Em oito meses já faliram quase tantas empresas como em 2011

4338 insolvências até 31 de agosto
Nuno Brites
Nuno Brites
Naturalmente que o número de insolvências varia de distrito para distrito, até pelo número de empresas que cada um tem, mas a liderar esta tabela está o distrito do Porto, com 1024 insolvências, seguido do de Lisboa com 907 e Braga com 565. No entanto, por exemplo, o distrito de Beja totalizou 27 insolvências, o que representou um aumento de 145,45% face a igual período do ano passado.
Se há diferenças em relação a distritos também o há no que diz respeito a sectores de atividade, com a construção a liderar o número de falências, seguida do comércio a retalho, exceto o de veículos automóveis e motociclos.
Na opinião do presidente da Confederação Portuguesa da Cons-trução e Imobiliário (CPCI), Reis Campos, o número de 1179 insolvências na construção, que engloba construção de edifícios, engenharia civil, atividades especializadas, atividades imobiliárias e atividades de arquitetura, os problemas do sector devem-se a "um Estado que não investe e que não paga o que deve - que neste momento já ascende a 1,55 mil milhões de euros -, com o pior prazo de pagamento de que há registo".
Para o futuro, este responsável espera que o Governo aposte na reabilitação e no arrendamento e em investimentos de proximidade. No entanto, diz-se "muito pre-ocupado" com o futuro. Para já, estão a perder-se 436 trabalhadores por dia, e a encerrar 29 empresas diariamente. "Chegaremos ao final do ano com menos 13 mil empresas por insolvência ou por encerramento."
Reis Campos defende ainda que o "Estado deveria regular o descalabro no sector imobiliário, que sofre a concorrência desleal dos bancos", e, além disso, "rever o problema de liquidez das empresas".
O segundo sector mais afetado é o comércio, com 608 insolvências. Para o presidente da Associação de Comerciantes do Porto, Nuno Camilo, "isto é o resultado de medidas de austeridade demasiado violentas, que não estão a surtir efeitos do lado da receita".
"A nível nacional fecham por dia cem empresas. Só no Porto fecham 20 e estes números vão agudizar-se, porque a redução do consumo é drástica e o aumento dos produtos também, já que os custos de produção, eletricidade e combustíveis também não param de aumentar", conclui.
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