sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Há três meses, Passos estava contra as novas medidas do BCE - Dinheiro Vivo

Há três meses, Passos estava contra as novas medidas do BCE - Dinheiro Vivo

Pedro Passos Coelho
Passos era contra a compra de dívida
Há menos de três meses, Pedro Passos Coelho disse que não concordava com a compra de dívida soberana por parte do Banco Central Europeu (BCE). A medida anunciada ontem por Mario Draghi tem sido acolhida como uma tábua de salvação para Portugal, permitindo aliviar a pressão sobre os juros da dívida. No entanto, num debate parlamentar em julho, o primeiro-ministro foi muito claro: "não concordo e não preciso de pedir licença a ninguém, nem em Portugal, nem na Europa."
A declaração de Passos Coelho pode ser encontrada na transcrição do debate parlamentar de dia 27 de junho deste ano, disponibilizada no site da Assembleia da República. Durante uma troca de argumentos com o líder do PS, António José Seguro, o primeiro-ministro disse recusar uma intervenção mais ativa por parte do banco central.

"O que é que o Sr. Deputado quer significar com «um papel mais ativo do BCE»? Se o Sr. Deputado, como o Partido Socialista tem vindo a expressar, entende que o BCE deve atuar em mercado secundário, com programas mais intensos, de compra de títulos de dívida soberana dos diversos países, se entende que o BCE, com um papel mais ativo, deve ser o financiador dos défices gerados pelos Estados, sendo, portanto, nessa medida, um prestamista de última instância de cada soberano da zona euro, Sr. Deputado, se é isto que entende, deixe-me dizer-lhe que não concordo e não preciso de pedir licença a ninguém, nem em Portugal, nem na Europa, para lhe dizer aquilo que penso."

Leia aqui a intervenção completa de Pedro Passos Coelho.
Estas medidas que o primeiro-ministro disse não aceitar foram exatamente aquelas que o presidente do BCE anunciou ontem, tendo provocado um efeito positivo generalizado nas bolsas e nos juros da dívida portuguesa. Os economistas concordam que este novo programa deverá facilitar bastante o regresso de Portugal aos mercados financeiros, podendo representar mesmo uma viragem na crise da zona euro.
Ainda assim, durante o debate de 27 de junho, Passos Coelho foi mais longe, argumentando que "qualquer descredibilização do papel [do BCE], face àqueles que são os seus objetivos e àquele que é o seu mandato, corresponderia ao fim do euro e da União Europeia, tal como a conhecemos".
Conheça em mais pormenor a decisão do BCE.
O primeiro-ministro ainda não fez qualquer comentário desde que o BCE anunciou o novo programa e, até agora, não foi possível contactar o seu gabinete, para saber se mantém a mesma opinião.

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