quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Portugal coloca mais dívida do que o previsto e custos descem - Dinheiro Vivo

Portugal coloca mais dívida do que o previsto e custos descem - Dinheiro Vivo

Depois de um jejum de dois meses, Portugal voltou hoje a testar os mercados e com muito sucesso. Esta foi a segunda vez, desde que assinou o memorando de entendimento com a troika, que o IGCP realizou uma emissão com prazo a 18 meses e foi o último leilão do terceiro trimestre, financiando-se já para além do prazo em que Portugal deverá voltar aos mercados.Contas feitas, o IGCP realizou dois leilões com prazos a seis e a dezoito meses e além de ter conseguido colocar mais dívida do que o previsto viu os custos do financiamento recuarem. Os níveis de procura destoaram já que foram inferiores aos verificados nas emissões anteriores comparáveis.
O objetivo inicial era de colocar entre 1,5 e 1,75 mil milhões de euros, mas o país vendeu 2 mil milhões de euros.
No leilão com prazo a seis meses, o IGCP colocou 709 milhões de euros, tendo pago uma taxa de 1,7% e com a procura a ser 3,1 vezes superior à oferta.
Na última emissão com este prazo, que se realizou a 18 de julho, o país tinha colocado 750 milhões de euros, pago um juro de 2,292% e com a procura a fixar-se em 3,8 vezes.
Já no leilão com maturidade a 18 meses, o IGCP colocou 1,29 mil milhões de euros, pagando um juro de 2,967% e com a procura a ser 2,4 vezes superior à oferta.
Na última emissão com este prazo, que se realizou a 4 de abril, o país tinha colocado mil milhões de euros e pagou um juro de 4,537%. A procura tinha sido 2,6 vezes superior à oferta.

O que dizem os analistas
"A emissão foi um sucesso e demonstra que o eventual aumento do risco político de Portugal não afetou, em nada e por agora, os investidores, que continuam com muito interesse em comprar dívida pública portuguesa de curto prazo", afirma Filipe Silva
O responsável de dívida do Banco Carregosa adianta que "prova disso, é o facto de o Estado ter emitido dívida num montante total de 2 mil milhões de euros, superior ao que tinha anunciado fazer (1,5-1,75 mil milhões). Outro facto relevante a sublinhar é que os Bilhetes do Tesouro a 18 meses, apesar de terem um prazo mais longo, já têm uma taxa de juro implícita inferior à das Obrigações a 1 ano, ou seja temos uma dívida mais longa mais barata que uma emissão a um prazo mais curto. Acho que correu bastante bem".
"Portugal foi hoje aos mercados com sucesso acima do esperado. Depois da emissão de ontem de Espanha, que também foi bem sucedida, hoje Portugal conseguiu ir ao mercado colocar dívida a seis meses e a 18 meses com 'yields' mais baixas e com 'covers' menores", disse Tiago Cardoso.
O account manager da XTB justifica este sucesso com as "últimas declarações de Draghi sobre o programa de compra de dívida. Também as medidas de estímulo adoptadas pela América e pelo Japão nos últimos dias levaram a um apetite pelo risco que tem vindo a dar um alívio ao mercado e dívida dos periféricos".
Os analistas contactados ontem pelo Dinheiro Vivo não tinham dúvidas de que os custos de financiamento iriam recuar face às taxas das emissões anteriores comparáveis, que o país não teria dificuldades em colocar o montante máximo previsto e que a procura seria elevada.
Desde o dia 18 de julho que Portugal se mantinha afastado dos mercados de dívida. Naquela que foi a primeira emissão de dívida do terceiro trimestre, e a primeira sob a liderança de João Moreira Rato, Portugal colocou em julho os 2 mil milhões de euros que pretendia e viu as taxas de juro pagas para vender dívida com prazos a seis e a doze meses recuarem.
O leilão desta quarta-feira faz parte da estratégia do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, para tentar "reconstruir a curva de rendimentos", ou seja, ir testando "passo a passo" os mercados internacionais (pedindo empréstimos pequenos), mas em maturidades cada vez mais elevadas.

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