Primeiro-ministro recusa renegociar Memorando depois de dar “nota” a Merkel do que Portugal está a fazer.
Na relação entre Angela Merkel e Passos Coelho não há “ous”, só há “es”. E por isso ontem defenderam juntos o caminho que está a ser seguido pelo governo (e pela Europa) e não outro. A chanceler alemã diz que veio a Portugal trazer “esperança” porque quer que a situação do país “tenha um final feliz” ao passo que o primeiro-ministro deu “nota” do que está a ser feito e assumiu que renegociar o programa significaria “um falhanço” e como consequência “um quadro mais severo”.
A chanceler alemã visitou ontem Portugal durante sete horas (mais uma do que estava previsto devido a atrasos que começaram logo na reunião que teve de manhã com o Presidente da República) e na bagagem trazia um objectivo: dar “esperança” aos portugueses e uma mão ao governo de Passos Coelho: “Sinto aqui uma forte determinação no sentido de superar essa situação difícil, um período duro para o povo”. O povo que até lhe deu algum descanso apesar dos cartazes mais críticos – houve mesmo um jornalista alemão que destacou palavras de ordem escritas em cartazes como “Hitler go home”, que, garantiu Merkel, não a irritaram (ver páginas 22-23).
Mas se a visita foi um alívio para o primeiro-ministro que viu na chanceler o apoio que tem tido desde há mais de um ano – aliás, fez questão de lembrar isso mesmo no início da conferência de imprensa conjunta – não o foi para o país. Quando questionada sobre um possível alívio da austeridade, a reboque das palavras da directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), a chanceler alemã fugiu à questão dizendo apenas que “a austeridade em si não é um fim” e que é necessário “resolver a acumulação de dívidas” fazendo reformas estruturais para promover o crescimento. E descartou a responsabilidade pelo programa português; “Não é um programa de autoria alemã, mas de instituições internacionais”.
Pelo meio, a chanceler foi dizendo que queria trazer “esperança” num momento “duro” para o país e defendeu por isso que Portugal não precisa de renegociar o Memorando. Isto porque acredita que os portugueses são capazes de o cumprir e aliás, sublinhou, têm-no feito de forma “excelente”. Referindo-se à necessidade de apoio às empresas para o crescimento, em frente a empresários de ambos os países no Centro Cultural de Belém, a chanceler alemã reiteirou o apoio da Alemanha até porque, garantiu, ao contrário do que dizem, não está interessada em “recessões” em outros países. Elogios que agradaram ao primeiro-ministro que recusou a renegociação do programa de ajuda financeira. Para Passos, renegociar o programa significaria “um falhanço” do rumo e isso, inevitavelmente traria mais auteridade, “um quadro mais severo”, disse.
Se a estratégia da chanceler foi de apoio a Passos Coelho, a do primeiro-ministro acabou por ser a de aproveitar a principal interlocutora na Europa para duas coisas: dar “notas” de como está a correr o programa de ajustamento e em segundo lugar pedir o apoio da chanceler para a defesa de uma política europeia diferente (ver ao lado). E foi isso que fez na longa intervenção que fez a meio da tarde. Depois de um almoço de trabalho com Angela Merkel, Passos enumerou os pontos dos quais, disse, a chanceler ficou “com boa nota”, como o esforço feito de consolidação das contas externas, que foi “mais intenso e mais rápido” do que estava inicialmente previsto. Mas também daquele que quer levar a cabo já na sexta avaliação a Portugal que começou ontem, ou seja, o corte na despesa pública de quatro mil milhões de euros. “É preciso hoje dar mais profundidade à reforma do Estado e defesa de uma redução permanecente da depesa estrutural do Estado. Creio que a chanceler ficou com uma noção dos objectivos do governo português”, disse.
Uma atitude que o PS qualificou como de “submissão e subserviência”. “Portugal não precisa de ajuda, precisa de solidariedade. As relações entre estados da União Europeia é uma relação entre iguais”, defendeu o porta-voz do PS, João Assunção Ribeiro. Uma crítica que Passos já tinha antecipado. Na conferência de imprensa disse que a sua atitude “não é de subserviência externa”: “O que estamos a fazer é para o nosso bem não é para impressionar ninguém”. E para esse bem, Passos até admitiu procurar consensos, mas não submeter as políticas a “consensos a qualquer preço”.
Na relação entre Angela Merkel e Passos Coelho não há “ous”, só há “es”. E por isso ontem defenderam juntos o caminho que está a ser seguido pelo governo (e pela Europa) e não outro. A chanceler alemã diz que veio a Portugal trazer “esperança” porque quer que a situação do país “tenha um final feliz” ao passo que o primeiro-ministro deu “nota” do que está a ser feito e assumiu que renegociar o programa significaria “um falhanço” e como consequência “um quadro mais severo”.
A chanceler alemã visitou ontem Portugal durante sete horas (mais uma do que estava previsto devido a atrasos que começaram logo na reunião que teve de manhã com o Presidente da República) e na bagagem trazia um objectivo: dar “esperança” aos portugueses e uma mão ao governo de Passos Coelho: “Sinto aqui uma forte determinação no sentido de superar essa situação difícil, um período duro para o povo”. O povo que até lhe deu algum descanso apesar dos cartazes mais críticos – houve mesmo um jornalista alemão que destacou palavras de ordem escritas em cartazes como “Hitler go home”, que, garantiu Merkel, não a irritaram (ver páginas 22-23).
Mas se a visita foi um alívio para o primeiro-ministro que viu na chanceler o apoio que tem tido desde há mais de um ano – aliás, fez questão de lembrar isso mesmo no início da conferência de imprensa conjunta – não o foi para o país. Quando questionada sobre um possível alívio da austeridade, a reboque das palavras da directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), a chanceler alemã fugiu à questão dizendo apenas que “a austeridade em si não é um fim” e que é necessário “resolver a acumulação de dívidas” fazendo reformas estruturais para promover o crescimento. E descartou a responsabilidade pelo programa português; “Não é um programa de autoria alemã, mas de instituições internacionais”.
Pelo meio, a chanceler foi dizendo que queria trazer “esperança” num momento “duro” para o país e defendeu por isso que Portugal não precisa de renegociar o Memorando. Isto porque acredita que os portugueses são capazes de o cumprir e aliás, sublinhou, têm-no feito de forma “excelente”. Referindo-se à necessidade de apoio às empresas para o crescimento, em frente a empresários de ambos os países no Centro Cultural de Belém, a chanceler alemã reiteirou o apoio da Alemanha até porque, garantiu, ao contrário do que dizem, não está interessada em “recessões” em outros países. Elogios que agradaram ao primeiro-ministro que recusou a renegociação do programa de ajuda financeira. Para Passos, renegociar o programa significaria “um falhanço” do rumo e isso, inevitavelmente traria mais auteridade, “um quadro mais severo”, disse.
Se a estratégia da chanceler foi de apoio a Passos Coelho, a do primeiro-ministro acabou por ser a de aproveitar a principal interlocutora na Europa para duas coisas: dar “notas” de como está a correr o programa de ajustamento e em segundo lugar pedir o apoio da chanceler para a defesa de uma política europeia diferente (ver ao lado). E foi isso que fez na longa intervenção que fez a meio da tarde. Depois de um almoço de trabalho com Angela Merkel, Passos enumerou os pontos dos quais, disse, a chanceler ficou “com boa nota”, como o esforço feito de consolidação das contas externas, que foi “mais intenso e mais rápido” do que estava inicialmente previsto. Mas também daquele que quer levar a cabo já na sexta avaliação a Portugal que começou ontem, ou seja, o corte na despesa pública de quatro mil milhões de euros. “É preciso hoje dar mais profundidade à reforma do Estado e defesa de uma redução permanecente da depesa estrutural do Estado. Creio que a chanceler ficou com uma noção dos objectivos do governo português”, disse.
Uma atitude que o PS qualificou como de “submissão e subserviência”. “Portugal não precisa de ajuda, precisa de solidariedade. As relações entre estados da União Europeia é uma relação entre iguais”, defendeu o porta-voz do PS, João Assunção Ribeiro. Uma crítica que Passos já tinha antecipado. Na conferência de imprensa disse que a sua atitude “não é de subserviência externa”: “O que estamos a fazer é para o nosso bem não é para impressionar ninguém”. E para esse bem, Passos até admitiu procurar consensos, mas não submeter as políticas a “consensos a qualquer preço”.
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