O tráfego nas ex-Scut que passaram a ser cobradas em 2011 lidera as quedas no segundo trimestre e penaliza receitas da Estradas de Portugal.
Os dados do INIR (Instituto Nacional de Infra-estruturas Rodoviárias), divulgados no final da semana passada, revelam que as maiores quedas na procura se registam nas ex-Scut, cuja perda de tráfego chega a ultrapassar o dobro da média global ponderada de 17,6%. São sobretudo as concessões onde foram introduzidas portagens no final de 2011 que evidenciam uma maior fuga de automobilistas. Algarve, Beira Interior, Beiras Litoral e Alta e ainda Interior Norte lideram, assim, a queda de tráfego nas auto-estradas no segundo trimestre deste ano, com reduções entre os 25% e os quase 50% da Via do Infante.
Pior só mesmo a concessão Estradas de Portugal, cujos dados do INIR apontam para uma perda de 73% na procura, embora uma análise mais detalhada permita verificar que os dados entre os dois períodos não são directamente comparáveis, por não existirem números para todos os lanços explorados directamente pela empresa pública e que constituem acessos a outras vias portajadas, designadamente ex-Scut.
Outro acesso que regista uma performance negativa, de 25%, é o da ligação do IC3 que passou a ser cobrada como parte da A13, no final do ano passado. Mais moderada é a descida da procura nas ex-Scut onde a cobrança se iniciou já em 2010: Costa da Prata, Grande Porto e Litoral Norte. Já as concessões Grande Lisboa e Norte, exploradas pela Ascendi, mas cujas receitas também são da Estradas de Portugal, registam no segundo trimestre do ano uma queda menos acentuada do que a média.
Menos tráfego nas concessões cujas receitas revertem para a Estradas de Portugal representam também menos proveitos para a empresa pública. E esta realidade sente-se a dois níveis. Por um lado, há menos portagens cobradas. Por outro lado, a queda generalizada de tráfego rodoviário a nível nacional é ainda visível no consumo de combustíveis rodoviários e no imposto petrolífero. Como uma parte substancial das receitas da Estradas de Portugal provém da contribuição rodoviária cobrada por litro de combustível vendido, também aqui a empresa pública sai a perder.
No primeiro semestre deste ano, o volume de negócios da EP recuou 29,5 milhões de euros face ao mesmo período do ano passado. Os dados são divulgados no relatório do sector empresarial do Estado, que explica esta evolução, em parte, pela redução da contribuição do serviço rodoviário.
Fonte oficial da Estradas de Portugal, contactada pelo i, reconhece que existe uma quebra de receitas, mas sublinha que espera ainda assim cumprir o orçamento para este ano. A empresa já tinha previsto uma descida das receitas na sequência da cobrança de portagens nas ex-Scut, mas também devido ao cenário económico negativo, que está a penalizar o tráfego rodoviário e as restantes concessões.
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