O economista João
Ferreira do Amaral considerou que as medidas anunciadas pelo Governo vão
provocar "uma quebra adicional muito drástica da procura interna" e,
consequentemente, "impedir o Estado de cumprir os objectivos orçamentais
do próximo ano".
Ferreira do Amaral falava durante o primeiro painel temático do Congresso das Alternativas, "Desafios da denúncia do memorando da troika".
"O próximo ano vai ser um ano de rupturas importantes a nível económico e social", resumiu.
O economista considerou que Portugal segue "um caminho sem futuro do ponto de vista económico, social, e de retrocesso que pode ter consequências ainda mais graves" e insistiu na sua posição de que "não é possível denunciar o acordo da troika numa situação de manutenção no euro".
Esta saída do euro, defendeu, deve "ser feita de forma adequada" e "em negociação com as instituições europeias", onde Portugal pode encontrar alguns "bons apoios" para esta solução, afirmou João Ferreira do Amaral.
Para o economista, o problema fundamental vem desde 1992, quando no Tratado de Maastricht, o Estado se colocou "ele próprio nas mãos dos mercados financeiros", ao permitir que o Banco Central Europeu deixasse "de poder financiar os estados-membros".
"A meu ver este foi um retrocesso civilizacional tremendo", disse.
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