terça-feira, 13 de novembro de 2012

Radical islâmico condenado por terrorismo libertado - JN

Radical islâmico condenado por terrorismo libertado - JN

Radical islâmico condenado por terrorismo libertado
O radical islâmico no momento em que deixa a prisão


As autoridades britânicas anunciaram que o radical islâmico Abu Qatada foi libertado, esta terça-feira, sob caução, depois de um tribunal ter decidido contra a sua extradição para a Jordânia, onde foi condenado por terrorismo.
O pregador radical, de pouco mais de 50 anos, saiu da prisão de alta segurança de Long Lartin, no centro de Inglaterra, numa carrinha preta a alta velocidade, segundo imagens das televisões britânicas.  
Abu Qatada deverá ser levado para casa, na zona noroeste de Londres, de onde poderá sair diariamente entre as 8.00 e as 16.00 horas, respeitando um recolher obrigatório nas restantes horas. 
Além disso, terá de usar uma pulseira eletrónica e as visitas serão restringidas. 
O imã, de origem jordano-palestiniana, passou os últimos sete anos detido no Reino Unido, onde vive desde 1993, devido a um pedido de extradição apresentado pela Jordânia, que em 1998 o condenou à revelia por envolvimento em ataques terroristas e que quer repetir o julgamento. 
Na segunda-feira, um tribunal britânico recusou o pedido jordano.  
O vice-primeiro-ministro britânico, Nick Clegg, disse na terça-feira que o Governo continua determinado a deportar Qatada: "Discordamos, nos termos mais firmes, da decisão judicial. Vamos contestá-la, vamos apresentar recurso", disse Clegg à televisão ITV. 
A ministra do Interior, Theresa May, indicou ter ordenado a extradição de Qatada depois de ter recebido garantias da Jordânia de que não seriam usadas provas obtidas sob tortura, mas a comissão especial de recursos de imigração, um organismo judicial que lida com casos de segurança nacional, considerou não haver garantias de que tal não possa ocorrer. 
Depois da decisão, Theresa May afirmou no parlamento que Qatada "é um homem perigoso, um suspeito de terrorismo, acusado de um crime grave no seu país" e considerou "altamente insatisfatório" que não tenha sido extraditado. 
O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos considerou, em maio passado, que Qatada não pode ser deportado enquanto houver "um risco real de que provas obtidas sob tortura sejam usadas contra ele num possível novo julgamento". 
A ministra britânica visitou depois a Jordânia para obter garantias que ele teria um julgamento justo e o Tribunal Europeu aceitou essas garantias, abrindo caminho à extradição.
Todavia, a comissão especial britânica considerou que os testemunhos de dois antigos coarguidos de Qatada, Al-Hamasher e Abu Hawsher, alegadamente obtidos sob tortura, acarretam o risco de o julgamento não ser justo.
O imã, pai de cinco filhos e cujo verdadeiro nome é Omar Mohammed Othman, pediu asilo político ao Reino Unido em 1993.
Vídeos de sermões de Qatada foram encontrados no apartamento de Hamburgo por onde passaram alguns dos autores dos atentados de 11 de setembro de 2001.
Um juiz espanhol chegou a considerá-lo o "braço direito" de Osama Bin Laden na Europa, mas Qatada nega ter-se encontrado com o ex-líder da Al-Qaida alguma vez.

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