segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Na sede do partido neonazi Aurora Dourada à procura de um entrevistado - Mundo - PUBLICO.PT

Na sede do partido neonazi Aurora Dourada à procura de um entrevistado - Mundo - PUBLICO.PT

É um edifício estreito num bairro degradado, mas lá dentro respira-se confiança, daquela inabalável, sobretudo quando é recentemente adquirida. O PÚBLICO visitou a sede do partido neonazi que tem 18 deputados no Parlamento grego e viu nele a explicação para o seu sucesso meteórico.

A porta de entrada é estreita e pequena demais para os dez porteiros/seguranças que ali estão em amena cavaqueira. Vestem-se todos com t-shirts pretas justas da marca alemã Pitbull, para mostrar as horas investidas no ginásio. Falam em voz alta, a rir alto das piadas uns dos outros, enquanto dão palmadas nas costas e nos braços, todos tatuados, de quem estiver mais perto.

Quando o PÚBLICO se lhes dirige e pergunta, em inglês, se é possível falar com alguém do partido para agendar uma entrevista, os sorrisos transformam-se em sobrancelhas franzidas. “Eeeeh… espere aqui!”, diz um deles e entra no edifício.

Nos quinze minutos que passam até o porteiro voltar com novidades tentamos começar conversa com os porteiros que ficaram à entrada. Foi um esforço vão: poucos falam inglês e, os que falam, mostram-se pouco disponíveis para conversar com um jornalista estrangeiro.

Falar com o porta-voz do Aurora Dourada, Ilias Kasidiaris, estava fora de questão. Semanas atrás, este tinha agredido em directo uma deputada do partido comunista grego num debate televisivo e estava, paradoxalmente, a evitar fazer declarações públicas.

O porteiro volta e diz num inglês esforçado para esperarmos mais um pouco. Os minutos seguintes são passados a observar os graffiti de suásticas, do logótipo do Aurora Dourada e do slogan “Grécia para os gregos”, repetido intensivamente na longa parede que separa a rua da estação de comboios de Larissa.

De repente, ouve-se uma voz grave a cumprimentar os seguranças. O jornalista olha e vê que é Kasidiaris, o porta-voz da Aurora Dourada. Em vez dos habituais fato e gravata, agora que já é deputado no Parlamento grego, veste calças de ganga e uma t-shirt preta, da qual sobressaem os braços, onde tem tatuado o logótipo do partido neonazi num e a bandeira grega no outro. Sobe, com ar de quem tem pressa.

Comida e roupas quentes só para gregos

O porteiro encarregue de falar com o PÚBLICO torna a descer e diz “Eeeeh… olhe, suba comigo”. Sobem-se ao todo três andares até ao piso cimeiro do edifício.

No primeiro andar, estão empilhados caixotes, cada um com algo escrito em grego. “O que é que guardam aqui?”, pergunta o jornalista. “Eeeeh… guardamos comida e roupa para dar a gregos”, responde, nunca abrindo mão do “eeeh…”, que os gregos usam para preencher os segundos em que ainda não sabem bem o que dizer.

São estes os caixotes que o Aurora Dourada leva em carrinhas para várias praças, comprometendo-se a dá-los a cidadão gregos. De bilhete de identidade em bilhete de identidade, a Aurora Dourada sobe de popularidade entre os gregos por causa destas acções. Numa sondagem recente, de 7 de Setembro, publicada no jornal grego To Pontiki, 10,5% dos inquiridos disseram que se voltasse a haver eleições, votariam no Aurora Dourada – o que significaria uma subida de votos, após o já impressionante resultado de 7% nas últimas eleições, em Junho.

No segundo andar, voltamos a ver, entre outras pessoas, o porta-voz do partido, Ilias Kasidiaris, a falar com Nicholaos Michaloliakos, o fundador e secretário-geral do Aurora Dourada.

Michaloliakos, 54 anos, fundou o partido em 1993, após ter pertencido a outros partidos da extrema-direita. Falar do Aurora Dourada sem falar do seu presidente é como falar da Alemanha nazi e não saber quem foi Hitler. Quando o PÚBLICO o vê, Michaloliakos está a um quarto de hora de começar o discurso ansiado pelas quase 200 pessoas que se encontram no terceiro andar à sua espera.

No último piso vemos, numa escala menor, aquela que é a verdadeira base eleitoral da Aurora Dourada. Vêem-se sobretudo idosos, a maior parte mulheres. Muitas destas sentem-se inseguras nos bairros onde vivem e sempre viveram.

O perigo, dizem, à semelhança do discurso da Aurora Dourada, vem sobretudo dos imigrantes, na sua maioria africanos ou árabes. Assim, pedem ajuda a grupos de militantes do Aurora Dourada, os mesmos que estão a guardar a porta do prédio, que se oferecem para ajudá-las a ir às compras e a levantarem dinheiro do multibanco de forma segura.Estes “grupos de militantes” têm duas designações, dependendo da opinião de quem fala. Os eleitores e simpatizantes do Aurora Dourada chamam-lhes “vigilantes”. Aqueles que se opõem ao partido de Michaloliakos chamam-lhes “milícias”.

Imigrantes são atacados diariamente

Há relatos de estes grupos se juntarem durante a noite em várias praças de Atenas (com excepção de, entre outras, a praça Exarcheia, onde convivem sobretudo anarquistas e também redskins, isto é, skinheads comunistas) de onde partem geralmente de mota, aos pares. O condutor tem a tarefa única de conduzir até às zonas onde vivem sobretudo imigrantes, como Omonia, para depois o pendura, com um taco de baseball, atingir, de preferência na cabeça, os imigrantes por que passam. Também há relatos de ataques a imigrantes feitos em estações de comboio nos subúrbios de Atenas, de madrugada, quando estes se preparam para ir trabalhar no centro de Atenas.

Enquanto volta a esperar pelo porteiro que prometeu arranjar alguém do partido para agendar uma entrevista, o PÚBLICO vê também muitos homens de meia-idade, barba cerrada, pêlos do peito a fugir para fora da gola e roupas gastas, roupas de quem já não compra outras há muito tempo.

São a cara da classe baixa e média-baixa. Tempos houve em que pensavam que eram parte de uma classe média sólida e estável, que pela frente só tinham melhorias. Assim foi, também, com a Grécia geral, e com Atenas em particular, quando era uma das cidades mais in da Europa, aliando a História com a vida cosmopolita.

Aurora Dourada cresce com a frustação dos gregos

Apesar de estarem em maioria, não é só velhinhas e homens da classe baixa e média-baixa que o PÚBLICO vê entre aqueles que, daqui a pouco, se levantarão e aplaudirão o presidente do Aurora Dourada quando este entrar na sala. Vêem-se também crianças, adolescentes, mulheres cheias de jóias e outras, por volta dos 20 anos, que se vestem com calças de ganga justas, saltos altos, tops reduzidos com decotes generosos e unhas cor-de-rosa. Já ninguém olha para eles com suspeita e muito menos com surpresa.

Os tempos em que o Aurora Dourada era visto como um partido à margem da vida política, de radicais lunáticos, são parte do passado. Hoje o partido tem 18 deputados no Parlamento grego e, por isso, têm uma plataforma notável para espalhar a sua mensagem anti-imigração e nacionalista.

O porteiro, de botas da tropa calçadas, volta com cara de quem pede desculpa e diz: “hoje não vai dar para falar com ninguém, não está cá ninguém… se quiser falar com alguém, ligue depois de amanhã para estes números”, diz, pegando no caderno do jornalista para apontá-los.

“Agora vai ter de sair, não podemos ter jornalistas cá”, diz, a pouco tempo de o presidente do Aurora Dourada discursar. Encaminha o jornalista do PÚBLICO para a porta, e ri-se quando este lhe agradece e se despede em grego, tão bem quanto é possível a um jornalista estrangeiro na sede de um partido neo-nazi.

Dois dias depois, ligamos para os dois números e obtivemos o mesmo resultado: número não atribuído.

Secretária de Estado: Não haverá "mais financiamento nem segundo programa" - Dinheiro Vivo

Secretária de Estado: Não haverá "mais financiamento nem segundo programa" - Dinheiro Vivo


A revisão das metas do défice pela 'troika' não significa "mais financiamento nem um segundo programa",  disse hoje a secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque.

Num discurso perante a cerimónia do 40.º aniversário da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas, a secretária de Estado advertiu para as consequências de Portugal deixar de cumprir o programa da 'troika'.
"O não cumprimento das exigências do programa de ajustamento conduziria a uma interrupção súbita do financiamento externo - da 'troika', mas também via Banco Central Europeu, do financiamento em mercado, e do investimento direto estrangeiro", disse Albuquerque.
O fim do financiamento resultaria no "colapso" do Estado, acrescentou.
"As contas públicas ficariam instantaneamente equilibradas, pela pura impossibilidade de gastar mais do que se tem, mas à custa do não pagamento de pensões e salários e do provável colapso da estrutura da administração pública", afirmou Albuquerque. "Teríamos um retrocesso de décadas no bem-estar das pessoas, com uma estrutura social com muito menos apoio, nomeadamente ao nível familiar, que aquela que nos caracterizou no passado."
Quanto à possibilidade de um segundo programa de assistência, Albuquerque disse que não está sobre a mesa. De qualquer forma, acrescentou, um novo pacote de ajuda "só iria impor condições ainda mais duras de cumprir".
Apesar deste panorama negro, a secretária de Estado afirmou-se convencida de que "melhores dias virão" para Portugal.
"Precisamos de esperança", afirmou. "Vai ser difícil, e não vamos poder voltar ao Portugal [que havia antes] mas, no final deste duro caminho, teremos lançado bases sólidas para a prosperidade futura de Portugal."

Governo mantém previsão de 16% de desemprego para 2013 - Dinheiro Vivo

Governo mantém previsão de 16% de desemprego para 2013 - Dinheiro Vivo

O secretário de Estado do Emprego considerou que os números hoje divulgados, que apontam para uma taxa de 15,9% de desemprego em Portugal, em agosto, "são preocupantes", mas afirmou que a previsão de 16% para 2013 mantém-se."Os números do desemprego são muito preocupantes, mas o Governo mantém a previsão de 16 por cento" para 2013 e de 15,5 por cento para este ano, disse o secretário de Estado do Emprego, Pedro Martins, comentando os números hoje divulgados pelo organismo oficial de estatísticas da União Europeia - Eurostat, à margem de uma cerimónia no Instituto do Emprego e Formação Profissional, em Lisboa.
De acordo com esses dados, Portugal tem a terceira maior taxa de desemprego, só superada pela Grécia e pela Espanha, tendo atingido os 15,9% em agosto.
Confrontado com os números conhecidos esta manhã, que estão quatro décimas acima da previsão para o conjunto deste ano (15,5 por cento), o secretário de Estado considerou, contudo, tratar-se de "uma meta realista".
"É a meta que o Governo anunciou, é a meta que consideramos para o resto do ano de 2012 e estamos a tomar as medidas necessárias para que, tanto agora, como num futuro próximo, o desemprego possa baixar", reiterou Pedro Martins.
E reconheceu: "Obviamente, são números muito elevados que merecem a maior preocupação, sabemos que a evolução do desemprego tem sido muito negativa, isto resulta do ajustamento que está a ter lugar na economia portuguesa, mas as reformas estruturais estão em curso".
Ressalvando a necessidade de apostar na formação "em áreas com maior procura no mercado de trabalho", Pedro Martins manifestou-se convicto que Portugal "irá conseguir reduzir as taxas de desemprego, nomeadamente, através do investimento em formação profissional".

Carros. Vendas afundam-se e sector exige medidas ao Governo - Dinheiro Vivo

Carros. Vendas afundam-se e sector exige medidas ao Governo - Dinheiro Vivo

Em setembro foram vendidos em Portugal apenas 6358 automóveis ligeiros de passageiros, o que representou uma queda de 30,9% face ao mesmo mês do ano passado (9220 unidades vendidas) e um nível de mercado historicamente baixo. Face a estes números, a Associação Automóvel de Portugal (ACAP) “exige” ao Governo “a reintrodução do Plano de Incentivos ao Abate de Veículos em Fim de Vida”.A ACAP recorda, em comunicado, que um plano desse tipo foi reintroduzido precisamente hoje em Espanha, país em que a quebra de mercado é muito inferior à portuguesa.
Em termos acumulados, no período de janeiro a setembro de 2012, as vendas de automóveis ligeiros de passageiros não foram além das 74.461 unidades, o que corresponde a uma queda de 39,7% relativamente ao período homólogo de 2011.
A ACAP considera “dramática”, para as empresas do comércio automóvel, esta quebra do mercado, que no casso dos comerciais ligeiros chegou aos 54,1% em setembro, com apenas 1119 unidades vendidas. Desde o início do ano, esta categoria, que o Orçamento do Estado de 2012 penalizou fiscalmente de forma mais acentuada, regista uma contração de 55,1%, registando somente 10.823 novas matrículas.
O mercado de pesados registou no mês passado um crescimento homólogo de 13,1%, depois de 12 meses consecutivos em quebra. Acumula, por isso uma quebra de 38,6% desde o início do ano.
No total destas três categorias, o mercado de novos regista uma quebra de 35% em setembro de 42,1% desde o início do ano, relativamente aos mesmos períodos do ano passado, em que já caíra de forma muito acentuada.
Só três não desceram
Por marcas, o destaque vai para a Audi, cujas vendas subiram 16%, e para a BMW, que registou um aumento de 0,6%. Juntamente com a Ferrari, que matriculou um carro em setembro e, por isso, não regista qualquer variação, os dois construtores premium alemães são os únicos que não apresentam números negativos.
A BMW mantém a quarta posição absoluta no mercado, seguida agora mais de perto pela Audi, e sendo batida apenas pela Peugeot (3.º), pela Volkswagen (2.º) e pela Renault (1.º), no que diz respeito a totais desde o início do ano.
Mas, em setembro, a Volkswagen foi a marca mais vendida em Portugal, seguida pela Renault e pela Mercedes.

Bruxelas já aprovou medidas alternativas às mudanças na TSU - Economia - PUBLICO.PT

Bruxelas já aprovou medidas alternativas às mudanças na TSU - Economia - PUBLICO.PT

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, revelou esta segunda-feira que a Comissão Europeia já aprovou as medidas alternativas que o Governo apresentou para compensar o recuo nas mudanças na Taxa Social Única (TSU).

“Nós, Comissão, já demos a nossa aprovação a medidas alternativas que foram apresentadas pelo Governo”, disse Durão Barroso na atribuição do Prémio de Inovação Europa Social em memória de Diogo Vasconcelos, ao ser questionado pelos jornalistas a propósito do recuo do Governo face à TSU e à análise da Moody’s, que considera que o abandono das alterações à TSU pode ser negativo para a imagem externa de Portugal.

O líder da CE considerou que o programa apresentado “é essencial para que Portugal possa continuar a dispor de financiamento”, frisando ser também indispensável para os portugueses “um certo consenso à volta de um programa que deve ser respeitado”.

“Estou absolutamente esperançado que os governos da zona euro vão seguir a recomendação da Comissão, que é a de libertar a tranche para Portugal, já no próximo dia 8 de Outubro”, ou seja, “não vai haver entrave por causa daquilo que foi em Portugal a alteração de uma das medidas apresentadas pelo Governo”.

Sobre se podia concretizar as medidas alternativas, Durão Barroso sublinhou que compete ao Governo a divulgação concreta das mesmas.

“O Governo estará talvez à espera da aprovação pelos parceiros das medidas que podem garantir os objectivos da consolidação orçamental. Nós, Comissão, estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance para garantir que estas reformas se façam da forma mais harmoniosa possível”, disse.

Durão Barroso lembrou que as dificuldades por que Portugal está a passar são o resultado de desequilíbrios acumulados, designadamente de dívida pública que foi acumulada ao longo dos últimos anos e que “é pura e simplesmente insustentável se não forem tomadas medidas por definição muito difíceis”.

“Por isso, é que Portugal foi o primeiro país, com um programa, a ver garantida por parte da Comissão Europeia a possibilidade de rever os objectivos orçamentais para este ano e para os próximos anos. Isto por causa do percurso bastante positivo levado a cabo por Portugal em termos de contenção”, reforçou.

O presidente da CE frisou que este não é um problema só de Portugal, destacando o caso da vizinha Espanha e de França, “um país que não tem a mesma pressão dos mercados”, mas que apresentou recentemente “um orçamento extremamente rigoroso e exigente”.

Durante a atribuição do Prémio de Inovação Europa Social em memória de Diogo Vasconcelos, Durão Barroso aproveitou para dizer que ao nível do financiamento o programa quadro de investigação tem aumentado o apoio à inovação social.

Em 2011, o orçamento de investigação da Comissão Europeia para inovação social foi quatro milhões de euros, aumentou para seis milhões de euros em 2012 e será 12,5 milhões de euros em 2013, avançou.

Durão Barroso lembrou a contribuição de Diogo Vasconcelos para a promoção da inovação social e da tecnologia, recordando-o como o homem que dizia que “cada um de nós é como um pequeno ‘pixel’ que uma vez ligado a outros pequenos ‘pixels’ pode ter um papel importante”.

Casos Miguel Relvas. MP não encontrou ilícitos criminais após averiguações | iOnline

Casos Miguel Relvas. MP não encontrou ilícitos criminais após averiguações | iOnline

O Ministério Público (MP) anunciou hoje que relativamente aos chamados "casos Miguel Relvas" cessaram as averiguações feitas por "não terem sido encontrados ilícitos criminais", não tendo sido instaurado qualquer inquérito.
"Relativamente aos chamados ´casos Miguel Relvas´ não foi instaurado qualquer inquérito, tendo cessado as averiguações feitas por não terem sido encontrados ilícitos criminais", revelou a Procuradoria-Geral da República, em resposta a uma pergunta da agência Lusa sobre os factos envolvendo o ministro Miguel Relvas.
Miguel Relvas surgiu envolvido na polémica relativa às alegadas pressões sobre jornalistas do "Público", no âmbito do caso das secretas, e também no caso da sua licenciatura pela Universidade Lusófona.
A 12 de setembro último, o MP havia anunciado que estava a averiguar o caso relacionado com a licenciatura do ministro Miguel Relvas na Universidade Lusófona e que já tinham sido juntos ao processo "documentos necessários".
O caso da licenciatura do ministro Miguel Relvas começou a dar polémica por causa do número de equivalências que este obteve na Universidade Lusófona.
De acordo com o processo do aluno que a Lusófona disponibilizou para consulta, foram atribuídos 160 créditos ao aluno Miguel Relvas no ano letivo 2006/2007.
No despacho assinado por Fernando Santos Neves, diretor do curso – que em 2006 também era reitor desta universidade privada -, são descritos todos os cargos e funções públicas ou privadas desempenhadas por Miguel Relvas que serviram para justificar as unidades de crédito que lhe foram concedidas para a sua inscrição e matrícula no curso de Ciência Política e Relações Internacionais.
Em meados de julho passado, a reitoria da Lusófona do Porto comunicou a demissão de Fernando Santos Neves.
Também, na altura, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou concordar com uma eventual investigação às licenciaturas de 2006 feitas com base em créditos ou validações.

Agência de emprego alemã cria programa de 40 milhões de euros para jovens da UE | iOnline

Agência de emprego alemã cria programa de 40 milhões de euros para jovens da UE | iOnline

A Agência Federal de Trabalho Alemã (BA) quer criar um programa especial para facilitar o acesso de jovens de países da União Europeia (UE) ao mercado de trabalho germânico, foi hoje anunciado.
O programa, que arrancará em 2013, será dotado pelo Ministério Federal do Trabalho e dos Assuntos Sociais com 40 milhões de euros por ano, e dirige-se a jovens de outros países da União Europeia, entre os 18 e os 35 anos, comunicou a BA, em Nuremberga.
Serão financiados, nomeadamente, cursos de língua alemã, "o que é importante, porque o alemão é o maior obstáculo ao acesso de jovens estrangeiros" ao mercado de trabalho germânico, disse hoje, Raimund Becker, da administração da BA, ao apresentar o programa.
As despesas com o reconhecimento na Alemanha de diplomas de cursos de outros países da UE serão também assumidos pelo orçamento do programa, cujo conteúdo concreto será apresentado nas próximas semanas pela Câmara Alemã de Comércio e Indústria (DIHK) e pela Confederação dos Artesãos Alemães (ZDH).
O desemprego na Alemanha tem estado, nos últimos meses, em níveis que não atingia há mais de 20 anos, após a reunificação do país. Em setembro a taxa de desemprego baixou para 6,5 por cento, o que corresponde a cerca de 2,8 milhões de desempregados, numa população ativa que ultrapassa 41 milhões de pessoas.
Sobretudo nos ramos de engenharia, informática e saúde (médicos e enfermeiros) há uma elevada procura de profissionais de outros países para suprir as lacunas existentes no mercado de trabalho da maior economia europeia, que voltará a crescer este ano, segundo a generalidade dos analistas, apesar de algum abrandamento motivado sobretudo pela crise na zona euro.
Milhares de jovens académicos dos países mais afetados pro esta crise, sobretudo de Espanha e Grécia, mas também de Portugal, têm chegado à Alemanha, especialmente a partir de meados de 2011, em busca de trabalho, dado o elevado desemprego nos países de origem.
Segundo dados hoje divulgados pelo Eurostat, Portugal continua a ser o terceiro país com uma taxa de desemprego mais elevada, que subiu em agosto para 15,9 por cento, apenas atrás de Espanha (subiu para 25,1 por cento) e da Grécia (24,4 por cento, valor referente a junho).
 

Taxa de desemprego em Portugal sobe para 15,9% em Agosto | iOnline

Taxa de desemprego em Portugal sobe para 15,9% em Agosto | iOnline

A taxa de desemprego em Portugal subiu para 15,9 por cento em agosto, acima dos 15,7 por cento de julho, enquanto na zona euro e na União Europeia atingiu 11,4 e 10,5 por cento, respetivamente.
Segundo os dados hoje divulgados pelo Eurostat, Portugal continua a ser o terceiro país com uma taxa de desemprego mais elevada, apenas atrás de Espanha (subiu para 25,1 por cento) e da Grécia (24,4 por cento, valor referente a junho).
Na comparação com agosto do ano passado, a taxa de desemprego em Portugal subiu de 12,7 por cento para 15,9 por cento, o terceiro maior crescimento registado entre os Estados-membros, depois da Grécia (de 17,2 para 24,4 por cento, entre junho de 2011 e junho deste ano) e Chipre (de oito para 11,7 por cento).
No mesmo período, na zona euro, a taxa de desemprego subiu de 10,2 para 11,4 por cento, enquanto no conjunto da União Europeia avançou de 9,7 para 10,5 por cento.
Entre os jovens (com menos de 25 anos), Portugal registou um recuo, em termos mensais, com a taxa a passar de 36,4 por cento em julho para 35,9 por cento em agosto. No entanto, na comparação anual, registou um aumento, tendo subido de 30,3 por cento para 35,9 por cento.
Portugal continuou a registar a terceira taxa de desemprego jovem mais elevada entre os países sobre os quais há dados disponíveis (depois da Grécia, com 55,4 por cento, e de Espanha, 52,9 por cento), muito superior à média da zona euro (22,8) e da União Europeia (22,7).
De acordo com as estimativas do Eurostat, em agosto, existiam 25,466 milhões de pessoas desempregadas na União a 27, das quais 18,196 milhões na zona euro.
Em comparação com julho deste ano, o número de desempregados aumentou em 49.000 na União Europeia e em 34.000 na zona euro.
Em relação a agosto do ano passado, o crescimento foi de 2,170 milhões no conjunto da União e de 2,144 milhões na zona euro.
O Eurostat calcula mensalmente uma taxa harmonizada de desemprego para todos os países da UE. Esta taxa utiliza uma metodologia comum a todos os 27 para permitir comparações. Os resultados do Eurostat não são necessariamente iguais aos obtidos pelo Instituto Nacional de Estatística.
 

Ateneu. O palácio que resistiu ao terramoto de 1755 e que agora luta para não morrer | iOnline

Ateneu. O palácio que resistiu ao terramoto de 1755 e que agora luta para não morrer | iOnline

Desde que pediu a insolvência, o Ateneu de Lisboa está ao abandono. Todas as portas estão abertas e há até quem já lá viva dentro.

O palácio da Anunciada na Rua das Portas de Santo Antão em Lisboa não cedeu aquando do terramoto de 1755, mas a actualidade está de novo a pô-lo à prova. À entrada do edifício – que desde 1895 se transformou no Ateneu Comercial de Lisboa – já não existem os porteiros que até há três anos controlavam todas as visitas. Dentro das piscinas anexas, em vez de água, estão cadeiras e tábuas velhas. Há ginásios que estão fechados a cadeado e mesmo o andar da direcção já não é aberto há várias semanas.
Nos últimos meses, sobretudo depois do pedido de insolvência (ver texto ao lado), aquele espaço de cultura e de tempos livres lisboeta está praticamente ao abandono.
“Estou a tentar que não haja insolvência no verdadeiro sentido da palavra mas sim uma recuperação deste espaço. Mas para isso preciso da aprovação dos credores, o Banif e a Segurança Social”, explicou ao i Joaquim Pereira Faustino, o homem que foi designado pelo Tribunal do Comércio para administrar a insolvência, adiantando: “Este património é suficiente para que não haja liquidação, basta que os credores acreditem e dêem um pouco de tempo para mudar o rumo.”
Na escadaria principal, cujo primeiro lance começa na porta do palácio e termina numa estátua de Luís Vaz de Camões, ouvem-se algumas vozes. Mas só no primeiro andar surge um vulto. Uma mulher de cabelos claros, sentada atrás do balcão da secretaria, levanta-se apressada para vir atender: “Em que posso ajudar?” Está ali a trabalhar sem telefone, sem internet, sem salário – desde Maio - mas sobretudo sem trabalho.
“Eu, tal como os meus colegas, nunca faltei, cumpro os horários como sempre fiz, mas não sei o que vai acontecer daqui para a frente”, disse a funcionária que preferiu não se identificar.
Apesar de todo o empenho, poderá ser ela um dos elementos que nos próximos dias vão para o desemprego. “Mesmo que os credores acreditem em nós só conseguiremos manter três ou quatro funcionários, ou seja, metade dos que existem”, revela o administrador da insolvência.
Nos quatro pisos do edifício, que antes estavam lotados de actividades, agora funcionam apenas uma universidade sénior, danças e algumas aulas de ginástica. Tudo o resto está como o multibanco da secretaria: “Fora de serviço”.
Ainda no primeiro andar, ao lado do balcão de atendimento, o salão nobre e a sala amarela demonstram isso mesmo. O alto pé direito, os tectos trabalhados, muito trabalhados, e os candeeiros vistosos contrastam com as lâmpadas economizadoras de energia, com as profundas rachas nas paredes e remendos no chão de cortiça. Uma mistura mal conseguida de beleza com contenção de custos.
10:50, continuamos a subir as escadas. Com um pano numa mão e um dispensador de detergente na outra, um homem com mais de 50 anos limpa o corrimão: “Bom dia”, soltou. Ofereceu-se para nos guiar até ao último andar: “A tudo o resto está interdita a entrada, nem tão pouco temos as chaves, sabe como é isto da insolvência…”, continuou.
É outro dos 7 funcionários que existem no Ateneu e que não sabe o que lhe acontecerá daqui a uns dias. Quando chega ao quarto andar - a Torrinha - começa por mostrar onde estão os arquivos históricos. Nas antigas estantes vêem-se, desordenadas, as fichas de antigos sócios. Algumas até estão caídas...
Existem também várias caixas com letras chinesas que denunciam a passagem pelo edifício de uma universidade chinesa – não reconhecida pelo estado português. Hoje, também essa universidade já não está ali. “Até esses saíram daqui para umas instalações melhores”, continua o “guia”.
A humidade existente naquele piso é desvalorizada pelo funcionário: “Isto não são coisas importantes, o que realmente importa está lá em baixo na biblioteca. E mesmo o que está aqui está bem, porque felizmente não chove dentro do Ateneu...”
Não chove, mas entra água sempre que este homem se esquece de ir ao telhado desentupir os algerozes.
Cada recanto do edifício está ao abandono. Essa é também a percepção de Joaquim Pereira Faustino: “É por ter essa noção que todos os dias trabalho. Não quero que a associação morra.”
O administrador de insolvência tem como prioridade o bloqueio das entradas nas instalações. Hoje, nos terrenos anexos, onde se encontra a piscina, qualquer pessoa pode entrar e há até quem já lá tenha construído a sua habitação - ilegal.
Sem qualquer autorização, o i entrou na antiga piscina com bastante facilidade. A porta sempre aberta que existe na lateral do Coliseu de Lisboa dá acesso a um pátio por onde há pouco tempo entravam os atletas. Hoje o elevador panorâmico – que fica à direita – está em mau estado. Vêem--se máquinas de lavar roupa, tapetes enrolados, lixo, e uma porta improvisada que dá acesso à habitação ilegal construída ali nos últimos meses. “Essa situação é um caso de polícia”, frisou o administrador.
No fundo do pátio, estão abertas as portas que dão acesso aos antigos torniquetes por onde entravam os nadadores e ainda a que deita para o balcão da plateia. Onde outrora se viam os nadadores, vê-se um enorme tanque vazio de água – mas cheio de madeiras, cadeiras, bóias velhas e lixo. Uma espécie de estufa em tons de azul e amarelo, onde tão cedo não se sentirá o cheiro do cloro.
O funcionário Morais não tem dúvidas: o que ditou o fim da piscina foi a colocação da cobertura. “Quando era aberta tinha mais êxito, havia mais interesse das pessoas porque apanhavam sol”, explica.
Uma coisa é certa, com ou sem cobertura, os lisboetas não poderão ir nos próximos anos à piscina do Ateneu. “Ficará fechada independentemente do que acontecer à associação. A piscina é uma actividade que só traz prejuízo e não nos podemos dar a esse luxo mesmo que consigamos o acordo com os nossos credores”, remata Joaquim Pereira Faustino.

Em Belém, há um deserto de responsabilidades | iOnline

Em Belém, há um deserto de responsabilidades | iOnline

Governo e autarquia não avançam com diálogo para apurar responsabilidades sobre destruição de Jardim Vasco da Gama.

Quase três anos após a destruição dos jardins de Belém, e com o primeiro ano de funções executivas cumprido, o governo continua sem disponibilidade para dar uma resposta a este problema. Da parte da Câmara Municipal de Lisboa, a postura é de expectativa face a novidades do gabinete do primeiro-ministro, onde está o dossier sobre o assunto. Em causa está, desde o início, a responsabilidade sobre quem deve pagar a factura do novo sistema de rega, um investimento que a autarquia estimou em perto de meio milhão de euros, de acordo com um estudo elaborado entretanto.
Em Novembro de 2009, os responsáveis políticos europeus reuniram-se num palco montado em pleno jardim Vasco da Gama, numa tenda com vista para a Torre de Belém, para assinalar a entrada em vigor de um documento tido como fundamental para o futuro da União Europeia. Então aos comandos do país, José Sócrates era o anfitrião da cerimónia que marcava o início de vida do Tratado de Lisboa. Tinham passado dois anos sobre a assinatura do documento, que se realizou a um quilómetro dali, no Mosteiro dos Jerónimos, e pelo caminho tinham também ficado as dificuldades com que alguns países se depararam para conseguir ver aprovado pelos eleitores o novo texto europeu. Dias antes, no mesmo local de Belém, responsáveis políticos de outras geografias tinham-se encontrado para a XIX Cimeira Ibero-Americana.
jardim de terra Assim que se levantaram as estruturas da tenda, o problema tornou-se evidente: o sistema de rega que servia uma área de centenas de metros quadrados de relva estava destruído. Em poucos dias, o manto verde – que rodeava a Torre de Belém e a réplica do avião com que Sacadura Cabral e Gago Coutinho ligaram os continentes europeu e americano, em 1922 – deu lugar a um manto castanho. “A última vez que estive em Lisboa foi há seis anos. Hoje, quando aqui cheguei, vi um espaço triste, muito diferente daquele de que me lembrava”, diz uma turista espanhola, na sua segunda visita a Belém.
Os autocarros continuam a chegar lotados, uns atrás dos outros, para estacionar na margem do rio Tejo. Atraídos pelo monumento seiscentista, os turistas não abdicam das visitas a um dos principais marcos da construção manuelina. Sentada nas raízes salientes de uma árvore, Juliana passa os olhos pela zona em volta enquanto espera pelo marido. Está pela primeira vez em frente à Torre, mas o discurso é idêntico ao de quem conhece o local de outras passagens: “Dá a sensação de que o espaço foi abandonado. Não é bem a imagem que esperava encontrar”.
responsabilidades Há dois lados em confronto nesta história. De um lado, a autarquia da capital. Há três anos, o presidente António Costa cedeu o terreno em frente à Torre para que as duas cerimónias se pudessem realizar. Depois de se deparar com o estado em que ficaram os jardins, a autarquia, pela voz do vereador José Sá Fernandes (com os pelouros do Ambiente Urbano, Espaços Verdes e Espaço Público), iniciou os contactos com o gabinete de José Sócrates, por considerar ser o governo responsável pela requalificação do espaço.
Do outro lado está, naturalmente, o executivo. Primeiro socialista, agora em coligação PSD-CDS/PP. Quer no que restou do mandato de José Sócrates, quer no último ano de governação de Pedro Passos Coelho, pouco foi feito para apurar quem deve avançar com a substituição dos sistemas de rega de Belém. “Temos estado em contacto regular com o governo”, garante Sá Fernandes, que diz esperar “para breve” uma solução. No entanto, as conversas entre as duas partes interessadas na matéria pouco avançou em três anos. A câmara de Lisboa espera actualmente que o governo nomeie um representante para que, em conjunto, seja possível chegar a uma conclusão sobre quem deve, afinal, pagar a factura.
A somar à dificuldade de autarquia e governo chegarem a acordo poderá estar o facto de, no dia 11 de Abril deste ano, ter sido declarada a insolvência da empresa Alfasom – Sonorização e Audiovisuais, no Tribunal de Sintra. Precisamente a mesma empresa que, no seu site, se apresentava como responsável pelo palco montado para a cimeira Ibero-Americana de 29 de Novembro de 2009, que contou com a presença de vinte líderes políticos internacionais.
Na publicação do anúncio em “Diário da República”, ficava expresso o prazo de 30 dias para que fossem reclamados créditos à empresa. Uma acção que, até ao momento, não é garantido que o governo tenha efectuado.
Durante vários dias, o i tentou obter esclarecimentos junto do gabinete do primeiro-ministro sobre esta questão, mas também saber quais as previsões para a nomeação de um árbitro para o Tribunal Arbitral, saber se estavam previstas no contrato firmado entre o governo e a empresa promotora responsabilidades sobre danos resultantes da instalação dos equipamentos e, ainda, saber as razões para que, durante o último ano, o processo não tivesse avançado. Do gabinete de Pedro Passos Coelho não houve, até ao fecho desta edição, disponibilidade para responder às questões colocadas.