quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Estudo identifica gás radioactivo e poluentes em creches e escolas - Publico.pt

Investigação em dois distritos do Norte encontra radão a mais em infantários de Bragança, onde não há vigilância obrigatória sobre esta substância cancerígena. Noutras escolas do país, a poluição do ar foi associada a problemas de asma das crianças.
Quantidades surpreendentemente excessivas de radão – um gás radioactivo cancerígeno – foram encontradas em infantários e escolas primárias do distrito de Bragança, segundo um novo estudo sobre a poluição do ar em estabelecimentos de ensino em Portugal.
Ao longo de três anos, investigadores da Universidade do Porto realizaram medições detalhadas da qualidade do ar em 58 salas de 25 creches, jardins de infância e escolas primárias da Área Metropolitana do Porto e do distrito e Bragança. Os resultados – que são apresentados esta quarta-feira – mostram um retrato que, em parte, não é novo: o ar estava mais poluído do que é admissível na maioria dos casos.
Havia partículas finas a mais em 84% das salas avaliadas, segundo os limites sugeridos pela Organização Mundial de Saúde, e em 54%, segundo a legislação nacional. Metade das salas tinha também dióxido de carbono a mais.
O resultado mais inesperado, porém, foi a identificação de níveis elevados de radão nos estabelecimentos do distrito de Bragança. O radão é um gás natural, normalmente associado a solos graníticos. É reconhecido como a segunda causa de cancro do pulmão, depois do tabaco. Os efeitos na saúde dependem do nível de exposição.
O radão está presente em várias zonas do país. Segundo a legislação nacional, é obrigatório realizar análises à sua concentração em grandes edifícios comerciais e de serviços nos distritos de Braga, Vila Real, Porto, Guarda, Viseu e Castelo Branco. Mas em Bragança não.
As análises efectuadas nas creches e escolas primárias, no entanto, revelaram “valores preocupantes”, nas palavras de Sofia Sousa, investigadora principal do projecto Inairchild, liderado pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e envolvendo também a Faculdade de Medicina da mesma instituição e o hospital de São João, no Porto.
Os valores chegam a cerca de 800 becquerels por metro cúbico, duas vezes o limite máximo previsto na legislação nacional e quatro vezes o adoptado em alguns países, como Irlanda, Reino Unido, Espanha e Suécia. Das salas avaliadas no distrito de Bragança, 65% tinham radão a mais. “Pode ter a ver com os materiais de construção”, avalia Sofia Sousa.

Poluição e asma
Em parte, o Inairchild confirma o que outro projecto de investigação, oEnvirh, liderado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Lisboa, já tinha constatado: que há poluição a mais nas creches e infantários. Cerca de 95% das 125 salas de 19 estabelecimentos de Lisboa e do Porto avaliados no Envirh tinham uma qualidade do ar inadequada, segundo osresultados apresentados em 2013.  

Agora, os investigadores deram um passo a mais e procuraram, com inquéritos e exames respiratórios, identificar a ocorrência de asma entre as crianças. O resultado sugere um aumento de 50% na probabilidade de desenvolvimento da doença nas creches e escolas com excesso de partículas no ar.
A responsável do projecto diz que os resultados não são alarmantes e que medidas simples, como melhorar a ventilação, podem resolver os problemas. As próprias instituições foram contactadas, com sugestões sobre o que fazer. Por exemplo, numa situação verificou-se que valores pontualmente elevados de compostos orgânicos voláteis tinham a ver com a utilização de produtos de limpeza a meio do dia. “Esta prática foi alterada”, diz Sofia Sousa.
Noutro caso, sugeriu-se que se aspirassem as salas antes da chegada das crianças, para reduzir o risco de ressuspensão das poeiras. Mas não havia dinheiro para um aspirador.
O estudo revelou ainda que há margem para melhorias na legislação sobre a qualidade do ar, a começar pela forma como é calculado o número admissível de crianças em cada estabelecimento. “Encontrámos em quase todos uma ocupação excessiva”, diz Sofia Sousa.
Os valores não violam o que está previsto na lei portuguesa, mas estão além de valores-guia de normas norte-americanas que levam em conta também a questão da qualidade do ar.
Os resultados são apresentados esta quarta-feira, num seminário na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. “O que vamos fazer é tentar que cheguem aos legisladores e a outras pessoas que possam mudar esse panorama”, afirma Sofia Sousa.

Chegou o outono. E com ele a depressão sazonal. 12 dicas para a combater - Dinheiro Vivo

Chegou o outono. E com ele a depressão sazonal. 12 dicas para a combater - Dinheiro Vivo



Entre 15% e 30% da população será mais sensível às mudanças climáticas, reagindo de forma radical à alternância das estações, estima Susana Matos Duarte, da Oficina da Psicologia, apontando razões: "menor número de horas de luz, que influencia o nosso relógio biológico, interferindo nos ciclos de vigília e de sono, bem como no humor."
A depressão sazonal é muito comum e "caracteriza-se, de modo geral, por um aumento da ansiedade, alterações no sono (aumento da sonolência e sono não reparador), alterações no apetite (tendência para comer mais, levando ao aumento de peso), fadiga constante, hipersensibilidade e alterações de humor", acrescenta. Sintomas que podem acentuar-se no caso das patologias psíquicas.
Mas há que combater tudo isto e, antes de tomar medidas mais radicais como a medicação, aqui ficam 12 opções naturais, inspiradas em várias fontes, entre elas a Oficina da Psicologia e a revista Esmeralda Azul.
1. Andar ao ar livre. É preciso aproveitar, ao máximo, as horas de sol disponíveis. O meio-dia é a melhor altura para aproveitar a luz, mesmo em dias frios e nublados.
2. Dar mais luz à casa e ao trabalho. De cortinas e estores abertos, sente-se perto de uma janela, preferencialmente ao sol.
3. Manter sono regular. Dormir até 8 horas com horário regular é o mais indicado. Aproveite para aumentar a temperatura do quarto.
4. Acordar com o sol. O ideal seria não ter despertador e acordar com a luz do dia a entrar pelo quarto adentro. A luz do dia melhora a qualidade do despertar e a vitalidade ao longo do dia.
5. Manter atividades normais. Não se isolar de amigos e familiares é meio caminho andando para a boa-disposição. Aproveite para fazer voluntariado.
6. Fazer exercício físico. Aconselha-se exercício físico de qualquer natureza por, pelo menos, meia hora por dia, três vezes por semana. Caminhar é um bom exemplo.
7. Alimentação adequada. Segundo o livro "Comer para ser Feliz", de Gill Paul e Karen Sullivan (nutricionista), os alimentos que combatem este problema são: salmão, cavala, amêndoas, ovos, batata-doce, castanha-do-pará, peru, chocolate preto, aveia, morangos, abacate, alfece-romana, banana, laticínios, ananás, ginjas, cevada, alho, lentilhas, sementes de sésamo.
8. Aumentar ingestão de vitaminas. Peça médico de família para o ajudar na definição diária de vitaminas do complexo B e vitamina D. O suplemento chamado 5-HTP é eficaz e rápido no aumento dos níveis de serotonina, o neurotransmissor do bem-estar, que, em níveis baixos, está associado à depressão, alterações do humor, irritabilidade, comportamento obsessivo - compulsivo e distúrbios do sono.
9. Aprender relaxamento e/ou meditação. Comece pela respiração, inspire e expire, pois isso ajuda a alinhar estado físico e mental no momento presente. Oiça música calma. Evite a televisão, rádio e redes sociais antes do pequeno-almoço. Ler também.
10. Acupuntura. Pode ajudar a reequilibrar a chamada "energia vital" por meio da estimulação de pontos específicos do corpo. "Acredita-se que a acupuntura gere respostas no sistema nervoso central que estimulam a produção de serotonina", escreve a Esmeralda Azul.
11. Aprecie o outono e o inverno. Estas estações do ano também têm a sua beleza, apesar do frio, chuva, neve ou enublado. Os odores estão, por vezes, mais intensos e isso é bom.


12. Viajar. Se tiver possibilidade de tempo e dinheiro, faça uma viagem, de preferência, para um local mais quente e com sol.

Portugal tem falta de pessoas nestas 12 profissões - Dinheiro Vivo

Portugal tem falta de pessoas nestas 12 profissões - Dinheiro Vivo



Um questionário realizado, recentemente, junto de 47 empresas, membros do BCSD - Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, identificou as cinco competências mais escassas em Portugal. São elas engenharia tecnológica; comercial, marketing e comunicação de informação; ciências económicas; operações e logística e automatação.
Dentro destas competências, o BCSD apontou, no seu site ificial, os exemplos das profissões que precisam de quadros qualificados.
Engenharia tecnológica
1. Técnicos de Redes.
2. Programadores.
3. Analistas de Sistemas.
Comercial, marketing e comunicação de informação.
4. Técnicos de CRM/ Marketing Relacional.
5. E-commerce.
Ciências económicas
6. Gestores de Risco.
7. Controllers de Gestão.
Operações e logística
8. Técnicos de Operação Logística.
9. Responsáveis de Entreposto Logístico.
Automatação
10. Técnicos de Robótica.
11. Programadores CNC (máquinas robotizadas)
12. Programadores de Automação.


De acordo com o BCSD, entre 2017 e 2020, estima-se que o total das 47 empresas-membro irão criar entre 7.500 e 11.200 postos de trabalho em Portugal.

domingo, 13 de setembro de 2015

Pode o nível do mar subir 60 metros? Cientistas dizem que sim - Ciência - DN

Pode o nível do mar subir 60 metros? Cientistas dizem que sim - Ciência - DN



Pode o nível do mar subir 60 metros? Cientistas dizem que sim
Fotografia © AP photo/British Antarctic Survey, PA
É um aviso. A capa de gelo da Antártida derreteria se se queimassem todas as reservas disponíveis de combustíveis fósseis da Terra. A subida do nível dos oceanos estará entre 50 a 60 metros.
Esta conclusão foi avançada por um estudo publicado hoje pela revista Science Advances.
O documento do Instituto de Postdam para a Investigação do Impacto Climático e da Universidade norte-americana de Stanford assinala que a contribuição da Antártida para o aumento do nível do mar poderia limitar-se a alguns metros, que pode ser gerível, se o aquecimento global não superar os dois graus centígrados.
Superar esse limiar do aquecimento global até 2100 em relação ao período anterior à Revolução Industrial significaria a desestabilização do continente gelado, o que levaria as águas e mudaria o perfil das regiões costeiras de todo o mundo.
Este fenómeno "não aconteceria da noite para o dia, mas é alucinante que as nossas ações de hoje estejam a mudar o planeta Terra como o conhecemos e continuem a fazer-se sentir durante dezenas de milhares de anos", advertiu a cientista Ricarda Winkelmann.
"Se queremos evitar que a Antártida perca todo o gelo, é necessário que mantenhamos o carvão, o petróleo e o gás debaixo de terra", acrescentou a investigadora, que indicou que "o risco no longo prazo aumenta com cada décima de aumento do aquecimento global adicional".
Através do uso de cada vez mais energia fóssil "aumentamos o risco de causar mudanças que não seremos capazes de parar ou reverter no futuro", acentuou Alders Levermann, coautor do estudo.
Com efeito, assinalou, a camada de gelo da Antártida ocidental "poderia ter entrado já numa fase de perda de gelo imparável".
Para realizar o estudo, os cientistas calcularam as emissões de gases com efeito de estufa resultantes da queima de carvão e petróleo.
Desta forma, a queima de todos os recursos disponíveis de combustíveis fósseis gerariam emissões de cerca de 10 mil milhões de toneladas de carbono, o que se traduziria na perda do gelo da Antártida nos próximos 10 mil anos.
As simulações dos cientistas indicam que tal degelo o nível de água do mar aumentaria até três metros cada século durante o primeiro milénio.
Mesmo que o aquecimento global se limitasse a dois graus centígrados, limite a partir do qual se dá por indiscutível que as alterações climáticas são incontroláveis, existiria o risco de desestabilizar a camada de gelo da Antártida ocidental.
Hoje em dia, a Antártida contribui com menos de 10% para o aumento do nível da água do mar, valores menores quando comparados com a expansão térmica do aquecimento dos oceanos e a fusão dos glaciares das montanhas.

Comer mais de seis bananas seguidas pode matar? - Ciência - DN

Comer mais de seis bananas seguidas pode matar? - Ciência - DN

Não é invulgar que se fale no "poder letal" do potássio acumulado nas bananas, e até há quem diga que comer mais de seis seguidas causa uma overdose mortífera. Cientistas explicam.


Comer mais de seis bananas seguidas pode matar. Pode parecer estranho, sendo a banana um fruto tão popular, mas há quem esteja convencido de que este é um facto autêntico e alerte sem descanso os que o rodeiam para as potencialidades letais do excesso de bananas, sob a forma de uma overdose de potássio. Mas será bem assim?
O potássio - que está presente no fruto - é crucial para a sobrevivência humana e pode ser encontrado "em todas as células do corpo", explicou à BBC a dietista Catherine Collins, do St George's Hospital em Londres. "Usamo-lo para ajudar a gerar uma carga elétrica que auxilia ao funcionamento adequado das células. Mantém o batimento cardíaco regular, ajuda a à libertação de insulina do pâncreas para controlar os níveis de açúcar e, sobretudo, mantém a pressão arterial controlada".
Por outro lado, se o nível de potássio no sangue for demasiado alto ou baixo, os batimentos cardíacos tornam-se irregulares, sente-se dor de estômago, náuseas, diarreira. O cloreto de potássio é mesmo um das substâncias utilizadas nas injeções letais para execuções nos Estados Unidos da América, uma vez que é capaz de ajudar a parar o coração.
Mas, para uma pessoa saudável, está afastada a hipótese de uma "overdose de bananas", assinala a especialista. Seria necessário comer 400 bananas por dia para atingir os níveis de potássio que obrigariam o coração a parar de bater. "As bananas não são perigosas. Na realidade, fazem e sempre fizeram muito bem", assegura.
Existem, obviamente, as devidas exceções: as pessoas que sofrem de insuficiência renal podem acumular níveis altos de potássio no sangue, uma vez que não conseguem expelir o mineral através da urina. Mas o mesmo pode acontecer, por exemplo, com o tomate, que também é rico em potássio.
Já no que diz respeito à radiação - sim, a banana tem isótopos radioativos -, não é sequer relevante, esclarece a dietista. "As bananas não sao sequer tão radioativas como a castanha do Pará e são seguras se ingeridas com moderação".

sábado, 22 de agosto de 2015

Holandês quer criar o maior aspirador de smog do mundo

O nome de Daan Roosegaarde está associado a vários projectos relacionados com a segurança rodoviária ou iluminação, sempre com o objectivo de melhorar o ambiente. No seu mais recente projecto, esse propósito é elevado ao seu máximo. O designer holandês quer criar o maior aspirador de smog do mundo, que ao absorver a poluição a transforma em ar purificado. Mas precisa de ajuda.
Chama-se Smog Free Tower e é uma torre que absorve partículas de poluição do ar através de uma tecnologia de iões já existente e patenteada, que produz uma espécie de bolhas que criam zonas livres de smog. A tecnologia é actualmente utilizada no interior de hospitais, mas o protótipo criado porDaan Roosegaarde terá como objectivo ser usado no exterior.
Com cerca de sete metros de altura e 3,5 de largura, o primeiro protótipo da torre anti-smog tem capacidade para aspirar 30 mil metros cúbicos de resíduos por hora.
A ideia surgiu há três anos, durante uma viagem de Roosegaarde a Pequim, onde experienciou os efeitos da poluição muito elevada na capital chinesa. “O projecto Smog Free não tem apenas como objectivo ser uma solução final mas também uma experiência sensorial de um futuro limpo. Em conjunto com governos, organizações não governamentais e a indústria de tecnologia de limpeza, as pessoas tornam-se parte da solução e não do problema”, escreve o designer no seu site.
É ao público que o designer pede ajuda para concretizar este projecto a uma grande escala. Através de uma campanha activa no site de crowdfundingKickstarter, Roosegaarde e a sua equipa pedem 50 mil dólares em financiamento para desenvolver mais torres. Nesta quinta-feira, a campanha, a 34 dias de terminar, estava a 3300 dólares do seu objectivo final.
Quem contribuir com mais de 50 dólares, recebe um anel ou um par de botões de punho que têm pequenos cubos transparentes com resíduos comprimidos de smog recolhido pela torre. O resultado são duas peças de joalharia, com cada uma a representar a purificação de mil metros cúbicos de ar poluído. “É uma bonita forma de passar a mensagem deste projecto, percebendo o impacto ambiental tangível que vocês fizeram por apoiar este projecto”, realça o holandês.
O protótipo da torre vai ser apresentado ao público a 4 de Setembro num parque público em Roterdão, Holanda, antes de ser mostrada noutras partes do mundo, incluindo Pequim (China), Cidade do México (México), Paris (França) e Los Angeles (EUA), cidades onde os níveis de poluição são elevados.

Os 10 super-genes que todos teremos um dia - Dinheiro Vivo

Os 10 super-genes que todos teremos um dia - Dinheiro Vivo



A investigação em genética está de tal ordem avançada que, brevemente, teremos tecnologia capaz de modificar os nossos genes de forma a sermos mais fortes e resistentes. Quem o diz é um dos gurus da investigação, George Church, que acredita estarmos à beira da maior descoberta biotécnica do século que irá mudar a medicina para sempre.
A tecnologia conhecida por CRISPR poderá, em teoria, entrar no nosso código genético e substituir os genes menos benéficos por outros mais vantajosos, como, por exemplo, os 10 listados por Church como alguns dos mais importantes:
1) A variante que dá origem a ossos extra-fortes;
2) A variante que dá origem a massa magra (ou músculos);
3) A variante que faz com que as pessoas sejam menos sensíveis à dor (útil em alguns contextos);
4) A variante que está associada à baixa produção de odor corporal;
5) A variante que torna as pessoas mais resistentes a vírus;
6) A variante que está ligada a um baixo risco de doença coronária;
7) A variante que está associada a um baixo risco da doença de Alzheimer;
8) A variante que está associada a um baixo risco de cancro;
9) A variante que está associada a um baixo risco de diabetes tipo 2;
10) A variante que está associada a um baixo risco de diabetes tipo 1.


Enquanto não chega a tecnologia para modificar os genes de forma a vivermos vidas mais longas e com melhor qualidade - para já, a CRISPR consegue funcionar como idealizado em apenas cerca de 20% dos casos - os cientistas desdobram-se em publicações sobre as descobertas. Só este ano, deverão ser publicados mais de 1.100 artigos sobre a CRISPR.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A partir de amanhã, começamos a viver acima das possibilidades da Terra - Ciência - DN

A partir de amanhã, começamos a viver acima das possibilidades da Terra - Ciência - DN



A partir de amanhã, começamos a viver acima das possibilidades da Terra
Fotografia © NASA
Em oito meses, a humanidade consumiu os recursos renováveis que o planeta consegue produzir durante um ano. Depois do dia 13 de agosto, estamos a delapidar as reservas da Terra.
Há 20 anos que a Global Footprint, uma organização governamental ligada à conservação da natureza, faz o cálculo: com dados fornecidos pelas Nações Unidas, a ONG compara a pegada ecológica do Homem - que mede a exploração dos recursos naturais do planeta Terra pelo ser humano - com a capacidade do planeta de se regenerar, renovando os seus recursos e absorvendo os resíduos. Perante as informações recolhidas, a Global Footprint determina o dia em que a exploração humana ultrapassa a chamada biocapacidade da Terra. Em 2015, esse dia assinala-se esta quinta-feira, 13 de agosto.
A data é cada vez mais precoce: em 2005, o homem começava a explorar as reservas do planeta só a partir de setembro. Em 1975, os recursos renovados a cada ano terminavam apenas em novembro. A vertigem do consumo é cada vez maior e a humanidade, conforme indica a organização, vive cada vez mais tempo "a crédito", com a dívida ecológica a crescer e a tomar proporções preocupantes. A desflorestação, escassas reservas de água, poluição e o efeito de estufa são o preço que o Homem já está a pagar pelo consumo desenfreado dos recursos terrestres, num ciclo vicioso que, daqui em diante, só pode piorar caso não sejam tomadas medidas urgentes.
A poucos meses da conferência mundial sobre as alterações climáticas - prevista para dezembro, em Paris - o vice-presidente da Global Footprint, Sebastian Winkler, disse ao Le Monde que as negociações que se avizinham serão determinantes para reduzir a pegada ecológica do homem, porque são as emissões de carbono as principais responsáveis pela degradação do ambiente e dos recursos terrestres.
"É um ciclo vicioso. A nossa forma de consumo degrada os ecossistemas dos quais dependemos. Lança gases com efeito de estufa para a atmosfera e o aquecimento global agrava ainda mais esta situação", realça Diane Simiu, a diretora dos programas da WWF, organização dedicada à preservação do ambiente, em França. A continuar a tendência de sobreexploração dos recursos do planeta, em 2030 serão necessários os recursos gerados por dois planetas Terra para responder às necessidades do homem.
A boa notícia, segundo Sebastian Winkler, é que basta que os 195 países que vão participar na reunião de Paris cheguem a acordo para a redução em 30% das emissões de CO2: assim, em 2030, a humanidade viveria das reservas da terra só a partir de 16 de setembro, verificando-se uma maior poupança dos recursos do planeta. Caso nada mude, o dia chegará a 28 de junho.

domingo, 2 de agosto de 2015

Lisboa, o improvável santuário da vida selvagem - Portugal - DN

Lisboa, o improvável santuário da vida selvagem - Portugal - DN



Uma coruja com uma fratura complicada numa asa recebe os primeiros cuidados na “clínica” do Centro de Recuperação de Monsanto
Uma coruja com uma fratura complicada numa asa recebe os primeiros cuidados na “clínica” do Centro de Recuperação de MonsantoFotografia © Pedro Rocha / Global Imagens
Ao longo das últimas décadas, Lisboa tornou-se mais ecológica e amiga da natureza e isso é visível na biodiversidade animal e vegetal da cidade.
Estamos no meio de um parque florestal com 900 hectares, numa pequena reserva de 16 hectares, vedada e interdita a visitantes não autorizados. E, dentro desta, acabámos de entrar num Centro de Recuperação de Animais Silvestres, onde estão hospedados grifos - uma espécie de abutre -, águias, falcões, raposas, fuinhas, ouriços e mais uma série de outras espécies de aves, mamíferos e répteis.
Parece impossível mas estamos mesmo em Lisboa. Em pleno coração da cidade. Ou em pleno pulmão, para sermos mais rigorosos. E dentro daquela caixa de cartão, que acaba de chegar ao Centro de Interpretação de Monsanto, pelas mãos de um casal preocupado, está mesmo uma coruja. Tem uma fratura exposta numa asa, com necrose, e o olhar preocupado de Manuela Leite Mira, a veterinária sénior da pequena equipa do centro, deixa perceber que chegou em mau estado: "O prognóstico é grave", sentencia. "Vamos fazer o que podemos para a estabilizar e depois chamamos um especialista, para operar."
A "clínica" - como é descrita pelo pequeno staff residente e pelos muitos voluntários - não é mais do que uma cabana prefabricada, do tamanho de uma cozinha. Mas é ali que são diariamente admitidos os animais silvestres, vindos de todo o país , que o centro acolhe.
"No ano passado entraram aqui 1200. Neste ano, pelo ritmo a que vamos, deverão chegar aos 1500", estima a bióloga Verónica Bugalho. "Não há propriamente um mês mais intenso. Existe a época de reprodução, com muitas crias de aves que caem dos ninhos, e depois há outro pico na época das migrações.
Os primeiros cuidados e os tratamentos mais convencionais são assegurados pela equipa. É o caso daquela coruja, entregue às mãos da veterinária Érica, que nos expulsa diplomaticamente da clínica para tratar a paciente com a privacidade e o sossego que esta merece. Quando as patologias exigem atenções mais concretas, entra em cena um batalhão de veterinários especializados. Todos trabalham gratuitamente para o centro, sempre que são chamados: "Tratamos aqui pelo menos 25 especialidades diferentes, de inúmeras espécies. Desde o início do centro, em 1996, já passaram por aqui 248 espécies diferentes", explica Manuela Mira.
Num centro com um orçamento e instalações limitados - que a Câmara de Lisboa está a tentar melhorar - "a carolice" tem um peso muito grande. "Está a ver este rapaz?", pergunta a veterinária, apontando para um jovem biólogo que passa por nós, apressado, com uma ave nas mãos. "Tirou um ano sabático para vir trabalhar para cá, como voluntário. Entra todos os dias às nove da manhã e sai às seis da tarde."
É também com o apoio de voluntários que a equipa consegue manter os parques de espera. Uma espécie de inversão absoluta do conceito de jardim zoológico, onde o principal objetivo é reduzir ao mínimo a exposição dos animais aos seres humanos, pessoal do centro incluído.
Através de uma nesga na cobertura desta jaula, é possível avistar uma raposa juvenil. Os animais devem ser isolados dos olhares dos tratadores, para manter os instintos
Através de uma nesga na cobertura desta jaula, é possível avistar uma raposa juvenil. Os animais devem ser isolados dos olhares dos tratadores, para manter os instintosFotografia © Pedro Rocha / Global Imagens
Domesticar um animal silvestre pode ser tão grave como deixá-lo sem qualquer tratamento: "Muitos animais perdem os instintos e, se os libertamos, morrem de fome ou predados. E se for um animal territorial, como uma águia-de-asa-redonda, se passa a encarar o homem como seu igual e o encontra no seu território pode atacar."
A libertação na natureza é o objetivo final para todas as espécies que ali entram. E é também o que ajuda a ultrapassar os dissabores e as invulgares exigências profissionais, como ser chamado às onze da noite para acudir a uma águia ferida. Chegamos a uma espécie de gaiola em forma de túnel, usada para treinar as aves a recuperarem ou aprenderem a voar. Lá dentro estão três juvenis de bufo-real, a maior coruja do mundo, cuja envergadura de asas pode ultrapassar os dois metros. "Chegaram-nos crias, com uma parasitose muito invulgar e um prognóstico muito complicado", conta Manuela Mira. "Sobreviveram as três. É um privilégio ser funcionário público aqui."
É também um privilégio dos lisboetas viver numa capital onde não só se acolhem e resgatam espécies de todo o país mas também se tem assistido nas últimas décadas a uma explosão da biodiversidade, entre os regressos de espécies que há muito não passavam por aqui, como as raposas e algumas aves de rapina, às benignas invasões e introduções de visitantes mais exóticos, como os periquitos-rabijuncos e os esquilos-vermelhos.
Manuela Leite Mira, do Centro de Recuperação de Monsanto, segura na mão um ouriço-cacheiro enrolado. Mantê-lo desconfiado dos seres humanos será essencial
Manuela Leite Mira, do Centro de Recuperação de Monsanto, segura na mão um ouriço-cacheiro enrolado. Mantê-lo desconfiado dos seres humanos será essencialFotografia © Pedro Rocha / Global Imagens
Não esquecendo a flora: a capital tem mais de 600 mil árvores, o que equivale a dizer que estas ultrapassam a população humana residente em perto de 100 mil. Acácias, azinheiras, choupos, espinheiros, eucaliptos, olaias, oliveiras, palmeiras, plátanos, sobreiros, são apenas uma amostra das espécies que podem encontrar-se.
A revolução verde...
Parte da explicação para a proximidade de Lisboa com o mundo silvestre passa pela localização geográfica invulgar da capital portuguesa, entre dois importantes santuários: a Reserva Natural do Estuário do Tejo e o Parque Natural de Sintra-Cascais.
Mas para compreender o motivo pelo qual Lisboa parece estar a tornar-se, ela própria, um habitat aceitável para muitas espécies, é preciso recuar no tempo mais de uma década, até ao momento em que começou a concretizar-se o aparentemente utópico sonho de um arquiteto paisagista chamado Gonçalo Ribeiro Telles.
Pouco a pouco, o sonho de ligar os jardins, bosques, áreas rurais de Lisboa através de "corredores verdes"tem vindo a ganhar forma. E se estes são cada vez mais utilizados pelos lisboetas, para fugir ao frenesim da metrópole, são também cada vez mais as espécies animais e vegetais que os usam para se espalharem a novos territórios.
"Há continuidade do espaço e isso permite essa circulação", diz ao DN José Sá Fernandes, vereador da Câmara de Lisboa com o pelouro do Ambiente. "De facto, Ribeiro Telles tinha essa visão, que julgo que no ano que vem teremos concretizada: todos os corredores verdes, não apenas a ligação de Monsanto ao Parque Eduardo VI I mas também Monsanto até ao rio, passando pela cidade, pela Avenida Duque de Ávila, e depois por todo aquele percurso extraordinário: Casal Vistoso, Belavista, Fundão, Quinta das Flores, rio."
... e a revolução azul
O rio que banha a cidade é obviamente um elemento fundamental da sua sustentabilidade ambiental. E também deste ponto de vista as últimas décadas têm trazido boas notícias, com uma progressiva melhoria da qualidade da água. Na chamada Linha do Estoril, na zona entre Oeiras e Alcântara, esse progresso começou na década de 1980. Hoje, várias praias da linha têm a bandeira azul. Outras que antes eram desaconselhadas a banhistas, como a praia de Paço de Arcos, passaram a ser espaços concessionados e aprovados. Em Portugal há mais de 500 praias onde a qualidade da água é considerada má. Mas entre Caxias e Cascais não existe uma única que tenha menos de "bom" na classificação.
E algumas estão a atingir níveis surpreendentes. A chamada Plataforma Interdital das Avencas, entre as praias da Parede, Avencas e Bafureira, tem recuperado a riqueza da sua biodiversidade - potenciada pelas características plataformas de rocha que entram pelo mar dentro - e serve hoje de viveiro de várias espécies marinhas, desde moluscos a algas, anémonas e peixes. Ainda neste ano, deverá ser formalizada como a primeira reserva marinha de gestão local do país.
Mais a montante, junto à cidade de Lisboa, também há sinais animadores. Antes da Expo"98, o Trancão - um dos principais afluentes do Tejo - era um rio extremamente poluído, reconhecido pelo seu mau cheiro. Hoje, após quase duas décadas de tratamentos de águas residuais e de fiscalização mais apertada sobre a indústria que o utilizava para as suas descargas, a qualidade da água melhorou substancialmente. Na cidade, depois da construção de uma conduta entre o Terreiro do Paço e a ETAR de Alcântara, finalizada em 2011, os esgotos urbanos deixaram finalmente de ser descarregados no Tejo.
Nos últimos anos têm-se tornado frequentes as notícias de avistamentos de grupos de golfinhos no Tejo. Ainda não existem evidências científicas de que estes avistamentos possam indicar um regresso à capital deste mamífero, que há décadas não tem aqui populações estáveis. Mas pelo menos algumas das espécies que lhe servem de alimento, como as corvinas, já estão de regresso.