quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Este é o homem que descobriu como prever o futuro - EXPRESSO

Adam Sadilek, o cientista que criou um sistema que prevê a localização precisa de uma pessoa no espaço e no tempo a anos de distância, reconhece em entrevista ao Expresso que o "Far Out" pode ter "aplicações positivas e negativas".

O sistema "Far Out" mostra neste mapa os padrões de mobilidade de uma pessoa que vive em Seattle (EUA). As células triangulares coloridas representam a probabilidade de distribuição da localização dessa pessoa numa determinada hora e dia
O sistema "Far Out" mostra neste mapa os padrões de mobilidade de uma pessoa que vive em Seattle (EUA). As células triangulares coloridas representam a probabilidade de distribuição da localização dessa pessoa numa determinada hora e dia

Chama-se Adam Sadilek, tem 26 anos de idade, nasceu na República Checa, é investigador do Departamento de Ciências da Computação da Universidade de Rochester, em Nova Iorque, e apresentou recentemente na Conferência sobre Inteligência Artificial em Toronto, no Canadá, um sistema baseado na Inteligência Artificial - o "Far Out" - que prevê, mediante certas condições, a localização precisa de uma pessoa com a antecedência de vários anos.

Adam Sadilek: "sem a participação voluntária das pessoas não podemos prever a sua localização no futuro"
Adam Sadilek: "sem a participação voluntária das pessoas não podemos prever a sua localização no futuro"

O "Far Out" pode ser usado na espionagem, na descoberta de pessoas desaparecidas ou de serial killers? E pode ameaçar as liberdades e os direitos dos cidadãos? A investigação nesta área é importante para percebermos como os dados de localização podem ser usados para o bem e para o mal. E temos consciência de que a previsão da localização geográfica e no tempo das pessoas tem aplicações positivas e negativas. Ao publicarmos a nossa investigação, ajudamos as pessoas a perceber as implicações de disponibilizarem os seus dados de localização, e a tomarem decisões mais informadas sobre as ações e precauções a adotar. Prever a localização futura de uma pessoa depende do registo histórico das suas localizações no passado, que nós só conseguimos obter com a autorização explícita dessa pessoa e o seu conhecimento do que planeamos fazer com os seus dados. Sem a participação voluntária das pessoas, não podemos prever a sua localização geográfica e no tempo.
O sistema tem potencial para melhorar a nossa qualidade de vida em aspectos muito concretos? Sem dúvida. Já usámos o "Far Out" para poupar energia nos sistemas de aquecimento, prevendo quando a casa de uma pessoa estaria ocupada. Baseados nessa previsão, começámos a aquecer essa casa antes da pessoa chegar, mas não o fizemos quando tínhamos a certeza de que a casa estaria desocupada durante um grande período de tempo. Outros benefícios para a nossa qualidade de vida incluem a gestão inteligente do trânsito, a localização de infra-estruturas e a detecção de comportamentos anormais nestas áreas.
Que previsão a longo prazo pode ser feita se a pessoa estudada morrer dentro de dois ou três anos devido a uma causa inesperada, como um acidente? O nosso modelo é adaptativo. Nesse hipotético cenário, o "Far Out" faz antes de mais previsões que reflectem onde será mais provável uma pessoa aparecer. Se não existirem novos dados disponíveis, a localização da pessoa será imprevisível.

Qual é a contribuição da Inteligência Artificial para o "Far Out"? Explorámos e desenvolvemos modelos de aprendizagem automáticos baseados em dados estatísticos e aplicámos técnicas de otimização para ajustar o 'Far Out' a esses modelos.

Saber quando estaremos com gripe

As aplicações do "Far Out", modelo apresentado no final de julho na Conferência sobre Inteligência Artificial em Toronto, no Canadá, são surpreendentes.
Segundo a revista científica britânica "New Scientist", a equipa de Adam Sadilek analisou 4,4 milhões de tweets escritos por 630 mil utilizadores na cidade de Nova Iorque durante um mês em 2010, associados a dados de localização por GPS, e conseguiu prever com oito dias de antecedência e com 90% de precisão, quais os utilizadores do Twitter que iriam apresentar sintomas de gripe.
Para isso, o sistema de Inteligência Artificial do "Far Out" selecionou os tweets onde os utilizadores diziam que tinham os sintomas ou estavam doentes com gripe.
Pessoas saudáveis que se cruzam com doentes
Depois cruzou estes dados com a sua localização geográfica, de modo a saber quais as pessoas saudáveis que se encontraram com frequência com pessoas doentes.   
Claro que este processo tem limites, porque não deteta os utilizadores do Twitter que estão com gripe mas que nada escrevem sobre o seu estado de saúde, nem os que apanham gripe mesmo sem estarem em contacto com pessoas doentes.
Para além da gripe, outras experiências mais abrangentes com o "Far Out" permitiram concluir que as pessoas que frequentam um ginásio com regularidade têm menos probabilidade de ficarem doentes e que as pessoas com um estatuto sócio-económico baixo têm mais probabilidade de adoecerem.


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/este-e-o-homem-que-descobriu-como-prever-o-futuro=f751176#ixzz25cLhWUJD

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