terça-feira, 18 de setembro de 2012

"A crer em alguns empresários a falta de liquidez desapareceu" - Dinheiro Vivo

"A crer em alguns empresários a falta de liquidez desapareceu" - Dinheiro Vivo

Jornadas Gestão Autárquica Carlos Moedas
Moedas encerrou debate sobre Portugal
O governo respondeu hoje às críticas feitas por vários empresários à alteração da taxa social única (TSU), através do secretário de Estado adjunto de Passos Coelho. Carlos Moedas disse que as "empresas instaladas" não querem que a concorrência seja mais competitiva e estranhou que a falta de liquidez tenha desaparecido repentinamente.
"É uma medida que ataca de frente um conjunto de fragilidade de curto prazo da economia portuguesa, nomeadamente de liquidez que enfrentam a generalidade das empresas", afirmou o adjunto do primeiro-ministro, na sessão de encerramento de uma conferência em Lisboa na qual não foi permitido ao jornalistas fazerem perguntas.
"Durante meses sem fim ouvimos muitas empresas referindo as restrições de liquidez que enfrentavam no momento de pagar salários ou de investir. No entanto, a crer nas palavras de alguns empresários, por estes dias estas restrições desapareceram de um dia para o outro, não sendo já necessário aliviar custos para melhorar a competitividade", sustentou o responsável do governo. 
Carlos Moedas nunca falou de TSU, referindo-se à medida como "desvalorização fiscal" e deixando claro que foi apresentada nos traços essenciais, sendo que será discutida em detalhe e "de forma alargada", nomeadamente com os "parceiros sociais."

O secretário de Estado falou no encerramento de uma conferência sobre competitividade da AT Kerney, no qual os empresário Paulo Azevedo, Filipe de Botton, Alberto da Ponte e António Pires de Lima criticaram abertamente a alteração da TSU. A resposta foi a seguinte:
"Sei que, para algumas empresas bem instaladas e com muito mercado, esta medida pode representar uma ameaça, uma vez que poderá dar mais força às empresas mais ágeis e dinâmicas, às empresas que diariamente lutam com as bem instaladas pela quota de mercado, mas que infelizmente sentem maiores restrições no acesso ao crédito", apontou.

"Para um governo que quer um país com maior concorrência e mais dinamismo, libertar essas empresas é uma das chaves."
Carlos Moedas reconheceu que se trata de uma medida complexa, "e como tal está a ser calibrada de forma a atender aos mais desfavorecidos e de forma a garantir a sua plena eficácia".
Sobre os equívocos que o governo considera que estão a ser gerados em torno da TSU, Moedas referiu-se à questão do consumo. "Diz-se, por exemplo, que a medida tem um impacto no consumo. Mas omite-se que as medidas alternativas que estavam em cima da mesa teriam também esse impacto, mas com uma agravante de não gerarem qualquer contrapartida ou benefício para as empresas", sublinhou.
"Alguns retratam a economia como um palco de confronto entre empregados e patrões, esquecendo-se que as empresas são pessoas e a economia portuguesa é feita essencialmente de pequenas e médias empresas, que a sobrevivência e o crescimento das empresas representa criação de emprego, representa bem-estar, representa crescimento económico", indicou ainda o adjunto do primeiro-ministro.
Na sua intervenção, Carlos Moedas reiterou também que o governo está a ponderar o alargamento do programa de privatizações.
"Com base no sucesso alcançado, o governo decidiu neste quinto exame alargar o programa de privatizações, estando em curso uma análise de possíveis transações", referiu. Este programa "reforça a liquidez da economia e diminui o endividamento, atrai capital e proporciona um ambiente mais competitivo", disse ainda.

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