Passos era contra a compra de dívida
Há menos de três meses, Pedro Passos Coelho disse que não concordava com a compra de dívida soberana por parte do Banco Central Europeu (BCE). A medida anunciada ontem por Mario Draghi tem sido acolhida como uma tábua de salvação para Portugal, permitindo aliviar a pressão sobre os juros da dívida. No entanto, num debate parlamentar em julho, o primeiro-ministro foi muito claro: "não concordo e não preciso de pedir licença a ninguém, nem em Portugal, nem na Europa."
"O que é que o Sr. Deputado quer significar com «um papel mais ativo do BCE»? Se o Sr. Deputado, como o Partido Socialista tem vindo a expressar, entende que o BCE deve atuar em mercado secundário, com programas mais intensos, de compra de títulos de dívida soberana dos diversos países, se entende que o BCE, com um papel mais ativo, deve ser o financiador dos défices gerados pelos Estados, sendo, portanto, nessa medida, um prestamista de última instância de cada soberano da zona euro, Sr. Deputado, se é isto que entende, deixe-me dizer-lhe que não concordo e não preciso de pedir licença a ninguém, nem em Portugal, nem na Europa, para lhe dizer aquilo que penso."
Leia aqui a intervenção completa de Pedro Passos Coelho.
Estas medidas que o primeiro-ministro disse não aceitar foram exatamente aquelas que o presidente do BCE anunciou ontem, tendo provocado um efeito positivo generalizado nas bolsas e nos juros da dívida portuguesa. Os economistas concordam que este novo programa deverá facilitar bastante o regresso de Portugal aos mercados financeiros, podendo representar mesmo uma viragem na crise da zona euro.
Ainda assim, durante o debate de 27 de junho, Passos Coelho foi mais longe, argumentando que "qualquer descredibilização do papel [do BCE], face àqueles que são os seus objetivos e àquele que é o seu mandato, corresponderia ao fim do euro e da União Europeia, tal como a conhecemos".
Conheça em mais pormenor a decisão do BCE.
O primeiro-ministro ainda não fez qualquer comentário desde que o BCE anunciou o novo programa e, até agora, não foi possível contactar o seu gabinete, para saber se mantém a mesma opinião.
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