quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Mais de 500 idosos em Lisboa precisam de apoio urgente | iOnline

Mais de 500 idosos em Lisboa precisam de apoio urgente | iOnline

Levantamento da Santa Casa da Misericórdia revela aumento de casos de pessoas fechadas em casa e a passar fome.

Só casos a exigir intervenção urgente são 542. No âmbito do programa Intergerações, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) encontrou idosos fechados em casa há vários anos, idosos a passar fome, idosos que precisam de ajuda para realizar as tarefas básicas e idosos com sintomas depressivos – situações que se dispersam por várias freguesias da cidade de Lisboa, muitas das quais nunca tinham sido detectadas.
Desde Março deste ano, e durante três meses, 57 recém- -licenciados percorreram as ruas dos bairros lisboetas para, através de inquéritos aos moradores, fazer um levantamento dos casos de idosos isolados e a precisar de apoio. Nesse levantamento, as equipas da SCML encontraram pessoas que “nunca foram a lado nenhum, nunca pediram nada a ninguém. Alguns são os ‘novos pobres velhos’ que aparecem à janela como sempre, com a postura de outros tempos, sem que se perceba que, dentro de portas, tudo se alterou para pior”, refere o texto de introdução do documento, assinado por João Marrana.
Santa Maria dos Olivais é de longe a freguesia com maior número de casos detectados a exigir intervenção urgente (77). A seguir surgem São João, com 39 situações graves, Marvila (29) e Santa Engrácia, com 24. As equipas chegaram à conclusão de que quem precisa tem “mais dificuldade e vergonha de o admitir e mais dificilmente procura apoio” e encontraram situações de idosos que não tinham saído de casa nos últimos sete anos. As situações que exigem “intervenção urgente” foram encaminhadas para o gabinete de apoio social da SCML, mas a instituição refere que há mais casos “preocupantes que carecem da mesma atenção e respostas”.
o programa Inicialmente, o Intergerações pretendia realizar 21 mil inquéritos em toda a cidade. Mas depois de partir para o terreno a realidade acabou por se revelar mais complexa, resultando em quase 23 mil questionários, realizados em parceria com as juntas de freguesia e muitas associações da capital.
As necessidades mais frequentes, num total de 135, prendem--se com a necessidade de apoio alimentar, para higiene pessoal ou apoio domiciliário. Há as também graves situações de isolamento (82), de problemas de saúde (81) e de precariedade nas condições de habitação e segurança (67).
IMUNIDADE AUTÁRQUICA Não pode existir, segundo António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa. No debate da assembleia municipal “sobre o estado da cidade”, o autarca defendeu que “nesta altura de crise, a cidade não pode ser imune ao quadro em que nos inserimos”.
Da subida dos números do desemprego ao “número crescente de pedidos de acesso à habitação” municipal, vários são os sinais detectados por António Costa para concluir que “a situação social” se tem agravado, o que se traduz numa “maior pressão sobre o município” e sobre os apoios concedidos.

Gaspar promete que desvios em 2013 serão compensados com cortes extra na despesa | iOnline

Gaspar promete que desvios em 2013 serão compensados com cortes extra na despesa | iOnline

Plano B para compensar desvios prováveis avaliado em 831 milhões de euros, “quase exclusivamente” na despesa.

Se forem necessárias medidas de contingência para compensar um desvio orçamental no próximo ano, incidirão “quase exclusivamente” do lado da despesa pública, garantiu ontem o ministro das Finanças, Vítor Gaspar. Para já, o governo adianta que, ao abrigo de um plano B exigido pela Comissão Europeia para a eventualidade de um desvio, está reservado um valor equivalente a 0,5% do PIB (831 milhões de euros) para medidas contingentes do lado da despesa.
“A serem necessárias, estas medidas contingentes serão predominantemente, ou até quase exclusivamente, do lado da despesa”, afirmou Vítor Gaspar no primeiro dia de debate parlamentar sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2013 (OE/2013). Horas antes, na sessão da manhã, o primeiro-ministro indicara o valor de 0,5% do PIB para o lote de medidas de emergência. As poupanças adicionais sairão do trabalho de identificação de rubricas passíveis de cortes mais aprofundados, de onde deverão também sair os 4 mil milhões de euros de redução de despesa em 2013 e 2014 com que o governo se comprometeu perante a troika e o parlamento.
A probabilidade de ocorrerem desvios é muito alta. “Os riscos para o cenário macro-económico e os objectivos orçamentais são significativos e enviesados para uma revisão em baixa”, aponta o FMI no relatório da quinta avaliação regular do programa de ajustamento, publicado a semana passada.
O FMI realça que as projecções orçamentais são conservadoras, assumindo já o impacto económico mais profundo da correcção orçamental e externa na economia (medido nos chamados “multiplicadores”). Contudo, vários observadores – especialistas em contas públicas e fiscalidade, portugueses e estrangeiros – têm criticado a falta de realismo das projecções que servem de base à proposta de OE/2013. Os pontos mais apontados são a previsão de contracção de “apenas” 1% (que, a ser pior, terá impacto directo nas contas da Segurança Social e da receita fiscal) e a projecção de crescimento simultâneo das receitas de impostos directos (com o forte aumento no IRS) e indirectos (sobre consumo).
As críticas sobre 2013 surgem numa altura em que o governo assume que nas contas de 2012 foi criado um buraco orçamental de cerca de 3 mil milhões de euros do lado da receita fiscal. Metade da correcção em 2013 serve para compensar o desvio orçamental de 2012.
No relatório da quinta avaliação publicado pelo FMI, a instituição realça que o fosso aberto do lado da despesa – sobretudo por via da quebra do consumo – é estrutural, ou seja, acompanha a quebra também permanente do nível do consumo privado no país. Para compensar este recuo permanente e inesperado para o governo (que reviu duas vezes as previsões de receita para 2012), o primeiro- -ministro antecipou a reforma estrutural da administração pública (com incidência sobre o Estado social – ver debate nas páginas 18 e 19).
O debate sobre os cortes estruturais de despesa em 2013 e 2014, bem como a garantia de compensar desvios prováveis pelo lado da despesa, tentam cumprir as orientações da troika – que quer ver cortes definitivos nos gastos (por oposição a medidas temporárias, como a suspensão do 13.o e 14.o mês na função pública) – e de aplacar a contestação do parceiro de coligação, o CDS. A consolidação orçamental em 2013 far-se-á 81% pela via do aumento dos impostos. Ontem, Vítor Gaspar voltou a insistir que em 2011 e em 2012 houve um corte de 10 mil milhões de euros na despesa (embora com forte influência de medidas não permanentes, como o corte dos subsídios, que vale 45% da redução da despesa corrente sem juros).

Furacão Sandy já matou 48 pessoas nos EUA, 18 em Nova Iorque | iOnline

Furacão Sandy já matou 48 pessoas nos EUA, 18 em Nova Iorque | iOnline

O furacão 'Sandy' matou 48 pessoas à sua passagem pelos EUA, incluindo 18 em Nova Iorque, a maioria devido a árvores que caíram, noticiaram as agências internacionais, que reportam 8,2 milhões de casas e empresas sem eletricidade.
"Foi uma tempestade devastadora, talvez a pior que assistimos", disse, citado pela agência AP, o presidente do município de Nova Iorque, Michael Bloomberg.
Por causa do 'Sandy', que matou uma pessoa no Canadá e 67 nas Caraíbas, a campanha eleitoral para as presidenciais norte-americanas ficou suspensa, a uma semana do escrutínio.
Em Nova Iorque, a bolsa manteve-se fechada pelo segundo dia consecutivo, reabrindo na quarta-feira. O metropolitano ficou gravemente afetado, com os piores estragos desde há 108 anos, devendo retomar o serviço dentro de quatro a cinco dias.
Na 'cidade que não dorme', uma grande parte dos túneis e pontes continua fechada, tal como teatros, escolas e os três maiores aeroportos, com a companhia United Airlines a cancelar mais de 15 mil voos.
Num hospital local, 200 doentes tiveram de ser transferidos para outras unidades, depois de uma falha no gerador.
*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa
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Função pública à lupa. Suplementos acrescentam em média 30% aos salários no Estado | iOnline

Função pública à lupa. Suplementos acrescentam em média 30% aos salários no Estado | iOnline

Sistema de Informação da Organização do Estado faz um ano. Quantos são os funcionários públicos é hoje uma questão de resposta mais fácil.

O que separa a carreira no Estado com o maior e o menor vencimento base, antes de qualquer desconto? Em Abril deste ano eram 3458 euros. No topo estão os magistrados, com 4080 euros, e no fundo assistentes operacionais, auxiliares ou aprendizes, com 621,7 euros. Há um ano estes números não existiam. Como também não era possível perceber que prémios, subsídios ou horas extra acrescentam em média 30% aos salários-base dos funcionários públicos. A remuneração dos diplomatas é a que mais sobe quando se têm em conta os suplementos: passam a estar no topo da tabela, com ganhos médios mensais de 8124 euros – o salário cresce 252%. Mas para os guardas prisionais, por exemplo, representam também receber mais 79% que o base – 1012 euros passam a ter ganhos mensais de 1816 euros.
Os números surgem na Síntese Estatística do Emprego Público (SIEP), com dados para o segundo trimestre. Há um ano, a 31 de Outubro, a lei que institui esta publicação, criando e regulando o Sistema de Informação da Organização do Estado, era enviada para promulgação. Resultou de uma exigência do Memorando da troika: haver informação actualizada trimestralmente sobre pessoal do Estado, com motivos para as entradas e saídas e também salários médios praticados. A proposta de lei, apresentada pelo governo na Assembleia da República, salientava a importância deste novo mecanismo: a existência destes dados, além de permitir uma monitorização mais sistemática dos recursos humanos do Estado e mais transparência na informação, seria um “factor essencial para a tomada de decisões fundamentadas, céleres, eficazes e eficientes”.
São agora os números do SIEP que permitem estimar o que representa um corte de 50% nos contratos a prazo na função pública, medida prevista no Orçamento de Estado para 2013. A 30 de Junho havia 85 640 funcionários no Estado com este vínculo laboral, 15% do total. Mas os dados permitem recuar até 31 de Dezembro de 2010, quando eram 94 473 os funcionários com contratos a prazo, o que significa que desde então houve um corte de 9%. Os contratos por tempo indeterminado também diminuíram desde então, de 459 816 mil para 450 161. Tudo somado, a administração pública contava em Junho com menos 18 488 trabalhadores que no final de 2010. O Ministério da Defesa Nacional foi o que perdeu mais pessoal entre 2010 e o final de 2011, 8,5% (menos 3851 trabalhadores). Já nos primeiros seis meses deste ano, a maior quebra em percentagem regista-se no Ministério da Justiça (de 5,4%). Ainda assim, é o Ministério da Educação que regista a maior variação em número de trabalhadores: são menos 3636, a somar a uma baixa de 2381 em 2011.
Os salários A análise dos salários médios, quando os vencimentos dos funcionários públicos são mote de conversa, são contudo uma novidade. O i contactou a Direcção-Geral da Administração e do Emprego Público, que respondeu que não existem dados comparáveis para períodos anteriores com estes que agora são disponibilizados. Assim, o mais que é possível recuar é a Outubro de 2011, quando o ganho médio mensal na função pública eram 1589,8 euros. Em Abril, o último mês disponível (dados provisórios), a queda tinha sido de 11,6 euros (–0,7%). Mas isto é a média, e há carreiras em que a talhada foi maior: os diplomatas perderam neste período 520 euros. Por outro lado, os ganhos médios mensais na Polícia de Segurança Pública registam um aumento de 4,4%. São mais 71,7 euros, 1718 euros.
Tendo em conta esta tabela dos ganhos médios mensais (que incluem suplementos), os representantes do poder legislativo, que incluem membros de órgãos executivos, são a décima carreira mais bem remunerada nas 31 discriminadas, com ganhos mensais na ordem dos 2722 euros. Aqui, contudo, é preciso atentar nas diferenças de rendimento entre quem trabalha sob a alçada da administração central, regional ou local. Em média, deputados, membros do governo e outros representantes integrados na administração central têm como ganho mensal 5686 euros, valor que os deixa no segundo lugar dos mais bem remunerados numa tabela comparável: abaixo dos diplomatas e acima dos magistrados. Já na administração regional (Madeira e Açores) e local, o ganho médio mensal cai para metade (2631 euros) e já fica abaixo do que auferem dirigentes superiores ou intermédios.
Olhando só para o ganho médio mensal no conjunto da administração pública, diplomatas, magistrados, dirigentes superiores, conservadores e notários, médicos, docentes do ensino universitário e pessoal de investigação científica são quem mais ganha: acima dos 3 mil euros.

31 500 bens penhorados vendidos pelo Fisco | iOnline

31 500 bens penhorados vendidos pelo Fisco | iOnline

O número de penhoras a contribuintes com dívidas fiscais tem crescido a um ritmo galopante nos últimos anos. 2012 não será excepção e deverá registar um novo máximo e, mais uma vez, o governo deverá superar os objectivos traçados para a cobrança coerciva anual, estimados em 1100 milhões de euros. Para já, a venda de quotas penhoradas em sociedades comerciais ultrapassou os valores globais de 2011.
De acordo com as estatísticas da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), desde o início do ano e até ontem foram vendidos no total 31 557 bens penhorados, entre imóveis, automóveis, partes sociais em empresas e outros rendimentos.
As vendas representam, no entanto, uma ínfima parte do total de penhoradas marcadas pelo fisco. Isto porque só cerca de 20% das penhoras chegam a consumar-se, enquanto os restantes 80% dos contribuintes regularizam a sua situação tributária quando confrontados com a execução fiscal. Assim que os devedores pagam as dívidas, a Autoridade Tributária cancela as operações e levanta as penhoras.
Este ano foram vendidas 62 participações sociais em empresas, superando as 58 registadas em todo o ano de 2011. Neste momento, o fisco tem em curso a venda de mais 12 quotas comerciais. O preço de base de venda das participações sociais em empresas varia entre um euro para uma quota avaliada em mais de 20 mil euros numa sociedade de construção em Silves e os 180 mil euros também numa empresa do sector da construção metálica em Vila Nova de Famalicão.
À melhor oferta As vendas são realizadas através de três modalidades: proposta em carta fechada, negociação particular e leilão electrónico. Todo o tipo de bens marcados para venda pelas Finanças apresentam um desconto de 30% face ao valor de avaliação do bem. Apenas numa última tentativa de venda de um banco (quando não se teve qualquer proposta válida nas tentativas de venda anteriores) não existe esse valor-base. Uma pesquisa no portal de venda electrónica de bens penhorados revela que existem 287 bens sem preço-base de venda. Ou seja, são adjudicados à melhor oferta. Tal mostra o fracasso das Finanças na alienação de determinado tipo de bens, mesmo com o desconto de 30% nas primeiras iniciativas de venda.
Cobrança coerciva Ainda assim, a cobrança coerciva está a 200 milhões de atingir o objectivo fixado pelo governo para este ano, 1100 milhões de euros. Nos últimos anos, a Autoridade Tributária tem conseguido ultrapassar as metas traçadas na recuperação de dívidas fiscais. Os resultados são alcançados por duas vias: o pagamento das dívidas pelos contribuintes quando confrontados com a marcação da penhora e a venda dos bens que não escapam à execução fiscal.
Para 2013, o Orçamento do Estado estima uma estabilização do valor da dívida dos contribuintes alvo de execução fiscal. O executivo prevê “proceder à reforma do sistema de penhora de contas bancárias, estabelecendo que apenas poderá ser penhorado o montante específico em dívida no processo de execução fiscal”. A Autoridade Tributária vai clarificar os casos em que dispensa os contribuintes do pagamento de coima e será introduzido um novo regime de regularização em sede de IVA, relativamente a créditos de cobrança duvidosa
Imóveis Os imóveis lideram, à semelhança de anos anteriores, as penhoras. Este ano foram postas à venda 24 396 casas. A média diária de 80 casas representa um agravamento de 21% face à média de 66 em 2011. O fisco tem em curso a venda de mais 2 mil imóveis e 19 estabelecimentos comerciais. O maior número de casas à venda localiza-se no distrito de Lisboa (582) e do Porto (298).
São 78 os imóveis que estão disponíveis para ser comprados pelo preço da melhor oferta, de diversas tipologias e disponíveis em diversas zonas geográficas. E 24 imóveis têm como base de licitação o valor simbólico de um euro.
Os outros valores e rendimentos, como por exemplo móveis ou máquinas, já contabilizam 5787 vendas, enquanto o número de automóveis penhorados já ultrapassa os 1300. Estão disponíveis carros de luxo, como BMW, a partir de 17 500 euros, e veículos da marca Audi com o preço base de licitação de 12 600 euros. Devido à rápida desvalorização dos automóveis, é nos carros de luxo que o fisco consegue encaixar mais dinheiro.
Em 2011 foram vendidos 1811 veículos, entre os quais estavam carros de alta cilindrada, como quatro Jaguar e quatro Lamborghini, dois Ferraris e um Rolls Royce.
Oportunidade A crise de uns pode ser uma oportunidade para outros. É possível comprar às Finanças bens a um preço totalmente simbólico, fazendo bons negócios. Em regra, a primeira modalidade de venda é o leilão electrónico. Se não for conseguida a venda, o fisco faz uma segunda tentativa, pela modalidade de proposta em carta fechada, baixando o valor base para 50% da avaliação do bem. Se também na segunda tentativa não se concretizar a venda, será feito outro leilão electrónico, sem valor base de licitação e que decorrerá durante 20 dias. Todos os contribuintes podem apresentar propostas de compra, à excepção dos magistrados e dos funcionários da administração tributária. A Autoridade Tributária aconselha os contribuintes a observarem os bens que pretendem adquirir. Podem ser apresentadas várias propostas para o mesmo bem, desde que de valor igual ou superior ao valor base da venda e de valor superior à última proposta apresentada nessa venda.
Em caso de adjudicação do bem, o pagamento é feito no prazo de 15 dias. Porém, se a aquisição for de valor superior, os compradores podem pedir para pagar apenas parte do preço (não inferior a um terço), obrigando-se à entrega da parte restante no prazo máximo de oito meses.

Estudo revela que Anacom favoreceu Portugal Telecom no processo da TDT - Sociedade - PUBLICO.PT

Estudo revela que Anacom favoreceu Portugal Telecom no processo da TDT - Sociedade - PUBLICO.PT

A Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) "parece ter entrado em conflito com o dever de servir o interesse público, passando a defender efusivamente interesses privados" no processo de implantação da Televisão Digital Terrestre (TDT) em Portugal. Esta é a principal conclusão da tese de doutoramento apresentado na terça-feira, na Universidade do Minho, pelo investigador Sérgio Denicoli. O investigador aponta um grupo empresarial como o principal beneficiado: a Portugal Telecom (PT).

"O processo foi feito de uma forma deliberada para não funcionar, de modo a favorecer as empresas de televisão por cabo", disse ao PÚBLICO.

Denicoli analisou, entre 2009 e 2012, o número de clientes das empresas que operam no mercado da televisão por cabo e constatou que a PT, através do Meo, teve um aumento de 185,7% de clientes (de 385 mil para 1,1 milhão de assinantes). Por outro lado, a Cabovisão cresceu 5,5% e a ZON 0,37%. Contactada pelo PÚBLICO, a PT recusou fazer qualquer comentário.

Ilda Matos, porta-voz da Anacom - Autoridade Nacional de Comunicações, órgão responsável por acompanhar e fiscalizar o processo, disse ao PÚBLICO que "foi lançado um concurso público aberto e internacional para uma rede" e, sendo a PT a única concorrente, foi-lhe atribuída "a exploração e gestão da rede".

Campanhas "enganosas"
Na tese de doutoramento, Denicoli conclui que a campanha informativa sobre a TDT foi "insuficiente" e, em alguns casos, "enganosa". A Anacom promoveu uma publicidade com o lema "se não tem TV paga, tem de mudar para a TDT", facto que não é verdadeiro, segundo o autor: "A menção à TV paga induzia a um grave erro, pois muitas famílias, mesmo tendo TV paga num dos televisores, precisariam de receber a TDT noutro aparelho."

A Anacom não deu qualquer resposta ao PÚBLICO sobre esta afirmação.

Também as empresas de TV por cabo foram acusadas de transmitirem informação errada, o que levou a Anacom, em Maio de 2011, a publicar uma deliberação: "São proibidas as práticas comerciais que, por qualquer forma, induzam no consumidor a percepção de que para continuar a recepcionar os serviços de programas televisivos de acesso não-condicionado livre deve subscrever um serviço pago." Contudo, nenhum operador foi punido.

Denicoli considera que as campanhas falharam também na divulgação dos subsídios disponibilizados pela PT. Para além disso, vários dados relativos ao processo não foram revelados pelas entidades envolvidas, o que leva Denicoli a considerar que "a Anacom parece ter-se esforçado para ocultar alguns dados, entre eles o número de pessoas beneficiadas com os subsídios para a compra de descodificadores e de kits satélite, os critérios para o reforço da cobertura nas zonas de sombra". A Anacom contrapôs que distribuiu, nas caixas de correio, seis milhões de guias sobre os subsídios e divulgou a informação junto de órgãos locais.

Vantagens não-aproveitadas
Desde o início que a Anacom enalteceu publicamente as vantagens da TDT, nomeadamente pela "eficiência de utilização do espectro e de capacidade de transmissão". Ocupando menos espaço, defendia o regulador, podia reaproveitar-se o espectro radio-eléctrico para outro tipo de serviços de comunicações electrónicas (como o 4G) ou para aumentar a oferta de televisão (no número de canais), reforço da qualidade da emissão (por exemplo, com a alta definição) e introdução de novas funcionalidades de mobilidade e interactividade.

Porém, as vantagens publicitadas não foram concretizadas e, terminado o processo de migração para a TDT, Portugal é um dos países da UE que menos canais oferecem aos cidadãos. Ilda Matos admite a persistência de "problemas técnicos", mas salienta que a principal vantagem é que "toda a população tem acesso gratuito aos quatro canais concessionados".

O PÚBLICO tentou obter esclarecimentos junto dos gabinetes do primeiro-ministro e do ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, mas não obteve resposta.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

BNP Paribas vai contratar 200 pessoas em Portugal - Dinheiro Vivo

BNP Paribas vai contratar 200 pessoas em Portugal - Dinheiro Vivo

O BNP Paribas Securities Services Portugal, unidade do banco francês especializada na liquidação e custódia de títulos, lançado em 2007 com cinco pessoas e que conta já com 800 colaboradores, quer contratar mais 200 funcionários nos próximos dois anos.
Veja aqui as oportunidades de emprego

"O compromisso do banco é continuar a crescer e a criar postos de trabalho em Portugal. Quando iniciámos esta operação tínhamos cinco colaboradores e no plano de negócios inicial contávamos com uma expansão até aos 274 funcionários. Porém, hoje já temos 800 trabalhadores e o objetivo é criar mais 100 postos de trabalho em 2013 e mais 100 lugares em 2014", revelou à agência Lusa Fabrice Segui, diretor geral do BNP Paribas Securities Services Portugal.
Refira-se que o BNP Paribas conta atualmente com 1500 empregados em Portugal, 800 dos quais ligados à área de liquidação e custódia de títulos, ao tratamento de fundos de pensões e de investimento e à prestação de serviços a emitentes.
A provar esta intenção de continuar a crescer no mercado português está a recente aposta num novo edifício que possibilitará a esta unidade do banco empregar até 1400 pessoas. Neste momento, existem 600 colaboradores a trabalhar no Parque das Nações e 200 funcionários no edifício da Avenida Gago Coutinho, para onde foi transferida a área de suporte tecnológico da entidade.
"Temos um compromisso de longo prazo com Portugal, pelo que estamos a centralizar em Lisboa as competências para a Europa nesta área", explicou, sublinhando que a capital portuguesa foi escolhida pela relação única entre a gestão dos custos e a qualidade dos serviços.
"Vários países foram estudados antes de instalar esta operação. Na Europa, era importante ficar na Zona Euro e na área da Euronext [gestora pan-europeia das bolsas de Paris, Bruxelas, Amesterdão e Lisboa, bem como do mercado de derivados de Londres, que entretanto se associou à norte-americana NYSE]", afirmou Fabrice Segui, explicando que Lisboa apresenta ainda a vantagem de estar perto de Paris (sede do BNP Paribas) e de partilhar os valores culturais do país de origem do BNP Paribas.
A segurança, a qualidade das infraestruturas e dos recursos humanos, bem como a questão dos custos, levaram o banco a optar pela capital portuguesa, sublinhou, acrescentando ainda que o BNP Paribas já estava presente em Portugal, o que também ajudou à escolha.
Além da Europa, também o mercado brasileiro é assegurado através do trabalho desenvolvido em Lisboa, devido à questão linguística. As restantes operações na América do Norte e na América Latina estão concentradas na cidade norte-americana King of Prussia (Pensilvânia) e as asiáticas em Chennai, na Índia.
O BNP Paribas Securities Services Portugal é o centro operacional ['dual office'] que assegura a continuidade de serviços para a eventualidade de algum evento impedir as operações localizadas nos restantes países europeus (Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Itália, Luxemburgo, Jersey, Reino Unido, o próprio Portugal) e o já mencionado Brasil de prosseguirem o seu trabalho.
"Decidimos abrir um espaço para duplicar as atividades, para o caso de alguma coisa correr mal, o negócio não para", frisou o responsável.
O banco detém uma quota de mercado de 40% e o gestor vê "algum potencial para crescer", sendo que, para atingir os 50% ou 60% de quota será necessário envolver os bancos portugueses "que queiram aceder aos serviços de um 'player' [ator] global".
O BNP Paribas Securities Services Portugal prevê exportar serviços no valor de 160 milhões de euros ao longo de cinco anos, tendo Fabrice Segui avançado à Lusa que este ano o volume de exportação atingirá os 25 milhões de euros, depois de terem sido exportados serviços no valor de 20 milhões de euros em 2011 e de 15 milhões de euros em 2010.
"Estamos a planear crescer em 2013, 2014 e 2015", vincou, admitindo que a crise (especialmente grave em Portugal) "afeta um pouco a rentabilidade da operação".
Ainda assim, a recessão "não tem grande impacto no global da operação", disse, explicando que o modelo de negócio foi decidido antes da crise e que é um objetivo do banco estar bem implementado no mercado para beneficiar com a retoma económica que se seguirá a este período difícil.

Investigador diz que há "fortes indícios" de corrupção na implementação da TDT | iOnline

Investigador diz que há "fortes indícios" de corrupção na implementação da TDT | iOnline

O investigador da Universidade do Minho Sergio Denicoli afirmou hoje que há "fortes indícios" de corrupção na implementação da Televisão Digital Terrestre (TDT) em Portugal e sublinhou que o processo foi conduzido de forma a "não funcionar".
"Houve uma TDT planeada muito diferente da que foi implementada. Foram prometidos, por exemplo, muitos canais, mas ficou-se apenas pelos quatro que já existiam no analógico. Isso ocorreu por interferências políticas e económicas, o que nos leva a crer que pode ter havido a captura do regulador pela Portugal Telecom [PT], ou seja, a Anacom teria trabalhado em favor da PT", disse à Lusa o investigador.
Sérgio Denicoli defendeu hoje, na Universidade do Minho, a sua tese de Doutoramento em Ciências da Comunicação, especialidade de Sociologia da Comunicação e da Informação, intitulada "A implementação da televisão digital terrestre em Portugal".
O investigador sublinhou à Lusa que a PT foi, "de longe, a principal beneficiada" com a TDT, tendo conseguido 715 mil novos clientes para a MEO.
"Naturalmente, não interessava à PT que a TDT tivesse muitos canais e a entidade reguladora [Anacom] permitiu isso, beneficiando grupos económicos em detrimento do interesse público", referiu.
E acrescentou que, segundo a organização não-governamental Transparência Internacional, esta atuação configura "uma espécie de corrupção, pois utiliza algo público de forma a garantir lucros privados".
"Não posso afirmar categoricamente que houve corrupção, pois cabe à Justiça tal constatação, mas posso dizer que há fortes indícios e que é importante que as autoridades competentes façam uma averiguação", acrescentou.
O investigador disse que as questões técnicas não foram devidamente explicadas à população, numa estratégia "deliberada ou não" que serviu para "legitimar decisões contrárias ao interesse público", beneficiando sobretudo grupos económicos, cujos laços com o poder político são evidentes".
"No caso da Portugal Telecom, que receberia o direito de utilização de frequências da TDT, a ligação era mesmo simbiótica, oficializada por meio de ‘golden shares' do Estado na empresa e também através de ações da PT detidas pelo banco público Caixa Geral de Depósitos", afirmou.
Segundo Sergio Denicoli, a TDT que existe hoje em Portugal "foi feita para não funcionar, para apresentar falhas, para oferecer poucos canais e serviços interativos limitados, de forma a incentivar a migração da população para serviços de TV por subscrição".
O investigador referiu que, somente no período de implementação da TDT (2009 a 2012), a TV paga em Portugal cresceu mais de 32,3%.
"E estamos a falar de um período de crise económica. Isso, certamente, deve-se à fraca oferta da TDT. Hoje, o que verificamos é que o sinal da TDT apresenta falhas constantes, devido a erros técnicos que poderiam ser evitados", apontou.
Para o investigador, em Portugal, ao contrário do que acontece noutros países da União Europeia, "as autoridades públicas legislaram respondendo primordialmente aos interesses empresariais” e não se preocuparam sistematicamente com a população ou com a inclusão digital.
O país "não aproveitou a tecnologia disponível para proporcionar às pessoas uma televisão em sinal aberto de qualidade equiparável aos serviços de TV por subscrição, mesmo havendo plenas condições para tal", considerou.
"Os lóbis económicos, que, no caso português, parecem ser intrínsecos aos lóbis políticos, conseguiram fazer com que fosse estabelecido um modelo de TDT de qualidade muito inferior ao apresentado pela maioria dos países da União Europeia e muito aquém do que os operadores de TV paga ofereciam aos seus clientes", criticou.

Assunção Cristas: agricultores terão quarta-feira 300 milhões de euros de apoios à seca | iOnline

Assunção Cristas: agricultores terão quarta-feira 300 milhões de euros de apoios à seca | iOnline

A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, anunciou hoje que os agricultores recebem já esta quarta-feira cerca de 300 milhões de euros de apoios diretos autorizados pela Comissão Europeia no contexto das medidas de apoio à seca.
"Amanhã [quarta-feira] mesmo estarão na conta dos agricultores aproximadamente 300 milhões de euros. Estes 300 milhões de euros correspondem à antecipação de 50% dos pagamentos diretos autorizados pela Comissão Europeia, no contexto das medidas de apoio à seca num ano de grandes dificuldades para o setor, este pagamento resulta de um enorme esforço do Governo que lutou desde a primeira hora para a necessidade de se olhar para o problema que se viveu em Portugal devido à seca", disse a governante
Assunção Cristas, que fez uma intervenção já na fase final do primeiro dia de debate da proposta de Orçamento do Estado para 2013, deu conta ainda das dificuldades em executar este pagamento devido ao "sistema informático desajustado" que estará a provocar várias dificuldades na operacionalização destes pagamentos.
A ministra aproveitou ainda para relembrar os cortes aplicados em várias rubricas de despesa do Ministério da Agricultura, e que 54% do orçamento do seu ministério diz respeito a fundos comunitários.

Gaspar. Défice sem medidas pontuais fica nos 6%, desvio é causado pela conjuntura | iOnline

Gaspar. Défice sem medidas pontuais fica nos 6%, desvio é causado pela conjuntura | iOnline

O ministro das Finanças voltou hoje a reafirmar que o défice sem medidas pontuais ficará nos 6% do Produto Interno Bruto no final deste ano, atribuindo as causas do desvio apenas a efeitos decorrentes da conjuntura económica.
"Em 2012, a evolução da economia portuguesa condicionou os resultados orçamentais. A procura interna caiu mais que o previsto, a massa salarial também, sendo assim verificou-se um desvio muito significativa nas receitas fiscais e contributivas, ao mesmo tempo verificou-se um aumento das prestações sociais. Deste modo, não obstante a forte contenção da despesa pública, irá verificar-se um défice orçamental superior ao limite do programa. O saldo global, excluindo medidas pontuais, ficará em 6% do PIB", afirmou o governante.
Vítor Gaspar, que falava no Parlamento durante a sua primeira intervenção no debate sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2013, explicou ainda que estes efeitos da conjuntura económica levaram ao funcionamento dos chamados estabilizadores automáticos (pagamento de subsídios de desemprego e prestações sociais de forma acrescida devido ao aumento do desemprego, por exemplo) e que o Governo teve de permitir esta despesa acrescida, caso contrário os efeitos sobre a economia seriam ainda mais nefastos.
"Impedir o seu funcionamento [dos estabilizadores automáticos] corresponderia a agravar a queda da atividade económica e ao aumento do desemprego", afirmou o governante.

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