quinta-feira, 27 de junho de 2013

Universidade Lusófona vai a julgamento devido a licenciatura de Relvas | iOnline

Universidade Lusófona vai a julgamento devido a licenciatura de Relvas | iOnline

Ex-ministro não é réu mas figura como contra-interessado. Pode vir a ser envolvido no processo. Lusófona diz que não foi notificada

O Ministério Público (MP) instaurou um processo no Tribunal Administrativo de Lisboa contra a Universidade Lusófona, na sequência das irregularidades verificadas nas avaliações de Miguel Relvas, tendo pedido inclusivamente a nulidade do ato de atribuição de licenciatura ao ex-ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares. “O MP no Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa intentou acção administrativa especial na qual peticiona, para além do mais, a declaração de nulidade do acto de atribuição de licenciatura a Miguel Relvas”, lê-se numa nota da Procuradoria-Geral da República enviada ao i.
Uma fonte do tribunal esclareceu que essa acção do MP deu entrada na quarta-feira e que já foi distribuída à Unidade Orgânica 3. Relvas não é réu nesta acção, mas figura como contra-interessado, podendo ser envolvido em função da relação com os factos aludidos na queixa, de acordo com o código administrativo. A Lusófona diz ainda não ter sido notificada.
A decisão do MP em remeter para o tribunal surgiu na sequência do relatório da Inspecção-geral da Educação e Ciência (IGEC) relativo ao “Caso Lusófona”, no qual era já proposta a declaração de nulidade da licenciatura do ex-ministro. Em Abril, o processo da IGEC foi recebido pelo MP no Tribunal Administrativo de Lisboa, que analisou o documento com vista a eventual procedimento judicial.
No relatório entregue ao ministro da Educação, a IGEC defendia que existe “prova documental de que uma classificação de um aluno não resultou, como devia, da realização de exame escrito”.

equivalências Em causa está o facto de Miguel Relvas ter feito a cadeira de “Introdução ao Pensamento Contemporâneo”, com apenas uma “discussão oral de sete artigos de jornal” de sua autoria, apesar de o regulamento interno da universidade exigir um exame escrito.
Além disso, e apesar de não ter sido considerado uma irregularidade, não foi possível à Inspecção-Geral de Educação e Ciência obter provas sobre as avaliações do ex-ministro à disciplina de Teoria do Estado da Democracia e da Revolução.

Assim sendo, Miguel Relva teve 32 equivalências e teria de fazer quatro cadeiras, porém , dessas, os inspectores só encontraram  provas materiais da avaliação a duas cadeiras. E se em relação à de “Introdução ao Pensamento Contemporâneo”, a Lusófona defende que a avaliação teve por base a análise de artigos seus que saíram em jornais, no que respeita à ausência de provas na avaliação de “Teoria do Estado da Democracia e da Revolução”, a instituição refere que os documentos deverão estar em casa do professor.
Miguel Relvas licenciou-se na Universidade Lusófona em apenas um ano em Ciência Política e Relações Internacionais, contanto com 32 equivalências e quatro avaliações. Destas, a inspecção deu apenas como comprovadas as referentes às cadeiras Quadros Institucionais da Vida Económica-Politico-Administrativa (12 valores) e Geoestratégia, Geopolítica e Relações Internacionais (15 valores). A sua inscrição, no ano lectivo 2006/2007, também terá sido feita depois do período regular. Após a divulgação das conclusões da IGEC, o ministro da Educação, Nuno Crato, admitiu que nas equivalências de licenciatura de Miguel Relvas houve “abuso” . Crato não escondeu a gravidade da situação e reconheceu que “o que aconteceu foi que houve uma falha à lei da [Lusófona]”. Em entrevista à SIC disse mesmo que a licenciatura atribuída pela universidade a Relvas não é válida.

Governo saca mais 38% de IRS a cada trabalhador | iOnline

Governo saca mais 38% de IRS a cada trabalhador | iOnline

Receita de IRS até Maio disparou 30% em comparação com o ano passado. Foram mais mil milhões de euros, apesar de o país ter hoje menos 230 mil pessoas com emprego do que em 2012

A paixão pela austeridade e o desejo de ir "além da troika" alimentado pelo governo intensificou a recessão de tal forma que as receitas fiscais entraram em colapso, obrigando o executivo a mudar de estratégia e a concentrar baterias no IRS - imposto que, ao contrário dos outros, é quase impossível de evitar.
O resultado deste cerco ao IRS pode ser agora avaliado com mais profundidade: Vítor Gaspar, Passos Coelho e Paulo Portas estão este ano a lucrar mais 37,4% com cada trabalhador em Portugal que em 2012, valor que explode até aos 62,2% se compararmos com 2011.
Segundo os últimos dados da execução orçamental da Direcção-Geral do Orçamento, a receita de IRS disparou 30,6% entre Janeiro e Maio deste ano - de 3,31 mil milhões para 4,51 mil milhões -, culpa do "enorme aumento de impostos". Se considerarmos que os últimos números oficiais apontam para a existência de 4,43 milhões de pessoas com emprego no país, a receita média do IRS por trabalhador equivaleu a 981,5 euros, mais 37,4% que em 2012, como veremos agora. É que ao olhar para 2012 vemos que nos mesmos cinco meses até Maio o executivo foi buscar 3,31 mil milhões de euros em IRS a um universo de 4,66 milhões de trabalhadores - o que dá uma receita média de IRS por trabalhador de 714,6 euros. Ou seja, cada trabalhador está a render este ano mais 267 euros. Se alargarmos a análise a 2011, o cerco ao IRS toma dimensões ainda maiores.
Nos primeiros cinco meses de 2011, o Estado registou 2,94 mil milhões de euros em IRS. Nessa altura ainda havia 4,86 milhões de pessoas com emprego em Portugal, razão pela qual a receita de IRS equivalia a 605,3 euros por trabalhador - menos 376,2 euros que hoje. O aumento do lucro do Estado com IRS por trabalhador de 2011 para 2013 foi assim de 62,2%.
Se à evolução do IRS juntarmos a redução de salários a que se assiste - mesmo quando estes já estão 50% abaixo da média da UE27 - e o aumento do custo de vida imposto pelo governo - com o aumento dos transportes e do IVA, por exemplo -, e salientando que mesmo com isto tudo o défice está pior, percebe-se o buraco em que "ir além da troika" meteu o consumo.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Lançados primeiros satélites para dar acesso a internet a países desfavorecidos - Tecnologia - Sol

Lançados primeiros satélites para dar acesso a internet a países desfavorecidos - Tecnologia - Sol

Os quatro primeiros satélites da constelação O3b, que devem permitir um acesso à internet de alta velocidade a preços baratos a três mil milhões de habitantes de 180 países numericamente desfavorecidos, foram lançados na terça-feira.
O lançamento, anunciado pela sociedade Arianespace, ocorreu na Guiana Francesa, e foi feito com recurso a um foguetão Soyouz.
"A paciência é sempre recompensada. Os quatro primeiros satélites da constelação acabam de ser lançados pelo nosso lançador Soyouz", afirmou o presidente executivo da empresa, Stéphane Israel, no fim da operação que levou duas horas e 23 minutos.
"Foram as horas mais prolongadas da minha vida", disse o director geral da O3b Networks, Steve Collar, indicando que já tinha sido estabelecido contacto com os quatro satélites.
"Sinto-me orgulhoso porque o lançamento desta noite é o quinto lançamento da Soyouz na Guiana, uma verdadeira legenda (...), e a O3b é a 33.ª sociedade de telecomunicações por satélite a escolher a Arianespace para as suas operações", acrescentou Israel.
Previsto inicialmente para segunda-feira, o lançamento tinha sido adiado por 24 horas, devido a fortes ventos sobre o centro espacial da Guiana.
Os quatro satélites foram transportados pelo lançador russo Soyouz, às 16:27 da Guiana Francesa (20:27 de Lisboa). O primeiro par separou-se do foguetão duas horas depois da descolagem e o segundo 22 minutos mais tarde.
O3b é a abreviatura de "Other 3 billion" [em Português seria O3MM - Outros 3 Mil Milhões], relativo aos "outros três mil milhões" de indivíduos, habitantes de países do Sul, com ligações deficientes, os quais, sem meios nem infra-estruturas, não têm um acesso fácil à internet, como nos países ricos.
A ideia germinou em 2007 no espírito do norte-americano Greg Wyler, fundador do operador de satélites O3b Networks. Pioneiro das redes de telefonia móvel 3G em África, Wyler encontrava-se no Ruanda, onde se confrontava com a mediocridade da rede de telecomunicações local.
Greg Wyler imaginou uma solução simples: em vez de espalhar infra-estruturas caras no chão, como cabo ou fibra ótica, colocar em órbita em torno do Equador uma constelação de pequenos satélites para servir de intermediários espaciais entre os utilizadores e a internet, com a ajuda apenas de antenas parabólicas.
Esta órbita equatorial permite cobrir uma faixa de 45 graus a norte e outros tantos a sul, o que significa uma área que inclui a totalidade de África, quase toda a América Latina, o Médio Oriente, o Sudeste Asiático, a Austrália e a Oceânia, quase todos mercados emergentes sem ligação à internet.
Hoje já existem satélites geoestacionários, a 36 mil quilómetros de altitude, que fornecem este tipo de serviço, mas o seu custo de exploração é elevado, tal como a factura final para o utilizador.
Concebidos pela Thales Alenia Space, os satélites O3b serão colocados a uma altitude de 8.062 quilómetros. Mais pequenos e mais leves -- cada um pesa 650 quilos, que comparam com o peso de quatro a seis toneladas dos geoestacionários -, comunicam com a Terra mais rapidamente, com um débito anunciado equivalente ao de uma fibra ótica terrestre e um custo reduzido entre 30 e 50%.
Está previsto o lançamento de outros quatro satélites O3b antes do final do ano, por outro foguetão Soyouz, a partir da Guiana, para completar a constelação.

Google explica como cede informações aos EUA - Tecnologia - Sol

Google explica como cede informações aos EUA - Tecnologia - Sol

O gigante da Internet Google deu hoje alguns detalhes de como cede informação solicitada pelo governo norte-americano quando investiga casos que afectam a segurança nacional.
O director do departamento legal da Google, David Drummond, explicou numa entrevista ao canal público PBS que, quando recebem uma ordem judicial para entregarem dados ao governo norte-americano, o fazem através de um sistema de transferência de dados FTP seguro.
David Drummond explicou que o servidor FTP é estabelecido pela agência governamental implicada no caso e que a Google facilita a informação e que em nenhum caso o governo tem acesso directo aos servidores da multinacional.
Recentemente os diários "The Guardian" e "The Washington Post" revelaram os detalhes de um programa da Agência de Segurança Nacional (NSA) chamado PRISM que lhes permitia aceder à informação dos servidores de nove das maiores empresas da Internet.
A Google reiterou em várias ocasiões que não facilita o acesso directo aos seus servidores por agentes ou agências governamentais e que apenas cede informação quando esta é solicitada por ordem judicial.
Tanto o Facebook como a Google solicitaram às autoridades federais norte-americanas autorização para revelarem dados de como actuam quando o governo lhes solicita informação em casos que afectam a segurança nacional dos Estados Unidos.
Apesar das explicações da Google, está ainda por determinar a capacidade do programa PRISM que segundo o perito Edward Snowden, que denunciou o caso, permite recolher directamente informação dos servidores.

Carros a gás substituem dístico azul por vinhetas no para-brisas - JN

Carros a gás substituem dístico azul por vinhetas no para-brisas - JN

Os dísticos azuis dos carros a gás vão começar a ser substituídos por vinhetas identificadoras dentro de duas semanas, com o objetivo de se tornarem mais discretos e eliminar o estigma existente, argumenta o Governo numa regulamentação publicada esta quarta-feira.
 
foto JOÃO GUILHERME/GLOBAL IMAGENS
Carros a gás substituem dístico azul por vinhetas no para-brisas
 
A portaria, que entra em vigor de hoje a 15 dias, determina que a identificação dos veículos ligeiros de matrícula portuguesa que utilizem sistemas de alimentação a gás de petróleo liquefeito (GPL) passe a ser feita por vinheta afixada no para-brisas.
No entanto, os veículos que já utilizem sistemas de alimentação a GPL, aprovados em inspeção técnica anterior, têm de afixar à retaguarda um dístico identificador de fundo verde (em vez de azul), alusivo às menores emissões de gases com efeito de estufa.
Estes veículos antigos não podem estacionar em locais situados abaixo do nível do solo, nem parques de estacionamento fechados, salvo se estes parques dispuserem de ventilação natural através de aberturas ao nível do teto e solo, que permita o rápido escoamento para o exterior de uma eventual fuga de gases.
Apesar das novas regras, o Governo ressalva, no diploma hoje publicado, que os veículos anteriormente aprovados para a utilização de GPL ou GN podem manter-se em circulação sem qualquer obrigação adicional, mas é dada a opção de demonstração do cumprimento das novas prescrições técnicas que permitem beneficiar do novo regime de identificação de veículos e de estacionamento em parques fechados.
O diploma determina ainda que compete aos fabricantes assegurar que os técnicos e mecânicos de auto/gás possuem a formação e título profissional legalmente exigível para o exercício das atividades de fabrico de veículos movidos a GPL ou GN.

Convenções na saúde vão ser alteradas para terminar com "excessos" e "erros" - JN

Convenções na saúde vão ser alteradas para terminar com "excessos" e "erros" - JN

O ministro da Saúde anunciou, esta quarta-feira, a alteração do sistema de convenções, que deverá terminar com as situações de "excessos" e de "erros" que têm sido detetados neste setor.
 
foto LEONARDO NEGRÃO / GLOBAL IMAGENS
Convenções na saúde vão ser alteradas para terminar com "excessos" e "erros"
Paulo Macedo
 
Paulo Macedo, que falava na Comissão Parlamentar de Saúde, disse que esta será "uma das reformas mais estruturantes e importantes na área da saúde".
Sobre o atual estado do setor, o ministro disse que existem "verdadeiras rendas sem significado, convenções com entidades não licenciadas, que passam como se se tratasse de um alvará, bem como convenções interditadas a outros prestadores que podem fazê-lo mais barato para o Estado".
É "uma área pouquíssimo transparente que beneficiará de uma legislação que terá como objetivo parar com este campo de opacidade e de rendas não justificadas", adiantou.
Uma situação que, segundo Paulo Macedo, "arrasta-se há anos" e que vai ser agora alterada, embora Paulo Macedo não tenha avançado datas para a mudança.
Com esta alteração o ministro pretende ainda "obter uma melhor cobertura" nesta área.
A 13 de junho, a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) revelou que detetou estabelecimentos sem licença entre os prestadores convencionados para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), principalmente para análises clínicas e radiologia, no Norte, e defendeu um regime jurídico uniforme para assegurar a qualidade.
A avaliação da entidade reguladora do setor, "Acesso, Concorrência e Qualidade no Sector Convencionado com o SNS: Análises Clínicas, Diálise, Medicina Física e Reabilitação e Radiologia", constatou "a existência de estabelecimentos não licenciados ou com o processo de licenciamento não concluído, com maior expressão em análises clínicas e radiologia, na ARS [Administração Regional de Saúde] do Norte".
"O primeiro passo da garantia da qualidade dos cuidados de saúde implica, desde logo, a consagração de um regime jurídico uniforme no que respeita ao processo de licenciamento e aos requisitos de funcionamento das unidades privadas de saúde, com ou sem fins lucrativos", defende a Entidade Reguladora da Saúde (ERS).
No final da audição de hoje, o ministro disse ainda aos jornalistas que o governo vai abrir até ao final do ano 800 camas para os cuidados continuados, estando o processo nas mãos das Administrações Regionais de Saúde (ARS).
Numa primeira fase a prioridade será para as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) apresentarem propostas.

Bruxelas: cortes no Estado têm de ser mais que 4,8 mil milhões - Dinheiro Vivo

Bruxelas: cortes no Estado têm de ser mais que 4,8 mil milhões - Dinheiro Vivo

O programa de cortes nas funções do Estado terá de ser maior que os 4,8 mil milhões de euros anunciados pelo primeiro-ministro no início de maio, diz a Comissão Europeia, no relatório da sétima avaliação ao programa de ajustamento português, hoje divulgado.
Pedro Passos Coelho anunciou uma proposta de revisão para a despesa pública que assenta em cortes muito profundos na despesa com salários e pensões, acompanhados de uma vaga de rescisões e despedimentos na função pública, e numa redução acentuada nas despesas com Educação e Segurança Social.
Mas para Bruxelas aquele pacote de cortes de 4,8 mil milhões até ao final de 2015 não chega.
"com a revisão das metas para o défice, parte do esforço orçamental necessário para atingir uma posição orçamental equilibrada foi adiado para 2015".
"Assim, a consolidação com base na despesa terá de continuar no período após o programa. Para 2015, o pacote adoptado pelo Governo a 2 de maio, avaliado em medidas adicionais de 0,3% do PIB para esse ano [cerca de 473 milhões de euros], antevê novas reduções na folha salarial do sector público e cortes de despesa transversais aos ministérios e programas", lê-se no relatório.

Dito de outra forma, o programa da troika acabará oficialmente no final de junho de 2014, mas Bruxelas já está a indicar que terá de haver cortes depois disso e por tempo indefinido.

França entrou oficialmente em recessão - ECONOMICO.PT

A segunda maior economia da Europa contraiu 0,2% nos primeiros três meses do ano.
A economia francesa contraiu 0,2% no primeiro trimestre de 2013, um período marcado pela queda do investimento e das exportações.
Os dados relevados esta manhã pelo instituto de estatística francês (INSEE) confirmam a entrada em recessão da segunda maior economia da Europa.
O mesmo instituto prevê que no total do corrente ano a economia francesa apresente uma queda de 0,3% do PIB.

Número de milionários em Portugal cresceu apesar da crise - ECONOMICO.PT

O número de milionários subiu 3,4% no ano passado e está a caminho dos 11 mil portugueses com mais de um milhão de dólares.
A recessão e a crise não impediram que o número de milionários em Portugal aumentasse 3,4% no ano passado. O número de portugueses com mais de um milhão de dólares (765 mil euros) subiu para 10.750, mais 350 que em 2011.

Na contabilização dos milionários, a consultora Capgemini deixa de fora dos cálculos o património com a habitação de residência e bens coleccionáveis ou duradouros, devido à dificuldade de identificação e avaliação, e contabiliza o valor aplicado em acções, obrigações, fundos e depósitos

Pedidos de reforma na CGA dispararam mas o ritmo de aprovação mantém-se - Função Pública - Jornal de Negócios

Pedidos de reforma na CGA dispararam mas o ritmo de aprovação mantém-se - Função Pública - Jornal de Negócios

No final de Dezembro, existiam 34 mil pedidos pendentes na Caixa Geral de Aposentações. Mas até Maio só foram concedidas cerca de 13 mil reformas.
Apesar do expresivo número de pedidos pendentes no final do ano passado, o ritmo de aprovação de aposentações por parte da Caixa Geral de Aposentações mantém-se, revelam os dados divulgados pela Direcção-Geral do Orçamento.

A síntese de execução orçamental, publicada esta terça-feira, mostra que nos primeiros cinco meses do ano houve 12.913 novos pensionistas na CGA, número que fica ligeiramente abaixo do que foi registado em período homólogo.

Este ritmo é insuficiente para absorver os 34 mil pedidos que se encontravam pendentes no final do ano passado, dados que foram revelados pelo secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, num artigo de opinião no Diário Económico, no início de Janeiro.

A aprovação de pedidos na CGA chega a demorar um ano. Mas se os serviços não acelerarem o ritmo de aprovações face ao que foi registado de Janeiro a Maio parte dos pedidos pendentes no final de 2012 correm o risco de passar para 2014.

É preciso ainda ter em conta que além dos 34 mil pedidos que se encontravam pendentes, a CGA terá recebido alguns milhares de requerimentos desde o início do ano.

O Governo tem dito que o excepcional fluxo de requerimentos pode aliviar a pressão sobre a redução de funcionários públicos, que serão confrontados, pela primeira vez, com uma legislação que abre a porta aos despedimentos para a maioria dos funcionários do Estado.

Os sindicatos da Função Pública têm a mesma expectativa. Durante as negociações sectoriais, o ministro da Educação anunciou que seria dada "prioridade" aos 6 mil pedidos pendentes de professores.

Esta terça-feira, a equipa de Nuno Crato acrescentou que os professores que já pediram reforma não terão actividade lectiva em Setembro, ainda que a aprovação do pedido chegue mais tarde, o que permitirá libertar horários para os restantes professores.

Os sindicatos da Função Pública que representam vários sectores já vieram exigir o mesmo tratamento que foi dado aos professores, na gestão dos pedidos de reforma, na atenuação dos impactos do aumento do horário de trabalho e no adiamento da aplicação da mobilidade especial para 2015.

Mudanças nas pensões geraram corrida às reformas

Dos 34 mil pedidos pendentes na CGA no final de Dezembro, 25 mil eram pedidos de reformas antecipadas.

O relatório da CGA revela que só no ano passado foram formulados 47.797 mil pedidos, num aumento de 50% face ao ano anterior e que, destes, 64% entraram no último trimestre do ano.

É que foi nessa altura que se conheceram as intenções do Governo quanto ao aumento da idade de reforma. O Orçamento do Estado para 2013 antecipou a subida para os 65 anos (em vez dos 63,5 anos que estavam previstos) mas protegeu os pedidos apresentados até Dezembro de 2012.

"Este afluxo excepcional de pedidos de aposentação/reforma, ocorrido no final de 2012, foi desencadeado pelo conhecimento prévio do agravamento das condições de passagem à aposentação, a partir de 2013", pode ler-se no relatório e contas.

Maiores atrasos podem implicar mais cortes nas pensões

O Governo tem a intenção de voltar a alterar as regras de cálculo das novas pensões atribuídas a partir de 2014, por via de um agravamento do factor de sustentabilidade, que na prática implicará maiores cortes (de cerca de 10%) que só podem ser evitados se o funcionário trabalhar até aos 66 anos. A medida foi genericamente anunciada pelo primeiro-ministro no início de Maio.

Mas ao contrário do que aconteceu no ano passado, quem apresentar o pedido de reforma este ano não tem a garantia de ver o cálculo da sua pensão salvaguardado. Por um lado, porque o factor de sustentabilidade diz respeito ao ano em que a pensão é atribuída. Por outro lado, porque a lei foi alterada: o momento decisivo para o cálculo da pensão passa a ser o momento da atribuição, sempre que o pedido tenha sido feito após 1 de Janeiro de 2012.

Atrasos na CGA podem por isso significar maiores cortes nas pensões.