quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Algarve: ambientalistas unem-se contra projeto da Galilei - EXPRESSO

Ambientalistas algarvios querem que o Presidente da República trave um projeto imobiliário de quatro mil camas na Lagoa dos Salgados, promovido pela ex-Sociedade Lusa de Negócios.
Grupo Galilei (ex-SLN) quer construir três hotéis e dois aldeamentos, de valor superior a 200 milhões de euros, em Silves
Grupo Galilei (ex-SLN) quer construir três hotéis e dois aldeamentos, de valor superior a 200 milhões de euros, em Silves
Foto: Turismo do Algarve
É um megaprojeto para o concelho de Silves, que está a motivar forte oposição junto dos ambientalistas. Numa fase inicial, o projeto turístico de luxo promovido pelo Grupo Galilei (ex-SLN) será liderado pela Finalgarve e representará a criação de 1516 postos de trabalho diretos e indiretos, adiantam os promotores, que acenam com 234 milhões de euros de investimento, só para o arranque.
Mas os ambientalistas algarvios não estão pelos ajustes e em uníssono estão a fechar o cerco à construção do resort que abrange as zonas limítrofes da Lagoa dos Salgados, uma zona húmida classificada como IBA, local com significado internacional para a conservação das aves: "O espaço entre as ribeiras de Espiche e de Alcantarilha, a chamada zona da Praia Grande, encontra-se ainda numa situação de natureza quase virgem. Trata-se de umas das mais importantes zonas húmidas do Algarve (Sapal de Pêra, Lagoa dos Salgados), reunindo um conjunto excecional de valores naturais, com particular destaque para a avifauna aquática", invocam os ambientalistas numa carta enviada a Cavaco Silva.
Aparentemente indiferentes aos supostos benefícios para a economia, as associações denunciam ainda as supostas ligações 'perigosas' ao Banco Português de Negócios, para dizer que a concretizar-se este será mais um exemplo da vitória do betão sobre a natureza: "A situação na zona da Praia Grande e Lagoa dos Salgados tem  vindo a preocupar um crescente número de cidadãos e entidades. A  pretensão em desenvolver aí mais um megaempreendimento turístico,  ainda por cima às mãos do Grupo Galilei, um dos tentáculos do  famigerado BPN, é uma autêntica irresponsabilidade e um atentado ao pouco património natural preservado que ainda resta na costa sul do  Algarve", criticam em conjunto as associações ambientalistas Almargem, A Rocha, LPN e SPEA.

Três hotéis e dois aldeamentos, além do golfe

Em cima da mesa estão três hotéis de quatro e cinco estrelas e dois aldeamentos turísticos, num total de 1594 ca­mas, numa primeira fase, isto para além de uma área comercial e de um campo de golfe de 18 bura­cos.
O responsável pela comunica­ção do grupo, Rui Ferreira, já adiantou que as obras deverão arrancar em 2013, prevendo-se a conclusão do proje­to num prazo de oito a dez anos. Mas, se tudo correr bem, o objetivo é que em 2015 possa entrar o primeiro tu­rista no novo resort, algo só possível após a assinatura de um contrato de desenvolvimento urbano, já ratificado entre a Câmara de Silves e as entidades promotoras.
A Lagoa dos Salgados está inserida num dos poucos troços de acumulação de areias do barlavento algarvio, onde se pode encontrar um significativo campo de "dunas cinzentas", habitat de conservação prioritária segundo a Diretiva Habitats e - segundo os ambientalistas - já permitiu contabilizar até à data mais de 150 espécies de aves, "muitas delas com elevado estatuto de conservação e proteção". E ainda que corra de momento uma petição online que já reúne mais de 13 mil assinaturas de todo o mundo a favor da sua proteção, a Lagoa não se encontra ao abrigo de qualquer estatuto legal como área protegida.

Modelo errado para não copiar

Contra-atacando os milhões e os argumentos da economia, as associações ambientalistas argumentam que não existe necessidade de mais camas na região e dão um exemplo: "Ao lado da Praia Grande, está já uma urbanização semideserta, fruto da insolvência de uma empresa do grupo Carlos Saraiva, e situação semelhante atravessa a Herdade da Lameira (Silves), para onde também foram prometidos muitos milhares de empregos", garantem.
Daí que embora a carruagem já esteja em marcha, os ambientalistas lancem um último apelo ao Presidente da República: "Senhor Presidente, sabemos que conhece bem a zona da Praia Grande e que já tem usufruído das suas excelentes condições naturais. Faça valer junto de quem de direito a defesa do interesse público que constitui a preservação e a conservação dos valores naturais do Algarve. Neste caso, V. Exa. é a nossa última réstia de esperança...", suspiram.

1500 empregos a mais, 1500 empregos a menos

O investimento estimado de 234 milhões de euros para o Algarve poderia até fazer soar campainhas numa região que é atualmente uma das mais deprimidas no contexto nacional e que lidera a taxa de desemprego no país. Mas mesmo antes da posição concertada das associações ambientalistas já o grupo Galilei lançava a eventual dúvida sobre a capacidade de levar avante o projeto. Tudo por causa das multas do Banco de Portugal.
Em junho, no Parlamento, à margem da comissão parlamentar de inquérito sobre a nacionalização e reprivatização do Banco Português de Negócios (BPN), o presidente do grupo manifestou-se indignado com a decisão do Banco de Portugal de aplicar à sua sociedade uma coima de quatro milhões de euros, ameaçando assim a liquidação do grupo e o fim de 1500 empregos.
"A decisão do Banco de Portugal, acrescentou o presidente da Galilei, "é absurda, e, mais grave, poderá levar 1500 trabalhadores para o desemprego, para além das economias de cerca de 1100 acionistas que ali colocaram as suas pequenas poupanças", disse Fernando Lima.
Entretanto, e como se não bastassem as preocupações com o Banco de Portugal, a Associação Almargem já fez saber que avançou com uma queixa na Comissão Europeia, de forma a dar cumprimento à legislação comunitária e a criar uma Zona de Protecção Especial (ZPE) na Lagoa dos Salgados
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/algarve-ambientalistas-unem-se-contra-projeto-da-galilei=f751018#ixzz26umSxF1Z

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