quinta-feira, 31 de maio de 2012

Economia verde pode gerar entre 15 a 60 milhões de empregos

Não há dia em que não se ouça dizer que o ambiente é uma pedra no sapato da economia. Estes números dizem, porém, o contrário: a chamada “economia verde” pode gerar 15 a 60 milhões de novos empregos nos próximos 20 anos.
A estimativa resulta de uma análise feita pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e leva em conta os postos de trabalho criados em vários sectores, como o das energias renováveis, da eficiência energética ou da reciclagem.

O estudo admite que, com a transição para a economia verde, alguns vão ter de mudar de emprego. Mas trata-se de um número “gerível” – nos países desenvolvidos, será de um por cento da força de trabalho. “As preocupações sobre a perda de empregos na economia verde são, por isso, exagerados”, conclui o estudo, realizado no âmbito da Iniciativa Empregos Verdes, que envolve também outras agências da ONU.

A economia verde já está a dar sustento a milhões de pessoas. Nos Estados Unidos, segundo o relatório, há 3,1 milhões de trabalhadores (2,4%) a prestarem serviços ou produzirem bens na área do ambiente. No Brasil, são 2,9 milhões (6,6%). Só no sector das renováveis, trabalham, no mundo todo, cinco milhões de pessoas. E a área da biodiversidade criou quase 15 milhões de empregos directos e indirectos na Europa.

Entre o dever e haver, as projecções apontam para um ganho positivo de 0,2% a 2,0% no número de empregos globais – ou seja, mais 15 a 60 milhões de postos de trabalho.

A economia verde, e como esta via pode ser a solução para pobreza no mundo, é o tema central da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, que terá lugar no Rio de Janeiro, de 20 a 22 de Junho. A OIT dá exemplos desta ligação – como a utilização de práticas mais eficientes e com menor impacto por parte dos 400 milhões de pequenos agricultores nos países em desenvolvimento, ou a integração, na fileira da reciclagem, de milhões de “catadores” de lixo das grandes cidades. Ao benefício ambiental soma-se o aumento da produção e do rendimento.

O foco da Rio+20 sobre a economia verde não é pacífico. Vários países e organizações têm-se mostrado reticentes, invocando argumentos contra a mercantilização do ambiente e contra a ingerência externa no padrão de desenvolvimento de cada nação.

“A sustentabilidade ambiental não é assassina os empregos, como normalmente se diz. Pelo contrário, se gerida adequadamente, pode levar a mais e melhores empregos, à redução da pobreza e à inclusão social”, afirma, no entanto, Juan Somavia, director-geral da OIT, citado num comunicado da organização.

Retirado de: http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1548386

UTAO encontra erro na execução orçamental que agrava queda da receita fiscal - Economia - PUBLICO.PT

UTAO encontra erro na execução orçamental que agrava queda da receita fiscal - Economia - PUBLICO.PT
 
A diminuição das receitas com os impostos indirectos foi quase o dobro da indicada pelo Governo. As contas são da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), que analisou a execução orçamental dos primeiros quatro meses e diz que há uma “incorrecção” nas contas.

De acordo com a análise da unidade que dá apoio técnico aos deputados, a que o PÚBLICO teve acesso, a quebra da receita proveniente de impostos indirectos foi mais acentuada do que a Direcção-Geral do Orçamento (DGO) indica no último boletim da execução orçamental.

As contas da DGO, divulgadas na semana passada, apontavam para uma descida de 3,5% até Abril nas receitas de impostos como o IVA, o Imposto sobre Veículos (ISV) e o Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP). No entanto, a UTAO detectou uma “incorrecção” nas contas, que influencia a variação da queda destas receitas.

Na origem deste erro está o facto de a DGO não ter somado a receita proveniente do IVA social às receitas fiscais, entre Janeiro e Abril de 2011. O valor em causa – de 238 milhões de euros – foi “erradamente imputado à receita não fiscal, tendo afectado, assim, a variação homóloga do saldo global da administração central e da segurança social”, explicam os técnicos do Parlamento.

Esta “incorrecção” perturba a comparação entre os primeiros quatro meses de 2011 e os primeiros quatro meses deste ano. Em vez de uma queda de 3,5% nos impostos indirectos, indicada pela DGO, as receitas caíram, na realidade, 6,8% em termos homólogos, ou seja, praticamente o dobro.

Isto tem naturalmente impacto na receita fiscal global que, em vez de ter registado o ligeiro aumento de que falaram as Finanças (0,02%), terá caído 2,3% entre Janeiro e Abril.

A UTAO avisa que “o fraco nível de execução dos impostos indirectos (que representam cerca de 60% da receita fiscal) constitui, portanto, um dos principais factores de risco” ao cumprimento das metas orçamentais.

Ainda assim, os técnicos admitem que ainda há medidas de consolidação que não produziram totalmente o seu efeito – como o agravamento das tabelas do IVA ou os cortes nos subsídios de férias e de Natal – pelo que “apenas nos próximos meses será possível verificar se as medidas de consolidação orçamental serão suficientes para contrariar o impacto negativo que a degradação da actividade económica tem exercido sobre a receita (e sobre as despesas da segurança social)”.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Cientistas fizeram da pele coração - Ciências - PUBLICO.PT

Cientistas fizeram da pele coração - Ciências - PUBLICO.PT

Pela primeira vez, cientistas conseguiram transformar células da pele de doentes cardíacos em células do coração. Mais: uma vez transplantadas para um coração, as células ligaram-se ao tecido cardíaco.


A equipa de Lior Gepstein, do Instituto de Tecnologia de Israel, retirou células da pele de dois homens, de 51 e 61 anos, que sofriam de insuficiência cardíaca. Em seguida, obrigaram-nas a tornar-se células estaminais - ou seja, células que têm capacidade de originar todos os tipos de tecidos do organismo.

Nos embriões, as células estaminais surgem ao fim de alguns dias de desenvolvimento e dão origem a todos os tipos de células - desde as da pele até às do estômago, ou seja, a células já diferenciadas. Os avanços nesta área já permitiram levar células humanas adultas, que são diferenciadas e especializadas, como as da pele, a regressar a um passado celular, como se fossem estaminais embrionárias. Essas células estaminais induzidas foram depois transformadas em células do coração. Estas experiências ocorreram com células de pessoas saudáveis e jovens. A ideia é, um dia, criarem-se tecidos com as células do doente, sem risco de rejeição.

O trabalho de Gepstein, publicado na revista European Heart Journal, demonstrou que é possível criar células estaminais induzidas a partir de células adultas de pessoas mais velhas e doentes, frisa um comunicado da Sociedade Europeia de Cardiologia.

Obtidas as células da pele dos dois homens, a equipa de Gepstein utilizou três genes (Sox2, Klf4 e Oct4) para as reprogramar, de forma a voltarem ao passado. Introduziu os genes no núcleo das células com um vírus e, em seguida, ainda as submeteu aos efeitos de uma molécula (ácido valpróico).

Todo este cocktail de reprogramação, frisa o comunicado, não incluía um gene que tem sido muito utilizado para criar células estaminais (o c-Myc) e que se sabe que causa cancro. "Um dos obstáculos ao uso em ensaios clínicos de células estaminais induzidas humanas é o risco de se desenvolverem de forma descontrolada e originarem tumores. Isto deve-se a factores como o c-Myc e a integração ao acaso, no ADN da célula, do vírus que transporta os genes - um processo conhecido por oncogénese de inserção", explica Gepstein.

Além de não ter usado o gene do cancro, a equipa reduziu os riscos ao retirar das células o vírus usado na sua reprogramação, para evitar estragos no ADN que pudessem conduzir ao cancro.

No passo seguinte, as células estaminais diferenciaram-se em células do músculo cardíaco (cardiomiócitos), que por sua vez se desenvolveram em tecido cardíaco. Colocado ao lado de tecido cardíaco já existente, em pratinhos de laboratório, o novo tecido batia em conjunto com o outro, ao fim de dois dias.

A prova dos nove veio quando o novo tecido foi transplantado para o coração de ratos saudáveis e se ligou a ele. "Mostrámos, pela primeira vez, que é possível criar células estaminais induzidas humanas de doentes com insuficiência cardíaca - que são a população alvo de futuras terapias com estas células - e obrigá-las a diferenciarem-se em células do músculo que se integram no tecido cardíaco hospedeiro", diz Gepstein. "O que é novo e entusiasmante é termos demonstrado ser possível tirar células da pele de um doente mais velho com insuficiência cardíaca avançada e acabar com as células do coração dele saudáveis e jovens, a bater num prato de laboratório - como se tivesse acabado de nascer."

Por enquanto, estas células ainda só podem testar-se em animais, pelo que é preciso usar medicamentos que evitem a sua rejeição. A prova final será o transplante das células em doentes sem rejeição.

Duas dezenas de câmaras em tribunal devido a promoções de funcionários - Economia - PUBLICO.PT

Duas dezenas de câmaras em tribunal devido a promoções de funcionários - Economia - PUBLICO.PT

<p>Funcionários da Câmara de Setúbal também aguardam decisão dos tribunais</p>
Funcionários da Câmara de Setúbal também aguardam decisão dos tribunais
 (Pedro Cunha)
 
Perto de 20 câmaras têm processos a correr nos tribunais por terem obrigado os funcionários promovidos em 2009 e em 2010 a devolver as valorizações salariais, mas tudo indica que terão um desfecho semelhante às duas sentenças proferidas recentemente pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Castelo Branco, dando razão aos trabalhadores.


Em causa está a promoção de centenas de funcionários por decisão dos presidentes de câmara (ao abrigo da Lei dos Vínculos, Carreiras e Remunerações), mas que a Inspecção-Geral das Autarquias Locais (IGAL) considerou ilegal, forçando os autarcas a anular essas decisões.

De acordo com José Manuel Marques, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), entre as autarquias com processos em tribunal contam-se Aveiro, Bombarral, Caminha, Campo Maior, Castelo Branco, Celorico da Beira, Elvas, Évora, Gavião, Guimarães, Ílhavo, Meda, Mogadouro, Oliveira de Azeméis, Portel, Sabugal, Setúbal, Viana do Castelo e Vila Velha de Ródão.

Tudo começou em Maio de 2010, quando o anterior responsável da IGAL enviou uma circular a todos os inspectores a alertar que só as câmaras que aplicaram o Sistema Integrado de Desempenho da Administração Pública (SIADAP) na íntegra podiam fazer promoções gestionárias. A interpretação foi contestada pelos autarcas, mas perante a insistência da IGAL - argumentando que corriam o risco de perder o mandato por crime de peculato - muitos acabaram por anular as promoções e obrigaram os trabalhadores a repor a valorização salarial.

Em finais de Fevereiro, a presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira, considerou a decisão da IGAL "uma escandalosa e injustificada perseguição" às autarquias e aos trabalhadores. A autarca assinou a progressão de cerca de 400 trabalhadores, fundamentada "numa análise técnica cuidada e rigorosa". Porém, explicou na altura, viu-se na obrigação de anular os despachos, sob pena de ela própria ser obrigada a repor perto de um milhão de euros.

Gavião e Elvas foram outros dois casos em que os trabalhadores tiveram que devolver o dinheiro a prestações. Contudo, o Tribunal de Castelo Branco já veio dar razão a dois trabalhadores.

No caso do Gavião, o juiz entende que "não é coerente com o espírito do quadro legal que se considere que a progressão remuneratória só possa ocorrer nos casos em que há efectiva avaliação, a que correspondem pontos atribuídos, e não nos casos em que ope legis (por força da lei) tais pontos são atribuídos".

Por isso, realça a sentença, "independentemente da fonte de atribuição, o facto de o funcionário possuir os pontos necessários para o efeito, deverá, dentro dos demais condicionalismos legais, determinar a progressão na escala indiciária de vencimentos".

Já em Palmela, a autarca Ana Teresa Vicente, recusou-se a anular os despachos que promoviam perto de 800 trabalhadores. Em Melgaço, o presidente Rui Solheiro, recusou-se a pedir a reposição das verbas aos 89 funcionários promovidos e remeteu o caso para o tribunal de Braga.

A Lei dos Vínculos Carreiras e Remunerações (12-A) cria duas vias para os funcionários públicos progredirem na carreira - que actualmente estão suspensas. Uma é obrigatória e ocorre sempre que os funcionários juntam dez pontos na avaliação. A outra (gestionária) depende das notas obtidas em cada ano e da decisão dos dirigentes. A Lei prevê ainda que quando não são avaliados, os funcionários recebem um ponto por cada ano para efeitos de progressão na carreira, mas o anterior responsável da IGAL considerava que essa pontuação apenas servia para as progressões obrigatórias.

Procuradoria-Geral analisa a lei

O Governo espera um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) para decidir se revê a forma como alguns artigos da Lei 12-A/2008 têm sido aplicados pelas autarquias.

A questão é saber se os trabalhadores que não foram avaliados pelo Sistema Integrado de Avaliação de Desempenho da Administração Pública (SIADAP) podem progredir na carreira por decisão do presidente da câmara ou se estão impedidos de o fazer, como entendia o anterior responsável da Inspecção-Geral das Autarquias.

Questionada sobre se as recentes sentenças a favor dos funcionários levarão à mudança da interpretação, a secretaria de Estado da Administração Local considera "prematura qualquer revisão da solução interpretativa", sem o parecer da PGR, pedido pelo anterior governo em Dezembro de 2010.

Ainda assim, a secretaria de Estado esclarece que o entendimento anterior, que obrigava os trabalhadores a devolver o dinheiro ou responsabilizava os autarcas, foi "objecto de reponderação".

terça-feira, 22 de maio de 2012

Antigo administrador do Freeport diz que ex-ministro do Ambiente recebeu “pagamentos ilegais” - Sociedade - PUBLICO.PT

Antigo administrador do Freeport diz que ex-ministro do Ambiente recebeu “pagamentos ilegais” - Sociedade - PUBLICO.PT

Alan Perkins, administrador do Freeport entre 2005 e 2006, disse hoje em tribunal que o então o ministro do Ambiente terá recebido “pagamentos ilegais” para a viabilização do “outlet” de Alcochete.


No seu depoimento no Tribunal do Barreiro, Perkins disse que o arguido Charles Smith o informou numa primeira reunião, realizada no Mónaco, em Janeiro de 2006, que o ministro do Ambiente recebeu pagamentos ilegais para a obtenção da licença ambiental para o “outlet” de Alcochete, emitida em Março de 2002.

O antigo admnistrador do Freeport nunca referiu o nome de José Sócrates, mas apenas o cargo que este ocupava na altura dos factos, o de ministro do Ambiente. Adiantou também que a licença ambiental que viabilizou a construção do Freeport, em 2002, foi obtida mediante “o pagamento de 150 mil libras esterlinas, o equivalente a 200/220 mil euros”.

Segundo a testemunha, estas informações foram-lhe fornecidas por Charles Smith na reunião de Janeiro de 2006 na qual estiveram presentes o presidente do Conselho de Administração do Freeport, Sean Collidge, o director comercial, Garry Russel, e o director financeiro, Peter Wooley.

A testemunha de acusação, que foi ouvida por vídeoconferência, referiu que estas verbas eram depositadas directamente pelo Freeport na conta do arguido Charles Smith, que depois eram levantadas e pagas em dinheiro a outras pessoas. Sem concretizar, Alan Perkins falou em “primos e altos representes políticos”.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Sistema judicial "não está preparado" para o BPN - Especiais - DN

Sistema judicial "não está preparado" para o BPN - Especiais - DN

A falta de capacidade do sistema judicial para responder de forma eficiente a processos-crime com a dimensão semelhante à do BPN foi um dos temas que marcou o debate realizado esta manhã no auditório do DN, em Lisboa.
O alerta foi dado por Rui Rangel, logo na sua primeira intervenção, quando afirmou que "o sistema judicial não está preparado para uma resposta, quer em termos de investigação quer em termos de decisão final num prazo razoável, que é o prazo aceite por qualquer cidadão de bem".
Para além do juiz desembargador do Tribunal da Relação de Lisboa, o debate contou com a participação do eurodeputado do PP Nuno Melo, que acompanhou a primeira comissão de inquérito ao BPN, de Manuel Meira Fernandes, administrador do BPN durante a presidência de Miguel Cadilhe, de Arnaldo Homem Rebelo, advogado que representa cliente lesados pelo BPN e ainda o presidente da Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Clientes do BPN, José António Henriques.
A falha da supervisão do Banco de Portugal, classificada como "clamorosa" por vários dos intervenientes, e a opção pela nacionalização, foram outras das questões que marcaram este debate.

Comentário:
O sistema judicial "não está preparado" para o BPN tal como não está preparado para qualquer pessoa, com casos judiciais em Portugal, que tenha dinheiro para pagar a advogados de defesa de "topo".
Não é por qualquer razão que assistimos, com revolta, a figuras públicas e/ou gestores/governantes a saírem dos tribunais em liberdade por razões meramente técnicas e/ou especulativas.
Situações gravíssimas que se passam no país continuam a não ser punidas porque o sistema judicial português não trata estes casos como especiais. Não pode nunca, nestes casos, prescrever o tempo do crime ou considerar-se que existem irregularidades no decorrer das investigações. Se alguem é investigado é porque existem suspeitas sobre essa mesma pessoa e/ou empresas. Todos nós temos direito à nossa privacidade mas todos nós também temos direito a que se faça justiça. Enquanto não houver controlo apertado à gestão das grandes empresas/ministérios existirão sempre abusos de poder com consequencias trágicas para Portugal país e consequentemente para o "mero" cidadão português.

Taxas máximas de IRS, IRC e IVA acima da média europeia - Economia - DN

Taxas máximas de IRS, IRC e IVA acima da média europeia - Economia - DN

O documento do gabinete oficial de estatísticas da UE indica que, em 2012, o escalão máximo de taxa de IRS em Portugal é de 49 por cento, contra 38,1 na UE e 43,2 na zona euro, o de IRC é 31,5 por cento, contra 23,5 por cento na União a 27 e 26,1 na média da zona euro, e a taxa máxima de IVA é de 23 por cento, contra 21 no conjunto do espaço europeu e 20 por cento no espaço monetário único.
Portugal apresenta assim a oitava taxa máxima de IRS mais elevada da União, a par de Grécia e Finlândia, a quarta taxa máxima de IRC mais alta entre os 27, e a quinta mais elevada taxa máxima de IVA juntamente com Irlanda, Grécia, Polónia e Finlândia.
Em termos gerais, as taxas máximas de IRS, IRC e IVA mais elevadas são praticadas respetivamente na Suécia (56,6 por cento), França (36,1) e Hungria (27) e as mais baixas na Bulgária (10 por cento), Chipre e Bulgária (10 por cento) e Luxemburgo (15 por cento), revela o levantamento do Eurostat, que confirma assim grande diferenças entre os Estados-membros.
Comparando com os valores de 2000, o Eurostat sublinha que a taxa máxima de IVA subiu tanto na UE (de 19,2 por cento para 21 por cento ao longo dos últimos 12 anos) como na zona euro (18,1 para 20 por cento), enquanto as de IRS e IRC baixaram (no caso dos impostos sobre os rendimentos de pessoas singulares de 44,8 para 38,1 na UE e de 47,1 para 43,2 na zona euro, e no caso dos impostos sobre as empresas de 31,9 para 23,5 por cento na União e de 34,4 para 26,1 no espaço do euro).
Em termos de IRS, Portugal contrariou esta tendência, já que o escalão máximo subiu de 40 por cento em 2000 para 49 por cento em 2012, enquanto o de IRC desceu de 35,2 para 31,5 por cento, tendo o escalão máximo do IVA subido cinco pontos, de 17 para 23 por cento.

Portugal apresenta atualmente taxas máximas de impostos sobre pessoas singulares (IRS), empresas (IRC) e sobre valor acrescentado (IVA) acima da média europeia, revela um estudo do Eurostat sobre a evolução da política fiscal na União Europeia (UE), hoje divulgado.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

IMI. Erros grosseiros das Finanças nas avaliações de imóveis com base no Google | iOnline

IMI. Erros grosseiros das Finanças nas avaliações de imóveis com base no Google | iOnline

Os avaliadores de imóveis das Finanças estão a cometer erros grosseiros e há casos em que os proprietários reclamaram e o imposto baixou 50 mil euros. Num complexo habitacional com 28 casas, a revisão em baixa resultou em menos 1 milhão de euros em matéria colectável, que ia ser cobrada indevidamente.
Aconteceu na zona de Carnaxide, em Lisboa. De acordo com as notificações recebidas, os proprietários passariam a pagar, a partir de 2013, quase o triplo do imposto municipal sobre imóveis (IMI). Um dos moradores, Adriano Oliveira, encontrou falhas na avaliação e foi contestar o valor numa repartição de Finanças em Algés. Descobriu que a avaliação tinha sido feita com base em fotografias do Google e que ninguém tinha confirmado se se tratava de facto de um condomínio fechado, que não é, ou a quem pertencia a piscina colectiva, entre outros itens de conforto. Ninguém foi ao local.
“O processo de avaliação está a ser feito com ligeireza”, considera Adriano Oliveira, acrescentando que em muitos casos as pessoas aceitam o valor sem contestar”, ou por receio ou por falta de informação.
Não foi o seu caso e a reavaliação veio dar-lhe razão. “As Finanças ligaram-me num sábado ao fim da tarde a dizer que iriam corrigir os valores, mesmo dos condóminos que não tinham reclamado”, conta Adriano Oliveira. Lembra-se de ter estranhado ser um sábado e comentar o facto, ao que o fiscal respondeu que devido ao pouco tempo que resta para completar as avaliações se trabalha “sábados, domingos e feriados”.
Mas estes casos não são únicos. À Associação Nacional de Proprietários (ANP), que está a monitorizar este processo, já chegaram vários casos. “Para encontrar os valores, as Finanças socorrem-se do número de polícia, das plantas ou croquis e também do Google. Mas nem sempre se percebe como chegam a determinas informações, como o ano da construção do prédio, que não vem na planta”, diz António Frias Marques, presidente da associação.
“Hoje não há segredos”, afirma o responsável. Mas também se esconde muita coisa. Como muitas avaliações são feitas com base em fotografias do Google, há já quem esconda piscinas tapando-as com lona verde. “O IMI castiga os proprietários de piscinas, garagens, campos de ténis ou até de imóveis com escadas rolantes ou elevadores. As Finanças consideram luxo um prédio com menos de quatro andares ter elevador”, explica Frias Marques.
A secretária de Estado dos Assuntos Fiscais diz que “os peritos avaliadores estão a proceder à avaliação dos prédios urbanos com base nos dados constantes das matrizes prediais e das plantas dos imóveis detidas pela Autoridade Tributária e Aduaneira ou fornecidas pelos municípios, complementados, sempre que necessário, com outras diligências, nomeadamente com vistorias aos prédios a avaliar”.
Para o presidente da ANP, é uma sorte quando o IMI apenas triplica depois da nova avaliação. É que “há casos em que passa para 20 vezes mais”.
O gabinete do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, disse ao i que “até agora foram registadas apenas cerca de 500 pedidos de segundas avaliações, o que revela o rigor que está a ser utilizado pelos peritos no processo de avaliação geral”.
Muitos proprietários contestam e dizem que não reclamam com receio de serem ainda mais penalizados. Muitas vezes também não percebem a notificação, que consideram pouco clara.
De acordo com o gabinete de Paulo Núncio, “estima-se que até ao fim deste mês o número dos prédios urbanos avaliados no âmbito da avaliação geral se aproxime de um milhão. O número de avaliações está em linha com o plano inicialmente traçado e com o objectivo fixado pelo governo de concluir a avaliação geral até final do ano de 2012”.

Funcionários públicos. Saiba qual é a média dos ordenados | iOnline

Funcionários públicos. Saiba qual é a média dos ordenados | iOnline

A remuneração base média mensal nas administrações públicas era, em Janeiro, de 1.401,5 euros brutos. Já o ganho médio mensal (onde estão incluídos os subsídios, suplementos e prémios) o valor sobe para 1.600,7 euros, revelam os dados na Síntese Estatística do Emprego Público (SIEP).
Mesmo assim, verifica-se uma quebra na ordem dos 0,1% na remuneração média mensal face aos números de Outubro e um aumento de 0,4% no ganho médio mensal, revela o “Diário Económico”.
 Segundo o documento, os magistrados são os mais bem pagos em termos de remuneração base (4.094,7 euros).
No entanto, são os diplomatas que têm um ganho médio mensal mais generoso (8.145 euros) na administração pública, devido aos suplementos de residência, deslocação, entre outros, já que a remuneração base média é de 2.320,8 euros).
 Já os salários médios mais baixos são dos assistentes operacionais, operários e auxiliares, cuja remuneração base média é de 625,4 euros, seguidos dos polícias municipais (916,2 euros).
 Na administração local, a remuneração base média é de 920,5 euros (um aumento de 0,5% face a Outubro) e o ganho médio mensal de 1.069,9 euros (mais 0,7% face a Outubro).
 Quanto às regiões, na Madeira os funcionários públicos ganham, em média, 1.303 euros e, nos Açores, o salário base médio é ligeiramente mais alto, de 1.368 euros.

Descoberto parasita do fungo que transforma formigas em "zombies" - Ciências - PUBLICO.PT

Descoberto parasita do fungo que transforma formigas em "zombies" - Ciências - PUBLICO.PT

No mundo dos insectos, horrores à lá Ficheiros Secretos são uma realidade diária e, neste episódio, ninguém gostaria de fazer o papel da formiga. Uma operária da espécie Camponotus rufipes pode muito bem acabar morta com um fungo a crescer a partir da cabeça. Parece horrível, mas uma equipa de investigadores descobriu agora que o próprio fungo que cresce na cabeça da formiga serve de alimento de outro fungo.


O corpo de uma formiga morta pelo fungo é mantido durante semanas para o parasita se desenvolver
O corpo de uma formiga morta pelo fungo é mantido durante semanas para o parasita se desenvolver (David Hughes/ Universidade de Penn State)


Esta dinâmica faz com que haja muito menos esporos do fungo que transforma as formiga em zombies e, por isso, elas são menos infectadas, o que permite às colónias sobreviverem durante vários anos, explica um artigo publicado recentemente na revista Public Library of Science ONE.

Esta história não é uma versão de quem é o peixe maior. Para a sensibilidade humana, parece-se mais com um combate sórdido que no final tem um resultado equilibrado em termos ecológicos. Nas florestas tropicais do estado brasileiro de Minas Gerais, próximo da fronteira com os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, já relativamente perto da costa, um esporo do fungo entra na formiga. O parasita desenvolve-se e, ao longo de semanas, alimenta-se das partes não vitais do corpo da formiga.

A dada altura, liberta um químico no cérebro da formiga, que a transforma em zombie. Ela dirige-se, sem vontade própria, até a uma folha e morre. Passada uma semana, de dentro da formiga começa a nascer uma estrutura que, ao longo de um mês, desenvolve-se numa espécie de cogumelo, pronto para libertar esporos do fungo várias e várias vezes.

Se cada esporo libertado infectasse uma nova formiga, então não havia colónia que resistisse, mas há colónias que se mantêm estáveis durante décadas. Uma equipa de investigadores liderados por David Hughes, da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, foi estudar vários cemitérios destes naquela região do Brasil onde se acumulam formigas mortas pelo fungo Ophiocordyceps camponoti rufipedis. Fez contagens e descobriu que a natureza também controla o parasita da formiga.

“Num caso em que a biologia é mais estranha do que a ficção, o parasita do fungo que torna a formiga um zombie é ele próprio infectado por outro fungo – um fungo híper-parasítico que se especializou em atacar o parasita que transforma as formigas em zombies”, resume David Hughes, em comunicado.

A equipa identificou 432 formigas mortas pelo fungo em cinco locais diferentes. Caracterizou cada formiga em relação ao estádio de desenvolvimento do fungo. Ao todo, 55,4% das formigas estavam híper-parasitadas e 12,7% apresentavam danos. Só 6,5% das formigas tinham o fungo (que as tornava em zombies) no estádio de desenvolvimento maduro que permitia libertar esporos.

A nível do comportamento das formigas, já se sabia que os indivíduos de uma colónia tinham hábitos de limpeza para eliminar possíveis esporos de fungos. Além disso, só uma pequena percentagem de operárias é que está fora do ninho e fica susceptível a ser infectada. Mas este estudo mostra que o risco de infecção ainda é menor.

“A nossa investigação mostra a acção castrante do fungo híper-parasítico, o que pode resultar numa limitação significativa do alastramento do fungo”, diz o investigador. “Apesar de existirem muitas formigas zombies infectadas na vizinhança, poucos esporos irão ficar maduros e infectar formigas sãs.” Por isso, o perigo para a colónia é muito inferior do que se poderia temer.