quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Alterações climáticas libertam "segredo sujo" do gelo - DN.pt

Antiga base militar americana construída sob o gelo, e abandonada com os seus resíduos radioativos e tóxicos, vai ficar a descoberto antes do final do século devido ao degelo. É um problema ambiental grave, diz um estudo.

Parece coisa de filme, uma base militar americana construída durante a Guerra Fria, em 1959, sob o gelo permanente da Gronelândia, a que não falta sequer o picante de um plano secreto para instalar mísseis com ogivas nucleares apontados à antiga União Soviética. Mas, à exceção dos mísseis, a base e os seus resíduos tóxicos e radioativos enterrados no gelo não podiam ser mais reais. E o degelo causado pelas alterações climáticas transforma-os numa ameaça ambiental num horizonte não tão distante - antes do final do século.

A base de Camp Century não esteve ativa uma década sequer e o chamado projeto Iceworm, que previa a instalação dos mísseis - tanto quanto se sabe sem o conhecimento da Dinamarca, país ao qual, à época, pertencia o território -, foi cancelado. A base acabou por ser abandonada em 1967, e embora os militares tenham desmontado e levado consigo o pequeno reator nuclear que fornecia a energia às instalações, a infraestrutura ficou lá, bem como o seu lixo, incluindo resíduos radioativos, materiais tóxicos e contentores cheios de combustível e de águas residuais contaminadas.

Na altura não havia problema, porque eles deveriam ficar ali sepultados para sempre, aprisionados no interior do gelo, supunha--se. Só que as alterações climáticas vieram subverter estas contas e um estudo agora publicado antevê um problema ambiental grave para a região antes do final do século.

Realizado por uma equipa internacional, com investigadores canadianos, da Universidade de York, em Toronto, dos Estados Unidos, das universidades Brown e do Colorado, do Instituto Geológico da Dinamarca e da universidade suíça de Zurique, o estudo fez a compilação dos resíduos, a partir da documentação da época, e realizou simulações climáticas sobre o degelo na Gronelândia. As conclusões, publicadas na revista científica Geophysical Research Letters, mostram que os problemas poderão começar na década de 90 deste século, quando o degelo desocultar aquela perigosa herança da Guerra Fria.

"Há duas gerações, enterravam-se os resíduos em diferentes pontos do mundo e agora as alterações climáticas estão a mudar esses locais", explica o coordenador do estudo, o climatologista e especialista em glaciologia William Colgan, da Universidade de York, citado num comunicado da sua universidade. "Esta é uma nova questão ligada às alterações climáticas, sobre a qual vamos ter de pensar", sublinha o cientista.

Segundo as estimativas do estudo, estarão enterrados naquela base construída sob o gelo, numa área de 55 hectares, cerca de 200 mil litros de combustível diesel e mais de 240 mil de águas residuais contaminadas. No entanto, os volumes de resíduos radioativos, incluindo a água de refrigeração do reator, ou dos materiais tóxicos do tipo PCB que na altura eram utilizados na construção, são desconhecidos.

Uma questão central que agora se coloca, e que os investigadores também abordam no estudo, é esta: de quem é a responsabilidade da limpeza do local e quem vai pagar os seus custos, a partir do momento que o gelo deixe funcionar como contentor?

O jogo do empurra, conta o The Arctic Journal, já começou. Na Dinamarca parece dominar a noção de que caberá aos Estados Unidos custear uma tal operação. Na Gronelândia, hoje um território autónomo, embora ligado à Dinamarca, o governo localmente eleito já se manifestou preocupado. Uma certeza há: a de que a descontaminação terá um dia de ser feita.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Paraplégicos reconquistam sensibilidade e movimento através de "treino cerebral" - DN.pt


Realidade virtual e computação avançada permitiram a recuperação do controlo de músculos que, há décadas, não eram dominados por estes pacientes
Depois de dez meses de "treino cerebral", oito paraplégicos conseguiram mexer as pernas e recuperar alguma sensibilidade nessa região do corpo. Esta conquista inédita resulta de um prática experimental que recorreu a um exoesqueleto artificial, dispositivos de realidade virtual e sistemas não invasivos que ligam o cérebro a um computador para reintroduzir nesses pacientes a consciência da decisão do movimento.
A descoberta parece sugerir que, mesmo quando a rotura da espinhal medula é considerada total, os tecidos nervosos dessa região permanecem abertos aos estímulos, explicam os cientistas no artigo publicado na Scientific Reportscitado pelo The Guardian. A experiência foi realizada no Brasil, em São Paulo.
Todos os pacientes relataram a restauração parcial dos movimentos musculares e da sensibilidade e, embora nenhum deles consiga andar sem ajuda, alguns conseguem fazê-lo com a simples ajuda de muletas e de equipamento que apoie as pernas.
Cada participante foi equipado com um conjunto de elétrodos que permitiram o registo dos sinais dos eletroencefalogramas (avaliação da atividade bioelétrica do cérebro), durante os quais os cientistas pediram aos pacientes que "pensassem" em mover as pernas. Inicialmente, nenhum deles conseguia fazê-lo.
A introdução dos dispositivos de realidade virtual, aparelhos de auxílio dos movimento (usados na fisioterapia comum) e arneses completos marcaram o estágio seguinte da pesquisa que integra o programa internacional Walk Again.
O uso de realidade virtual acabou por permitir a produção da ilusão do movimento das pernas e simulou sensações distintas como andar na relva ou na areia. Gradualmente e a ritmos diferentes, os participantes começaram assim a sentir reações musculares voluntárias abaixo da área da rotura da espinhal medula.
"Tropeçamos nesta recuperação clínica, o que é quase um sonho, porque levou a abordagem para um nível totalmente novo", conta Miguel Nicolelis, co-diretor do Centro de Neuroengenharia da Universidade de Duke e investigador na Associação de neuroreabilitação Alberto Santos Dumont em São Paulo.
Agora, dez meses depois, um dos pacientes foi já capaz de sair de casa e conduzir um carro. Outra de dar à luz, sentindo, efetivamente, as contrações. Alguns foram requalificados como "parcialmente paralisados".

O ensaio clínico cujo objetivo original era melhorar a eficácia das próteses robóticas comandadas pelo cérebro submeteu os oito participantes a mais de duas mil sessões de "treino cerebral" num total que mais de duas mil horas. Embora tenham registado melhorias significativas (e surpreendentes), estes pacientes continuam o treino inovador.

Hoje (e durante mais 12 dias) há chuva de estrelas. Se o fumo deixar - DN.pt

Ponto máximo da já famosa chuva de meteoros acontece hoje à noite

Os amantes da astronomia vão ter um resto de mês em cheio, que começa já hoje. Quando anoitecer, os portugueses serão brindados com uma chuva de estrelas. O fenómeno que acontece anualmente atinge o seu pico hoje e repete-se, embora com menor intensidade, até ao dia 24. O melhor local para ver as estrelas cadentes é o campo e, de preferência, longe dos incêndios. O fumo que cobre uma parte significativa do país poderá dificultar a sua observação.

"Do ponto de vista astronómico, todo o país poderá ver a chuva de estrelas. Mas, nas zonas com muito fumo, vai ser muito difícil vê-las", adiantou ao DN Rui Agostinho, diretor do Observatório Astronómico de Lisboa. O fumo dos incêndios tem dois efeitos: "Reduz o brilho dos objetos e torna as estrelas mais avermelhadas, fazendo desaparecer a maior parte dos meteoros."

A atividade máxima da famosa chuva de meteoros das Perseidas decorre entre as 13.00 e 15.30, mas, em Portugal, só será visível "quando começar a ficar escuro". Para o pico desta chuva, são estimados cerca de 110 meteoros por hora. "Nem todos são muito brilhantes. A maioria são fracos." Daí que, para uma melhor observação, seja recomendada uma zona afastada das cidades, sem influência das luzes.

Quem quiser admirar este fenómeno não necessita de qualquer material específico, uma vez que "tudo isto é a olho nu". Como o fenómeno "não está localizado temporalmente numa hora, espalhando-se por muitos dias, todos os países o podem ver". No entanto, nem todos o observam da mesma forma: "Como o ponto radiante é do lado norte do planeta, os países do Sul não veem tão bem. Nas latitudes mais a norte o efeito é mais giro."

Perseidas são chuvas de estrelas, assim designadas porque o ponto a partir do qual os meteoros parecem surgir localiza-se na constelação Perseus. Este fenómeno resulta da passagem da Terra, na sua órbita à volta do Sol, perto dos detritos deixados pelo cometa Swift-Tuttle. "A libertação de poeiras e pequenas partículas associada à sublimação do gelo no núcleo cometário deixa um rasto no espaço. Como a órbita deste cometa passa na zona da órbita terrestre, todos os anos a Terra embate nestas partículas, os meteoroides, que penetram a atmosfera a velocidades médias de 30 km/s", lê-se no site do OAL. A maior parte desfaz-se, deixando "rastos luminosos", que se designam por meteoros.

Em todo o mundo, amantes da astronomia e curiosos reúnem-se para observar o céu por estes dias. Por cá, nesta noite, o Observatório Astronómico de Santana - Açores estará aberto a partir das 21.00 para a observação deste "espetáculo celestial". Amanhã, o Centro Ciência Viva do Lousal também abre as portas.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Temperatura média do planeta voltou a bater recordes em Junho - PUBLICO.pt

Pelo 14.º mês consecutivo, em Junho a temperatura ultrapassou a média do século XX.

A temperatura média do planeta atingiu em Junho, um novo recorde dos últimos 137 anos, período desde o qual existem registos globais. Segundo a NOOA – sigla da Administração Nacional para os Oceanos e a Atmosfera, dos Estados Unidos da América, a temperatura média foi, no mês passado, 0,9 graus Celsius superior à medida ao longo do século XX, prolongando para 14 o número de meses consecutivos em que o recorde de temperatura global é batido.

Com este registo, Junho de 2016 ultrapassa o mesmo mês de 2015, que detinha o recorde de temperatura para este período do ano. Numa nota divulgada no seu site esta sexta-feira, esta agência norte-americana acrescenta que, no total seis meses deste ano, a temperatura média global está 1,05 ° C acima da média do século XX. “Esta é a mais alta temperatura para este período”, assinala a NOOA, referindo que ultrapassa em 0,2 ° C o recorde anterior de um primeiro semestre, que tinha sido registado em 2015.

Na mesma nota, a NOOA refere que a temperatura média da superfície oceânica foi também, em Junho, a mais alta do ano, e que este é 34.º mês de Junho consecutivo em que as temperaturas registadas ultrapassam a média do século XX. Numa escala menor, a agência dá conta de que este foi o segundo mês de Junho mais quente em África, desde 1910, e que a extensão de gelo no Ártico esteve 11,4% abaixo da média verificada no período 1981-2010, no que é o pior resultado desde o início das medições, em 1979. No outro pólo, a área gelada no Antárctico diminuiu 64 mil quilómetros quadrados quando comparado com a média do mesmo período, segundo esta fonte.

Em Portugal, o Instituto do Mar e da Atmosfera já tinha anunciado que este tinha sido o quinto mês de Junho mais quente desde 1931, com temperatura média do ar de quase 22 graus Celsius, “muito superior” ao normal. 

"Limpeza sexual". Ele é pago para tirar a virgindade a crianças - DN.pt

Chama-se Hiena e é uma espécie de entidade e autoridade nas zonas rurais do Malaui.

A sua função é realizar "limpezas sexuais", que na prática quer dizer tirar a virgindade a meninas, a pedido dos pais e sendo pago para isso, como manda a tradição no sul deste país.

As raparigas, após a primeira menstruação, devem ter relações sexuais com o Hiena durante três dias para marcar a passagem da infância para a idade adulta, como conta a BBC. Antes de dormirem com o Hiena, as meninas devem aprender como podem ser boas mulheres e como dar prazer a um homem.

"Algumas das meninas têm 12 ou 13 anos, mas eu prefiro as mais velhas", explicou Aniva, um Hiena de cerca de 40 anos que diz ter dormido com mais de 100 meninas. "Todas estas raparigas têm prazer ao ter-me como a 'hiena' delas. Na verdade elas ficam orgulhosas e contam às outras pessoas que este homem é um homem a sério, ele sabe como agradar a uma mulher".

Aniva conta que tem cinco filhos mas admite que pode ter mais espalhados por aí, pois o ritual não permite o uso de preservativo.

Segundo as crenças da zona, caso uma menina recuse dormir com o Hiena, os seus familiares sofrem alguma desgraça ou ficam gravemente doentes. Alguns contam ainda que a rejeição da rapariga pode trazer azar para a aldeia inteira.

A "limpeza sexual", feita para evitar doenças e proteger as famílias da zona pode ser, no entanto, a condenação destas aldeias do Malaui. Aniva confessou à BBC que é HIV positivo e que não conta aos pais das crianças, que pagam entre 4 a 6 euros para ele fazer o ritual.

"Não havia nada que poderia ter feito", contou Maria, uma das jovens que dormiu com o Hiena, ao repórter da BBC.
Aniva, contraditoriamente, afirma que nunca vai deixar que a sua filha seja submetida a este ritual. "A minha filha, não. Não posso permitir isto".

A "limpeza sexual" do Hiena não é só para as meninas. Quando uma mulher fica viúva, por exemplo, deve dormir com o Hiena ainda antes de enterrar o marido, e caso uma mulher tenha um aborto ou seja infértil deve fazer o mesmo tratamento.

Esta tradição está mais associada às áreas remotas e rurais e é criticada tanto pelo governo de Malaui, que lançou uma campanha contra esta "prática cultural prejudicial", como pela igreja e pelas organizações não-governamentais do país.

Aniva, por sua vez, diz que vai deixar de ser Hiena em breve e que a prática deve acabar.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Saiba onde vão estar os radares móveis - JN.PT

Conheça as vias onde vão ser instaladas as 50 cabinas que vão receber os 30 radares móveis do Sistema Nacional de Controlo de Velocidade (SINCRO), até janeiro próximo.

Autoestradas

Quatro na A1 - Lisboa/Porto
Quatro na A5 - Lisboa a Cascais
Uma na A8 - Lisboa/Leiria, via Caldas da Rainha
Duas na A2 - Lisboa a Albufeira
Duas na A3 - Porto/Valença via Braga
Uma na A4 - Porto/Quintanilha
Uma na A41 - Porto/Matosinhos
Uma na A7 - Póvoa de Varzim/Vila Pouca de Aguiar
Duas na A24 - Coimbra/Vila Verde da Raia
Três na A25 - Aveiro/Vilar Formoso
Duas na A28 -- Porto/Valença, via Viana do Castelo
Três na A29 - Angeja, no concelho de Albergaria-a-Velha/Vila Nova de Gaia.

Itinerários Principais

IP 3
 - Vila Verde da Raia/Figueira da Foz
IP7 - Lisboa/Caia

Itinerários complementares

IC 17 - Algés/Sacavém
IC 19 - Lisboa/Sintra
IC 20 - Almada/Costa de Caparica
Estradas Nacionais
Duas na N.º 1 - Lisboa ao Porto
Uma cada uma das estradas nacionais 04, 06, 10 e 223, além de duas cabinas na EN 06-3.

Estrada regional

Três na 125

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Pequenas plantas testemunham que Lisboa ficou mais respirável nos últimos 30 anos - PUBLICO.PT

Estudo feito a partir de biomonitores, que vivem nas árvores, revela que a qualidade do ar na área metropolitana de Lisboa melhorou. Monsanto é o "pulmão" da cidade, já a Avenida da Liberdade é a zona mais poluída.
Os biomonitores permitiram avaliar a qualidade do ar em Lisboa. DR

qualidade do ar da área metropolitana de Lisboa melhorou nos últimos 30 anos. É o estudo do cE3c - Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais e do Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC) em colaboração a Faculdade de Ciências e do Instituto Superior Técnico, da Universidade de Lisboa, divulgado esta segunda-feira, que o diz. Em primeiro lugar está Monsanto, como o “pulmão” da cidade. A Avenida da Liberdade é apontada como a "zona mais problemática". Como se chegou a esta conclusão? Pela utilização de biomonitores, como os líquenes e os briófitos, que dão resposta às modificações no meio ambiente e acumulam as substâncias poluentes.
"A qualidade do ar melhorou em Lisboa devido às regras ambientais e à preocupação ambiental que foi aumentando nestes últimos 30 anos”, afirma Palmira Carvalho, investigadora em líquenes, uma associação entre fungos e algas que muitas vezes são os responsáveis pela cor alaranjada dos telhados. Já os briófitos, também incluídos no estudo, são pequenas plantas que não têm um estrutura que transporte água e nutrientes, como os musgos.
De acordo com Palmira Carvalho, citada em comunicado, o local onde se verificou maior diversidade florística, sendo possível atribuir-lhe a designação de “pulmão” da cidade, foi Monsanto, seguido das áreas suburbanas da Península de Setúbal. A Avenida da Liberdade foi a zona onde se verificou o menor número de espécies. Ao todo, foram encontrados 163 líquenes e 48 briófitos na área metropolitana de Lisboa. Em comunicado de imprensa, é salientado que algumas espécies consideradas raras na região foram encontradas no centro da cidade.
A investigadora e coordenadora do estudo, Cecília Sérgio, afirma que esta é a prova que o metabolismo dos líquenes e briófitos podem contribuir para a avaliação da qualidade do ar. O estudo demonstra que os valores de gases poluentes, como o dióxido de enxofre, se alteraram e são muitas vezes inferiores ao regulamentado. A conclusão é que antes eram “valores altíssimos, no entanto agora são bastante mais baixos”, revela a investigadora.
Mas há outros motivos para esta diminuição. Há uns anos, o Seixal e o Barreiro tinham indústrias com um peso substancial na poluição do ar. “Neste momento todas as restrições e regulamentação ambiental modificaram a qualidade do ar para melhor ou bastante boa”, esclarece Cecilia Sérgio. Contudo, a investigadora aponta que também foram encontrados no local outro tipo de poluentes, como poeiras, que se instalaram em árvores e permitiram a permanência dos biomonitores. “Foram também detectadas muitas espécies que apareceram de novo, no entanto, isso nem sempre quer dizer que corresponde a muito boa qualidade do ar”, afirmou, salientando que estas alterações podem ocorrer pelo aumento de “compostos azotados ou outros factores ecológicos”.
Por isso, “será importante refazer este estudo com a mesma metodologia num futuro próximo para avaliar possíveis alterações”, alerta a Palmira Carvalho, destacando a emergência de se avaliar se novas políticas ambientais, como as relativas ao tráfego, foram eficazes ou não.
O estudo foi publicado na revista científica Ecological Indicators e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Os resultados foram recolhidos entre 1980-1981 e entre 2010-2011.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Lisboa reduz emissões de C02 para metade em 12 anos - DN.PT

Objetivos assinalados para 2020 já foram ultrapassados, diz vereador da Energia da Câmara de Lisboa.

As emissões de dióxido de carbono (C02) e os consumos de energia primária no concelho de Lisboa diminuíram 50% e 35%, respetivamente, entre 2002 e 2014, divulgou hoje a Câmara Municipal, salientando ainda não estar satisfeita com os resultados.

"Tem muito a ver com a política energética do país, mas, de facto, a própria cidade também fez o seu esforço", disse à agência Lusa o vereador da Energia do município, José Sá Fernandes.

O autarca aludia aos resultados do estudo apresentado nos Paços do Concelho - feito pela autarquia, pelo Instituto Superior Técnico e pela agência municipal de energia e ambiente Lisboa E-Nova - sobre os consumos energéticos na cidade desde 2002, ano em que Lisboa assinou o Pacto dos Autarcas (movimento europeu que envolve autarquias empenhadas e aumentar a eficiência energética).

De acordo com o mesmo estudo, intitulado "Matriz energética de Lisboa", as emissões de C02 passaram de 3.887 quilotoneladas (kton) em 2002 para metade, 1.934 kton, em 2014.

"Nós tínhamos objetivos assinalados para 2020 [como uma redução de 20% nas emissões] e já os atingimos e ultrapassámos largamente", assinalou Sá Fernandes.

O documento, divulgado no âmbito da Semana Europeia da Energia Sustentável, revela também que houve uma redução de 35% dos consumos de energia primária no concelho de Lisboa durante este período.

Aqui, inserem-se as diminuições no consumo de gasolina (69%), de gasóleo (43%) e de eletricidade (23%). Inclui-se ainda o consumo de gás natural, que aumentou 28%.

De acordo com o autarca, as políticas municipais também contribuíram para obter estes resultados.

"Os próprios consumos da Câmara diminuíram todos bastante, quer na água, quer na eletricidade e quer no gasóleo", sublinhou o responsável, falando em reduções na ordem dos 30%, 23% e 37%, respetivamente, entre 2008 e 2015.

Em 2014, a Câmara foi responsável por 2,7% do total dos consumos do concelho e emitiu 2,4% das emissões da cidade.

Sá Fernandes prometeu que as melhorias não ficam por aqui: "Eu nunca estou satisfeito, eu quero mais. E é possível, não é irrisório".

Para isso, enumerou medidas como a aplicação da tecnologia LED à iluminação pública, o acréscimo da produção elétrica de origem fotovoltaica, a reabilitação dos edifícios e a sua certificação. Apenas o edifício municipal do Campo Grande está certificado, estando outros processos em curso.

No âmbito dos transportes, defendeu a continuação da aposta em viaturas elétricas para a frota municipal e a passagem para a autarquia da gestão da rodoviária Carris e do Metropolitano de Lisboa, que, a seu ver, "vai ser absolutamente decisiva para melhorar as performances ambientais".

Outra das apostas será a reutilização da água residual, tanto para a lavagem das ruas (em 2014, foram reutilizados mais de 23 mil metros cúbicos) como para a rega de espaços públicos, que pode ter um uso potencial de 320 mil metros cúbicos por ano.

Para que a rega possa ser feita com água tratada, o município está a "finalizar os estudos" para garantir a qualidade da água e só avança quando estiver "100% segura", adiantou José Sá Fernandes.

El Niño provoca níveis históricos de CO2 em 2016 - DN.PT

No ano anterior apenas três meses tinham registado valores inferiores às 400 partes por milhão.

Pela primeira vez em cinco milhões de anos, o nível de concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera estará acima das 400 partes por milhão (em cada milhão de moléculas atmosféricas, 400 são de CO2) durante todo o ano.
Os dados registados no observatório havaiano situado no vulcão Mauna Loa refletem um crescimento simbólico, embora não tenham um significado particular para a física do sistema climático, anuncia o Instituto de Meteorologia inglês.
"A concentração atmosférica de dióxido de carbono tem aumentado ano após ano devido às emissões humanas, mas este ano receberá um estímulo extra garantido pelo recente El Niño", comenta Richard Betts, autor do estudo publicado na Nature Climate Change que avança estes números.
O El Niño - um fenómeno que afeta a distribuição de temperatura da água do Pacífico - tem tornado os trópicos mais secos e quentes e limitado a capacidade florestal de eliminar dióxido de carbono da atmosfera.
Estas condições provocam, ainda, enormes incêndios por todo o mundo que contribuem para a acentuação da concentração de CO2 na atmosfera.
Em 2016, o nível médio de CO2 será 404,45 partes por milhão. Setembro será o mês com concentração mais baixa (401,48). O nível máximo foi registado em maio (407,7 partes por milhão).
É improvável, segundo o Instituto de Meteorologia inglês, que os níveis diminuam nos próximos anos, embora certas áreas do planeta, como o Alasca, registem valores inferiores.

Pela primeira vez, CO2 foi transformado em pedra - PUBLICO.PT

Nova técnica desenvolvida na Islândia propõe armazenar emissões de CO2 no solo transformando-as em pedra e não apenas enterrando-as como gás.


Projecto islandês vai armazenar 10 mil toneladas de CO2 por ano DR

Uma equipa de cientistas e engenheiros de uma central eléctrica na Islândia mostrou pela primeira vez ser possível enterrar emissões de dióxido de carbono no subsolo transformando-as num elemento sólido em apenas alguns meses. O estudo que dá conta da descoberta foi publicado esta semana narevista Science e está a ser recebido com optimismo. Até aqui, os projectos de captura e o sequestro de carbono (CCS, na sigla inglesa) separam numa central a água do CO2 que depois é conduzido por uma conduta que o leva por um poço onde é injectado no subsolo. O receio era de que o gás poderia de algum modo “escapar” e regressar à atmosfera. No modo convencional, o CO2 é armazenado como gás em rochas sedimentares que, ao contrário do basalto utilizado neste estudo, não contém os minerais necessários para converter o CO2 em pedra.
O projecto piloto Carbonfix começou em 2012 na central de Hellisheidi, na Islândia, a maior central geotérmica do mundo. Cientistas misturaram os gases com a água quente vulcânica que retiravam do solo, injectando-o novamente no subsolo de basalto. Na natureza, quando o basalto é exposto ao dióxido de carbono e à água, e uma reacção química natural transforma o carbono em calcário. A expectativa inicial era a de que um processo pudesse demorar centenas ou milhares de anos. Essa foi uma das surpresas do estudo: no basalto debaixo da central islandesa, 95% do carbono injectado demorou menos de dois anos a solidificar.
Os processos de captura e o sequestro de carbono podem ter um papel relevante na mitigação das alterações climáticas: em 2050, a Agência Internacional de Energia estima que estas tecnologias possam reduzir as emissões globais de gases com efeito de estufa em 19%.
“Precisamos de lidar com as crescentes emissões de carbono e o seu armazenamento permanente – transformá-las novamente em pedra”, defende Jureg Matter, investigador que liderou o estudo do projecto islandês.