terça-feira, 6 de novembro de 2012

Japão. Diz-me o teu grupo sanguíneo e dir-te-ei quem és | iOnline

Japão. Diz-me o teu grupo sanguíneo e dir-te-ei quem és | iOnline

No discurso de demissão, o ministro da Reconstrução, Ryu Matsumoto, desculpou-se com pertencer ao grupo sanguíneo B.

Se Barack Obama e Mitt Romney fossem candidatos às presidenciais no Japão, por esta altura já todos os eleitores saberiam o seu tipo sanguíneo. Por cá, Passos Coelho ter-se-ia desculpado com a natureza e Silvio Berlusconi argumentado em tribunal que era do grupo B. Mas, ao contrário da maioria dos ocidentais, que não pensam muito nesta questão, para os nipónicos ser-se A, B, O ou AB diz muito sobre o carácter de qualquer ser humano e poderá ser determinante para a vida, o amor e o trabalho.
Assim, “qual é o teu tipo sanguíneo?” é uma pergunta frequente que poderá ser feita numa entrevista de trabalho ou por alguém interessado em começar um relacionamento sério. Segundo a sabedoria popular japonesa, as pessoas do tipo A são perfeccionistas, sensíveis, boas em trabalho de equipa, mas excessivamente ansiosas. Já os O são curiosos e generosos, porém mimados. Os AB são artísticos, misteriosos e imprevisíveis. Por seu turno, os B são conhecidos por ser alegres, excêntricos, individualistas e egoístas.
Segundo a BBC, o tema também é tratado com seriedade pela imprensa. Programas de televisão, jornais e revistas publicam regularmente horóscopos consoante o tipo sanguíneo e discutem compatibilidades entre os quatro. As agências de encontros têm em conta os tipos sanguíneos e os jogos de vídeo mencionam com frequência a que grupo pertencem as personagens. Na indústria, o que não falta são produtos específicos, de bebidas e pastilhas elásticas a sais de banho e preservativos, para cada estirpe. Alguns jardins-de-infância apostam em métodos de ensino diferentes e até mesmo grandes empresas tomam decisões com base no tipo sanguíneo dos empregados.
No Japão, o estudo dos tipos sanguíneos tornou-se popular nos anos 70, após a publicação de um livro, escrito por Masahiko Nomi, que não tinha qualquer tipo de formação em medicina. O seu filho, Toshitaka, deu continuidade à crença com várias publicações e é actualmente director do Institute of Blood Type Humanics.
A crença também se estende à política. O ano passado, o ministro japonês da Reconstrução, Ryu Matsumoto, no cargo há uma semana, foi forçado a demitir-se depois de se ter desentendido com as autoridades locais enquanto estava a ser filmado em directo para a televisão. No seu discurso de demissão, afirmou que a situação se devia a pertencer ao grupo B.
“Podemos apontar algumas tendências gerais como grupo, mas não se pode dizer que uma pessoa é boa ou má por causa do seu tipo sanguíneo”, afirmou à BBC o professor Terumitsu Maekawa, da Asia University em Tóquio, criticando a excessiva importância popular do tema no seu país.

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