segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Vale a pena receber os subsídios em duodécimos? - Dinheiro Vivo

Vale a pena receber os subsídios em duodécimos? - Dinheiro Vivo

Com a publicação das tabelas de IRS para 2013 os portugueses já podem fazer as contas, avaliar os cortes e saber, afinal, quanto vão receber por mês este ano. Para minimizar os cortes no rendimento mensal das famílias, o Governo propôs o pagamento dos subsídios através duodécimos. Mas será que compensa?
Veja aqui as novas tabelas de IRS para 2013.
No caso dos trabalhadores da função pública não há grande alternativa. Estes permanecem sem subsídio de férias e o de Natal é pago mensalmente, ou seja, em duodécimos.
Já para os trabalhadores do sector privado o governo propôs que metade do subsídio de férias e metade do subsídio de Natal fosse pago em duodécimos.
Embora, esta seja a designação por defeito - ou seja, se não houver indicação contrária é este o método de pagamento -, o governo veio agora dizer que o trabalhador poderá opôr-se a esta forma de pagamento dos subsídios e pedir para que estes se mantenham a ser pagos na totalidade no mês anterior ao período de férias e, no caso do subsídio de Natal, até 15 de dezembro.
Com os cortes nos salários, por via dos escalões do IRS, e à sobretaxa de 3,5%, será que, nos privados, compensa receber metade dos subsídios em duodécimos? Ou será que é preferível manter e receber na totalidade nos períodos habituais? A resposta não é única e, a verdade, é que depende da maneira como cada pessoa prefere gerir o seu orçamento.
No entanto, veja quais as vantagens e desvantagens que podem existir em cada uma das escolhas possíveis.
1) Pagamento dos subsídios em duodécimos
A proposta do governo para o pagamento de metade dos subídios de férias e de natal em duodécimos pretende atenuar os efeitos dos cortes salariais. Ou seja, imaginando um trabalhador que receba 1000 euros de salário bruto vai passar a receber um salário líquido de 745,6 euros, ou seja, menos 44,5 euros face ao que recebia no ano passado.
Ao optar pelos duodécimos significa que o valor de metade dos subsídios (745,6 euros /12 = 62,13 euros) será incorporado no rendimento mensal. Contas feitas e entre os 62,13 euros que passa a receber de subsídios e o corte de 44,5 euros significa que até passará a receber mais 17,63 euros por mês.
Se, por um lado, permite que as famílias não sintam o impacto mensal do corte salarial, por outro perdem uma parte do rendimento extra que tinham nas férias e no Natal.
Para as famílias com orçamentos muito apertados e sem capacidade de poupança a perda de rendimento mensal poderá ser mais difícil de suportar e, por isso, receber o subsídio em duodécimos pode ser preferível.
2) Pagamento dos subsídios, na totalidade, nos períodos habituais
Para manter o pagamento da totalidade dos subsídios na datas habituais - no mês anterior ao período de férias e, no caso do subsídio de Natal, até 15 de dezembro - os trabalhadores por conta de outrem do sector privado têm cinco dias para comunicar a intenção à entidade trabalhadora. Esses cinco dias começam a contar a partir da data da publicação em Diário da República, sendo que esta possibilidade ainda não foi promulgada nem publicada.
Nesta situação, os portugueses terão de ajustar aos cortes existentes. Por exemplo, o caso do trabalhador que ganhe os tais 1000 brutos o rendimento vai cair 44,5 euros. Se por um lado terá de viver mensalmente com menos esse valor, por outro poderá contar com a totalidade dos subsídios, e não apenas com metade.
Um valor importante para muitas famílias que, em muitos casos, utilizam os subsídios para o pagamento de despesas extras ou anuais como seguros, IMI, livros da escola, etc.
3) Cada elemento do casal opta por uma das modalidades
Para um casal em que ambos sejam trabalhadores por conta de outrem no sector privado, outra das opções passa por um elemento optar pelo pagamento em duodécimos e outro não.
Desta forma, embora haja um corte mensal do rendimento da família, este será menor e, assim, na altura de pagamentos dos subsídios - férias e natal - recebem o equivalente a 1,5 ordenados, ou seja, metade do ordenado do elemento que está em sistema de duodécimos e um ordenado inteiro do elemento do casal que não tem essa modalidade de pagamento.
Neste situação cada pessoa deverá fazer bem as contas e avaliar qual situação em que se sente mais confortável. Não há uma resposta universal e o que pode ser bom para uns, não o é para outros.

Veja as simulações com as novas tabelas e subsídio em duodécimos
Calcule aqui o corte mensal em 2013
Veja aqui como calcular o seu IRS

Homens têm pior saúde do que as mulheres - JN

Homens têm pior saúde do que as mulheres - JN

Os homens têm uma carga de doença crónica mais elevada do que as mulheres e estão em maior risco de sofrer acidentes vasculares cerebrais e enfarte agudo do miocárdio. Os dados resultam da análise do relatório de atividades de 2011 do grupo de médicos sentinela, um total de 149 médicos de família que tiveram sob observação máxima uma população de mais de 255 mil pessoas (2,4% da população residente).
O relatório de atividades, publicado pelo Instituto Nacional de Saúde Pública Dr. Ricardo Jorge (INSA), mostra que a prevalência de diabetes na população com 35 ou mais anos foi de 1080 casos por cem mil utentes, sendo mais elevada nos homens (1256 por cem mil) e no grupo etário dos 55/64 anos (1675 por cem mil). Nos homens, a incidência da doença atingiu o valor máximo no grupo etário 55/64 anos (2228/cem mil) enquanto nas mulheres o valor máximo foi atingido nos 65/74 anos (1431/cem mil).
Também na hipertensão eles estão pior: a taxa de incidência foi de 986 contra 758 por cem mil nas mulheres, sendo a maior prevalência na faixa etária 45/54 anos (1521 casos por cem mil nos homens e 1243 nas mulheres).
Quanto à ocorrência de AVC acima dos 45 anos, os homens têm uma taxa de 718 por cem mil enquanto as mulheres estão 427 por cem mil. O facto de os homens procurarem menos os cuidados de saúde e mais tarde explica estas diferenças, diz, ao JN, Carlos Dias, coordenador da rede.

Salário mais curto este mês. Comece já a fazer um check-up às suas finanças | iOnline

Salário mais curto este mês. Comece já a fazer um check-up às suas finanças | iOnline

 sobretaxa de 3,5%, a redução do limite de isenção do subsídio de refeição para os 4,27 euros por dia e a aplicação das novas tabelas de retenção de IRS – no caso de as empresas optarem por as aplicar já este mês -vão-se traduzir numa redução significativa do seu rendimento já em Janeiro. Esta é a altura ideal para fazer um check-up às suas finanças pessoais. Cortar gastos supérfluos e rentabilizar os duodécimos de metade do subsídio de férias e de Natal, caso opte por esta modalidade de pagamento. Não pode perder tempo. Esta semana fica tudo decidido.

Identificar receitas e despesas
Uma das principais regras de ouro passa por identificar no seu orçamento mensal para onde está a ir o seu ordenado. Para ajudar nessa tarefa, o melhor é começar por fazer um mapa de receitas e de despesas, onde deverá apontar diariamente todos os encargos que tem. Ou seja, só fazendo uma lista completa dos gastos é que poderá saber onde é que está a gastar o seu dinheiro – não se esqueça de incluir as despesas fixas e as variáveis, sendo que estas últimas são as mais importantes para fazer ajustes. Ao mesmo tempo, fica a saber qual é o peso das diferentes despesas que tem no seu orçamento familiar. Não se esqueça que, o gasto total que tem (mesmo com o empréstimo da casa, os juros, a água, a luz, o gás) não deve pesar mais de 35% do seu orçamento mensal (ver gráfico ao lado).
Avaliar capacidade de endividamento
Qual é o seu estado financeiro? Este é um dos principais indicadores para avaliar a sua actual situação. As classificações são simples: saudável, equilibrado, endividado e sobreendividado. Para ser saudável precisa de poupar mais de 20% do rendimento mensal. Já um consumidor equilibrado põe de parte até 20% do seu rendimento. Um endividado já não consegue poupar nada e um sobreendividado gasta mais do que ganha e já não consegue pagar as dívidas que contraiu. Evite cair neste último estado. O ideal é que consiga poupar todos os meses algum dinheiro, por exemplo, 10% e, de preferência, que ponha de parte essa verba logo no início do mês, pois geralmente no final raramente sobra. Já se os créditos contraídos ultrapassarem os 40% e se prevê que esse valor vá aumentar durante o ano, então é a altura de reverter a situação e tentar reduzir o seu nível de endividamento.
Eliminar gastos supérfluos
Depois de fazer o mapa de receitas e de despesas então é a altura ideal para procurar identificar os gastos desnecessários que podem ser reduzidos ou eliminados. Por exemplo, tomar um pequeno-almoço fora todos os dias que custe 4 euros, ao fim do mês representa uma despesa de 124 euros. Um gasto que irá aumentar se também almoçar diariamente fora. Se isso acontecer e gastar em média por dia 7 euros, ao final do mês gasta um total de 217 euros. As duas despesas juntas representam menos 341 euros no seu orçamento mensal. Um número que ganhará maior relevo no final do ano já que totaliza mais de 4 mil euros, verba que poderia ser canalizada, por exemplo, para a poupança. Aliás, uma das formas mais fáceis de poupar e também a mais esquecida é recorrer ao velho truque do mealheiro.
Reduzir dívidas
Faça um levantamento de todas as dívidas que tem – quanto falta pagar, prestação, prazo e juros – e defina as que pode eliminar. O ideal é começar pelos créditos que apresentam os juros mais elevados. Para isso, precisa de ter inevitavelmente algum rendimento extra. Pode usar, por exemplo, um dos subsídios para fazer isso, no caso de não optar pelo pagamento em duodécimos. Caso contrário, esta tarefa torna-se mais difícil. Outra hipótese passa por amortizar o crédito à habitação que geralmente é o que pesa mais no seu orçamento familiar. Não se esqueça que o banco não pode cobrar uma penalização superior a 0,5%, se a taxa de juro for variável, ou 2%, se fixa. No entanto, precisa de avisar o banco sete ou 10 dias úteis antes, consoante amortize uma parte ou a dívida total.
Criar fundo de emergência/poupar para a reforma 
Há sempre imprevistos que podem surgir – desemprego, doença, etc. – que podem representar um descontrolo total no orçamento ao fim do mês. Ou seja, se deixasse agora de trabalhar, por exemplo, quanto tempo conseguiria sobreviver mantendo o mesmo nível de despesas? Se não tiver essa margem de manobra em termos financeiros, o ideal é criar um fundo de emergência para conseguir responder a uma situação destas.
Por outro lado, deve começar a pensar na reforma. Não se esqueça que, para conseguir manter o mesmo nível de vida na idade da reforma terá de ter um complemento extra. Caso contrário, poderá ser confrontado com uma descida de nível de vida.

Saiba como poupar ainda mais:
•  Casa: há sempre truques para conseguir poupar nas contas da água, luz e gás. Utilize lâmpadas florescentes e economizadoras, não deixe os aparelhos em standby. Opte também por mudar de hábitos (duches rápidos, por exemplo) e instale dispositivos eficientes em torneiras, chuveiros e autoclismos, pois permitem poupar até 300 mil litros de água por ano
•  Alimentação: leve sempre uma lista de compras quando vai ao supermercado, evite ir quando tem fome e opte sempre que possível por marcas brancas. Tente não levar crianças e não se esqueça de olhar para as prateleiras de cima para baixo
•  Banca e seguros: negociar o spread no crédito à habitação é um dos truques para conseguir poupar alguns trocos ao fim do mês. Se tiver muitos créditos, recorrer à consolidação poderá ser uma solução. Cuidado com os seguros, contrate apenas as coberturas que precisa. Outra hipótese passa por recorrer aos mediadores, geralmente oferecem descontos de 20 a 25% num pacote
•  Telecomunicações: comece por verificar se o tarifário do telemóvel se adequa às suas necessidades. Pode recorrer ao simulador disponível no site da Anacom para verificar qual é o melhor tarifário. Há também soluções alternativas, como o Skype e o VoiP. Em termos de televisão por subscrição analise muito bem a oferta e tente aproveitar as promoções. Além disso, subscreva apenas os canais que vai ver.
•  Transportes: opte por utilizar os transportes públicos. Vai ver que, ao fim do mês, além de poupar alguns trocos, consegue evitar verdadeiros ataques de nervos. Já os que não passam sem carro podem optar por partilhá-lo. Dividir custos pode ser uma alternativa. Modere a utilização do ar condicionado e adopte uma condução que permita reduzir o consumo

Invista da melhor forma: veja o perfil:
Se passou por todos estes passos e chegou à conclusão que tem algum dinheiro extra para investir então aposte nos produtos que melhor se adequam ao seu perfil e às suas necessidades. Há ofertas para todos os gostos e riscos, por isso o melhor é começar por identificar qual o seu perfil de risco:

Conservador 
O investidor tem como grande objectivo preservar o valor investido. Por isso mesmo, prefere investimentos de baixo risco e, como tal, tem também uma expectativa de rentabilidade mais limitada. Neste caso, deve investir, por exemplo, em depósitos a prazo, certificados de aforro, seguros de capitalização

Moderado
O investidor já está disposto a assumir um risco considerável nos investimentos, de forma a potenciar um crescimento sustentado do capital aplicado a médio e a longo prazo. Invista, por exemplo, em fundos imobiliários já que apresentam um risco moderado, pois o capital não está garantido, mas regra geral rendem mais do que os depósitos a prazo

Dinâmico
O investidor tem como principal objectivo potenciar um crescimento importante a médio e a longo prazo da sua carteira de investimento. Neste caso, assume um risco elevado nas soluções que subscreve e adquire. Se está nesta situação então apostar na bolsa é uma das soluções

sábado, 26 de janeiro de 2013

Estado gasta 100 milhões em experiências desconhecidas | iOnline

Estado gasta 100 milhões em experiências desconhecidas | iOnline

O Ministério da Agricultura tem uma série de centros experimentais e estações agronómicas onde foram investidos milhões mas, apesar do vasto património, poucas entidades, públicas ou privadas, conhecem estes serviços.
Estes polos de investigação estavam até há bem pouco tempo na esfera do INIA – Instituto Nacional de Investigação Agrária (actual Instituto Nacional de Recursos Biológicos), que, de acordo com alguns ex-ministros da Agricultura contactados pelo i, era dos mais dispendiosos do ministério. Apesar disso, hoje poucos lhes reconhecem relevância no campo da investigação.
Hoje, estes organismos foram reorganizados e ganharam novas dependências, mas um orçamento do INRB relativo a 2010 mostra necessidades financeiras superiores a 100 milhões de euros.
O governo reconhece que os objectivos não estão a ser cumpridos e que falta coordenação entre investigadores e agricultores para trazer competitividade ao sector. Apesar disso, lembra que existem casos de sucesso, alguns deles bastante recentes, em áreas como o arroz, o olival ou a vitivinicultura.
“As várias áreas de experimentação existentes no Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, nomeadamente, nas direcções regionais de agricultura e pescas (DRAP) e no Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) são de grande importância no trabalho que realizam junto dos agricultores”, defende o ministério.
“A nossa visão para a investigação aplicada passa por um maior envolvimento e aprofundamento das inter-relações com todos os agentes, privados e públicos, nas várias actividades desenvolvidas, através da implementação de planos estratégicos ao nível das fileiras produtivas”, disse ao i.
Neste contexto, e independentemente da sua estrutura organizacional, o ministério “pretende reforçar a articulação entre as DRAP, o INIAV e as organizações de produtores, com o objectivo de garantir uma maior coerência nas acções, melhorar a eficiência na afectação de recursos e de trabalho para dar resposta a problemas reais e situações concretas de inovação”.
A listagem de centro de experimentação que publicamos nesta página peca por defeito e não inclui, por exemplo, as estações agronómicas. Ainda assim são 15 centros com cerca de 4 mil hectares, mais de quatro mil campos de futebol. Sem contar com recursos humanos e financeiros, que foi impossível contabilizar.
O secretário de Estado da Agricultura, José Diogo Albuquerque, disse ao i que os centros de experimentação estão muito orientados para as regiões em que estão inseridos e trabalham muito em conjunto com as associações e os produtores locais, mas afirmou que o futuro passa por uma investigação mais aplicada, seja ela feita por universidades, através do Estado ou de outros agentes ligados ao sector.
Alguns responsáveis do sector consideram que parte do problema passa pela transferência do conhecimento dos centros de experimentação e investigação para as empresas, mas também há os que defendem que Portugal parou no tempo em matéria de conhecimento e só lhe resta ir buscar o que se faz lá fora, como acontece na fileira do olival, em que a investigação importante vem de Espanha.
Capoulas Santos e Armando Sevinate Pinto, ex-ministros da Agricultura de governos liderados por diferentes partidos políticos, concordam que a investigação na orla do Estado foi perdendo peso ao longo dos anos, sobretudo à medida que o ensino superior agrário foi emergindo sem, no entanto, ter vingado nesta matéria.
Isto resultou no envelhecimento e em algum retrocesso em estações de floricultura, florestas, zootecnia e outras mais. Ainda há investigação de excelência mas isso não é uma generalidade é, antes pelo contrário, uma raridade.
Depois, Portugal entrou no circulo internacional de investigação e acabou por trocar projectos nacionais por financiamentos externos, de certa forma desfocando a questão, que passou a ser direccionada não tanto para as necessidades internas mas para projectos de outros países que traziam algum dinheiro para dentro de casa.
Hoje, uma boa parte deste centros de experimentação e investigação competem directamente com os restantes produtores em matéria de ajudas financeiras e, como qualquer agricultor, vivem de RPU, o regime de pagamento único comunitário, como confirmou ao i o director da DRAP Norte, Manuel Cardoso.
Em 27 anos, Portugal teve 10 ministros da Agricultura, um factor que também não terá contribuído para manter um fio condutor nesta matéria. José Diogo Albuquerque admite que possam ter existido erros, mas garante que o futuro será mais eficiente.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Drogas das 'smartshops' ilegais - Sociedade - Sol

Drogas das 'smartshops' ilegais - Sociedade - Sol

O Governo vai actualizar a lista de estupefacientes ilegais, de forma a que esta passe a incluir algumas das substâncias que actualmente são vendidas nas smartshops. Desta forma, a respectiva venda passará a ser crime, sendo considerada tráfico de droga.
A medida foi revelada ao SOL pelo secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa, que adiantou estar a terminar uma proposta de lei para enviar ao Parlamento.
«Iremos propor a actualização dos anexos que acompanham a lei sobre estupefacientes. A exemplo da mefedrona, teremos um número crescente de substâncias que terão a sua comercialização na esfera criminal», esclareceu o governante, acrescentando que a «moldura penal será a mesma aplicada a qualquer traficante».
Já no que se refere ao consumo, a acção do Governo «incidirá na informação e esclarecimento».
Leal da Costa sublinha que aquelas lojas vendem «substâncias com efeitos tóxicos para o ser humano como sendo para outros fins».
A lista foi elaborada pelo Infarmed-Autoridade Nacional do Medicamento e será «consecutivamente alargada e actualizada de forma a acompanhar o ‘progresso’, bem nefasto, da produção de novas drogas», avança ainda o secretário de Estado.
A criminalização é a resposta do Governo a números «alarmantes»: o último relatório revelou que em apenas um mês as autoridades de saúde registaram 34 casos de seriedade suficiente para determinarem internamentos, quase todos na esfera da psiquiatria.
O mais preocupante, sublinha Leal da Costa, é que a maioria dos internados tem menos de 30 anos, verificando-se «um pico aos 17 e casos, observados em hospitais, de jovens com menos de 14 anos», sobretudo em Lisboa e no Centro do país.
«Queremos acabar com o mercado de novas drogas ainda não ilegais ou, pelo menos, com o mercado que, sob a capa de ser legítimo, confere aos mais jovens e aos consumidores em geral a ideia de que não serão drogas perigosas. Por outro lado, o desconhecimento da composição de algumas destas substâncias aumenta o grau de dificuldade de intervenção médica», explica Leal da Costa.
A aplicação da nova lei será fiscalizada pela ASAE e pelas forças de segurança consoante o caso, em colaboração com a Direcção-geral da Saúde. O objectivo é «apertar a fiscalização para que as lojas só vendam produtos seguros e encerrar os estabelecimentos que sejam pontos de venda de drogas ilegais encapotados» – o que, na prática, deverá implicar o encerramento das smartshops, à semelhança do que aconteceu na Madeira.

FMI confirma recessão na zona euro. Portugal arrastado em 2013 - Dinheiro Vivo

FMI confirma recessão na zona euro. Portugal arrastado em 2013 - Dinheiro Vivo

O Fundo Monetário Internacional (FMI) acaba da lançar um alerta laranja relativamente à economia da zona euro e, indiretamente, um aviso sério a Portugal este ano, quando já se perfila um agravamento da recessão. O Banco de Portugal diz que vai ter o dobro da violência prevista até agora pelo Governo.A atualização do World Economic Outlook (relatório das perspetivas económicas mundiais), que acaba de ser divulgada, indica que a região da moeda única vai ter uma recessão de 0,2% este ano, o que coloca uma pressão negativa enorme sobre a recessão desde já prevista para Portugal este ano.
Espanha, o principal parceiro comercial e de investimento de Portugal, também sai pior no retrato: o FMI projeta uma recessão de 1,5%, menos uma décima face a outubro. A Alemanha, a maior economia do euro, está à beira da estagnação: deve crescer apenas 0,6% quando antes se apontava para 0,9%. França, o segundo maior mercado, deverá crescer só 0,3%.
O crescimento mundial continua a perder gás (cerca de 3,5%, menos uma décima do que há três meses). A zona euro é a economia avançada mais penalizada nesta revisão; os Estados Unidos também foram beliscados: crescerão 2%, menos uma décima face à previsão anterior.
A nota do FMI traz vários avisos específicos à Europa. "Na área do euro, o regresso da recuperação depois de uma contração prolongada está adiada". "Os riscos negativos continuam a ser significativos, incluindo retrocessos renovados na zona euro e riscos de uma consolidação orçamental de curto prazo excessiva nos Estados Unidos".
E insiste: "A zona euro continua a colocar riscos negativos grandes para as perspetivas globais. Em particular, os riscos de estagnação prolongada na zona euro irão aumentar no conjunto da zona euro se o ritmo das reformas não for mantido".
E avisa que os mais ricos devem ajudar os mais pobres, apesar de pugnar por um aprofundamento do ajustamento. "Os esforços de ajustamento dos países da periferia [Portugal, Grécia, Irlanda, Espanha] precisam de ser sustentados e têm de ser suportados pelos países do centro, incluindo através do desenvolvimento completo dos mecanismos de proteção europeus, a utilização da flexibilidade oferecida pelo Compacto Orçamental [Fiscal Compact] e novos passos na direção de uma união bancária completa e de uma maior integração orçamental".
No passado dia 15, o Banco de Portugal apresentou uma previsão de recessão de 1,9% para Portugal este ano (Governo, Bruxelas e FMI esperam -1%), que justificou com o facto de a procura interna dever evoluir pior do que esperado por causa do processo de ajustamento e com a forte revisão em baixa do ritmo de atividade da zona euro feita pelo BCE em dezembro.
O BCE previu uma contração em redor dos 0,3% na zona euro quando antes acreditava num ligeiro aumento da atividade. O BdP fez a ligação que faltava, integrando nas suas contas o novo cenário externo.
No boletim de inverno, reparou que "as atuais hipóteses traduzem uma revisão em baixa muito significativa do crescimento da procura externa em 2013 (cerca de 2 pontos percentuais) face ao considerado no boletim económico do outono". E que "a desaceleração em 2013 traduz um forte abrandamento da atividade nas economias da área do euro, que representam cerca de 2/3 dos mercados de destino das exportações portuguesas, não obstante a manutenção de um crescimento robusto nas economias de mercado emergentes", observou o banco governado por Carlos Costa.

O i tentou sobreviver um dia inteiro só com produtos portugueses | iOnline

O i tentou sobreviver um dia inteiro só com produtos portugueses | iOnline

Horas de acordar. Da cama à cozinha são uns passos, os suficientes para chegar ao balcão e encher um copo com água. Só com metade do caudal já bebido se desvenda a primeira falha: ao fundo do copo lê-se “Made in Bulgaria”, sinal da expansão de uma gigante multinacional de produtos domésticos. Nem um minuto tinha passado e já se infringia a linha traçada para o último sábado – ficar longe de tudo o que não fosse português ou produzido em Portugal.
Na cozinha, o objectivo definido tornou óbvios os primeiros desafios. Mais que o espaço de confecção, a cozinha é um reflexo do mesmo desequilíbrio que os euros causam na balança comercial portuguesa – houve mais dinheiro gasto a comprar produtos fabricados lá fora do que nos produzidos cá dentro. Entre Janeiro e Novembro de 2011, os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram uma diferença (ou um défice, se preferir) de 9 mil milhões de euros entre exportações e importações. E isto reflecte-se no pequeno-almoço, quando o pão teve de fugir à torradeira alemã e à manteiga francesa, e o leite foi bebido sem o frio do frigorífico norte-americano ou o quente que lhe daria o microondas sul-coreano. A regra imposta riscou quase tudo o resto: fogão, forno, máquina de café ou máquina de lavar roupa. O selo estrangeiro era comum a todos, e só um nome os tornaria utilizáveis: Meireles, a única marca portuguesa fabricante de electrodomésticos.
O próximo destino é a casa de banho, onde a tarefa se complicou. A toalha e o gel de banho eram de fabrico português, mas com pouco mais se pôde contar: o champô veio do Reino Unido, e holandesas eram a pasta e a escova de dentes. A barba ficou como estava, pois a máquina de barbear era norte-americana, e em prol da higiene quebrou-se a regra com o desodorizante, de etiqueta francesa.
Foi precisamente para etiquetas e códigos de barra que surgiu o apelo de uma iniciativa germinada em conversas de café. No Verão de 2005 surgia o Movimento 560, cujo apelido de três números, ao contrário do que muitos pensam, nem sempre é sinónimo e garantia de produção nacional. “A dúvida principal é sempre saber se o 560 [primeiro trio de número no código de barras] significa que o produto é nacional, ao que tentamos sempre que possível responder que é apenas um passo”, esclareceu ao i um deles, ao lembrar a necessidade de “verificar sempre a origem”. Apesar de hoje contar com mais de 11 mil fãs na sua página de Facebook, Pedro Cavaco considerou o consumo e o apoio de marcas portuguesas “algo que devia ser intrínseco”, pois, se assim fosse, “talvez não tivéssemos de atravessar problemas tão grandes como os actuais”. “Mais do que um dever, o incentivo ao que se faz por cá é uma necessidade”, acrescentou o co-fundador da iniciativa, que deu o mote a outras, hoje mais mediáticas.
A Compro o Que É Nosso, criada em Outubro de 2006 pela Associação Empresarial de Portugal, colocou um “P” com as cores nacionais nos produtos portugueses das mais de mil empresas aderentes. Ou a Portugal Sou Eu, lançada pelo governo em Dezembro, que se propôs “aumentar a produção nacional” e “criar condições para aumentar o número de empresas com potencial para exportar”. Na altura do seu lançamento, Carlos Oliveira, secretário do Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação, explicou que, “se num cabaz de compras de 100 euros de produtos importados passarem a ser comprados cinco euros de produtos” com a etiqueta da iniciativa, o impacto será de “pelo menos 700 milhões de euros anuais”.
Após o banho, a consulta ao armário é mais demorada que o habitual. As preferências estéticas são trocadas por um único critério: a busca de roupa fabricada em Portugal. A procura acaba com uma T-shirt outrora esquecida e uma velha camisola de lã, resgatada de uma loja de comércio local. Mas não foi imaculada: um par de ténis vindos do Vietname e umas calças de fabrico turco mancharam o registo. A visita matinal à cozinha resultara numa outra necessidade – a de visitar o mercado da zona em busca de almoço, face à interdição do fogão e do frigorífico. A caminho do mercado, e sem telemóvel ou relógio (de fabrico chinês), fico a saber que o dia já vai a meio pelas 12 badaladas que o sino da igreja faz ecoar nas ruas. Chegado ao destino, paro na banca de Aurora de Brito, comerciante com 60 dos seus 73 anos feitos no Mercado de Campo de Ourique. Lembra com saudade os tempos em que “as pessoas se atropelavam umas às outras” nos corredores, antes de falar com orgulho da sua banca, onde só as uvas – fora de época – destoam de uma variedade de frutas alimentadas durante todo o ano por alguns pomares situados perto de Alcobaça. Fala dos jovens, que acusa de “preguiça” e de “não saberem cozinhar”, uma de muitas queixas contra a tendência de migração de clientes para os supermercados. Num deles, a menos de 500 metros, as maçãs, espanholas e francesas, ou os alperces sul- -africanos vincam os sinais de importação na bancada reservada aos frutos e vegetais, que tinha tanto de português como de estrangeiro. Cabe às pessoas optarem. Uma opção cuja importância foi resumida por Pedro Cavaco: “Vivemos em sociedade e temos de compreender que existem preocupações e problemas que nos são comuns, e que a solução parte de um conjunto de atitudes que têm de ser partilhadas.”
O resto do dia é preenchido em casa, sem computador, internet, ou até luz artificial – candeeiros há vários, mas em todos havia lâmpadas de marca e produção estrangeira. O regresso ao passado fez- -se à luz de velas, que à falta de televisão e rádio (ambos japoneses) foram iluminando a leitura de jornais até ao jantar. A última refeição do dia faz-se fora, num restaurante perto de casa, confiando numa combinação apalavrada no dia anterior, sem direito a confirmação por telefone. A companhia aparece e a garantia é dada por quem serve: os produtos confeccionados vinham quase todos do mercado ali perto. À falta de carro ou táxi com prova de fabrico português, o regresso a casa foi pronto. Uma noite de sono depois, acordava num mundo que já não era exclusivamente português. Mas tinha regressado ao século xxi.

Petição para aumento do salário mínimo consegue assinaturas para discussão no parlamento | iOnline

Petição para aumento do salário mínimo consegue assinaturas para discussão no parlamento | iOnline

Uma petição para o aumento do salário mínimo conseguiu, numa semana, mais de 5 mil assinaturas, número que ultrapassa o necessário para que o tema seja debatido em plenário da Assembleia da República, disse um dos promotores.
"O salário mínimo que existe hoje não permite que quem o recebe escape ou esteja acima do limiar da pobreza", afirmou à Lusa o sociólogo José Soeiro, que é um dos promotores da iniciativa.
No texto do da petição -- que reúne 5362 assinaturas, sendo que a partir das 4 mil já o assunto tem de ser debatido em plenário parlamentar -- é explicado que Portugal tem o salário mínimo mais baixo da zona euro.
"Um em cada 10 trabalhadores vive abaixo do limiar da pobreza. Em 2010, o limiar da pobreza foi definido nos 434 euros. Hoje, depois dos descontos, os trabalhadores que auferem o salário mínimo recebem 431,65 euros líquidos, ou seja, ficam abaixo daquele limiar", adianta.
José Soeiro considera esta situação inadmissível até porque "viola o acordo de concertação social", que determinou um salário mínimo de 500 euros.
"Em 2006, o Governo e as confederações sindicais e patronais acordaram em concertação social que, em 2011, o salário mínimo chegaria aos 500 euros", explica o texto da petição.
"Todavia, aos primeiros sinais da crise, esse acordo foi violado e o salário mínimo ficou congelado nos 485 euros. Este incumprimento tem sido mantido, num contexto em que o seu valor está longe do que é preconizado na Carta Social Europeia, subscrita pelo Estado português, que estabelece que o salário mínimo líquido deve ser 60% do salário médio", adianta, acrescentando que se isso fosse cumprido, o salário mínimo ultrapassaria já os 600 euros.
"O aumento do salário mínimo é uma questão de combate à pobreza, uma questão de direitos humanos, na medida em que a pobreza é uma violação dos direitos humanos e da dignidade das pessoas", defende o sociólogo, acrescentando que "um pequeno aumento é também uma forma de estimular a economia e combater a lógica profundamente recessiva em que nos encontramos".
A petição -- que se encontra on-line - tem como base um manifesto publicado "há cerca de duas semanas" como texto de opinião e, "neste momento, já ultrapassou o número de assinaturas necessário para que o tema volte a ser discutido no parlamento", sublinha.
Por isso, "os promotores do texto entenderam agendar uma audiência com a presidente da Assembleia da República para entregar o texto e vão agendar um encontro com os parceiros sociais para expor os fundamentos deste manifesto".
Entre os principais signatários da petição encontra-se o presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, Alfredo Bruto da Costa, o presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, o diretor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, José Reis, os presidentes e diretora da Rede Europeia Anti-Pobreza, Jardim Moreira e Sandra Araújo.

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FMI revê em baixa perspectivas de crescimento para zona euro em 2013 | iOnline

FMI revê em baixa perspectivas de crescimento para zona euro em 2013 | iOnline

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu hoje em baixa as perspetivas económicas para a zona euro de 0,2 para -0,2% e salientou que os países europeus continuam a apresentar riscos para a conjuntura mundial em recuperação.
Na atualização das perspetivas económicas mundiais (‘World Economic Outlook’, em inglês), a instituição dirigida por Christine Lagarde considerou que “a zona euro continua a constituir um grande risco para a conjuntura global” e que, os riscos de uma estagnação prolongada na região da moeda única vão crescer se o ritmo de reformas não for mantido.
“Os esforços de ajustamento nos países da periferia devem ser mantidos e apoiados pelo centro, incluindo através da aplicação das barreiras europeias, utilização da flexibilidade oferecida pelo Compacto Orçamental e mais passos na direção da união bancária total e de maior integração orçamental”, escreveu o FMI.
As projeções do FMI apontam para uma contração da zona euro de 0,2% este ano, em vez da expansão de sinal inverso anteriormente esperada, enquanto 2014 deverá assistir a um crescimento de 1%.
“As condições globais de financiamento continuaram a melhorar no quarto trimestre de 2012. Porém, um largo conjunto de indicadores da produção industrial e comércio mundiais sugere que o crescimento global não foi fortalecido”, declarou o FMI.
As projeções para os Estados Unidos esperam um crescimento médio de 2% este ano, partindo do pressuposto de que vão ser tomadas “medidas robustas” aquando da próxima discussão orçamental naquele país.
O ligeiro otimismo demonstrado pelo título da atualização das previsões ("Subida gradual do crescimento global durante 2013") deve-se às economias de mercado emergentes, "onde a atividade cresceu como esperado", e aos Estados Unidos, "onde o crescimento surpreendeu pela positiva".

Pedido de melhores condições à troika foi "a decisão certa, no momento certo e com a companhia certa" | iOnline

Pedido de melhores condições à troika foi "a decisão certa, no momento certo e com a companhia certa" | iOnline

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, disse hoje que o pedido de Portugal para obter melhores condições de pagamento do empréstimo à troika foi "a decisão certa, no momento certo e com a companhia certa".
O ministro, que falava aos jornalistas à margem da assinatura de um protocolo com um consórcio de empresas tecnológicas, em Lisboa, acrescentou que se Portugal conseguir melhores condições ficará a dever-se em grande medida à forma como os portugueses enfrentaram os sacrifícios.  
Na segunda-feira, o ministro das Finanças português disse, em Bruxelas, que pediu aos ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo) a extensão dos prazos de maturidade dos empréstimos a Portugal, de modo a facilitar o regresso aos mercados, afirmando ter a "expectativa fundada" do apoio dos seus parceiros do euro.
Vítor Gaspar indicou, na altura, que sublinhou, perante os seus homólogos, o facto de Portugal ser um país "que cumpriu e que cumpre" os seus compromissos do programa de ajustamento, e que a "forte capacidade de execução" permite que o país esteja agora "prestes a poder realizar emissões no mercado primário de obrigações".

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