quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Passos já admite pagamento de "propinas" no secundário | iOnline

Passos já admite pagamento de "propinas" no secundário | iOnline

Passos Coelho garantiu que a Constituição não vai ser um problema para a reforma que quer levar a cabo na Educação que passa por criar um sistema mais “repartido”.

Em 2013 os portugueses vão ter um “enorme” aumento de impostos e em 2014 o cenário poderá repetir-se.
O primeiro-ministro não garantiu ontem em entrevista à TVI que iria reduzir os impostos, apenas assegurou que eles não podem ser “definitivos” porque “não são sustentáveis”. E para equilibrar a balança entre o que os portugueses pagam de impostos e o que o Estado dá, disse que ia fazer cortes permanentes na despesa que podem passar por criar “propinas” na Educação.
Em cima da mesa para o corte de “pelo menos” quatro mil milhões de euros na despesa pública estão mudanças no financiamento da Educação. Para Passos, a Constituição não trava mudanças no financiamento do sistema educativo que pode assim passar a ser semi-público com a introdução de co-pagamentos nos níveis de ensino que hoje são “gratuitos”. “Temos uma Constituição que trata o esforço do lado da Educação de modo diferente do da Saúde. Isso dá-nos alguma margem de liberdade na área da Educação para poder ter um sistema de financiamento mais repartido entre o que pagam os cidadãos e a parte fiscal, que é paga pelo Estado”, disse ontem. O Ensino Superior é actualmente o que é já sustentado neste modelo de co-pagamento através das propinas.
Além destas alterações, Passos assumiu que ainda há margem para melhorar na Saúde e que não é possível deixar de fora cortes nas prestações sociais: “70’% da nossa despesa é com pessoal e prestações sociais. Não é possível não ir às despesas com pessoal e com prestações socais”.
Cortes que são “para ficar”. Mas o primeiro-ministro admitiu que pediu mais três meses à troika (até ao Verão do próximo ano) para negociar as medidas e, caso haja alternativas às apresentadas pelo governo, pedir a sua substituição.
Rumo continua. Na entrevista à TVI, Passos Coelho não se quis comprometer com uma redução dos impostos, mas assegurou que “este nível de fiscalidade não se vai eternizar” o mesmo não é dizer que “não vai vigorar em 2014”. Aliás, o primeiro-ministro recusou ser portador de notícias que, disse, não pode dar: “Chegamos lá vivos. Mas vai custar muito. Nunca ninguém me ouviu dizer que ia ser pêra doce. Custa muito o desemprego”, lamentou.
Apesar de admitir erros nas previsões do governo nos cálculos da receita de impostos indirectos e IRC, que levaram a mais auteridade em 2013, o chefe do executivo recusou mudar de rumo e renegociar o Memorando de entendimento com a troika: “Não vou renegociar o Memorando. Nos termos que tem sido proclamado pelo PS representa ter um segundo programa. Dizer que temos mais tempo para os objectivos exige que Portugal esteja fora dos mercados durante mais tempo e se isso acontecer, temos de pedir mais dinheiro e temos de pedir um segundo programa”. E, dúvidas houvesse da sua intenção, salientou: “A ideia que conseguimos suavizar o nosso processo é absolutamente ilusória”.
Optimismo moderado até no que significam as novas que chegaram esta semana da Europa. O alívio das condições à Grécia, que se traduzem numa extensão do prazo do empréstimo e numa redução das comisssões pagas à troika, são “uma notícia positiva” para Portugal, mas a poupança para o país não é assim tão grande, disse.
Passos deu a entrevista à TVI um dia depois da aprovação do Orçamento do Estado para 2013. Com várias personalidades a levantarem a questão da constitucionalidade do document. Passos não se quis pronunciar sobre o que deve o Presidente fazer, disse apenas “confiar” em Cavaco Silva.
Confiança também no parceiro de coligação. Depois das polémicas em Setembro, Passos repetiu por várias vezes que a “missão” da maioria é “histórica” e deixou a garantia: “Apesar de tudo, o governo tem o cimento suficiente e garanto que não é entre o PSD e o CDS que se gerará uma situação de crise em Portugal”.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

"Piratas" roubaram dados da Agência de Energia Atómica - JN

"Piratas" roubaram dados da Agência de Energia Atómica - JN

A Agência Internacional de Energia Atómica informou, esta quarta-feira, que piratas informáticos tiveram acesso aos computadores da organização e difundiram através da Internet contactos de especialistas relacionados com a agência.
 
foto Joe Klamar/AFP
"Piratas" roubaram dados da Agência Internacional de Energia Atómica
AIEA pertence às Nações Unidas
 
Uma porta-voz da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Gill Tudor, disse que "alguns contactos" de especialistas que trabalham com a AIEA foram publicados, no domingo, na página de um pirata (hacker), sem ter especificado mais pormenores sobre o site.
De acordo com a agência Associated Press, piratas informáticos difundiram uma declaração no site Cryptome.org em que pedem uma investigação sobre o programa nuclear de Israel, Estado do Médio Oriente que não divulga o arsenal nuclear que possui e que não é signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear.
"A AIEA lamenta profundamente a publicação de informação roubada de um servidor antigo e que se encontrava encerrado há algum tempo", disse Gill Tudor, que acrescentou que estão a ser tomadas precauções no sentido de resolver as possíveis vulnerabilidades do sistema.
De acordo com a agência das Nações Unidas, com sede em Viena, equipas técnicas "continuam a analisar a situação e estão a fazer todos os possíveis" para garantir que outras informações se mantenham vulneráveis.

Gaspar promete país a crescer em 2014 - Politica - DN

Gaspar promete país a crescer em 2014 - Politica - DN

O ministro das Finanças encerrou o debate parlamentar do OE 2013 prometendo que em 2014 começará a crescer e que o desemprego retomará uma "trajectória descendente".
Discursando imediatamente antes da votação final da proposta - aprovada com os votos do PSD e do CDS e recebendo os votos contra de toda a oposição e de um deputado do CDS-Madeira -, Vítor Gaspar disse que em 2014 a economia estará a crescer (0,8% do PIB) e o desemprego "recuará", contando-se que em 2016 seja de 14,8% (menos cerca de um ponto percentual do que atualmente).
Segundo o ministro, a dívida pública começará a descer em 2015, sendo que já em 2014 o consumo privado aumentará.
O ministro encerrou o debate apelando novamente ao PS para que participe no debate nacional sobre a redefinição das funções sociais do Estado. Explorou supostas "divisões internas" entre os socialistas, colocando de um lado uma ala "radical e aventureira" e do outro um "lado, moderado, herdeiro de uma orgulhosa linhagem europeísta" responsável por um "contributo histórico" para a adesão de Portugal à CEE. Se o PS quiser ser "alternativa" não deve - desafiou o ministro - "alhear-se" do "enquadramento" que irá balizar "futuras legislaturas".
No debate das funções sociais do Estado, Gaspar apontou para uma manutenção da fidelidade ao "modelo social europeu". Mas acrescentou que "há escolhas importantes a fazer", devendo ser "alicerçadas nas incontornáveis restrições orçamentais" a que o país está sujeito.
O princípio geral, disse, deve ser o da valorização da "igualdade de oportunidades" e "a máxima prioridade deve ser colocada no investimento nas crianças e nos jovens" de forma a "assegurar índices aceitáveis de mobilidade social". É preciso, portanto, um "Estado de investimento social que promova o sucesso"
Na votação final, quatro deputados do CDS-PP anunciaram que irão apresentar declarações de voto (José Ribeiro e Castro, Adolfo Mesquita Nunes e João Almeida - que votaram a favor da proposta - e Rui Barreto, do CDS/Madeira, que votou contra).
O debate final ficou marcado pelas explicações que o CDS deu para o facto de, embora contrariado, ter votado a favor do OE 2013.
Telmo Correia fez um discurso de 'ou a aprovação ou o caos". Em última instância o chumbo da proposta poderia expulsar Portugal da moeda única:"A instabilidade orçamental levaria inexoravelmente ao fim do financiamento, à impossibilidade de pagar sálarios e, no limite, à saída do euro", disse. Acrescentando que "a casa de habitação ou as pequenas poupanças de milhões passariam a valer menos de metade".
"É por isso e não por outra qualquer razão de ordem política ou táctica, que a nossa consciência e o nosso sentido de responsabilidade determinam a aprovação do Orçamento", explicou, dizendo ainda que este é o Orçamento "possível".
Já Pedro Pinto, deputado que representou a bancada do PSD, fez um discurso muito menos distanciado em relação à proposta governamental, dizendo que o seu partido a apoia de "forma inequívoca, porque se trata de um instrumento em que, simultaneamente, o rigor corrige o passado, a solidariedade atente ao presente e as políticas de crescimento servem o futuro". Sendo embora um orçamento "muito duro" ele "evita a tragédia", garantiu.
Pelo PS falou o secretário-geral do partido. António José Seguro reivindicou para Portugal condições iguais às que foram dadas à Grécia: "Mais tempo e menos juros", insistiu, exigindo também, mais uma vez, políticas de crescimento.
Neste debate foram ouvidas também declarações de pressão sobre o Presidente da República (PR) para que envie a proposta para o Tribunal Constitucional.
Se o PR não usar o TC estará a "trair o povo", disse Heloísa Apolónia, deputada do PEV. Recordando que em tempos Cavaco Silva disse que "o povo não aguenta mais austeridade", a deputada acrescentou: "Das duas, uma: ou o Presidente da República falou verdade e, consequentemente, veta o Orçamento, ou aquelas não passaram de palavras de circunstância para dourar os silêncio ensurdecedores que o Presidente nos vais habituando e, traindo o povo, promulga o Orçamento, demonstrando-se seguidor daquele banqueiro [Fernando Ulrich, do BPI] que enxovalhou os portugueses quando disse que o país aguenta mais austeridade."
Já Catarina Martins, a nova co-líder (com João Semedo) do Bloco de Esquerda, considerou que "este debate não é o encerramento do debate do Orçamento do Estado". "Este seria - acrescentou - o momento para o Presidente da República atuar. Porque este Orçamento é incompetente e inconstitucional."
Contudo, acrescentou, o BE não ficará "à espera que [o PR] o faça". E daí o apelo que se seguiu: "A oposição pode pedir a fiscalização da constitucionalidade do Orçamento. Apelamos a essa convergência."
Nos outros dois discursos da oposição - do PS e do PCP - não constou nenhuma referência ao papel que o Presidente da República terá depois da aprovação final do OE 2013.
O PCP, pelo seu lado, passou ao lado do PR. António Filipe explorou as divisões na maioria PSD/CDS, "em pré debandada". O OE 2013 - afirmou - é o pior "de que há memória" e o Governo "está moribundo".

Já só falta um mês: veja quanto precisa de acumular em faturas para poder descontar o máximo no IRS - Dinheiro Vivo

Já só falta um mês: veja quanto precisa de acumular em faturas para poder descontar o máximo no IRS - Dinheiro Vivo

Limite das deduções à coleta
Limite das deduções à coleta para 2012
D.R.

Faltam sete semanas para o ano acabar e convém que mantenha o hábito de reunir o maior número de faturas possível dos gastos com educação e saúdes, pois estes permitem-lhe continuar reduzir o seu IRS. A grande diferença é que este ano há pela primeira vez limites para todas as despesas e um valor global de deduções menos generoso. A casa também deixa de ter a importância que teve até aqui. No máximo terá direito a abater entre 1.100 e 1.250 euros- acrescendo a estes limites 10% por cada dependente.
LimitesAté agora, era permitido à generalidade dos contribuintes somar o conjunto das deduções a que tinha direito através das despesas de saúde, casa e educação e pensões de alimentos. Com a entrada em vigor do Orçamento do Estado para 2012, apenas os contribuintes com rendimentos anuais coletáveis até 7410 euros não são abrangidos pelo novo esquema de tetos máximos. Para os que se integram entre os 3º e 6º escalão, passa a haver um limite global para o qual concorrem todas aquelas despesas, sendo que estes tetos (entre 1100 e 1250 euros majorados em 10% por dependente) foram calculados de forma a que quem reúna o máximo de faturas com Educação já não consiga sequer beneficiar da totalidade da dedução permitida com o empréstimo ou a renda da casa ou abater as despesas com saúde.
SaúdeA generosidade fiscal com que até agora eram tratadas as despesas com a compra de medicamentos, aparelhos, consultas ou exames médicos sofreu um corte significativo em 2012, que vai ser pela primeira vez sentido quando em 2013 os contribuintes começarem a entregar a sua declaração do IRS. Até agora, era possível abater 30% destes gastos e sem qualquer limite, mas no início deste ano, a entrada em vigor do Orçamento do Estado mudou tudo: em vez de 30%, a dedução baixou para 10% do valor gasto e passou a ter valor limite de 838,44 euros (ao qual podem acrescer 125,77 euros por dependente para as famílias com três ou mais filhos).
Desta forma, por cada 100 euros gastos em saúde, pode apenas contar com 10 euros para abater ao seu IRS, em vez dos 30 autorizados até agora. Para se chegar ao limite referido seria, assim, necessário ter despesas de cerca de 8400 euros.
EducaçãoNesta dedução, o Governo manteve inalterado o valor máximo e a regra de cálculo para lá chegar, ou seja, cada agregado pode abater 30% das despesas com educação (do sujeito passivo e/ou dos seus descendentes) até ao limite de 760 euros (a que acrescem mais 142 euros por dependente para os agregados com mais de três filho). O problema é que este valor máximo passa a contar para o referido limite global de todas as deduções à coleta.
CasaA troika viu demasiada generosidade no esquema de deduções fiscais para quem está a pagar empréstimo da casa. A indicação passou da teoria à prática, de duas formas: apenas os juros podem ser usados para calcular esta dedução (até aqui a parte da prestação mensal que ia para a amortização do crédito também era aceite), como a prazo (em 2017) se prevê a extinção deste benefício. Este ano, podem ser considerados 30% dos juros dos empréstimos contraídos até 31 de dezembro de 2011, até ao limite de 591 euros.
Nas rendas os valores considerados são iguais, mas neste caso o benefício extingue-se em 2018.
Pensões de alimentosA dedução pelas pensões de alimentos continua a corresponder a 20% do valor pago, mas passa a ter um limite anual de 419,22 euros por beneficiário e por mês. Até agora o valor considerado eram 1048,05 euros. O problema não está tanto na redução para metade do limite mensal considerado, mas essencialmente no facto de também esta despesa passar a concorrer para o teto global das deduções à coleta.
Últimos escalõesAs famílias com rendimentos coletáveis anuais acima dos 66 mil euros já não poderão contar com as despesas de educação, saúde, casa, PPR ou seguros para abater ao seu IRS. Em 2011 experimentarem pela primeira vez a sensação do limite global que agora chega à generalidade dos contribuintes que pagam IRS, mas a partir deste ano, já não têm direito a beneficiar de nenhuma destas deduções.
Benefícios fiscaisEm 2011, os contribuintes a partir do 3º escalão de rendimento (de 74100 euros para cima) já sentiram uma forte redução nos valores de PPR, seguros e donativos que podiam abater ao seu imposto, porque naquele ano entraram em vigor um conjunto de limites globais (semelhante ao que agora entra em campo para as deduções à coleta). Na prática, e independentemente do valor dos prémios pagos ou das entregas para o plano-poupança reforma, cada contribuintes pode “descontar” ao seu imposto entre 100 a 50 euros.
Contas finaisAté 2011, uma família de quatro pessoas (asumindo dois filhos menores) com um rendimento coletável a rondar os 40 mil euros anuais, que tivesse durante esse ano gasto 3400 euros em saúde e conseguisse utilizar o máximo das deduções e benefícios previstos conseguiria abater ao seu IRS 2431 euros. Em 2012, conseguirá somente 1380 euros, o que significa que o habitual cheque de reembolso tem fortes probabilidades de desaparecer ou de sofrer um emagrecimento drástico no próximo ano, quando as contas referentes a 2012 ficarem concluídas.
Este sumiço do reembolso (ou aumento da fatura do IRS a pagar) terá de ser somado à forte quebra do rendimento disponível mensal que os pensionistas e trabalhadores por conta de outrem começam a sentir no início de 2013, quando entrarem em campo as novas tabelas de retenção na fonte que terão por referência o novo esquema de taxas e escalões de IRS.

Mar está a subir 60% mais depressa que o previsto | iOnline

Mar está a subir 60% mais depressa que o previsto | iOnline

Negociações climáticas recomeçaram esta semana no Qatar. Novo estudo reitera importância de um acordo.

“A ciência é clara: se não reduzirmos as emissões a curto prazo, antes de 2020 a oportunidade para evitar uma catástrofe climática – incluindo a perda de países inteiros – pode ser irrevogavelmente perdida.” O apelo de Marlene Moses, embaixadora de Nauru, a república mais pequena do mundo, fundada numa ilha de 21 quilómetros quadrados no Pacífico, foi um dos mais certeiros na abertura da conferência da ONU para as alterações climáticas em Doha. Ao terceiro dia das conversações, que vão prolongar-se até 7 de Dezembro, um novo estudo mostra como a presidente da Aliança dos Pequenos Estados Insulares, plataforma de 44 países não muito maiores que Nauru, tem razões para estar preocupada: o nível médio do mar está a subir mais depressa do que previam as hipóteses mais optimistas.
Em causa estão os cenários científicos na base das negociações entre os países, que este ano mais uma vez tentam debaixo do chapéu na ONU acertar metas para a redução de emissões de CO2. Estes cenários resultam de um esforço de colaboração internacional que reúne peritos de todo o mundo e foram actualizados pela última vez há cinco anos. O chamado Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, cérebro destes relatórios técnicos, já está a trabalhar numa nova versão dos relatórios, mas só são esperadas actualizações em 2014.
A ciência avançou entretanto, e no caso da subida do nível médio do mar é hoje praticamente certo que a hipótese de este subir no máximo 60 centímetros até ao final do século é uma subestimação grosseira do que irá passar-se. O novo estudo a confirmar esta suspeita, levantada nos últimos anos por diferentes equipas de investigação, é publicado hoje na revista “Environmental Research Letters”. Os investigadores do Potsdam Institute for Climate Impact Research, na Alemanha, usaram imagens de satélite para perceber até que ponto, face aos comportamentos climáticos actuais, as projecções do IPCC continuam válidas.
No caso do aquecimento global, tudo certo. Entre 1990 e 2011, os termómetros subiram em média 0,16oC por década, o que torna possível que o aumento de temperatura não exceda muito os 2oC até ao final do século. O pior cenário do IPCC aponta para os 4oC.
É a subida do nível médio do mar que desafia os modelos antigos. Após analisarem dados obtidos até 2011, os investigadores concluem que a subida está a ser 60% mais rápida do que ditavam as últimas projecções do IPCC, divulgadas na actualização de 2007. O IPCC previa que o cenário mais provável era uma subida de 2 milímetros por ano ao longo do século, quando neste momento – início da segunda década – ronda já os 3,2 milímetros. “Este estudo mostra mais uma vez que o IPCC é tudo menos alarmista. Na realidade, tem subestimado o problema das alterações climáticas. Isto serve não só para a subida média do mar, mas também para eventos meteorológicos extremos ou o degelo no Árctico”, disse o autor do trabalho, Stefan Rahmstorf.
Se as previsões podem ser impressionantes, e carecem agora de ser validadas por outros colegas, a referência ao Árctico e as últimas notícias sobre o degelo no Pólo Norte mostram o que Rahmstorf quer dizer quando se fala de subestimar: no relatório do IPCC previa-se que no final do século xxi os Verões no Árctico deixariam de ter gelo. Este Verão a camada de gelo no Árctico atingiu um mínimo histórico: 3,5 milhões de quilómetros quadrados contra os 4,17 milhões registados em Setembro de 2007. Peter Wadhams, especialista em círculos polares da Universidade de Cambridge, vaticinou mesmo que o gelo pode passar a derreter por completo em quatro anos.
Filipe Duarte Santos, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e o único cientista português editor do IPCC, faz parte do comité do painel que está a rever os capítulos sobre impacto das alterações climáticas. Mais centrado no impacto nas zonas costeiras, admite que este dossiê terá uma revisão significativa na próxima edição. “Os 60 centímetros estão ultrapassados. Até ao final do século vamos assistir a um aumento superior”, disse. Pelo menos um metro tem sido o número mais consensual e Filipe Duarte Santos sublinha que esta subida, conjugada com tempestades e outros fenómenos extremos, será um desafio complexo, também para Portugal. “Podemos esperar inundações na Baixa de Lisboa e menos praias no Algarve”, explica. No século passado, a um ritmo de 1,5 mm por ano, o mar subiu apenas 15 centímetros.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

EDP em segundo lugar em ranking das eléctricas mais "verdes" - PÚBLICO

Aposta nas renováveis colocam EDP e a espanhola Iberdrola no topo de um ranking de uma publicação internacional sobre energia. As barragens não contam.

A EDP é a segunda empresa mais verde do sector da electricidade a nível mundial, segundo um ranking de uma publicação internacional especializada na área da energia – a EI New Energy.
A EDP fica apenas atrás da espanhola Iberdrola, numa lista de 100 empresas de todo o mundo, responsáveis por 55% da produção eléctrica global.
O ranking baseia-se em três critérios – as emissões de CO2 (até 100 pontos), a percentagem e o volume de produção renovável (mais 100 pontos cada). Foram estes dois últimos critérios que colocaram a EDP e a Iberdrola no topo da lista. O grupo português é o que mais utiliza fontes renováveis, extrabarragens (35%). Obteve, por isso, a pontuação máxima. Já a Iberdrola é quem tem maior capacidade renovável instalada – 13,5 gigawatts, o equivalente a dez centrais térmicas de Sines.
A produção hídrica não está incluída na contabilidade das renováveis, “devido aos controversos impactos ambientais e sociais das grandes barragens”, explica a EI New Energy, uma publicação da empresa Energy Intelligence. Na prática, são considerados apenas os projectos das chamadas “novas renováveis”, como parques eólicos ou painéis solares fotovoltaicos.
Se as barragens também fossem consideradas nos critérios das renováveis, em primeiro lugar da lista estaria a brasileira Eletrobrás, que detém um enorme parque de hidroeléctricas. Em quarto ficaria a Yangtze Power, da China, do grupo China Three Gorges, que gere a polémica barragem das Três Gargantas, a maior do mundo. A China Three Gorges é, desde finais de 2011, dona de um quinto (21%) da EDP.
A produção hidroeléctrica vale, no entanto, para o primeiro critério do ranking da EI New Energy, o das emissões de CO2. Empresas que praticamente só gerem barragens ou centrais nucleares é que estão nas primeiras posições: as chinesas National Nuclear Corporation e Yangtze Power; a Energoatom, da Ucrânia; a Rosatom e a RusHydro, da Rússia; a Cemig, do Brasil; e a Hydro-Quebec, do Canadá.
No cômputo geral, no entanto, as empresas ibéricas ganharam a corrida. De uma pontuação máxima de 300, a Iberdrola ficou com 265 pontos e a EDP com 230.

Quantos países são precisos para prolongar o Protocolo de Quioto? - PÚBLICO

Começaram esta segunda-feira, no Qatar, as negociações para um sucessor para o Protocolo de Quioto, que expira no final do ano e regula as emissões de gases com efeito de estufa. Há pouco optimismo, mas muita urgência.

É preciso encontrar um sucessor para o Protocolo de Quioto, que termina no fim deste ano. É para isso que 190 países começaram esta segunda-feira uma reunião de dez dias em Doha, a capital do Qatar. Mas em causa estão apenas 15% das emissões de dióxido de carbono (CO2), pois muitos países excluíram-se já das negociações.
Os Estados Unidos, que representam 17,6% das emissões de gases com efeito de estufa em consumo energético a nível mundial, nunca ratificaram o Protocolo de Quioto assinado em 1975; o Japão, a Rússia e o Canadá retiraram-se entretanto. A Austrália, que durante muitos anos se manteve de fora, anunciou o seu envolvimento.
Assim, as negociações para o sucessor do Tratado de Quioto debruçam-se sobre as emissões da Austrália e da União Europeia — uma vez que o documento assinado em 1997 obrigava as nações mais industrializadas a fazer cortes nas suas emissões de carbono e, em traços largos, permitia aos países em desenvolvimento continuar a emitir.
Entre os países em desenvolvimento que ficaram isentos de reduzir as suas emissões, estão a Índia e sobretudo a China — a segunda economia mundial, que emite 26,3% dos gases com efeito de estufa em consumo energético, e portanto em algumas medidas é mesmo o maior emissor de CO2. Esta divisão é um foco de tensão permanente que tem impedido um acordo, com a União Europeia a tentar fazer uma ponte entre os países mais ricos e os que reivindicam o direito de emitir mais para se poderem desenvolver.
Mas a União Europeia chega a estas negociações com uma posição pouco vincada, porque já alcançou as suas metas de redução das emissões de gases com efeito de estufa, e oito anos mais cedo do que o previsto. O objectivo era reduzir em 20% as suas emissões até 2020, tendo como ponto de partida os valores de 1990. Uma vez alcançada a meta mais cedo, e ainda por cima num contexto de possível depressão económica, a EU não chega à mesa negocial com propostas inovadoras e arrojadas – nem deve canalizar mais fundos para a adaptação e mitigação dos efeitos das alterações climáticas.
Quanto aos EUA, após a sua reeleição, e após os efeitos devastadores do furacão Sandy na costa de New Jersey e Nova Iorque, e de uma seca terrível que destruiu a colheita de cereais durante o Verão e está a fazer subir o preço dos alimentos, Barack Obama, disse que se vai empenhar pessoalmente nas questões do clima — mas o Congresso não lhe é favorável.
À espera de quatro graus
Apesar de todos os problemas, os negociadores das Nações Unidas comprometeram-se a ter um novo tratado assinado até 2015, que entre em vigor até 2020 — o que não é cedo, com os cenários de cataclismos traçados pelos mais recentes relatórios científicos sobre as emissões de CO2 e os resultados que estão a ter sobre o planeta.
O horizonte a evitar a todo o custo nas conversações continua a ser que a temperatura média no planeta suba acima de 2º Celsius até 2100, em relação aos valores do fim do século XIX. Mas o CO2 que atiramos para a atmosfera atingiu tal quantidade que o mais provável é que a Terra fique já 4º mais quente em 2060, mesmo antes de 2100.
“Este mundo será tão diferente daquele em que vivemos que é difícil descrevê-lo”, avisa o presidente do Banco Mundial, o norte-americano Jim Yong Kim, no preâmbulo de um novo relatório apresentado na semana passada, a propósito da cimeira climática em Doha, que se prolongará até 7 de Dezembro.
O novo estudo do Banco Mundial afirma que “um mundo 4º mais quente desencadeará uma cascata de cataclismos”. São exemplos as secas, que não serão apenas na África Subsariana, mas também na Europa e nos Estados Unidos — a do Verão passado poderá ser só uma amostra —, ou a chegada de doenças como a malária — ou a dengue — a locais de onde há muito estavam ausentes.

Milhares de pessoas contra orçamento à porta do parlamento | iOnline

Milhares de pessoas contra orçamento à porta do parlamento | iOnline

Milhares de pessoas enchiam hoje às 11:30 as imediações da Assembleia da República, num protesto contra o Orçamento do Estado (OE) para 2013 que a maioria PSD-CDS/PP deverá aprovar no plenário.
Três marchas organizadas pela CGTP confluíram no largo frente à escadaria do edifício e o corpo da manifestação transbordou também para a rua de São Bento, calçada da Estrela e avenida D. Carlos I.
A mensagem nos cartazes e palavras de ordem é clara: Não ao orçamento e oposição à política do Governo.
Bernardete Francisco, cantoneira de limpeza da Câmara Municipal de Lisboa, em declarações à agência Lusa, defendeu que o Governo está a "destruir e a cortar tudo", da saúde à educação, a mandar trabalhadores para o desemprego e a condenar pessoas idosas à morte.
"Por isso, só se pode votar contra este orçamento de um Governo imoral, que está no poleiro por causa do voto do povo e que agora está a destruí-lo", afirmou.
Bernardete Francisco rejeita a tese de que "vivemos acima das nossas possibilidades" porque a ganhar 500 ou 600 euros por mês "não dá para isso, tem de se ter muita cautela para passar um mês e ainda ter dinheiro para comprar um bocado de feijão".
Apesar de o orçamento ter aprovação garantida, as pessoas "têm o direito de se manifestar porque é isso que diz na nossa constituição e quando chegar a altura do voto têm de ver bem em quem o põem", declarou.
Aludindo aos confrontos entre polícias e manifestantes no dia da última greve geral (14 novembro), Bernardete Francisco afirmou: "Deram mais atenção a umas pedrinhas do que àquilo que nos estão a tirar".
"Têm pena das pedras, mas não têm pena de andarmos a morrer à mingua", reforçou.
A cineasta Raquel Freire disse à Lusa que a partir do momento em que votem a favor do orçamento os deputados "deixam de ter legitimidade" para representar o povo.
"Este orçamento representa uma política criminosa, prejudica todos os portugueses e está a destruir o que esta sociedade tem de democrático, ou seja, os direitos sociais mais básicos", lamentou.
"Nunca vi um Governo que tivesse tanto desrespeito pelo sacrifício tremendo que tantas pessoas estão a fazer", referiu, defendendo que o executivo tem de se demitir, porque "vai fazer aprovar um orçamento que vai contra a Constituição" portuguesa.
Raquel Freire acrescentou que uma crise democrática "só se resolve com mais democracia". Por isso, "é preciso fazer eleições e ouvir o povo".
Todo o espaço em volta da Assembleia da República está vedado com grades, colocadas pela PSP, que tem no local um dispositivo visível de dezenas de agentes, colocados quer junto às grades, quer na escadaria do parlamento.
Sindicatos, professores, movimentos sociais, agricultores, reformados e estivadores concentram-se junto à Assembleia da República para contestar a aprovação final OE.

Orçamento aprovado. E agora? | iOnline

Orçamento aprovado. E agora? | iOnline

A Assembleia da República aprovou hoje, em votação final global, o Orçamento do Estado para 2013, com os votos favoráveis da maioria PSD/CDS-PP, à excepção de um deputado centrista, que votou contra.
O Orçamento do Estado seguirá agora para promulgação após a redacção final. Depois da recepção do documento em Belém, o Presidente da República tem 20 dias para decidir se o promulga.
De acordo com a Constituição da República, o Presidente da República pode ainda suscitar a fiscalização preventiva da constitucionalidade no prazo de oito dias.

Reacções

A líder do Bloco de Esquerda Catarina Martins apelou hoje à “convergência” da oposição para que o Orçamento do Estado seja avaliado pelo Tribunal Constitucional. “Este seria o momento para o Presidente da República actuar. Porque este orçamento é incompetente e inconstitucional. Mas não ficaremos à espera que o faça. A oposição pode pedir a fiscalização da constitucionalidade do Orçamento do Estado. Apelamos a essa convergência”, disse a deputada no discurso inicial pelo Bloco de Esquerda.

A CGTP sublinhou esta manhã que o processo de aprovação do Orçamento do Estado para 2013 "não se encerra hoje", vai seguir para Belém, e apela ao Presidente da República para que "tenha em consideração aquilo que disse".
O ex-secretário Geral da CGTP Carvalho da Silva defendeu hoje a necessidade das manifestações para conseguir a demissão do Governo e a intervenção do Presidente da República para travar o Orçamento do Estado de 2013.

Gaspar confirma: Portugal vai beneficiar das medidas da Grécia - Dinheiro Vivo

Gaspar confirma: Portugal vai beneficiar das medidas da Grécia - Dinheiro Vivo

Os ministros das Finanças da zona euro decidiram alongar em 15 anos o período de maturidade dos empréstimos do FEEF à Grécia e em 10 anos para os empréstimos bilaterais. Vítor Gaspar confirmou hoje que Portugal irá beneficiar destas medidas, tal como Jean Claude Juncker já tinha feito."Portugal e a Irlanda serão de acordo com o princípio de igualdade de tratamento, beneficiados pelas condições abertas no quadro do mecanismo europeu de estabilidade financeira", afirmou Vítor Gaspar, no discurso que encerra o debate em torno do Orçamento do Estado 2013.
As decisões para a Grécia foram tomadas esta madrugada de forma a facilitar o pagamento e cumprimento das metas estabelecidas para o país. O presidente do Eurogrupo também garantiu que o novo modelo decidido em torno do empréstimo para a Grécia também podem ser aplicadas a Portugal e Irlanda, ambos sob programa de assistência financeira. “As mesma regras” também serão aplicadas aos aos dois países, assegurou Jean-Claude Juncker, no final da reunião em que os