quinta-feira, 22 de março de 2012

Actualização do registo mundial de temperaturas revela que 2010 foi o ano mais quente


De acordo com uma nova avaliação da evolução das temperaturas da Terra, o ano de 2010 passa a ser o mais quente desde 1850, em vez de 1998. Esta actualização, feita pelo HadCRUT, um dos principais registos de temperatura global, do Reino Unido, contou com novos dados de temperatura do Árctico. Os resultados foram publicados na revista Journal of Geophysical Research e mostram que esta actualização não altera o aumento médio de temperaturas desde 1900, de 0,75 graus.
A ciência do clima e a teoria largamente defendida de que a Terra está a registar um aumento de temperatura que não se explica por oscilações naturais, mas sim pela mão humana, está também baseada no registo das temperaturas do ar nos continentes e dos oceanos, ao longo de mais de um século.


Os dados da HadCRUT incluem informação das temperaturas nos continentes compiladas pela Unidade de Investigação Climática (CRU, sigla em inglês) da Universidade de East Anglia, em Norfolk, no Reino Unido e os registos de temperaturas da superfície dos oceanos, compilados pelo Centro de Hadley do Instituto de Meteorologia do Reino Unido. “O novo estudo reúne as nossas bases de dados mais recentes e mais completas das observações da temperatura da terra e do mar, em conjunto com novos avanços na compreensão de como se faziam as medições no mar”, disse Colin Morice, cientistas do Instituto Meteorológico do Reino Unido, citado pela AP. O resumo do artigo está disponível online (em inglês): clique aqui.


A primeira rede de estações meteorológicas data de 1653, no Norte de Itália, mas só a meio do século XIX é que o número de estações e a sua distribuição passou a ser suficientemente generalizada para ter validade científica.


Desde essa altura que os métodos têm vindo a ser optimizados e normalizados. Os cientistas tiveram agora em conta, por exemplo, o enviesamento nos registos de temperatura da superfície do oceano, quando era medida em baldes com água tirada do mar, em que havia uma descida de temperatura em relação à do oceano.


No novo artigo foram incluídas as observações de 400 estações meteorológicas no Árctico, na Rússia e no Canadá. Uma das regiões mais afectadas pelo aumento de temperatura. “A HadCRUT é sustentada por observações e tornou-se claro que [o modelo] poderia não estar a captar na sua totalidade as mudanças no Árctico, devido a haver tão pouca informação nesta área”, disse Phil Jones, director do CRU e primeiro autor do artigo, citado pela BBC News. Os resultados também utilizaram registos novos vindo da África e da Austrália.


“A actualização resultou em algumas mudanças em anos individuais, mas não mudou o sinal geral do aquecimento de cerca de 0,75 graus desde 1900”, disse Morice.


Mas o ano mais quente de todos, 1998, caiu para terceiro lugar, segundo a nova actualização, sendo substituído por 2010 e o ano de 2005 ficou em segundo lugar. Os dez anos mais quentes ocorreram todos nos últimos 14 anos. Outra conclusão, é que o aumento de temperatura não é homogéneo. “O Hemisfério Norte e o Hemisfério Sul aqueceram em 1,12 graus e 0,84º ao longo do período entre 1901 e 2010”, lê-se no resumo do artigo. Só desde 2001, o Norte aqueceu 0,1 graus.


No início deste ano, a NASA divulgou um relatório que previa um maior aquecimento da Terra nos próximos anos. De acordo com este trabalho da agência espacial norte-americana, o ano de 2011 acabou por ser o nono mais quente desde 1880. No ano passado, as temperaturas médias à superfície foram 0,51ºC mais altas do que os valores médios do período base 1951-1980.


19.03.2012
Nicolau Ferreira in jornal "Público"

quinta-feira, 15 de março de 2012

Seguro impressionado com doentes em macas nos corredores do Hospital de Faro - Sociedade - PUBLICO.PT

Seguro impressionado com doentes em macas nos corredores do Hospital de Faro - Sociedade - PUBLICO.PT


Em noticia do jornal Público é possível ler - "Seguro impressionado com doentes em macas nos corredores do Hospital de Faro". O secretário-geral do PS sublinhou ainda que "o cenário que presenciou na última noite de quarta-feira para quinta-feira é uma imagem que levará consigo". Mais à frente no artigo conseguimos ainda ler - "Se confrontarmos isto com outras Urgências que há no país ou unidades de internamento que visitámos há uma diferença muito grande e é uma situação que não dignifica sequer o hospital”. Este Sr. anda a dormir? São declarações como esta que demonstram a calamidade em que se encontra este país. O serviço de urgências do Hospital de Faro não se encontra na situação atrás descrita desde há pouco tempo. Posso dizer que esta situação das macas já se verifica há mais de 10 anos e este não é o único Hospital do país nestas condições. É ridículo o facto que num país onde tudo se paga, desde a educação à saúde (para além de todos os impostos que nos são cobrados e cuja aplicação dos mesmos tem um destino real no minimo duvidoso), sejamos  sempre confrontados com instalações e serviços onde as condições de atendimento são dignas de um país de terceiro mundo. E não são apenas os utentes que se queixam. É notória a desmotivação dos profissionais de saúde deste país que trabalham diáriamente em condições miseráveis, com vencimentos anedóticos e numa situação precária. Não é assim de estranhar que, nos últimos anos, tenha surgido um boom de clinicas e hospitais privados. Estas entidades privadas, nos dias de hoje, conseguem apresentar um serviço de qualidade superior com custos próprios inferiores e consequentemente com preços aplicados ao consumidor muitas vezes inferiores aos do SNS. Sim, uma consulta de especialidade neste momento já é mais cara no SNS, 60 euros, do que nos privados onde se consegue uma consulta de especialidade por 35 euros. O problema é que ao contrário da classe politica, o comum portugues não ganha o suficiente para pagar seguros de saúde ou frequentar clinicas/hospitais privados às suas custas. 
Se o sr. secretário-geral do PS frequentá-se os serviços do SNS com certeza não viria agora a público expressar a sua indignação com o que viu pois esta é uma realidade nacional  que já vem do século passado. 

Doença é só para quem pode...

sexta-feira, 9 de março de 2012

ACERCA DA MEDIÇÃO DE AUDIÊNCIAS NA TELEVISÃO PORTUGUESA


Muito recentemente, foi alterada  a empresa prestadora do serviço de medição de audiências da televisão portuguesa. A passagem de testemunho da Marktest , que realizava este serviço já há 13 anos, para a GFK foi, no entanto, e para não variar, cheia de controvérsia. Se por um lado é bom saber que, possivelmente, nenhuma empresa é detentora de exclusividade na prestação de serviços públicos e/ou privados, por outro, continua-se a verificar que estes concursos, entre as diversas empresas e para as diferentes prestações de serviços, continuam a demonstrar tudo menos transparência e objetividade. 
No que toca a este assunto, em particular, verifica-se que a empresa que ganhou o concurso demonstra-se totalmente incapacitada para prestar o serviço. Aliás, ainda em fase de testes, os erros de audiometria da empresa vencedora sucediam-se. Porque? Os estudos, preparação e experimentação necessários para se poder aplicar no algoritmo de  audiometria encontram-se de acordo com a realidade do país. Uma realidade onde os incompetentes ocupam os lugares de chefia, onde os "boys" conseguem ganhar os diversos concursos públicos e/ou privados para que os lobbys  sejam devidamente alimentados. Este será apenas mais um exemplo. Os censos em Portugal aconteceram à pouquíssimo tempo. Esta empresa não teve acesso aos resultados estatísticos?? Acredita mesmo que a população portuguesa apresenta apenas 9% de pessoas com idades superiores a 65 anos? Se calhar é a classe trabalhadora que dá audiências à televisão durante o dia... O que não deixa de ser engraçado é o facto de ser a RTP, a televisão Estatal, a única a "chorar" por este sucedido... o Estado já não controla os lobbys por si alimentados? em que contornos terá ganho, esta empresa de controlo de audiências, o concurso de prestação de serviços? A única certeza é que a publicidade gera milhões de euros anualmente para a televisão. Se um canal tiver maior audiência, a publicidade que passará nesse mesmo canal terá um custo mais avultado e a empresa que controla as audiências controla o "jogo".

quinta-feira, 8 de março de 2012

As portagens da Ponte 25 de Abril



Acerca da notica do duplo pagamento das portagens no mês de Agosto de 2011 à Lusoponte:



Confirma-se que a Lusoponte  recebeu a compensação que estava acordada no contrato de concessão para o mês de Agosto de 2011 (4,4 milhões de euros) e o pagamento dos utilizadores durante o respectivo mês. 
O que se pode retirar desta situação? O Governo não demonstra qualquer problema em cobrar mais dinheiro aos contribuintes, seja qual for o contexto ou  metodologia aplicada. Neste caso, houve a preocupação de retirar a isenção de pagamento das portagens aos portugueses no mês de Agosto, no entanto, não houve a preocupação de rever o contrato assinado com a Lusoponte. Mais, o Secretário Geral, com autonomia total, efectuou o pagamento à Lusoponte mesmo sabendo do corte da isenção... O contribuinte acredita mesmo que o dinheiro entregue pelo estado será devolvido? Se sim, lamento a sua ingenuidade... 
A ponte 25 de Abril foi uma das maiores obras públicas realizadas em Portugal tendo posteriormente sido gerida pela JAE (Junta Autónoma de Estradas e actualmente denominado IEP ou EP) e foi mais tarde cedida para a Lusoponte. Sob que circunstâncias? Vejamos, a antiga JAE e o actual IEP vive exclusivamente dos dinheiros públicos cedidos pelo Estado. A partir daqui gerem o seu orçamento anual para a manutenção e construção de novas estradas. Resumindo, a única construção que permitia a JAE fazer algum dinheiro ainda era a ponte 25 de Abril. Agora que o duplo pagamento à Lusoponte, no mês de Agosto de 2011, vem "à baila", surgem igualmente alguns "danos" colaterais... A Lusoponte, segundo o artigo do jornal Público, afirma que não devolve o dinheiro pago pelo Estado pois este dinheiro servirá para "abater à divida que o Estado tem com a Lusoponte". Mas esta gente é louca? que contrato de cedência é que foi acordado entre o Estado e a Lusoponte?? O valor que é cobrado nas portagens da Ponte 25 de Abril é mais do que suficiente para fazer a manutenção da mesma e ainda gerar lucros anuais indecentes... O estado estará ainda a pagar anualmente à Lusoponte para esta explorar os Portugueses??? É com este tipo de gestão que Portugal pretende ser um país próspero? As grandes empresas em Portugal continuam a ser "intocáveis" e enquanto não houver mudança de mentalidades governativas no nosso país, Portugal não sairá da crise. O Estado tem a obrigatoriedade de utilizar os dinheiros públicos em beneficio do povo e não em beneficio deles próprios e das empresas "amigas".

domingo, 4 de março de 2012

Estatuto do Gestor Público-descubra as diferenças

A 18 de Fevereiro de 2012 foi publicado pelo Governo o novo Estatuto do Gestor Público. Este decreto –lei estipula que os gestores públicos passam a receber um vencimento mensal ilíquido no valor-padrão do vencimento mensal do Primeiro-ministro - 100%, 85% ou 80%. Boas noticias... finalmente existe transparência e coerência nos vencimentos dos mais diversos gestores públicos.
Assim seria se logo à partida não houvesse precedências, ou seja, ao mesmo tempo que a lei é aprovada surgem igualmente cinco empresas onde os gestores públicos ficam imunes a esta mesma lei. Deste modo, os sortudos dos gestores da CGD, TAP, Empordef, RTP e CTT não verão os seus milionários vencimentos desaparecerem, antes pelo contrário... Continuarão eles próprios a decidir os seus vencimentos e os dos seus inferiores hierárquicos. Se um gestor publico ganhar 50 mil euros por mês, quererá dizer, muito provavelmente, que o seu número 2  nunca ganhará menos de 20 mil euros mês. O leitor, tal como eu, gostaria de saber as verdadeiras razões para este escandaloso acontecimento, mas por falta de explicações melhores fica então a que veio a público. Os vencimentos destes gestores não estão sujeitos a limites pois as empresas em questão “são empresas em regime de livre concorrência”.  Parece escandaloso não é? Não fica por aqui... a lei que foi aprovada a 18 de Fevereiro de 2012, dias antes, dia 9 para ser mais exacto, abrira a excepção para estas cinco empresas mas no dia 14 (4 dias antes), o Conselho de Ministros aprovou uma outra resolução (nº 16/2012), que define a possibilidade de conceder novas excepções a esta regra de remuneração. Não é tão bela a metodologia do nosso Governo? Não será por isso de estranhar que pouco tempo depois de esta lei se encontrar em vigor, o nosso exemplar Governo tenha decidido que os salários dos gestores hospitalares do Serviço Nacional de Saúde (SNS) não tenham igualmente as limitações impostas pelo Estatuto do Gestor Público. Não acredita? Dê um olhinho na noticia da nossa televisão estatal:

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=527087&tm=6&layout=121&visual=49

E já agora... aproveite também para ler a noticia das "novas" empresas públicas que pretendem não ser abrangidas pelo "novo" Estatuto do Gestor Público:

http://economico.sapo.pt/noticias/empresas-publicas-aguardam-excepcao-a-cortes-salariais_139009.html

Continuam-se a gastar dinheiros públicos a estudar, a criar, a elaborar e a aplicar leis que, entre as suas diversas alineas, anulam-se a si próprias. É para alemão ver???

 Caro Sr. Primeiro Ministro, a Inteligencia não é exclusiva  a si nem aos governantes por si nomeados. O povo está atendo e a Europa também!!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O Desassossego dos desgovernados

Em noticia recente foi possível ler que o Estado gastou menos 563 milhões de euros em abono de família, subsídio de desemprego, acção social e rendimento social de inserção do que no ano anterior. Sabendo que existem por aí imensos oportunistas, esta parece ser uma boa noticia.
Posto isto, onde poderia mais o Estado poupar dinheiro anualmente? Comecemos pela própria estrutura do estado.... O nosso governo tem no momento 14 Ministérios, apenas 1 a menos do que a nossa vizinha Espanha quando este país tem uma área e população 5 vezes superior à do nosso país. Para além dos Ministérios temos ainda o Gabinete do senhor Primeiro Ministro e do Presidente da República o que totaliza 16 gabinetes ao todo!!! Faz ideia de quanto custa em média cada gabinete por mês??? Consultando o site do governo com os vencimentos aí mencionados (http://www.portugal.gov.pt/pt/o-governo/nomeacoes/sobre-as-nomeacoes.aspx), é possível fazer por alto esse cálculo. Por alto, porque é sabido que para além dos vencimentos existem as ajudas de custo onde estas, podem muito facilmente dobrar ou triplicar o vencimento de qualquer um destes trabalhadores. Portanto, fazendo os cálculos apenas com o que é possível saber, estes 16 Gabinetes custam aos Portugueses,  NO MÍNIMO, 1 976 160 Euros por mês. O que dá 27 666 240 euros por ano. Parece pouco?Adicione 229 Deputados e um Parlamento  à equação.(http://www.parlamento.pt/DeputadoGP/Paginas/DeputadosLista.aspx) Exacto, 229 deputados em Portugal quando um país como a Bélgica, que apresenta uma população semelhante à nossa, contabiliza 150 Deputados; ou um país como a Espanha, que tem 350 deputados para uma população de cerca de 45 milhões de pessoas. E quais os vencimentos destes senhores? (http://www.parlamento.pt/DeputadoGP/Paginas/EstatutoRemuneratorioDeputados.aspx)Mais uma vez fazendo as contas por baixo, temos que por ano cada deputado ganha 56000 euros (sem contar com ajudas de custo e volto a frisar que estas podem muito facilmente duplicar ou triplicar o vencimento destes senhores). Multiplicando este valor por 229 deputados temos por ano 12 824 000 Euros gastos em Deputados. Adicionando este valor ao valor dos vencimentos mencionados no site do governo, para os diversos ministérios, temos um gasto de 40 490 240 euros anuais. Ou seja, em "JOBS FOR THE BOYS" são  gastos por ano, em vencimentos visíveis, cerca de QUARENTA MILHÕES E QUINHENTOS MIL EUROS. Adicionando as ajudas de custo, despesas inerentes aos cargos, despesas de manutenção dos edifícios, entre outros, muito facilmente serão gastos por ano 200 milhões de euros só com estes senhores. Digo ao leitor que este valor por mim apresentado pode não ser real, no entanto, será simpático o suficiente ao ponto de considerar a minha pessoa extremamente ingénua.
Um país com a dimensão do nosso não deveria gastar sequer metade dos valores aqui apresentados. O Estado orgulha-se de ter gasto menos 563 milhões de euros em abono de família, subsídio de desemprego, acção social e rendimento social de inserção no ano anterior, para uma amostra de 10 milhões de portugueses. No entanto,  O que estes 10 milhões de portugueses não conseguem compreender é o facto de o Estado gastar metade desse valor (se for apenas metade) numa amostra máxima de 1000 funcionários públicos.(nas contas apresentadas não foram, com toda a certeza, contabilizados 1000 funcionários).
Não será então de estranhar o desassossego que corre em nós os desgovernados...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Café e Café

http://olhares.sapo.pt/grao-de-cafe-foto3337640.html
O café para mim, tal como para muitos, é um dos pequenos prazeres da vida.
Para além do seu inquestionável valor enquanto estimulante, o café apresenta igualmente propriedades medicinais.O que me levou, no entanto, a escrever sobre o café são os novos modos de venda deste produto. Nomeadamente as cápsulas de café.
Acha que é mais benéfico para si comprar o café em cápsulas? Sou da opinião que este método de venda serve apenas para gerar um maior lucro aos diversificados revendedores de café. Citando a famosa frase de Steve Jobs - "As pessoas não sabem o que querem, até lhes mostrarmos", poderei demonstrar esta minha versão. Qualquer marca que se preze nos dias de hoje, sejam antigas ou novas, e que queiram "vingar" no mercado, necessitam de incluir no seu staff um grande leque de trabalhadores formados em marketing. Deste modo, serão estudadas, trabalhadas e aplicadas as diversas metodologias com o intuito de fazer chegar ao consumidor, o produto, com a maior abrangência e eficácia possíveis. No café, logicamente, enquadra-se este conceito. Assim, o café em cápsulas surge no mercado associado a uma máquina com design inovador, um leque variado de sabores à escolha e uma forte componente de marketing capaz de convencer qualquer um da  qualidade e exclusividade que representa o café em cápsulas. Este produto rapidamente implementou-se no mercado e devido ao seu sucesso, surge, entretanto, uma variadíssima gama de marcas de café, com as suas próprias máquinas de cápsulas.
Ao consumidor este "boom" de café em cápsulas foi bem vindo, ou seja, o preço deste item só poderia descer  tornando-se assim menos exclusivo para pessoas com maiores vencimentos. Parece-lhe bem não é? À primeira vista este método de fazer café aparenta ser bastante mais rápido, cómodo, limpo, económico e saboroso. Mas não é!! Para além do mais, continua a ser um negócio altamente lucrativo para as empresas que o exploram. Não acredita? Comparemos a máquina de cápsulas com uma regular máquina de café expresso (independentemente das marcas das máquinas e dos cafés).
O tempo de aquecimento de qualquer uma delas bem como o preço de aquisição é semelhante. Em termos de rapidez e comodidade parece-me igualmente serem semelhantes. O tempo de colocar ou trocar as cápsulas é idêntico ao de colocar o café no compartimento, mandar fora o borrão e colocar mais café. No caso de querer reaproveitar o borrão de café, com a máquina de café expresso normal basta colocar o borrão directamente nas suas plantas ou jardim, se o quiser fazer com as cápsulas terá de as abrir, efectuar o processo atrás descrito e  só depois poderá então colocar as mesmas no lixo ou no recipiente de reciclagem. Se reciclar as cápsulas , deitar no lixo ou entregar as mesmas (sem retirar o borrão de café) no local onde as compra, para reutilização, terá sempre que se haver com a água suja que sai das cápsulas impregnando-se por todo o lado à medida que pinga do saco onde as transporta. Em termos de sabor, ainda não consegui beber um café de cápsula que supere o sabor de um regular café expresso. Digam o que disserem, a qualidade do café expresso regular continua a superar largamente o café expresso que vem nas cápsulas. Para quem não sabe, aproveito para transmitir um velho segredo de qualquer estabelecimento de cafés: se quer um café expresso de qualidade e com o sabor exclusivo que tanto aprecia não há nada melhor do misturar diferentes marcas de café até conseguir a sua receita ideal. Consegue fazer isto com as cápsulas? claro que não!! Para além do mais, muito possivelmente, será  o que as diferentes marcas das cápsulas fazem para obter diferentes sabores. Em relação ao preço, não existe qualquer grau de comparação. Cada cápsula de café tem um custo mínimo, e friso mesmo mínimo, de 25 cêntimos (o valor é sempre superior mas assim facilita as contas). Acha que é barato? Se conseguir encontrar este preço por cápsula, comprará 10 cápsulas de café por 2.5 Euros. Numa casa onde habitem 2 pessoas e onde cada uma delas beba 2 cafés por dia, terá ao fim de 5 dias gasto nada mais do que 5 euros em café. Contabilizando que um mês tem 30 dias, temos que em café, este agregado familiar gastará 30 euros. Ao fim de um ano, 360 euros serão gastos em cápsulas de café. Note-se que a água e a electricidade não estão incluídos nestas contas.
 Um saco de 250g de café para máquinas expresso normais consegue-se, já com alguma qualidade, por 2 euros. Com esta opção, tem a possibilidade de escolher a dose de café que coloca, pode aproveitar o borrão do café e ainda pode saborear o maravilhoso cheiro a café fresco. A duração para 2 pessoas que bebam 2 cafés por dia varia, no entanto, é garantido que terá café durante pelo menos uma semana. Digamos que dura 5 dias com o tipo de consumo atrás descrito (para o efeito de simplificar o cálculo). Neste caso, são gastos por mês 12 Euros o que representa um gasto total anual de 144 euros em café. Ou seja, se comprar café em saco, poupará no mínimo 216 Euros por ano!! Convencido(a)? Eu estou!!

Como falar muito sem dizer nada - Domine qualquer reunião de trabalho





(Tentei saber a origem e autor da tabela mas não me foi possível descobrir)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A Malária em Portugal

Já alguma vez pensou ser possível existirem condições para a existência e proliferação da Malária em Portugal Continental?

De origem Africana e com início estimado em mais de um milhão de anos, a malária, também denominada sezonismo ou paludismo, é uma doença provocada por protozoários do tipo plasmodium que vivem nos glóbulos vermelhos e que são inoculados por mosquitos fêmeas anopheles. A sintomatologia desta patologia é caracterizada por febre alta e periódica, com arrepios de frio, suores, falta de apetite, anemia, dores de cabeça, esgotamento físico e grande sonolência. Em fase crónica apresenta um grande aumento do volume do baço, entre outros.
Em Portugal Continental, tal como em quase todo o mundo, não é possível precisar a origem física e temporal da malária. No entanto,  estima-se que esta doença tenha existido durante oito séculos em Portugal Continental (século XIII a XX) e que terá representado uma das maiores epidemias já registadas na história nacional.
Erradicada desde o ano de 1973 em Portugal Continental, a malária nos dias de hoje continua a ser uma patologia com grande risco de voltar a disseminar-se por território nacional.

Como?

O protozoário – género Plasmodium – que provoca a malária, é transmitido a partir da picada do vector – mosquito fêmea – do género Anopheles.
Um mosquito fêmea Anopheles, saudável, que pique um homem infectado com malária, desde logo, fica contaminado pelo protozoário Plasmodium tornando-se assim um potencial vector.

São quatro as espécies de Plasmodium que infectam o Homem e que nele provocam a patologia :

• Plasmodium malariae – apresenta uma distribuição geográfica fragmentada. Pode produzir infecções de longa duração, assintomáticas, e que podem durar toda a vida.
• Plasmodium vivax – apresenta a distribuição mais ampla de todos os Plasmodium, predominando na América do Sul e certas partes da Ásia. Tem a capacidade de se desenvolver em mosquitos cujo habitat é mais temperado (o que não invalida que não esteja também presente em regiões tropicais e subtropicais).
• Plasmodium ovale – tem a menor abrangência, a nível geográfico, de todos as espécies de Plasmodium; encontra-se com maior frequência na África tropical e no Pacífico Ocidental.
• Plasmodium falciparum – mais comum nas regiões tropicais e subtropicais (como Portugal). sendo o responsável da forma mais grave de malária, leva frequentemente, e se não tratada, a situações de malária cerebral bem como a complicações renais, hepáticas e esplénicas que rapidamente conduzem à morte.

Vector (portador) da malária - mosquito anopheles

Os vectores da malária que se encontram em território europeu pertencem à espécie Anopheles maculipennis.Sendo o A. Maculipennis atroparvus  o legítimo transmissor do parasita em Portugal.
As poças de água estagnada são o território ideal para a  reprodução do A. atroparvus sendo a temperatura mínima para a sua sobrevivência e reprodução de 8,5 ºC.

Diáriamente milhares de pessoas transitam por Portugal com origens, propósitos e destinos diversos.Com a ambundância de mosquitos capazes de propagar malária em Portugal acha que nós portugueses estamos imunes a este flagelo?
Da próxima vez que for picado por um mosquito lembre-se que a leishmaniose não é o único perigo real com que se preocupar...

Para um estudo mais aprofundado da Malária em Portugal pode consultar -
http://hdl.handle.net/10451/2612