado (que correspondem grosso modo ao sector privado) os custos subiram 5%, em resultado de um aumento médio de 5% dos salários e de uma subida de 5,2% nos custos não-salariais. É a primeira vez, em pelo menos um ano, que o rimo de progressão dos custos do trabalho no sector privado fica acima do registado na média da Zona Euro (2%). Nos quatro trimestres imediatamente anteriores, a evolução dos custos do trabalho no privado apresentou sinal variável: 1,5%, -1,7%, 0,8% e -0,8%. A redução das horas trabalhadas e o custo de indemnizações por despedimento (que entram nos custos não-salariais) podem ajudar a explicar esta inversão de sinal.
Já nas Administrações Públicas ou em actividades como a Defesa, Educação e Saúde – fundamentalmente desempenhadas pelo sector público - o custo médio do trabalho voltou a cair no segundo trimestre do ano. Recuou 5,9% (fruto de uma descida de 6,2% nos salários e de uma queda de 5,3% nos custos não-salariais), após quedas de 6%, 8,2%,4,2% e 5,6% nos quatro trimestres imediatamente anteriores.

Os dados do Eurostat mostram uma aceleração na subida do índice do custo do trabalho na economia portuguesa, que passou de 105,9 para 108,6, entre o primeiro e o segundo trimestre (estava em 105,2 no quarto trimestre de 2011) o que significa que o custo de cada hora trabalhada, na óptica do empregador, está 8,6% acima do que era praticado em 2008 (ano base).
Em 2011, o custo médio por hora de trabalho em Portugal subiu 10 cêntimos, atingindo 12,10 euros. Na Zona Euro subiu 70 cêntimos, para 27,60 euros.
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