quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Janeiro, mais um mês de recordes climáticos - Publico.pt

A temperatura global atingiu um recorde ao mesmo tempo que o gelo do Árctico está com uma extensão de Inverno mínima.

Depois de 2015 ter sido o ano mais quente desde que se iniciaram os registos de temperaturas, o primeiro mês de 2016 já forneceu novos recordes. O relatório mensal dos Centros Nacionais para a Informação Ambiental (mais conhecidos por NOAA) mostra que Janeiro de 2016 foi o Janeiro mais quente desde há 137 anos, quando os registos se iniciaram. O Árctico foi uma das regiões especialmente afectadas, onde a temperatura subiu seis graus acima da média, o que se reflectiu negativamente no aumento de gelo típico no Inverno naquela região: Janeiro atingiu um recorde mínimo em termos de área de gelo.

“A extensão do gelo em Janeiro foi em média de 13,53 milhões de quilómetros quadrados, o que é 1,04 milhões de quilómetros quadradosabaixo da média entre 1981 e 2010”, segundo o relatório do Centro Nacional de Informação do Gelo e da Neve. “Este foi o Janeiro com a extensão mínima [de gelo] registado pelos satélites, 90.000 quilómetros quadrados abaixo do recorde anterior ocorrido em 2011.”

Apesar de se dar mais atenção à área de gelo mínima anual, que ocorre em meados de Setembro, o certo é que a área de gelo máxima – que se atinge nas primeiras semanas de Março – tem vindo a diminuir nas últimas décadas. A diminuição da área de gelo tem sido de 3,2% por década. Em 1979, o primeiro ano em que houve registos de satélite, a área máxima de gelo para aquele mês era cerca de 15,5 milhões de quilómetros quadrados, mais dois milhões de quilómetros quadrados do que a de 2016.

A causa para este Janeiro particularmente quente no Árctico deveu-se ao facto de a pressão atmosférica por cima do Pólo Norte (fenómeno conhecido como Oscilação do Árctico) ter sido negativa, o que permitiu as correntes de ar frio do Árctico fugirem mais para Sul. Durante o mês de Fevereiro, a área de gelo do Árctico continua muito abaixo da média, indicando que se poderá atingir nas próximas semanas o recorde mínimo de Inverno desde de que há registo.

Os recordes de temperatura do mês passado estão ligados ao forte fenómeno do El Niño, o aumento da temperatura das águas superficiais do oceano Pacífico, que se fez sentir nos últimos meses e que se sobrepõe aoaquecimento global. “As temperaturas médias globais à superfície dos continentes e dos oceanos em Janeiro de 2016 foram de 1,04 graus Celsius acima da temperatura média de 12 graus Celsius do século XX, as mais altas para Janeiro no registo dos últimos 137 anos, ultrapassando por 0,16 graus Celsius o recorde anterior atingido em 2007”, explica o relatório do NOAA. Este é o segundo maior registo mensal de sempre, “só superado por Dezembro de 2012, em que as temperaturas foram 1,11 graus Celsius acima da média”. Janeiro foi também o nono mês consecutivo em que as temperaturas de cada mês bateram recordes em relação ao registo dos anos passados para o mesmo mês.

Os cientistas não sabem dizer qual, ou se há, uma relação entre o El Niño e a Oscilação do Árctico. Apesar de haver uma tendência para o aumento de temperatura amplificar-se nas latitudes mais a norte, o mês passado foi “absurdamente quente em todo o Oceano Árctico”, disse Mark Serreze, director do Centro Nacional de Informação do Gelo e da Neve, citado pelo jornal norte-americano Washington Post.

Outras regiões especialmente quentes foram o Norte da Sibéria, onde a temperatura aumentou cinco graus acima da média, assim como partes do Sudeste e Sudoeste asiático, do Médio Oriente, uma região importante no Sul de África e regiões na América do Sul e na América Central.

Mas também houve regiões que estiveram anormalmente frias, mostrando que nas ciências climáticas nada é homogéneo. O Norte do México, a Península Escandinava, a Ásia Central perto da Mongólia e a região do oceano Atlântico a sul da Gronelândia registaram temperaturas abaixo da média para aquele mês.  

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Crianças. Os medos próprios de cada idade - IONLINE.PT

anças. Os medos próprios de cada idade


Todas as crianças têm medo de alguma coisa. Monstros, o escuro, ou até mesmo das pessoas em geral. O que é necessário saber é que todos estes medos são normais e fazem parte do desenvolvimento infantil.

A revista brasileira Crescer falou com a psicóloga Rita Calegari e esta desvendou os medos mais comuns em cada fase do crescimento:
Até aos 7 meses
- Barulhos inesperados e luzes fortes.
Dos 7 meses a 1 ano e meio
- Pessoas, ambientes e objectos novos;
- Perder os pais de vista.
De 1 ano e meio aos 3 anos
- Escuridão;
- Pessoas mascaradas;
- Ficar sozinho.
Dos 3 aos 5 anos
- Monstros;
- Fantasmas;
- Escuridão;
- Animais;
- Chuva;
- Trovoada;
- De se perder.
A partir dos 5 anos
- Ser deixado na escola;
- Ladrões;
- Personagens assustadoras.
A partir dos 6 anos
- Da própria morte;
- Da morte dos pais;
- De ser criticado.
Se não sabe como lidar com alguns dos medos do seu filho e precisa de ajuda, clique aquipara saber mais sobre o assunto.

Saiba se está vulnerável face aos ladrões da Net - JN.PT

A Comissão de Proteção de Dados alertou, este domingo, que as pessoas disponibilizam informação pessoal na internet de forma "negligente e ingénua", como o fazem também empresas e entidades públicas. E lançou um teste de auto-avaliação.
Para evitar o adágio "depois de casa roubada trancas à porta", a CNPD, na sua página na internet, faz um teste para avaliar o grau de vulnerabilidade face aos ladrões e deixa conselhos de proteção.
Num ano em que a CNPD elegeu como de combate à usurpação de identidade, Clara Guerra, coordenadora do serviço de informação e relações internacionais, avisa que é cada vez mais fácil "roubar a identidade" porque "as pessoas disponibilizam" demasiada informação na internet.
Criando uma identidade falsa podem ser abertas contas bancárias, fazer-se empréstimos ou compras. Clara Guerra diz que o roubo de identidade para fins ilícitos sempre existiu, mas lembra que "antigamente quando havia um roubo quase sempre se recuperavam os documentos", o que não acontece hoje, porque "há um mercado de documentos".
Com a internet os criminosos tiveram a vida facilitada, afirmando a responsável que é fácil num motor de pesquisa aceder a listas com nomes associados ao número do cartão de cidadão ou de identificação fiscal.
"Hoje a internet é um meio fértil para recolher informações", há "muitas empresas e entidades públicas que divulgam informação pessoal" e, por vezes, alegando transparência, "publica-se na internet", diz Clara Guerra, exemplificando com o Ministério da Educação, que durante anos publicava na internet, "em página aberta", listas de professores com os números dos bilhetes de identidade associados.
"Divulgar o número do bilhete de identidade/cartão de cidadão não é correto", há informação disponibilizada com boa intenção "mas que é violadora e pode ser usada de forma abusiva por terceiros", avisa.
A internet "representa um repositório muito grande de informação pessoal e, por isso, há riscos acrescidos", diz a responsável da CNPD, acrescentando que as redes sociais vieram ainda piorar a situação. E conta que, ao contrário do que se poderia pensar, os jovens estão mais sensibilizados para o problema do que os adultos, "que facilmente partilham informações pessoais que lhes podem sair caras".
Clara Guerra dá como exemplo a rede social FaceBook, que dá uma "falsa sensação de segurança", e adianta: "antigamente as pessoas preservavam os contactos, os amigos, mas hoje expõem a sua rede, dizem com quem se relacionam, o tipo de relações, a família, os amigos, os colegas de trabalho".
As pessoas não têm a noção de que aquilo que colocarem nas redes sociais pode influenciar na obtenção de um emprego e também expõem em demasia os filhos, disse a responsável, lembrando um acórdão do Tribunal da Relação de Évora e que a revista semestral da CNPD (Fórum de Proteção de Dados) cita.
Neste acórdão, os juízes impuseram aos pais o dever de se absterem de publicar nas redes sociais fotografias ou informações identificando a filha, afirmaram que proteger a imagem e a vida privada é tão importante como promover o sustento, a saúde a educação dos filhos, que "não são coisas ou objetos pertencentes aos pais e de que estes podem dispor a seu bel-prazer".
O acórdão cita várias normas para dizer que há "um perigo sério e real adveniente da divulgação de fotografias e informações de menores nas redes sociais".
No início do mês a PSP também já tinha alertado que os pais não devem de publicar fotografias das caras dos filhos, a localização ou os nomes, avisando que uma fotografia que se publica na internet é para sempre.
A proteção de dados pessoais é um direito fundamental consagrado na Constituição (artigo 35) e que completa 40 anos a 2 de abril.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Os novos preços para 2016 - NEGOCIOS.PT

Da electricidade à água, passando pelas portagens e telecomunicações saiba quanto vão aumentar as facturas em 2016.
ELECTRICIDADE
A factura da luz vai aumentar em média 2,5% para as famílias portuguesas. Esta actualização das tarifas significa um aumento de 1,18 euros para uma conta mensal de 47,6 euros. Os novos preços vão abranger 1,9 milhões de clientes que ainda se encontram no mercado regulado, o que corresponde a 12% do consumo total.
ÁGUA
A partir de dia 1 de Janeiro a conta da água fica mais cara. O preço vai aumentar em média 33 cêntimos por mês para a maioria dos clientes da EPAL.
GÁS
As tarifas do gás natural vão manter-se inalteradas no início de 2016. As actualizações para os clientes no mercado regulado só são feitas a 1 de Julho, não sendo por isso conhecidos os novos valores. As tarifas para o ano 2015/2016 recuaram em média 7,3%.
TELECOMUNICAÇÔES
Em 2016 a factura dos serviços de telecomunicações vai subir em média 3%, um valor em linha com a actualização feita em 2015. Os preços na Meo vão aumentar cerca de 2,5% a partir do dia 1 de Janeiro. A Nos não divulgou a média das actualizações que vai implementar logo no arranque do novo ano também, mas de acordo com as informações disponíveis no seu site, vão rondar os 3%. Já os clientes da Vodafone vão ver os preços aumentarem entre 2% e 3% a partir de 13 de Janeiro.
PORTAGENS
A maioria das taxas de portagem nas auto-estradas nacionais ficará inalterada a 1 de Janeiro de 2016, pelo terceiro ano consecutivo. Mas há aumentos de cinco cêntimos em 34 das 550 tarifas de portagens que lhe estão concessionadas à Infraestruturas de Portugal.Já as portagens nas pontes 25 de Abril e Vasco da Gama, concessionadas à Lusoponte, vão sofrer uma actualização a 1 de Janeiro e 2016 que varia entre os 0,05 euros, para os veículos de classe 1 em ambas as travessias, e os 0,15 euros, na classe 4 na ponte Vasco da Gama.
TRANSPORTES
Nos transportes públicos também não haverá alterações nos preços em 2016. Os títulos dos transportes da Carris, STCP, metros de Lisboa e Porto e Transtejo/Soflusa não vão sofrer qualquer actualização em função da taxa de inflação.
RENDAS
Os proprietários de imóveis arrendados vão poder aumentar as rendas em 0,16%, uma variação praticamente nula. Em 2015 não houve alteração no valor das rendas. O aumento previsto para 2016 não se aplica aos contratos antigos, os quais têm sofrido grandes aumentos na sequência da nova Lei das Rendas.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Inverno 30 graus mais quente no Polo Norte - JN.PT

É caso para dizer que "o tempo está louco". As temperaturas no Polo Norte estavam esta quarta-feira perto dos dois graus Celsius, mais altas dos que os habituais 30 negativos que se fazem sentir na região durante esta época.

As temperaturas no Polo Norte aproximaram-se dos dois graus por causa da tempestade que passou pelos Estados Unidos, causando tornados mortais, e estão também relacionadas com as fortes chuvas que esta semana causaram centenas de inundações no Reino Unido, segundo dados revelados pela Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos.
O especialista do jornal "Washington Post" Jason Samenow diz que que a "onda de ar quente que forma uma linha reta em direção ao Polo Norte é algo impressionante".
A Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos afirma que o aquecimento da atmosfera na região do Ártico ocorre em níveis duas vezes mais rápidos do que em qualquer outra parte do mundo.
As temperaturas no Polo Norte devem voltar aos valores habituais já a partir desta sexta-feira.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Ressonar. Estas dicas podem mudar a sua vida - IONLINE.PT

Ressonar pode não lhe agradar a si, mas não agrada principalmente a quem o rodeia. 

E, foi exactamente por isso que, um site brasileiro recorreu a um especialista da Associação Brasileira do Sono, Luciano Ribeiro, para recolher algumas dicas que podem mudar tanto a sua vida como a da sua família.
Deixamos aqui as dicas do especialista para que consiga dormir melhor e sem fazer barulho.
1 – Deve apostar no exercício físico, até porque uma das causas é a obesidade.
2 – Cuide da sua alimentação. Além de ajudar a prevenir o excesso de peso (já referido no ponto um), ajuda na digestão. Sem que se não fizer bem a digestão prejudica o seu sono e pode fazer com que ressone mais facilmente. Deve também evitar comer muito. Aposte em refeições mais leves.
3 - Não durma de barriga para cima. De acordo com o especialista, esta posição faz com que a faringe fique mais fechada e, por isso, o ar tem “menos espaço para passar”.
4 - Evite o álcool. De acordo com o especialista, é muito importante que evite as bebidas alcoólicas.

Europa sem "Natal branco". Dezembro será o mais quente desde 1934 - DN.PT

Meteorologista em Bruxelas explica porque as temperaturas estão altas. 
A Bélgica acordou hoje com a certeza de que não haverá um Natal em tons brancos e que o dezembro de 2015 deverá ser o mais quente desde 1934, como notou um meteorologista à imprensa local.
A possibilidade de as temperaturas não baixarem até ao final do ano também faz lamentar a falta de viagens até às estâncias de esqui no centro da Europa.
O meteorologista David Dehenauw explicou que o 'culpado' é uma massa ar de tipo subtropical, proveniente do Oceânico Atlântico, e que não tem tempo de perder temperatura quando chega à Europa.
Por enquanto, o especialista ainda não dá certezas sobre se esta tendência nas temperaturas irá manter-se no início do novo ano.
Assim, é "provável que seja o dezembro mais quente desde o registado em 1934, com uma média de 7,5º", indicou David Dehenauw.
O mês de novembro de 2015 tinha já sido o segundo mais quente desde que as medições meteorológicas começaram, com uma temperatura média de 10,1º, em vez dos habituais 6,8º.
Com menos frio, as estações de esqui belgas e luxemburguesas devem permanecer fechadas até final de 2015, uma vez que as pistas de esqui de fundo precisam de 10 a 15 centímetros de neve, e o esqui alpino de 20 centímetros.
Mas, as autoridades do Turismo da área leste da Bélgica mantém-se otimistas, lembrando a época recorde de 2014, que apenas começou a 27 de dezembro e incluiu 39 dias de atividades.
"Já tivemos invernos tardios. Difere de ano para ano e haverá falta de neve durante as férias do Natal", acrescentaram as autoridades.
A zona leste do país tem 19 centros de desportos de inverno.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Ladrões ajudam a prevenir assaltos - IONLINE.PT

Vários ladrões e ex-ladrões partilharam no fórum Reddit algumas dicas para prevenir um assalto à sua casa.

Aqui estão elas as que receberam mais votos no mesmo fórum:
1)    “Autocolantes com símbolos de empresas de segurança ou placas a dizer ‘Cuidado com o cão’ não servem para nada. Uma vez entrei numa casa através da porta para o cão”;
2)    “As pessoas acham que os cães maiores intimidam mais, mas eu evitava sempre as casa com os cães mais pequenos, que nunca se calam”;
3)    “Não publique no Facebook que não está em casa ou quanto tempo ai estar fora. Não publique fotografias das férias até regressar”;
4)    “Tente bloquear bem as janelas. Um ladrão consegue facilmente abri-las com uma chave de fendas”;
5)    “Costumava escolher casas com base naqueles truques estúpidos que as pessoas usam quando saem: Muitas luzes acesas e uma televisão muito alta às duas da manhã de um domingo?!”;
6)    “Não deixe as pequenas coisas à mostra. Eu costumava assaltar a pé e levava dinheiro, jóias, pequenos electrodomésticos, etc”;
7)    “Use o tranco da porta. É facílimo abrir uma porta que não esteja bem trancada. Mais vale deixá-la aberta”;
8)    “Alguns ladrões associam-se a taxistas e eles dizem-lhes quando a casa está vazia. Peça ao taxista para o deixar perto de casa, não na morada certa”;
9)    “Câmara – dentro e fora. Conheço um homem que foi apanhado por aparecer numa webcam que se encontrava dentro de casa. Deixe-as bem visíveis”;
10)    “Tente não ter escadotes ou algo do género no jardim. Essas ferramentas ajudam-nos a trepar e abrir janelas”.

5 regras fundamentais para fugir aos desastres de comunicação - DINHEIROVIVO.PT

As cinco regras fundamentais para negociar com alguém cujo estilo de comunicação cultural é diferente do nosso.

Tim Carr, um americano que trabalha para uma empresa de defesa nos Estados Unidos, estava prestes a iniciar uma negociação sensível com um importante cliente saudita, mas não estava muito preocupado. Carr era um negociador experiente e bem treinado nos princípios básicos da negociação. O telefonema para a Arábia Saudita decorreu de acordo com o plano. Cuidadosamente, Carr conduziu o potencial cliente a aceitar o contrato, e o objetivo parecia alcançado. Porém, depois de concluir uma recapitulação minuciosa de quem tinha concordado com o quê, foi brindado com um longo silêncio. Finalmente, ouviu uma voz firme, “Já lhe disse que o faria. Julga que não cumpro as minhas promessas? Que não tenho palavra?” Foi o fim da discussão — e do contrato. As muitas teorias existentes acerca da negociação podem funcionar perfeitamente quando estamos a negociar com uma empresa do nosso país. Mas aquilo que nos leva a obter um “sim” numa cultura, pode conduzir-nos a um “não” noutra. Neste artigo, identifico as cinco regras fundamentais para negociar com alguém cujo estilo de comunicação cultural é diferente do nosso. 

ADAPTE A SUA FORMA DE EXPRIMIR DESACORDO

Em algumas culturas é apropriado dizer “discordo totalmente” ou afirmar à outra parte que ela não tem razão; isto pode até ser considerado parte de uma discussão saudável. Noutras culturas, o mesmo comportamento provocará raiva e, possivelmente, uma quebra irremediável da relação. A solução é procurar pistas verbais — especificamente, aquilo a que os linguistas chamam “upgraders” e “downgraders”. Os primeiros são aquelas palavras que podemos usar para enfatizar o nosso desacordo, como “totalmente”, “completamente” e “absolutamente”. Os segundos — “parcialmente”, “um pouco” e “talvez” — suavizam o desacordo. Russos, alemães, israelitas e holandeses usam muitos upgraders ao exprimirem desacordo. Mexicanos, tailandeses, peruanos e ganeses usam muitos downgraders. Tente compreender a função dos upgraders e downgraders no seu próprio contexto cultural. Se estiver a negociar com um peruano e ele lhe disser que “discorda um pouco”, pode estar a preparar-se um problema sério. Mas se negoceia com um alemão que afirma “discordar completamente”, pode estar prestes a encetar um debate muito agradável. 

PERCEBA QUANDO DEVE CONTER-SE E QUANDO DEVE TER DEMONSTRAÇÕES EMOCIONAIS 

Em algumas culturas é comum, durante as negociações, levantar a voz quando está excitado, rir apaixonadamente ou tocar no braço da outra pessoa. Noutras culturas, todas essas demonstrações são vistas como falta de profissionalismo. O que torna as negociações internacionais complicadas é que as pessoas de algumas culturas emocionalmente muito expressivas — como o Brasil, México e Arábia Saudita — podem também evitar exprimir abertamente o desacordo. Os mexicanos tendem a discordar de maneira suave, embora exprimam as emoções abertamente. Na Dinamarca, na Alemanha e na Holanda, o desacordo aberto é visto como positivo desde que expresso calma e factualmente. A segunda regra das negociações internacionais é reconhecer o que uma efusão emocional pode significar na cultura com a qual está a negociar e adaptar-se de acordo com isso. 

PERCEBA COMO A OUTRA CULTURA CONSTRÓI A CONFIANÇA

 Durante uma negociação, ambas as partes estão a considerar explicitamente se o acordo beneficiará o seu próprio negócio e implicitamente a tentar avaliar se podem confiar na outra. Aqui, as diferenças culturais podem ter grande impacto. A forma como começamos a confiar em alguém varia dramaticamente de uma parte do mundo para outra. As investigações realizadas nesta área dividem a confiança em duas categorias: “cognitiva” e “afetiva”. A confiança cognitiva é baseada na confiança que sentimos nas realizações e capacidades de alguém. A afetiva provém de sentimentos de proximidade emocional, empatia ou amizade. Na maioria dos mercados emergentes ou mais recentes, do Brasil e Índia ao sudeste asiático e África, há pouca probabilidade de os negociadores confiarem uns nos outros enquanto não se realizar uma conexão emocional. O mesmo é verdade para a maior parte do Médio Oriente e das culturas mediterrânicas. Isso pode tornar as negociações complicadas para os norte-americanos, australianos, britânicos e alemães, mais orientados para a tarefa. Em certas culturas é necessário construir uma conexão emocional o mais cedo possível. Investir tempo em refeições e bebidas, e não falar de negócios durante essas atividades. Acabará por ter, além de um amigo, um contrato. 

EVITE PERGUNTAS DE SIM OU NÃO 

A certa altura, durante uma negociação, precisará de pôr uma proposta em cima da mesa — e descobrir se o outro lado a aceita. Um dos aspetos das negociações internacionais que causa mais confusões é que em algumas culturas a palavra “sim” pode ser usada quando o verdadeiro significado é não. Noutras culturas, o “não” é a resposta reflexa mais frequente, mas significa muitas vezes “Vamos discutir um pouco mais”. Em ambos os casos, interpretar mal a mensagem pode levar a um desperdício de tempo ou a um atraso sério. Quando precisa de saber se a pessoa que está a negociar consigo vai fazer alguma coisa mas a sua resposta a todas as perguntas o deixa cada vez mais confuso, lembre-se da quarta regra das negociações interculturais: sempre que possível, evite colocar perguntas cuja resposta seja sim ou não. Se tiver de o fazer, ao negociar com o sudeste asiático, o Japão ou a Coreia, utilize todas as suas antenas emocionais. Mesmo que a resposta seja afirmativa, alguma coisa pode dar-lhe a sensação contrária: um silêncio um pouco mais prolongado, um longo reter de respiração. Se assim for, é provável que o acordo não esteja selado. 

TENHA CUIDADO AO PÔR AS COISAS POR ESCRITO 

Os gestores americanos aprendem a repetir mensagens-chave e a recapitular uma reunião por escrito. Também no norte da Europa a clareza e a repetição são a base de uma negociação eficaz. Mas esta boa prática pode sugerir falta de confiança em negociações com África ou Ásia. A diferença de abordagem pode dificultar a redação de um contrato. Os americanos confiam muito nos contratos escritos, mas em países onde o sistema legal é tradicionalmente de menor confiança e as relações têm um peso maior nos negócios, os contratos escritos são menos frequentes. Nesses países os contratos representam muitas vezes um compromisso de fazer o negócio, mas não são legalmente vinculativos. Assim, são menos minuciosos e menos importantes. A quinta e última regra para negociações internacionais é proceder com prudência em relação ao contrato. Peça à outra parte para redigir a primeira versão, para perceber com quantos pormenores eles planeiam comprometer-se antes de lhes pôr à frente um documento de vinte páginas. E esteja preparado para fazer revisões. Quando negociar em mercados emergentes, lembre-se de que tudo nesses países é dinâmico, e que nenhum contrato é 100% definitivo Finalmente, é preciso não esquecer as regras universais: ao negociar um acordo, precisamos de persuadir e reagir, de convencer e esquivar, fazendo valer os nossos argumentos durante o processo. No calor da discussão, aquilo que se diz é importante. Mas a confiança que terá construído e a sua capacidade para adaptar o seu comportamento ao contexto, acabarão por fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso. 
Resumo da Ideia 

O PROBLEMA: Nas negociações com países diferentes, os gestores descobrem muitas vezes que acordos perfeitamente racionais acabam por se desfazer quando as pessoas com quem negoceiam fazem exigências aparentemente irracionais ou não respeitam os seus compromissos. 

A RAZÃO POR QUE ACONTECE: Cada cultura tem as suas próprias normas de comunicação e, ao longo do tempo, apercebemo-nos de que o que numa cultura nos conduz a um “sim”, noutra cultura pode conduzir-nos a um “não”.

A SOLUÇÃO: Pode reduzir os problemas de comunicação respeitando estas cinco regras fundamentais: 

Perceba como deve exprimir o desacordo. 
Reconheça o significado da expressividade emocional. 
Aprenda a forma como a outra cultura constrói a confiança. 
Evite perguntas de sim ou não. 
Tenha cuidado ao pôr as coisas por escrito. 

Em Busca de Pontes Culturais 

Nada pode substituir a capacidade de aprender tudo o que for possível acerca da cultura com que vai negociar. Mas arranjar uma ponte cultural — alguém que seja da outra cultura, que pertença a ambas as culturas ou que, pelo menos, tenha uma experiência forte relativamente ao outro — que vá consigo para a mesa de negociações pode dar-lhe uma boa vantagem. Claro que, se uma das partes não falar bem a sua língua, é comum ter a ajuda de um intérprete, mas uma ponte cultural pode causar um grande impacto se não houver divisões linguísticas. Durante os intervalos, por exemplo, pode pedir a essa pessoa que lhe explique o que se vai passando nas entrelinhas. A executiva inglesa Sarah Stevens estava a dirigir uma equipa de americanos durante uma negociação no Japão. As partes japonesas falavam todas bem inglês, mas três horas depois do início da negociação Stevens percebeu que a sua equipa estava a falar 90% do tempo, o que a deixou preocupada. Pediu conselho a um funcionário do escritório da empresa no Japão e este explicou-lhe que os japoneses param frequentemente para pensar antes de falarem — e que para eles o silêncio não é desconfortável como é para os americanos ou britânicos. O colega aconselhou Stevens a adotar a abordagem japonesa: depois de colocar uma questão, aguardar em silêncio e pacientemente por uma resposta. Também lhe disse que os japoneses muitas vezes tomam decisões em grupo, pelo que podiam precisar de conferenciar antes de darem uma resposta. Se após um período de silêncio não houvesse uma resposta clara, Stevens devia sugerir um pequeno intervalo para poderem ter uma conversa privada. Explicou-lhe que no Japão era comum resolver uma série de conflitos potenciais em conversas informais de um para um antes do encontro formal do grupo, que é visto mais como um lugar para selar decisões que já foram tomadas. Esta informação já chegou tarde para aquela viagem, mas Stevens teve o cuidado de, na vez seguinte, permitir discussões informais prévias. Graças à sua ponte cultural, obteve o acordo que esperava. Se a sua equipa não tem um candidato óbvio para este papel, procure entre outros funcionários da empresa. Mas não cometa o erro comum de pensar que alguém que fala a língua e tem um familiar da cultura em questão vai necessariamente ser uma boa ponte cultural. Consideremos um gestor inglês de origem coreana: ele tinha o aspeto de um coreano, tinha um nome coreano e falava a língua sem sotaque, mas nunca vivera nem trabalhara na Coreia; os seus pais tinham emigrado para Inglaterra quando eram adolescentes. A sua empresa pediu-lhe que ajudasse numa importante negociação que decorreria na Coreia, mas quando lá chegou percebeu rapidamente que a sua equipa se teria saído melhor sem ele. Como falava tão bem a língua, os coreanos partiam do princípio de que se comportaria como um deles, e ficavam ofendidos quando ele falava com a pessoa errada na sala ou quando os confrontava demasiado diretamente. Como ele observa, “Se eu não parecesse tão coreano, eles ter-me-iam perdoado o mau comportamento".

Cimeira de Paris aprova acordo histórico para conter o aquecimento global - PUBLICO.PT

Novo tratado internacional envolverá todos as nações num esforço colectivo para tentar conter a subida da temperatura do planeta a 1,5ºC.

Depois de anos de negociações e hesitações, um acordo histórico para conter o aquecimento global foi aprovado neste sábado em Paris. Representantes de 195 países disseram "sim" a um novo tratado internacional, que envolverá todas as nações num esforço colectivo para tentar conter a subida da temperatura do planeta a 1,5ºC.

Se as promessas forem cumpridas, algures na segunda metade deste século o mundo terá praticamente abandonado os combustíveis fósseis e as emissões que restarem de gases com efeito de estufa serão anuladas pela sua absorção por florestas ou pela sua captura e armazenamento.

A base do acordo são planos nacionais, a apresentar a cada cinco anos por todos os países, contendo a sua contribuição para a luta contra o aquecimento global. É uma abordagem duplamente diferente da que havia até agora na diplomacia climática. Não há metas impostas aos países, são eles que decidem o que fazer. E todos têm de participar, e não apenas os países desenvolvidos, embora estes tenham de liderar os esforços na redução de emissões de gases com efeito de estufa.

É a primeira vez que surge um acordo internacional, com força legal, a vincular todos os países a fazerem esforços para conter as suas emissões.

Um mecanismo de monitorização e reforço destes planos vai ser colocado em prática, para assegurar que o limite de subida dos termómetros não será ultrapassado. E os países desenvolvidos prometem ampliar a ajuda às nações mais vulneráveis.

Apesar das críticas de que lhe falta ambição, o acordo é visto como um passo histórico, pelo seu carácter universal e por ultrapassar divergências que tinham até agora impedido que se encontrasse um substituto do Protocolo de Quioto.

O Acordo de Paris, como foi baptizado o resultado da cimeira, resulta de quatro anos de negociações e de uma maratona final de duas semanas numa cimeira climática da ONU em Le Bourget, nos arredores da capital francesa.

Na manhã deste sábado, depois da derradeira noite de negociações, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, anunciou que havia um texto final, representando um compromisso entre todos os países. Emocionado, foi aplaudido de pé.

Foram ainda necessárias horas suplementares para resolver algumas objecções finais e traduzir o acordo nas seis línguas oficiais das Nações Unidas.

Ao final da tarde, o plenário da conferência foi-se enchendo com ministros e negociadores sorridentes. Bateram-se palmas novamente para Laurent Fabius. O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, chegou acompanhado pelo ex-vice-Presidente Al Gore – que atendeu a sucessivos pedidos para selfies. O clima era de festa, alívio e dever cumprido.