O governo alemão decidiu antecipar ontem o Natal com um presente social de três mil milhões de euros.
A um ano das eleições federais, a chanceler Angela Merkel vai deixar cair o co-pagamento na saúde - uma receita que está a ser equacionada em países resgatados como Portugal - , aumentar o investimento em transportes (750 milhões de euros) e reforçar os subsídios infantis. "Merkel e Schäuble dizem aos europeus para beber água, mas em casa bebem vinho", criticou Sigmar Gabriel, um dos líderes do maior partido da oposição (SPD).
A estrela das medidas sociais é sem dúvida a eliminação da factura médica - cada alemão tem hoje de pagar dez euros por especialista e trimestre, além do seguro de saúde. A medida, que vai custar cerca de dois mil milhões, aumentou tanto a burocracia que o porta-voz da CDU, Hermann Gröhe, garante que terá pouco impacto a nível da despesa pública.
O parceiro do partido de Merkel na Baviera, CDU, conseguiu em troca um reforço, já em Agosto, dos subsídios aos pais que decidam ficar em casa a cuidar dos filhos de dois-três anos em vez de os pôr em creches. A medida terá um custo de 400 milhões em 2013 e subirá para mil milhões de euros um ano depois - um valor que Berlim diz ser idêntico ao custo das creches públicas. A oposição não só condena como ameaça levar a iniciativa conservadora a tribunal, uma vez que é um incentivo à saída das mulheres do mercado laboral e dificulta a integração dos filhos de imigrantes.
Merkel reafirma ainda o objectivo de défice zero em 2014, num momento em que segue à frente das sondagens - 38% da CDU contra os 29% dos social-democratas do SPD.
http://economico.sapo.pt/noticias/berlim-elimina-copagamento-na-saude_155545.html
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